<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698</id><updated>2012-01-07T19:40:09.146-08:00</updated><category term='José Lúcio Travassos Valdez'/><category term='fuga de Moçâmedes no Silver Sky'/><category term='eu te vi crescer... Raul Trindade'/><category term='Silvestre Newton da Silva ; Fauna deserto Namibe'/><category term='a revolta em Mossâmede'/><category term='minha terra'/><category term='ARMINDO BENTO'/><category term='Colonizaçao de Angola; NAMIBE;'/><category term='A Fundação de Moçâmedes'/><category term='Raul RadichJ únior'/><category term='Cuamato'/><category term='Independência de Angola'/><category term='Gilberto Freire'/><category term='O Conde de Bonfim'/><category term='MEMORIAS DE UM MOÇAMEDENSE'/><category term='colonos fundadores'/><category term='1º colonia Brasil'/><category term='a deportação para Angola'/><category term='Descolonização de Angola'/><category term='Manifesto dos colonos de Moçâmedes sobre tráfico ilegal de escravos'/><category term='colonizacao sul Angola'/><category term='Angola - Moçâmedes'/><category term='Angola'/><category term='TÚMULOS AFRO-CRISTÃOS'/><category term='Simão Tôco'/><category term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes'/><category term='Moçâmedes'/><category term=';'/><category term='A Fundação de Mossãmedes; Angola - Moçâmedes'/><category term='1860'/><category term='Simão José da Luz Soriano'/><category term='Namibe'/><category term='O farol da Ponta Albina'/><category term='tourada em Moçâmedes'/><category term='Mossamedes'/><category term='1950'/><category term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes; Angola; Namibe;'/><title type='text'>Moçâmedes: registos e factos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-572812533322007096</id><published>2011-07-03T10:13:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T07:04:46.273-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manifesto dos colonos de Moçâmedes sobre tráfico ilegal de escravos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moçâmedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1860'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Fundação de Moçâmedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colonos fundadores'/><title type='text'>Moçâmedes, registos e factos: Manifesto dos colonos fundadores  sobre tráfico ilegal de escravos (1860)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TVHwwxhRCVI/AAAAAAAAWF0/bqnFgpNzGg0/s1600/A20.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="251" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TVHwwxhRCVI/AAAAAAAAWF0/bqnFgpNzGg0/s400/A20.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Manifesto dos colonos fundadores de Mossamedes sobre tráfico ilegal de escravos: 1860&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em  1860, 11 anos após&amp;nbsp; o início do povoamento branco da região assinalado com a chegada da colónia de Pernambuco (Brasil), em 1849, fugindo à onda de antulusitanismo no decurso da revolução praeeira,&amp;nbsp; num manifesto endereçado ao Governador de Benguela  pelos vários  produtores de urzela de Mossâmedes,&amp;nbsp; estes mostraram-se indignados com os prejuizos gerados pela  tentativa de  tráfico ilegal de escravos perpretada por um "potentado"  local (distrito) de nome Manuel  José Correa. Este é um caso à primeira vista  absolutamente insólito, pois trata-se de uma manifestação formal de produtores  angolanos contra o  tráfico ilegal, algo que seria simplesmente  impensável dez ou vinte  anos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que os colonos pioneiros pretendiam era acabar com o tráfico ilícito para as Américas, de acordo com o Decreto de Sá da Bandeira, de 10 de Dezembro de 1836, mas preservar um tipo de escravidão, que,&amp;nbsp; em  detrimento do tráfico, possibilitaria a fixação de mão de obra indígena necessária ao desenvolvimento da região, numa época em que a fuga de escravos libertos era uma realidade em face de tal ameaça que por sua vez ameaçava de total ruina a maior parte dos estabelecimentos da apanha da urzela e pescarias.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Vamos falar  dos grandes, digo, dos graves danos e perigos que desde já ameaçam os  moradores e donos das feitorias que ao longo desta costa se dedicam com  os seus escravos aos valioso ramo da industria da apanha da urzela,  danos e perigos estes, tanto mais a lamentar que por longe seriam  provenientes de algum acaso imprevisto, ou vaivém de sorte, são, pelo  contrário, expressamente causados pela vontade de criminosos manejos de  um só indivíduo que no menoscabo da leis e convenienciais sociais com  todo o descaramento exerce na costa o ilícito e nefando tráfico da  excravatura com o qual ameaça de total ruina a maior parte dos  estabelecimentos da apanha da urzela e pescaria."&amp;nbsp; by Lopes de Xavier Botelho, publicista.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A   manifestação antitráfico dos promotores da urzela deu-se na verdade   quando a economia de Angola já transitara completamente&amp;nbsp; para o comércio   lícito. A urzela era um musgo com aplicação tintorial muito procurado   pelas industrias texteis da Europa. Em Mossâmedes e no distrito com o mesmo nome existiam feitorias   destinadas exclusivamente à colheita da urzela, onde os escravos constituiam a   mão de obra desta actividade. Por outro lado o barco espanhol que  tanto  temor causava aos proprietários quanto aos escravos, é certo,  fazia o  tráfico ilegal para Cuba.&amp;nbsp; Em finais dos anos cinquenta, o  tráfico ilegal se  vigorava na região do Congo (Angola),&amp;nbsp; contudo  fazê-lo no sul de Angola  era uma verdadeira anomalia. Em geral os  embarques ilegais aconteciam  entre o Ambriz e o rio Zaire, através de  traficantes que operavam na  clandestinidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O  perfil das operações de Manuel José  Correa, o responsável pelos  embarques ilegais em Mossâmedes não revela  nenhum tipo de organização  estruturada. Correa actuava sozinho e não em  rede como faziam os  traficantes que actuavam a partir do rio Zaire. Na  verdade ele também  era dono de uma propriedade em Mossâmedes (distrito). Afasta-se  assim a hipótese  de uma feitoria isolada para o tráfico ilegal na  região. Correa não  tinha barracões de escravos, nem agentes espalhados  pelo sul de Angola.  Antes de retomar o tráfico ilegal é provável que ele  se dedicasse à  colecta da urzela. Ou seja, era mais um dos produtores  da região.  Exactamente como aqueles que iriam se indignar diante do embarque  de mais de  200 escravos, organizado por ele em Setembro de 1859.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Ano passado no  mês de Setembro, o Senhor Manoel José Correa, morador e proprietário do  sítio denominado Carumjaba, valendo-se da sua posição isolada, e  sobretudo contando com a total ausência dos cruzeiros nestas paragens  teve a criminosa audácia de receber em seu posto um barco espanhol que  por ele, Correa, expressamente convidado, vinha embarcar negros como de  facto os embarcou, acima de duzentos, e com eles seguiiu para o reino de  Havana.&lt;/i&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Visto   pelos escravos de outras feitorias que temiam pelo  retorno  do tráfico ilega,l o embarque ilegal perpretado por   Correa teve sérias consequências. Por essa razão aconteceram várias fugas das feitorias. Era isto o que mais afligia os  produtores da  urzela: perder a mão de obra que garantia a colecta da  urzela. Tinha-se  a preocupação maior com os efeitos indirectos a partir  das embarques  ilegais na região, as fugas dos escravos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"É sabido que   muito bem tomadas que sejam as precauções dos interessados em   semelhantes embarques de negros nunca se podem efectuar sem que isso   desse nos olhos aos que mais ou menos de longe&amp;nbsp;&amp;nbsp; estanciam do local onde  neles se  efectuavam, motivo por que os escravos das vizinhas feitorias  viram com  seus olhos o sito embarque dos negros que o Sr. Manuel José  Correa fazia  a bordo do dito barco espanhol por ser feito de dia claro.  Por  consequencia, todos os demais feitores logo tiveram conhecimento  dele  e quanto bastou para manifestar espanto e alvoroço entre estes  vendo ter  chegado outra vez o tempo de embarque de escravos e que eles  também em  breve tocavam a sua vez. Logo em seguida disso tiveram início  nas  feitorias as grandes deserções em massa. Foi então quando ao Sr.  Narciso  Francisco de Sousa que estava apanhando urzela em S. Nicolau  fugiram de  uma só vez mais de 30 escravos, Ladislau&amp;nbsp; A. Magyar,&amp;nbsp; na  Lucira sete. "&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Correa  segundo produtores de Mossâmedes roubava escravos para vender aos  navios negreiros espanhóis. Não se sabe se tal crime foi a ele atribuido  como um artificio para chamar a atenção das autoridades. Afinal,  dizia-se, era seu "costume antigo"&amp;nbsp; o de "roubar e sonegar" escravos  fugidos. Apesar disto, no entanto, nenhuma protecção fora antes escrita  pelos produtores. Escravos que se julgavam réus de algum delito,  procuravam por Correa para pedir "padrinho". Mais uma vez tem-se na  conta a aplicação de um costume típico da escravidão. Como já vimos no  interior através da fuga "chimbika", escravos insatisfeitos buscavam por  outros donos. Aparentemente algo parecido aconteceu em Mossâmedes  através dos escravos que buscavam Correa para pedir "padrinho".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;" Temos que notar  ilustradissimo Sr, que entre os desgraçados escravos que o tal Sr Correa  levava a embarcar iam alguns roubados também - porque pelo que se sabe,  há muito tempo, é costume antigo deste sr. roubar e sonegar parte dos  escravos que nas suas fugas são capturados pela sua gente no sitio da  Carumjaba e mesmo parte daquelas que das feitorias vizinhas para lá  acodem a título de lhe pedirem "padrinho" por algum delito de que os  ditos julguem serem réus (...) não falando dos muitos moradores de  Mossâmedes que para sempre têm perdido os seus escravos, sendo  embarcados nos navios negreiros dos quais este homem imoral é agente  especial".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O  ápice do circulo das revoltas escravas deu-se na propriedade de Manuel  Paula Barboza. Sua feitoria tinha mais de cem escravos a desempenhar  várias tarefas: colecta de urzela, pescaria, além de agricultura. O  temor dos embarques ilegais também atingiram os escravos de Barboza.  Assim, uma grande da revolta escrava aconteceu em sua feitoria, e a  violencia extrema marcou este "holocautro". Após aguardar o anoitecer,  os escravos de Barboza saqueram e incendiaram a casa do proprietário.  Não o encontrando, em grande algazara, assassinaram o caixeiro de  Barbosa, fugindo depois para a liberdade nas terras do interior.&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Porém o mais calamitoso de todos esttes desastres e até  horroroso no seu efeito,&amp;nbsp; foi aquela fuga que o&amp;nbsp; Senhor Manoel Paula  Barboza sofreu no Inamangando onde se achava estabelecido há um bom par  de anos,&amp;nbsp; tendo empregados em diferentes misteres, como agricltura,  apanha da urzela e pescaria, mais de 100 escravos, gente adulta, e de  muitos anos de serviço. estes, então, que, por cúmulo da infelicidade  tiveram ocasião de ver com os próprios olhos o embarque dos negros que  se fazia a bordo do barco espanhol, no porto de Carunjaba, juraram  desertar todos e até vingar-se do próprio senhor, pois supunham, e mesmo  diziam,&amp;nbsp; que já não restava duvida alguma em que depois de longos anos  de serviço, com que com mais certeza deviam contar e de serem embarcados  para alem mar - o dito juramento eles cumpriram à risca: pos dee  repente armaram-se, sublevaram-se e invadem à boca da noite a casa do  seu senhor, saquearam, e incendiaram, procuraram entre gritos furiosos o  Sr Paulo Barboza, que por felicidade achamdo se ausente salvou-se,  porém em lugar dele o seu infeliz caixeiro foi vítima expiatória do  furor dos amotinados - entre mil torturas expirou aos golpes de azagaias  e ainda com isso não contentes os furiosos escravos separaram-lhe a  cabeça do tronco, o mutilado cadáver entregaram-no às chamas da casa  incendiada e qual demonios do inferno entoavam cantigas e danças de roda  do terrível holocauto da infeliz vitima. Saciado desta maneira o furos  canibalesco, todos, grandes e pequenos, de ambos os sexos, levantaram e  tomaram o caminho para as terras gentilicas. Foi pois, esta forma que o  Sr Manoel da Paula Barboza, por fazerem os outros embarques de  escravatura na sua vizinhamça, teve que sofrer valiosa perda de uns  poucos contos de reis alem da cruel e dolorosa lembrança que lhe resta e  restará da sorte infeliz do seu caixeiro, no que deverasw nós também  todos sinceramente acompanhamos."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O  caso da revolta de Mossâmedes demonstra que as relações entre escravos e  senhores eram reguladas por compromissos segundo os quais os escravos  tinham condições de conquistar certos espaços. Se quebrados tais  compromissos podiam ter resultados desastrosos para os proprietários,  como no caso de Mossâmedes. Tais compromissos eram provavelmente  construidos a partir de referências que os escravos mantinham de suas  sociedades de origem no interior da África Central.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:iu9p1F8Fvo8J:www.casadasafricas.org.br/img/upload/958207.pdf+roquinaldo+ferreira&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;gl=pt&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESjh9K1745ifCUmeMwL_NpOxCDSRR2chVSJW4IoqlbKUXZ-LdF5U6Ul0ZoZUoxhXzzkOMkONhYK4Urwg4_zBhLn1IUyZCByHJWM5BK3LKfo4Bl95rVrbUf_bwRU0GhExpZJmd26J&amp;amp;sig=AHIEtbSe_eHHzmm6b0t42zmWZmSsUCQvtw"&gt;&amp;nbsp;ORIGEM&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-572812533322007096?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/572812533322007096/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=572812533322007096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/572812533322007096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/572812533322007096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2011/07/mocamedes-registos-e-factos-manifesto.html' title='Moçâmedes, registos e factos: Manifesto dos colonos fundadores  sobre tráfico ilegal de escravos (1860)'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TVHwwxhRCVI/AAAAAAAAWF0/bqnFgpNzGg0/s72-c/A20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-6908877517428641338</id><published>2011-04-18T11:19:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T11:21:13.675-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a deportação para Angola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Lúcio Travassos Valdez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Conde de Bonfim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='a revolta em Mossâmede'/><title type='text'>A deportação do Conde de Bonfim, José Lúcio Travassos Valdez e a revolta em Mossâmedes, Moçâmedes, Angola, em</title><content type='html'>&lt;div class="post-header"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-body entry-content" id="post-body-2959502737738236277"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/GP_Conde_de_pd-bonfim.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="Ficheiro:GP Conde de pd-bonfim.jpg" height="400" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/GP_Conde_de_pd-bonfim.jpg" width="270" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na foto: José Lúcio Travassos Valdez . Primeiro, Barão (1835), e desde (1838), Primeiro Conde do Bonfim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A deportação e o degredo foram nos séculos XIX  e XX uma poderosa arma ao serviço dos regimes políticos. Em todo o  mundo foi evidente a utilização desta forma de migração forçada como  meio para impedir a acção dos opositores políticos. A prática não é  recente sendo uma constante do processo histórico desde a Grécia e a  Roma antiga, e poderá ser assinalada a partir de 1797 com a ida dos  opositores da Revolução Francesa para a Guiana, prática que os franceses  mantiveram a partir de 1852 com as chamadas ilhas presídio, como foi o  caso das ilhas do Diabo, Caiena, e de Saint-Laurent-du-Maroni.  Estevepois ligado aos colonialismos. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Em Portugal a conjuntura  politica oitocentista post revolução liberal provocou migrações forçadas  por força de perseguições políticas para as ilhas da Madeira, Açores,  Cabo Verde e Angola, que serviram de espaços de deportação de alguns  políticos e militares menos gratos aos diversos regimes políticos ou  grupos com controlo do poder. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Após a independência do Brasil,  em 1822, Angola tornou-se o principal destino para os condenados pelas  leis lusitanas, tendo chegado a receber centenas deles anualmente. O  periodo das mudanças porque passou todo o continente africano nos finais  do século XIX, foi marcado pelo aumento da presença europeia e a  conversão económica a partir da abolição do tráfico de escravos. Em  1864, os degredados somavam praticamente um terço da população de  Angola.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os degredados não foram  passivos, eles actuaram no território angolano, na politica imperial  portuguesa e na História de Angola. Foram usados -grupo marginal- no  contxeto de transformação, com o impulso crescente colonial. Foram  importante sinstrumentos como povoadores e tomaram parte no processo de  de embate e diálogo cultural, intensificado na segunda metade do século  XIX.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Para milhares de degredados a  segunda metade do seculo XIX, Angola foi um lugar de castigo. As  sentensas que lhes orientavam para quela região baseavam-se na tese de  que não havia pena mais severa do que forçar a moradia nos espaços  conflituosos e incertos da nova «joia da corôa» apos a independencia do  Brasil.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;No dia 6&amp;nbsp; de Maio de 1847, a Angra do Negro,&amp;nbsp; em seguida denominado Mossâmedes, teve a honra de receber um degredado muito especial. Era o conde do  Bonfim,&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;José Lúcio Travassos Valdez,&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;que na batalha  de Torres Vedras em 22 de Dezembro de 1846, no decurso do governo de Costa Cabral, fora feito prisioneiro e&amp;nbsp; enviado, com outros deportados políticos, no brigue "Audaz" para Luanda,&amp;nbsp; onde chegara, a 25 de Março. Chegado alí, o conde de Bonfim foi impedido de desembarcar, &lt;/b&gt;&lt;b&gt;ante o receio de uma revolta, &lt;/b&gt;&lt;b&gt;tendo sido metido a bordo da corveta  "Relâmpago", com os seus dois filhos, rumo a  Mossâmedes, onde a temida revolta acabaria por ter lugar,&lt;/b&gt;&lt;b&gt; a seu favor e da Junta  do Porto. Face ao acontecido, mais uma vez&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; o conde do  Bonfim,&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;José Lúcio Travassos Valdez teve que partir, então&lt;/b&gt;&lt;b&gt; para a Ilha de Santa Helena tendo a escuna&amp;nbsp; em que viajava sido abordada à saída da baía por um brigue de guerra  inglês que a conduziu a  Luanda, onde o conde e seus filhos foram &lt;/b&gt;&lt;b&gt;apresentandos ao governador. Para mais pormenores, seguem dois textos sobre o assunto, o primeiro retirado de Wikipédia, o segundo&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_L%C3%BAcio_Travassos_Valdez"&gt;&lt;/a&gt;, do digilivro&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;a href="http://books.google.pt/books?id=_nhBAAAAYAAJ&amp;amp;pg=PA56&amp;amp;dq=mossamedes&amp;amp;output=text"&gt;"&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Conde do Bomfim: noticia dos seus principaes feitos":&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ***************&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;José Lúcio Travassos Valdez&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Elvas" style="color: black;"&gt;Elvas&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/23_de_Fevereiro" style="color: black;"&gt;23 de Fevereiro&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1787" style="color: black;"&gt;1787&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; — &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa" style="color: black;"&gt;Lisboa&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/10_de_Julho" style="color: black;"&gt;10 de Julho&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1862" style="color: black;"&gt;1862&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;), primeiro &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bar%C3%A3o" style="color: black;"&gt;barão&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1835" style="color: black;"&gt;1835&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;) e desde &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1838" style="color: black;"&gt;1838&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; primeiro &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conde_do_Bonfim" style="color: black;"&gt;conde do Bonfim&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;, foi um estadista e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtico" style="color: black;"&gt;político&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal" style="color: black;"&gt;português&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; no tempo da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia" style="color: black;"&gt;monarquia&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em sua juventude, o futuro conde  do Bonfim estudou&amp;nbsp; Direito na Universidade de Coimbra e participou a  partir de 1808 da revolta portuguesa contra a ocupação napoleónica da  sua terra. Ele serviu como voluntário sob o comando de Gomes Freire de  Andrade e participou das batalhas da Roliça (17 de Agosto de 1808) e de  Vimeiro (21 de&amp;nbsp; Agosto de 1808) contra os franceses.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até ao fim da  Guerra Peninsular  entrou em muitas batalhas, dando sempre provas de  grande energia e  coragem. Mesmo depois da expulsão dos franceses,  Bonfim permaneceu no Exército português. Em Junho de 1821 foi promovido a  coronel&amp;nbsp; e em 1823, quando em Trás-os-Montes se deu o levante  absolutista, promovida pelo conde de Amarante, foi nomeado comandante da  divisão ligeira, perseguiu os revoltosos, e entrou na Espanha chegando  até Astorga, León e Gradefes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltando para Portugal foi dirigir uma  coluna de operações na Beira, sendo escolhido para marchar à frente das  forças destinadas a opor-se à insurreição de Vilafrancada liderada pelo  infante D. Miguel&amp;nbsp; nos últimos dias de Maio de 1823. Tendo D. João IV&amp;nbsp;  aderido ao movimento iniciado por seu filho, foi dissolvida a coluna do  coronel Valdez, e este intimado a residir em Mora, de onde conseguiu,  com o auxílio de alguns dos seus amigos e antigos companheiros de armas,  ser transferido para Setúbal. Só depois de promulgada a Carta  Constitucional de 1826, sendo ministro da guerra o general Saldanha, é  que ao coronel Valdez se deu novamente o comando de um regimento.  Mandado com o seu regimento e outras forças combater o movimento  absolutista que aparecera em Bragança, e tendo sido obrigado pelos  revoltosos, depois de duro combate, a recolher-se ao castelo da vila,  viu-se forçado a capitular no dia 26 de Novembro de 1826, e foi  conduzido para Miranda e depois para Moncorvo. Sabendo que existia ali um  depósito de armas, tratou com os seus companheiros de se apoderar delas  e tentar cruzar o rio Douro a fim de juntar-se às tropas fieis à Carta,  sendo porém acossado pelas  numerosas guerrilhas que então infestavam a  província deTrás-os-Montes teve de atravessar a fronteira, e as  autoridades espanholas&amp;nbsp; o mandaram para Salamanca e depois para  Valladolid. Passado alguns dias retornou ele a Portugal, chegando a  Lisboa pediu um conselho de guerra para se justificar da capitulação de   Bragança, e sendo-lhe a sentença não só favorável mas até honrosa,   Valdez foi pouco depois nomeado, em 7 de Abril&amp;nbsp; de 1827, governador e  capitão-general da Madeira e Porto Santo. Dedicou-se então aos  melhoramentos materiais e agrícolas daquelas ilhas,  e nestes trabalhos  ficou sabendo dos motins ocorridos em Lisboa e dos  projetos do infante  D. Miguel, de se apoderar da regência do reino,  declarando-se rei  absoluto. Valdez havia fundado um jornal,&amp;nbsp;&amp;nbsp;  "A flôr do Oceano", e no  dia 22 de Junho publicou um manifesto  protestando contra aqueles  projetos, cuidando imediatamente de se  prevenir para a defesa da ilha,  se acaso D. Miguel a mandasse atacar  pela sua esquadra, e comunicou o  ocorrido ao duque de Bragança, aos ministros de Portugal e Brasil, em  Londres, bem como ao embaixador desta última potência em Viena de  Austria.&amp;nbsp;  Pouco depois destes acontecimentos chegou à Madeira o novo   capitão-general nomeado por D. Miguel, mas não tendo podido desembarcar   regressou a Lisboa. Ao mesmo tempo saíram deste porto uma corveta e  dois navios&amp;nbsp; de guerra para bloquearem a ilha, e por fim o  capitão-general Valdez recebeu no dia 16 de Agosto&amp;nbsp; de 1828 uma  intimação para se render ao comandante de uma esquadra, composta de uma  nau, duas fragatas, duas corvetas, dois brigues e duas charruas. Valdez  não desanimou, apesar de ver a grande força dos inimigos, tendo estes,  porém, conseguido apoderar-se do porto de Machico  reconheceu a  impossibilidade da resistência, e entrou em acordo com o  vice-almirante  por intermédio do cônsul inglês residente na ilha. Partiu  então para  Inglaterra com sua mulher e filhos, e ali esteve lutando com inúmeras  dificuldades, chegando a passar privações, até 1832,&amp;nbsp; em que partiu para  a ilha Terceira no arquipélado dos Açores, e apenas desembarcou em  Angra do Heroismo,  foi-lhe dado o comando da 1.ª companhia do batalhão  sagrado, batalhão  só composto de oficiais, e com ele fez a guarda  avançada do exército  libertador quando marchou do Mindelo para o Porto  (Desembarque do Mindelo) ; mas depois, foi mandado pelo imperador para o  quartel general do duque da Terceira, para que este o informasse dos  movimentos do inimigo, sendo em 21 de Julho de 1832, escolhido para  ajudante general. Em 6 de Agosto seguinte foi promovido a  brigadeiro,  continuando como ajudante do duque da Terceira, até que e D. Pedro IV  assumiu o comando-em-chefe, passando nessa ocasião Travassos Valdez a   servir de chefe do estado-maior. Quando o imperador saiu do Porto ficou   ali o brigadeiro Valdez como chefe do estado-maior de Saldanha, e no  combate de 18 de Agosto de 1833&amp;nbsp; comandou a ala esquerda, e a 20 de  Agosto seguiu para a capital com o regimento de infantaria a bordo da  fragata "D. Maria II". Tomou parte na defesa das linhas de Lisboa,  ficando gravemente ferido no ataque de 5 de Setembro  o que o obrigou a  afastar-se do serviço por muito tempo; acompanhando  porém já D. Pedro  para Santarém nos princípios de 1834, e regressando  depois com ele a  Lisboa, quando em seguida a batalha de Asseiceira se formaram dois  exércitos de operações sob o comando dos generais duque da Terceira e  Saldanha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="thumb tleft" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="thumbinner" style="width: 222px;"&gt;&lt;a class="image" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:DpedroI-brasil-full.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando da morte de D.  Pedro IV e a dissolução do&amp;nbsp; estado-maior imperial, o brigadeiro Valdez  ficou  desempregado até que eclodiu a revolução de 9 de Setembro de  1836,&amp;nbsp;  em que se proclamou uma nova constituição. No dia 16 do referido  mês  foi nomeado membro do Supremo Conselho de Justiça Militar. Em  outubro  teve o comando do exétciro do sul , que se formou para evitar a  invasão dos cartistas e em 14 de Dezembro&amp;nbsp; seguinte foi nomeado  comandante da 7.ª divisão militar, continuando naquela comissão. Eleito  deputado no congresso constituinte de 1837&amp;nbsp; pelo distrito de Leiria,  quando surgiu a tentativa cartista da Ponte da Barca, foi Travassos  Valdez, já, então agraciado com o título de &lt;b&gt;Barão do Bonfim&lt;/b&gt;,   encarregado do comando em chefe das forças do sul do reino, recebendo   plenos poderes sobre todas as autoridades civis e militares. Apaziguado o  Alentejo, o Barão do Bonfim juntou-se a Sá da Bandeira, e em 28 de  Agosto de 1837&amp;nbsp; deu aos marechais a ação do Chão da Feira, seguindo  depois para Almeida&amp;nbsp;  e para o Douro para conversar com o conde de Antas&amp;nbsp; que voltava da  Espanha e logo a seguir terminava a revolta cartista&amp;nbsp; ganhando a ação de  Ruivães.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Regressando à capital, foi nomeado ministro da marinha e  interino da guerra em 9 de Novembro de 1837 , conservando-se no  ministério até 9 de Março de 1838, voltando a encarregar-se da pasta da  guerra desde 20 de Abril até 18 de Abril de 1839 . Foi deputado nas  legislaturas de 1839 e de 1840, sendo eleito por vários círculos do  continente do reino, e em 1839 pelo de Goa. Em 26 de Novembro de 1840&amp;nbsp;   entrou novamente no ministério, com o encargo da presidência do   gabinete e as pastas da guerra, e interino da marinha e estrangeiros.   Apresentou então às câmaras importantes e notáveis relatórios, tomou   medidas enérgicas quando em fins de 1840 estiveram para se romper as   boas relações de Portugal com a Espanha, dirigiu as negociações para o   reconhecimento do governo português pela Santa Sé e pelos Países Baixos,  fundou o presídio que depois se transformou na vila de Moçâmedes, e  finalmente em 9 de Julho de 1841, querendo sustentar a instituição dos  batalhões nacionais e encontrando resistência, pediu a exoneração em 9  de Junho de 1841, sendo substituído pelo ministério presidido por  Joaquim António de Aguiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1842 combateu sempre na  câmara alta o governo de Costa Cabral,  depois marquês de Tomar, até que  decidida a revolta pela oposição,  partiu para o Alentejo. O conde do  Bonfim, título com que fora agraciado  em 1838, pôs-se à frente do  movimento iniciado pelo regimento de  cavalaria em Torres Novas no dia 4  de Fevereiro de 1844, e com esse corpo, infantaria&amp;nbsp; e caçadores marchou  sobre a Guarda. Malogradas ainda outras combinações, seguiu para  Almeida e ali sustentou o cerco, emigrando depois para Espanha, França e  Inglaterra. Voltou a Lisboa em 9 de Junho de 1846, vindo da Inglaterra a  bordo do vapor "Mindelo", sendo em 29 de Junho&amp;nbsp; nomeado comandante da  guarda nacional, e em 22 de Agosto, comandante da 1.ª divisão militar,  lugar de que foi exonerado em consequência do golpe de Estado de 6 de  Outubro. Partindo para Évora foi pela junta, formada nessa cidade,  nomeado comandante em chefe das  forças do sul e logo depois presidente  da mesma junta. Na batalha de Torres Vedras em 22 de Dezembro de 1846&amp;nbsp;  foi prisioneiro, sendo conduzido a Lisboa, de onde passou a bordo de  diferentes navios do Estado, e por último para o brigue "Audaz", que  saiu da barra em 2 de Fevereiro de 1847 com destino a Angola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Chegando  a Luanda em 25 de Março, os presos políticos foram levados para  diversas prisões,  mas o conde do Bonfim e dois filhos que o  acompanhavam, Luís e José,  ficaram a bordo da corveta "Relâmpago".  Receando-se alguma revolta, a  corveta levantou âncora e seguiu para  Moçâmedes, onde chegou em 6 de Maio.  No dia 20 deste mês começou em  Moçamedes uma revolução a favor da Junta  do Porto, o conde saiu no dia  seguinte, com os dois filhos, para Santa Helena,  a bordo de uma velha  escuna, que foi abordada por um brigue de guerra  inglês que nessa  ocasião entrava no porto de Moçâmedes, levando-a para  Luanda,  apresentando ao governador o conde do Bonfim e seus filhos.  Desse modo,  o conde foi novamente encarcerado na corveta "Relâmpago",  seu filho  Luís em outro navio, e José mandado para Benguela, ficando nesta  situação até 23 de Agosto, data em que chegou a Luanda a fragata  "Terrible", que em consequência da convenção que pusera termo à guerra  civil, trouxe os deportados para Portugal, onde chegaram em 9 de  Outubro. Depois de ter estado em comissão até Dezembro de 1852, foi  nomeado membro do conselho de justiça militar, cargo que desempenhou até  falecer.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_L%C3%BAcio_Travassos_Valdez"&gt;In Wikipédia&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ***********************&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;h1 class="title" dir="ltr"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 class="title" dir="ltr"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Do Livro: &lt;a href="http://books.google.pt/books?id=_nhBAAAAYAAJ&amp;amp;pg=PA56&amp;amp;dq=mossamedes&amp;amp;output=text"&gt;"O Conde do Bomfim: noticia dos seus principaes feitos"&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Feita  a capitulação foi o conde do Bomfim conduzido  prezo para Belem, com os  seus officiaes, chegando alli na tarde de 25  de dezembro e foram  mandados embarcar a bordo da fragata &lt;i&gt;Diana, &lt;/i&gt;donde foram transferidos para a fragata &lt;i&gt;Rainha, &lt;/i&gt;onde   foram conservados debaixo de grande vigilancia e rigor em consequencia   das ordens do governo, a ponto tal que só era permittido fallarem as   pessoas de suas familias quando para isso obtinham licença especial do   governo, que eram obrigadas a apresentar ao commandante fallando aos   prisioneiros só na presença de um empregado do governo civil.—Que   vergonha, e que horror fazer-se isto ao conde do Bomfim, que foi sempre,   como o narrámos, generoso e egual para com todos os partidos, propondo   amnistias á Rainha, e dando empregos e honras aos seus proprios  inimigos  e vencidos!&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Mas, como se isto  ainda não fosse bastante, o conde  do Bomfim e seus dons filhos mais  velhos, o general Celestino Soares, o  conde de Villa Real, D. Fernando,  o coronel Forman, o patriota &lt;i&gt;Jaime &lt;/i&gt;(commandante do &lt;i&gt;batalhão de Vizeii), &lt;/i&gt;o   tenente coronel Alves (hoje marechal de campo reformado), e mais vinte  e  tantos bravos officiaes, foram mandados inopinadamente durante a  noite  de 27 de janeiro de 1847 passar para bordo do brigue de guerra « &lt;i&gt;Audaz, &lt;/i&gt;»&lt;span class="gtxt_body"&gt;  sem se lhes dizer qual era o (im desta transferencia, e conservados   assim no maior aperto, sem se lhes proporcionarem quaesquer   comímodidades, e para não estarem sujeitos só á ração do porão apenas se   lhes permittia que recebessem a comida que as suas familias e amigos   lhes mandavam de terra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Neste  estado de incerteza do seu destino havendo-se  espalhado que iam para  Angola, o nobre marquez do Fayal (hoje duque de  Palmella), filho do  illustre e generoso duque do mesmo titulo, herdeiro  das suas virtudes,  foi elle mesmo a bordo certificar-se do que  precisavam aquellas  illustres victimas do patriotismo, e logo que obteve  a indispensavel  licença, mandou-lhes para bordo um rico e abundante  rancho, appropriado  a pessoas da classe da sociedade a que pertenciam,  para que não fossem  só sujeitos ás rações de bordo, embora houvesse toda  a idéa (como  depois se verificou), que o benefico e generoso  capitão tenente  Victorino Rodovalho, e depois o capitão tenente Antonio  Sergio de Sousa  (hoje ajudande de ordens do senhor infante D. Luiz), que  commandaram o  brigue Audaz, e os seus offlciaes fariam quanto estivesse  ao seu  alcance para mitigar a sorte e soffrimentos d'aquelles que  contra todas  as leis, sem sentença, e contra todos os uzos, eram assim  degradados  para tão mortifero clima, apesar de haverem capitulado com as  honras da  guerra, saindo o navio para Angola no dia 2 de fevereiro de  1847.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Chegaram a Loanda em 25 de março, e foram   successivamente mandados para prisões em terra todos os companheiros do   conde do Bomfim, excepto elle que foi mudado para a corveta &lt;i&gt;Relampago, &lt;/i&gt;e seu filho segundo o capitão (hoje major) Luiz Travassos Valdez, tão conhecido pelos seus interessantes &lt;i&gt;Almanachs, &lt;/i&gt;e   outros importantes escriptos; sendo mandado o seu filho primogenito o   major José Bento Travassos Valdez (hoje conde do Bomfim, José), com o   major (hoje coronel e commandante militar&lt;span class="gtxt_body"&gt; da Ilha da Madeira), José Herculano Ferreira de Horta para a mortifera cidade de Benguella.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;Depois  disto havendo-se excitado  extraordinariamente os animos na tropa e  habitantes de Loanda a favor  dos prezos politicos, a ponto de se recear  que houvesse uma revolta para  os libertar, tal era a opinião publica  em toda a parte a favor do conde  do Bomfim e da causa que elle  defendia, foi a corveta &lt;i&gt;Relampago &lt;/i&gt;mandada  sair repentinamente, e  passando por Benguella tomou a seu bordo o filho  primogenito do conde  do Bomfim, desembarcando-os e ao filho segundo em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;&lt;b&gt;Mossamedes&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;no   dia 6 de maio; — mas infelizmente para os que os opprimiam tão   injustamente, esqueceram que a opinião publica, a que queriam fugir, era   a mesma em toda a parte—ainda mesmo n'aquellas areias Africanas—e o  que  é mais, inconsideradamente não reflectiram ao menos, que &lt;i&gt;nem todos são ingratos neste mundo l &lt;/i&gt;e cahiram em deportar o conde do Bomfim e seus dous filhos mais velhos justamente para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;cuja povoação via nelle o seu fundador, como dissémos que o foi, quando ministro da marinha e ultramar em julho de 1840.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Com effeito no dia 20 de maio de 1847, como era de suppor teve logar uma revolução em &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;a   favor do conde do Bomfim e da Junta do Porto, cujo governo foi   immediatamente proclamado; mas, como a força que alli existia fosse mui   diminuta para resistir à qualquer ataque dos navios do cruzeiro   portuguez naquelles mares, e todos desejassem vir ajudar em Portugal a   causa que defendiam, trataram desde logo de se aprovisionar, preparar e   embarcar em uma velha escuna de guerra de que tinham tomado posse  apenas  haviam feito a revolução, na intenção de partirem no dia  seguinte para a  ilha de Santa Helena, apesar do mau estado da  embarcação e do grande  risco de serem encontrados pelos navios do  cruzeiro portuguez.&lt;/b&gt; Mas, entrando nesse dia na bahia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;o brigue de guerra inglez &lt;i&gt;Flying Fisli, &lt;/i&gt;coramandado pelo capitão &lt;i&gt;Dike, &lt;/i&gt;aconteceu, que, contra toda a expectativa este official apresou no dia 2i a escuna de guerra &lt;i&gt;Conselho, &lt;/i&gt;em   que o conde do Bomfim e seus companheiros estavam já a fazer-se de   véla, o que era tanto mais inexperado que ainda na vespera o capitão &lt;i&gt;Dike, &lt;/i&gt;perguntando-se-lhe   se te-' ria duvida em receber a bordo alguns dos c'ompromettidos, ou   emfim lhes dar alguem da sua guarnição para dirigir a navegação da   escuna portugueza até á ilha de Santa Helena, visto que os officiaes da   escuna não abraçaram a revolução a favor da Junta do Porto; mostrou-se   disposto ao pedido que se lhe fez. Sendo certo que é do direito das   gentes, ou uso e costume, não se negar os soccorros indispensaveis para a   navegação e salvação das vidas quando quaesquer navios, que se   encontram, os requerem, o que sabemos o conde do Bomfim fez ver ao   capitão &lt;i&gt;Dike, &lt;/i&gt;e que as esquadras britannicas não interferiam   então na guerra civil de Portugal, tratando com a mesma egualdade os   navios do governo e da Junta do Porto, que aliás todos uzavam da mesma   bandeira da nação e reconheciam a rainha. Devemos notar, que além   d'isso, o conde do Bomfim lembrou ao capitão &lt;i&gt;Dike, &lt;/i&gt;que a generosa   e hospitaleira nação britannica jamais deixou de se prestar, com  grande  gloria do seu pavilhão, a dar abrigo ao infortúnio em casos  politicos,  do que lhe apresentou exemplos bem publicos, taes foram: que  o capitão  Canning da corveta &lt;i&gt;Aligator &lt;/i&gt;o recebeu a elle mesmo  conde do  Bomfim a seu bordo, e a sessenta e tantos refugiados para os  salvar da  furia de seus inimigos, e isto no meio de uma esquadra que  fazia  violentas reclamações nas aguas da ilha da Madeira em 1828,  quando o  conde do Bomfim se acolhera áquella bandeira por estarem  acabados todos  os meios de defeza da ilha em nome da Rainha e da Carta  Constitucional,  como o narramos. Que outro tanto aconteceu em Hespanha  em 1842 quando  uma nau ingleza salvou em Cadix a Espartero, duque da  Victoria e o  levou para Inglaterra&lt;span class="gtxt_body"&gt; quando  aquelle illustre general foi derribado da regencia de Hespanha em   consequencia de uma revolução geral naquelle reino. Que por occasião de   uma revolução em Galiza em 1846 havendo-se o brigue de guerra hespanhol   &lt;i&gt;Nervion &lt;/i&gt;declarado por ella, e vendo depois, que havia sido   suffocada, dirigiu-se para Gibraltar, e apesar das reclamações do   governo de Madrid, o governador de Gibraltar entregou o brigue, mas   conservou, como refugiados, o commandante e mais pessoas que nelle iam   entregandolhes as suas bagagens. Que em summa, não ha exemplo de   Inglaterra haver negado protecção ou entregado refugiado algum, que por   motivos politicos estivesse ao abrigo da sua bandeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Apesar das energicas "reclamações e protestos do conde do Bomfim, ao capitão &lt;i&gt;Dike &lt;/i&gt;em   nome do paiz, no seu proprio, assim como no dos seus companheiros de   infortunio, victimas da prepotencia daquelle commandante de um navio de   guerra britannico, que não só manchou a gloriosa bandeira da sua nação,   mas tambem indignou a briosa corporação a que pertencia, levando o  conde  do Bomfim e seus companheiros para Loanda a bordo do brigue do  seu  commando, havendo-os obrigado a passar para o seu navio só com o  fato  que tinham no corpo, sem lhes consentir que levassem cousa alguma  das  suas bagagens e do que tinham a bordo da escuna &lt;i&gt;Conselho, &lt;/i&gt;que  o capitão Dike fizera occupar pela guarnição que lhe approuve, ficando a   bordo da dita escuna, como sabemos, alem das bagagens e de um rico e   abundante rancho com que se haviam preparado para seguirem viagem para a   ilha de Santa Helena, uma consideravel somma de dinheiro que o conde  do  Bomfim já antes da sua sabida de Portugal, á custa de muitos   sacrifícios seus, de sua familia e amigos, bem como depois alguns   negociantes em Angola haviam reunido de antemão .para se habilitarem   assim a fazer face ás despezas que se tornassem indispensaveis para   poderem salvar-se d'Afrioa: — donde com effeito se teriam salvo a não   ter sido aquelle&lt;span class="gtxt_body"&gt; inqualificavel e atroz  procedimento do capitão de um navio de guerra  inglez, — procedimento em  fim que, segundo somos informados, acabou de  completar a ruina dá  fortuna do conde do Bomfim, sua familia, e outras  daquellas victimas do  referido attentado, pois que, chegados a Loanda no  dia ,30 de maio, &lt;i&gt;só com o fato que tinham no corpo, &lt;/i&gt;foram de novo entregues ao governador geral de Angola, o qual mandou o conde do Bomfim outra vez para bordo da corveta &lt;i&gt;Relampago, &lt;/i&gt;seu   filho segundo para outro navio, e o filho primogenito novamente para a   mortifera cidade de Benguella; e tendo acabado de ancorar no porto de   Loanda a escuna &lt;i&gt;Conselho, &lt;/i&gt;a bordo da qual dissemos tinha ficado   tudo que lhes pertencia, o conde do Bomfim reclamou immediatamente a  sua  bagagem, mas unicamente lhe foi entregue &lt;i&gt;a Cama e as suas mallas arrombadas &lt;/i&gt;com alguma roupa dentro, &lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Perdendo-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Tudo &lt;/span&gt;o &lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Depois  de mil difficuldades, o conde do Bomfim, que  ficou incommunicavel,  pode fazer chegai' ao conhecimento do honrado  almirante Sir Charles  Hotham, commandante em chefe da marinha britannica  naquejles mares, um  detalhado relatório a respeito do atroz  procedimento do para sempre  famoso capitão &lt;i&gt;Dike, &lt;/i&gt;pedindo-lhe que  se interessasse com o seu  governo a favor de victimas entregues á  discrição dos seus inimigos  politicos, depois de haverem estado &lt;i&gt;(bem que muito contra sua vontade!) &lt;/i&gt;debaixo  da bandeira britannica. O brioso almirante inglez, apenas recebeu  aquella notír cia na ilha de Santa Helena, mandou a Loanda a fragata &lt;i&gt;Acteon, &lt;/i&gt;do   commando do distincto capitão Mansel, para communicar ao governador   geral de Angola e ao conde do Bomlim, que tinha já mandado prezo para   Inglaterra o capitão &lt;i&gt;Dike &lt;/i&gt;para responder pelos seus   procedimentos; e para outro-sim fazer constar ao governador geral de   Angola e ao conde do Bomfim, que elle almirante intendia que o conde do   Bomfim e seus companheiros tinham direito á protecção da bandeira   britannica, e que embora não reola&lt;span class="gtxt_body"&gt;masse desde   logo a sua entrega, esperava ordens nesse sentido, e portanto contava   tambem que o governador geral de Angola se absteria de tomar qualquer   medida que pudesse ser contraria ao bem-estar ou á consideração devida   ao conde do Bomfim e seus companheiros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Emfim,  estamos informados  de que o cavalheirismo, generosidade e philantropia  daquelle distincto  almirante chegou a tal ponto, que mandou offerecer  ao conde do Bomfim  pelo capitão Mansel, o seu dinheiro e quaesquer  objectos que precisasse,  juntando o referido capitão honrada e  briosamente analogos  offerecimentos da sua parte até onde elle pudesse:  ao que o conde do  Bomfim agradecendo cheio de reconhecimento, sabemos  que respondeu com a  nobreza e independencia que lhe é natural, que  acceitava a offerta da  sua protecção em que muito confiava, mas que não  podia acceitar as  outras suas offertas, que aliás agradecia tanto como  se acceitasse,  porque seria offender a generosidade com que os  principaes habitantes de  Loanda — especialmente o seu generoso amigo  Francisco Barbosa  Rodrigues, presidente da camara municipal — lhe  proporcionava tudo que  necessitava, e a seus dois filhos mais velhos;  alem de que, tanto o  benemerito commandante da estação naval  portugue/a, o capitão de mar e  guerra Cardoso (actual inspector do  Arsenal da Marinha de Lisboa), como o  capitão de fragata João de  Rodovalho, commandante da corveta &lt;i&gt;Relampago, &lt;/i&gt;e bem assim o capitão tenente Escrivanis, que succedeu ao capitão de fragata João de Rodovalho no commando da corveta &lt;i&gt;Relampago, &lt;/i&gt;e o capi'tão tenente Freire, commandante da charrua &lt;i&gt;Príncipe Real, &lt;/i&gt;e   em geral toda a officialidade da marinha portugueza que se achava   naquella estação naval, faziam tudo que estava ao seu alcance para lhes   suavisar a penosa situação em que se achavam, mostrando-lhes a sua   sympathia.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Aproveitando pois o conde do Bomfim a promettida protecção, pediu que seus dois filhos mais velhos fossem man&lt;span class="gtxt_body"&gt;dados   para ao pé de si, e que os seus outros companheiros, que estavam  presos  no porão da Charrua a bordo da qual o conde do Bomfim estava  preso e  incommunicavel, gosassem ao menos de tanta liberdade como a que  elle  tinha, pois que se elles eram criminosos por se terem querido  libertar,  elle conde do Bomfim era o principal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="margin-bottom: 1.5em;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;Reclamou  outro-sim que a -respeito dos prisioneiros  que se achavam em  differentes pontos houvesse com elles ao menos  analogas medidas,  especialmente a respeito daquelles que o governador  geral de Angola  tinha mandado deportar para o sertão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;Com  effeito o capitão Mansel foi immediatamente  reclamar do governador  geral de Angola no referido sentido, e  effectivamente foram dadas as  ordens exigidas em nome do almirante  britannico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;Que reclamações violentas e pesadas indemnisações não pagariamos nós á Inglaterra (sempre prompta a exigirnol-as), se &lt;i&gt;mutatis mutandis, &lt;/i&gt;estes   procedimentos tivessem sido feitos por um official da marinha   Portugueza a quaesquer subditos inglezes por insignificante que fosse a   sua posição na sociedade!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;A fragata &lt;i&gt;Acteon &lt;/i&gt;conservou-se   fundeada no porto de Loanda (para observar se as ordens eram  cumpridas)  até que no dia 23 de agosto de 1847 alli chegou a fragata a  vapor  ingleza &lt;i&gt;Terrible &lt;/i&gt;do commando do distincto e cavalheiro  capitão  Ramsey, que foi buscar o conde do Bomfim e seus companheiros,  que tão  atrozmente haviam sido deportados para Angola, sendo aquelle  magnifico e  grande navio, — então talvez o melhor de Inglaterra—,  mandado  expressamente a Loanda para aquelle fim em virtude de debate e  do desejo  do parlamento britannico, e das ordens do governo Inglez  querendo que  em consequencia do Protocolo de 21 de maio de 1847 pelo  qual a França,  Hespanha e Inglaterra, pela força d'armas puzeram termo á  guerra civil  em Portugal derribando a Junta do Porto; fossem  reintegrados nos postos,  honras e condecorações, de que haviam sido  deraitticlos por um decreto por se  terem declarado a favor da causa  popular ou contra-revolução de 9 de  outubro de 1846 no Porto, contra o  golpe de estado e reacção em Lisboa  na noite de 6 de outubro do mesmo  anno.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="margin-bottom: 1.5em; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Saiu de Loanda o conde do Bomfim no dia 8 de setembro de 1847, e chegou a Lisboa a 9 de outubro desse aono.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;IX Desde a Regeneração proclamando a Carta Reformada em abril de I SI» l até á presente época (Junho de l SOO.) Desde que o conde do Bomfim, depois da amnistia de 1847, chegou a Lisboa a 9 de outubro desse anno, voltando do &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;degredo &lt;/span&gt;injusto que soffreu em Angola, nunca mais tornou a ser empregado, até que só em 21 de dezembro de 1852 depois da &lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;RegeneraÇÃo &lt;/span&gt;em   abril de 1851 sendo ministro da guerra o nobre marechal duque de   Saldanha, foi nomeado membro do Supremo Tribunal de Justiça Militar,   logar que não devia ter sido privado de exercer desde que o Protocolo de   maio de 1847 restituiu todos os funccionarios do estado aos seus   cargos, como os foram exercer os juizes dos outros tribanaes depois que   se publicou a amnistia de 1847; e tanto mais isto é assim relativamente   ao caso do conde do Bomfim, quanto é certo que depois que voltou em   junho de 1846 a Portugal da emigração pelos successos de Torres Novas e   Almeida em 1844, foi logo occupar o seu logar no Supremo Tribunal de   Justiça Militar havendo-se publicado uma amnistia em 1846 como a que &lt;i&gt;se &lt;/i&gt;publicou   em 1847, pois que era membro do referido Tribunal, e os seus membros   segundo a Carta Constitucional não podem ser demittidos, porque são &lt;i&gt;juizes, &lt;/i&gt;e os juizes são inamoviveis;'a lei é egual para todos, e os mi&lt;span class="gtxt_body"&gt;litares não podem portanto ser julgados por juizes de commissãol&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;&lt;b&gt;O  conde do Bomfim, desde  que chegou de Angola, até agora tem-se occupado  em pugnar com a maior  energia constantemente na camara dos pares sobre  muitos objectos de  interesse publico, appresentando importantissimos  projectos de lei para a  organisação das tropas no ultramar,&lt;/b&gt; e da  armada, exigindo a egualdade  da applicação da lei a todos os  Portuguezes de todos os partidos,  pedindo a aprovação do contracto do  caminho de ferro para a sua  provincia (Alémtejo), exigindo o  cumprimento da amnistia de 1847, e  tratando com argumentos  irrespondiveis e a maior mestria de obter na  camara que se fizesse  finalmente justiça aos direitos não só dos  officiaes progressistas mas  tambem dos officiaes da maioria do exercito  que ficaram prejudicados e  offendidos em consequencia de haverem sido  promovidos os que entraram  na revolução pela qual fora proclamada a &lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;RegeneraÇÃo &lt;/span&gt;de   abril de 185Í; vindo este procedimento a tornar-se um castigo para   àquelles que se conservaram lieis ao governo legitimo e que   consequentemente não entraram na referida revolução; querendo o conde do   Bomfim que se fizesse justiça para todos (segundo a mesma Carta   Constitucional) e apresentando como poderoso argumento a lei que   anteriormente restituiu as suas antiguidades e direitos os officiaes que   se tinham compromettido na revolução &lt;i&gt;cartista &lt;/i&gt;em que entraram e que fora aniquillada em 1837.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Chegou o zelo e firmeza do conde do Bomfim  sobre  esta questão, a ponto que na commissão de guerra da camara dos  pares,  composta de grandes notabilidades do exercito &lt;i&gt;foi elle o ttnico &lt;/i&gt;que   sustentou triumphantemente, e por modo irrespondivel, os direitos da   officialidade, offendidos pôr quaesquer movimentos politicos, embora o   projecto de lei, que na camara dos Deputados havia passado quasi com   unanimidade, quando foi para a dos Pares fosse regeitado n'aquella   occasíão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Não  obstante porém ser o conde do Bomfim, como  mostrámos, o tenente  general mais antigo dó exercito, estar coberto de  honrosas cicatrizes,  ter feito distinctos serviços, baver começado a sua  carreira militar  desde o principio da guerra Peninsular, servindo no  estado maior do  invicto duque de Wellington a cujas ordens esteve nas  memoraveis  batalbas da Roliça e Vimeiro, e depois durante o resto da  campanha no  quartel generel do marechal Beresford, assistindo como seu  ajudante  general na gloriosa batalha de Salamanca, entrando durante  aquella  guerra em 9 batalhas, 45 acções de primeira ordem, 6 sitios, 5  assaltos  e muitos combates, escaramuças, etc. sendo o unico general  portuguez  que existe, além do illustre marechal duque de Saldanha,  condecorado  por S. M. F. com a cruz de ouro por 6 campanhas da guerra  Peninsular, e  condecorado por S. M. B. com medalha de distincção por  commando na  mesma guerra; e sobre tudo ter tido depois a honra de haver  sido  ajudante general e chefe do estado maior imperial do immortal   Libertador durante as gloriosas campanhas do Porto e Lisboa, servindo ao   lado de S. M. I. até á sua fatal perda; haver sido por differentes   vezes ministro da rainha a senhora D. Maria n, presidente do conselho, e   lhe ter feito importantes serviços e á nação no gabinete, no   parlamento, c no campo, como deputado, como par do reino e como general:   é para sentir termos de dizer que observámos, com magoa, que ainda   depois de quanto acabamos de referir, foi esquecido o conde do Bomfim,   já pobre e endividado, e tendo apenas a mais pequena e insignificante   gratificação das que vencem os generaes do exercito quando servem como   membros do Supremo Conselho de Justiça Militar; e se deu injustamente o   commando em chefe do exercito com a sua pingue gratificação de   quatrocentos mil réis mensaes ao tenente general conde da Ponte de Santa   Maria, que era &lt;i&gt;major &lt;/i&gt;quando o conde do Bomfim era &lt;i&gt;general e chefe do estado maior do Imperador, &lt;/i&gt;sendo pois o conde da Ponte de Santa Maria mais moderno&lt;span class="gtxt_body"&gt;  do que o conde do Bomflm, embora aquelle general seja muito honrado e   digno de toda a consideração pela sua bravura e outras circumstancias,   mas que ninguem deve dizer que tem serviços tão extraordinarios como os   do illustre e bravo general conde do Bomfim, o qual tambem ninguem  dirá,  que não fosse merecedor de confiança, ou que não estivesse no  caso de  ser encarregado do referido commando, tanto mais que, 'com  satisfação,  vemos agora que se lhe começa a fazer justiça — e, &lt;i&gt;mais vale tarde do que nunca. &lt;/i&gt;—   pois que ainda ha pouco o joven e justo monarcha que felizmente nos   rege, houve por bem dirigir-lhe uma honrosa Carta Regia em 8 de março de   1860 enviando-lhe a &lt;i&gt;Grã Cruz da Ordem de S. Bento de Aviz, &lt;/i&gt;para   lhe conferir um testimunho publico da sua real consideração e apreço  em  que tem os seus serviços; e sendo em seguida nomeado em 4 de junho  do  presente anno, commandante da setima divisão militar, sua provincia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;Concluiremos pois, que embora as &lt;i&gt;parcialidades &lt;/i&gt;dos diversos partidos politicos, continuem a inculcar como &lt;i&gt;vultos dos maiores serviços, etc., só &lt;/i&gt;os &lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Homens &lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;De &lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Mais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Gos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;Tam &lt;/span&gt;(«// &lt;i&gt;riy a que nous et nos amies!») &lt;/i&gt;tambem nós continuamos a esperar que se continuará a fazer a justiça que pertence ao conde do Bomfim.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-6908877517428641338?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/6908877517428641338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=6908877517428641338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/6908877517428641338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/6908877517428641338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2011/04/o-conde-de-bonfim-jose-lucio-travassos.html' title='A deportação do Conde de Bonfim, José Lúcio Travassos Valdez e a revolta em Mossâmedes, Moçâmedes, Angola, em'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-1866683687333824171</id><published>2011-02-16T11:42:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T19:40:09.155-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Namibe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1950'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tourada em Moçâmedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola'/><title type='text'>Corrida de Touros em Moçâmedes (hoje Namibe), Angola. Início da década de 1950</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-t9xtPhZ1Glk/TVwn_wlM3sI/AAAAAAAAWIg/sohVhYrfWN4/s1600/pra%25C3%25A7a+improvisada%252C+chamavam+com+muita+piada%252C+redondel+quadrado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="289" src="http://4.bp.blogspot.com/-t9xtPhZ1Glk/TVwn_wlM3sI/AAAAAAAAWIg/sohVhYrfWN4/s400/pra%25C3%25A7a+improvisada%252C+chamavam+com+muita+piada%252C+redondel+quadrado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-header"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TMjOkKOLDUI/AAAAAAAAVF4/zhsVxZ8EI48/s1600/Corrida+de+Touros3.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TMjOkKOLDUI/AAAAAAAAVF4/zhsVxZ8EI48/s400/Corrida+de+Touros3.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esta foi a segunda e última  tourada realizada em Moçâmedes. que aconteceu no início dos anos 1950 no campo do  Sport Moçâmedes e Benfica, ainda em construção, por iniciativa de José  de Sacadura Bretes (na 4ª foto)&amp;nbsp; e teve a  participação de profissionais vindos de Portugal.&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Foto do fio de Lay Silva, in Sanzalangola, cedidas por João Inácio Tavares, bem como alguns dados que constam no pequeno relato  que segue&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A  primeira tourada tinha sido realizada alguns anos  antes, no «Campo das  Sereias», lá para os lados da Aguada, tendo-se  destacado o aspirante a  toureiro «Orlandini» (Orlando Teixeira), um  filho da terra, e tendo o  espectáculo redundado numa palhaçada, não só  pelo toureiro, mas também  pelo animal. Enquanto, o  improvisado toureiro,  Orlandini, aguardava  "cheio de estilo"&amp;nbsp; a investida da  "fera"&amp;nbsp; para exibir a sua  faena, eis  que surge inesperadamente no  improvisado redondel um bezerro  desemcabestrado que o  derrubou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra particularidade anedótica  desta primeira tourada em Moçâmedes, foi o material que serviu de  construção ao redondel, ou seja,este foi construido à base de fardos de  palha, daí derivando que os touros em vez de investirem contra o  toureiro, não deram luta, porque passaram o tempo a comer a palha,  tornando-se o evento um verdadeiro fiasco.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre José Sacadura Bretes, grande aficcionado&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;da  arte do toureio, pessoa simpática e cheia de iniciativa,&amp;nbsp; que conheci,  mas não pessoalmente, e que recordo cavalgando, emproado no seu alasão pelas ruas de Moçâmedes, conta-se que tendo um dia recebido um cartão de "Boas  Festas" do Governador onde vinham colocados todos os títulos deste, de Capitão de  Mar-e-Guerra, etc, respondeu, assinando: &lt;i&gt;"José de Sacadura Bretes,  Director da Alfândega, Comandante dos Bombeiros Voluntários de  Moçâmedes, Juiz substituto, viajante do vapor Cuanza"&lt;/i&gt;...(*)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É incerta a origem da arte do  toureio. Uns afirmam que surgiu na  pré-história, outros, que as suas  raízes remontam ao século III a.C, em Espanha,  onde a caça aos touros  selvagens era um desporto popular.&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;  Contudo, as touradas tal como as conhecemos, tornaram-se uma febre  durante todo  o século XIX, especialmente entre os  anos de 1910-1920,  onde as arenas foram palco de grandes espectáculos que levantavam o  público de seus  assentos.&lt;/span&gt; Oriunda de Espanha, espalhou-se por  Portugal (primeiro, no Ribatejo), em França e na América Latina (México,  Colômbia, Perú, Venezuela e Guatemala), consistindo o essencial do  espectáculo na lide de touros&amp;nbsp; bravos, através de técnicas denominadas  por arte tauromáquica, composta por toureio a cavalo, toureio a pé                       e pega, resultante da luta frente a frente entre o homem                       e o touro. A diferença entre a tourada                       portuguesa e a espanhola é que em Portugal, o touro                       não é morto na arena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre justificadas como  tradição, as corridas de touros&amp;nbsp; são na verdade um dos costumes mais  bárbaros, espécie de entretenimento de um sector minoritário das  sociedades onde ainda se praticam, redundando num espectáculo medieval e  degradante, que, por detrás da suposta bravura dos  intervenientes,  esconde a  triste e horrível realidade que é a perseguição, molestação e  violentação dos animais, touros e cavalos que, aterrorizados e  diminuídos nas suas capacidades  físicas, são forçados a participar num  espectáculo de carácter medieval, onde o sangue jorra, a  arte é a  violência e a tortura é a cultura. Em Moçâmedes jamais aconteceu um  espectáculo deste género. Foram apenas dois, efectuados ao sabor do  improviso que, como já foi referido, pelo menos un deles redundou&amp;nbsp; em&amp;nbsp;  hiliariantes palhaçadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porquê estas tradições em terras de África?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi talvez a necessidade de  imitar aspectos do rincão natal para suprir a nostalgia da distância,  que teria levado homens como Sacadura Bretes, a tentarem estas «touradas»  em terras de África. O mesmo se passou nessa década com o &lt;a href="http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2007/02/blog-post_22.html"&gt;Concurso de Marchas Populares&lt;/a&gt; acontecidao entre nós, em Moçâmedes, porém tamto as touradas quanto as marchas não passaram de  epifenómenos, ou seja, não vieram para ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa altura o sentido de portugalidade&amp;nbsp;   encontrava-se tão difundido e propagandeado, que os organizadores destes   eventos, geralmente recém chegados da Metrópole, transportavam consigo usos e costumes que&amp;nbsp; não tardavam a pôr em prática, e conseguiam   arrastar as novas gerações, ávidas de folguedos, filhos e até netos e   bisnetos de pais e avós já ali nascidos, que jamais havia pisado solo   metropolitano, a desfilar com  arquinhos e balões, socas e canasta à  cabeça, imitando nazarenas, e  rapazes de barrete verde e vermelho,  quais&amp;nbsp; campinos do Ribatejo, a  cantar e a bailar, acompanhados ao  acordeão e&amp;nbsp;  à concertina, numa  imitação folclórica daquilo que se  passava na terra de  seus e nossos  antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi gente da índole de Sacadura Bretes que fundou associações, organizou clubes, festas,  romarias, peregrinações, peças de teatro, récitas, arraiais, bailes da  pinhata, assaltos de Carnaval, desfiles automóveis (corsos), marchas populares,  cantigas de roda à volta da fogueira, e que na década de 50, pela  primeira vez&amp;nbsp;&amp;nbsp; organizou as "touadas" aqui referenciadas .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/Sg9wzBUxfWI/AAAAAAAAQjU/2j_coTdhKMo/s1600-h/Gin.jpg"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/Sg9wzBUxfWI/AAAAAAAAQjU/2j_coTdhKMo/s400/Gin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui uma foto onde podemos ver na tribuna, ao lado do Governador de Moçâmedes e esposa,&amp;nbsp; e do Comandante Fragoso de Matos, José Sacadura Bretes (o 3º a partir da esq.). Encontravam-se aqui outras caras nossas conhecidas tais como Francelina Gomes (capitã do Ginásio da Torre do Tombo) a receber a taça, o treinador, José Pedro Bauleth,&amp;nbsp; mais à dt. o Figueiras  (das ameijoas) ,  Julia Castro, e Cabral Vieira (de chapéu) e esposa.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="[cent7.jpg]" border="0" height="277" src="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/ReeAOG-d-AI/AAAAAAAAAcE/6sRxoWInhSU/s400/cent7.jpg" width="400" /&gt;&lt;/div&gt;José Sacadura Bretes desfila no seu cavalo num concurso de carros alegóricos, por ocasião das festividades do Centenário da cidade de Moçâmedes, a 04 de Agosto de 1949. Foto de Antunes Salvador  tirada no interior do velho campo de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tY_Z6z80AWc/TwkPem5vLQI/AAAAAAAAYc8/JtoSTtSTTrw/s1600/Mossamedes+tourada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-tY_Z6z80AWc/TwkPem5vLQI/AAAAAAAAYc8/JtoSTtSTTrw/s640/Mossamedes+tourada.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ainda sobre touradas, acabei de conseguir este que e um testemunho vivo de uma tourada acontecida em Mocamedes em 1905, no tempo em que era Governador de Angola, Eduardo Costa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisa e texto de MariaNJardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-1866683687333824171?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/1866683687333824171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=1866683687333824171' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/1866683687333824171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/1866683687333824171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2011/02/corrida-de-touros-em-mocamedes-hoje.html' title='Corrida de Touros em Moçâmedes (hoje Namibe), Angola. Início da década de 1950'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-t9xtPhZ1Glk/TVwn_wlM3sI/AAAAAAAAWIg/sohVhYrfWN4/s72-c/pra%25C3%25A7a+improvisada%252C+chamavam+com+muita+piada%252C+redondel+quadrado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-6621766184922398008</id><published>2010-09-30T09:54:00.000-07:00</published><updated>2011-10-08T14:24:47.249-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Descolonização de Angola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Independência de Angola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fuga de Moçâmedes no Silver Sky'/><title type='text'>DA CIDADE DE MOÇÂMEDES NOS ÚLTIMOS MESES DO IMPÉRIO À CIDADE DO NAMIBE NOS PRIMEIROS MÊSES APÓS A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA. A FUGA NO «SILVER SKY» a 10 DE JANEIRO DE 1976</title><content type='html'>&lt;div class="post-header"&gt;&lt;div class="post-header-line-1"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-body entry-content"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="" class="resizeImage" height="272" src="http://1.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLjtaCJ9S9I/AAAAAAAAVAc/MQaJZXZ3ZnU/s400/img027.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SVb6_JbR93I/AAAAAAAAO8Q/0YEsGytm5mk/s1600-h/Silver+Sky.jpg"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SVb6_JbR93I/AAAAAAAAO8Q/0YEsGytm5mk/s400/Silver+Sky.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Duas perspectivas do velho navio cargueiro grego «Silver Sky». Na segunda, a foto encontra-se encimada pela foto de Carlos José, um dos refugiados, à época aluno&amp;nbsp; interno da "Casa dos Rapazes" de Moçâmedes dirigida pelo padre Diniz Lopes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DA&amp;nbsp;CIDADE DE MOÇÂMEDES NOS ÚLTIMOS MESES DA COLONIZAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PORTUGUÊSA,&amp;nbsp;À CIDADE DO NAMIBE&amp;nbsp;NOS PRIMEIROS MESES&amp;nbsp;DO PÓS&amp;nbsp; INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA.&amp;nbsp;&amp;nbsp;A FUGA NO «SILVER SKY»&amp;nbsp;em&amp;nbsp;10 de Janeiro de 1976&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mário Augusto da Silva Lopes viveu o auge do &amp;nbsp;processo revolucionário em curso (PREC), desenrolado em 1975,&amp;nbsp; tanto na Metrópole como em Angola. "Tal como na Metrópole, mas pior que na Metrópole, &amp;nbsp;também em Angola, com os movimentos de libertação instalados em Luanda, o ambiente revolucionário ia permitindo &amp;nbsp;toda uma série abusos, ocupações, etc,&amp;nbsp; mesmo de propriedades ganhas &amp;nbsp;com o suor do rosto. Os movimentos bombardeavam-se &amp;nbsp;de delegação para delegação, e a tropa portuguesa assistia passivamente ao &amp;nbsp;decair da situação, enquanto os o som mais audível por todas as cidades &amp;nbsp;era o martelar de caixotes."&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;No final da licença graciosa que se encontrava a gozar &amp;nbsp;na Metrópole, Mário Lopes ousou com &amp;nbsp;a família regressar à sua terra natal, Moçâmedes, para ali se radicar definitivamente, onde assistiu às cerimónias da independência de Angola,&amp;nbsp; suportou privações e perigos de toda a ordem, sempre insistindo em não partir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;“No dia 10 de Janeiro de 1976 já não dava para suportar mais. A fuga deu-se no «Silver Sky», &amp;nbsp;o&amp;nbsp; navio cargueiro grego, que nesse dia deixou&amp;nbsp; a cidade do&amp;nbsp; Namibe (ex- Moçâmedes)&amp;nbsp;&amp;nbsp; rumo a&amp;nbsp; Welvys Bay levando consigo mais de 1600 pessoas a bordo&amp;nbsp; comprimidas&amp;nbsp; no convés e nos porões,&amp;nbsp;&amp;nbsp; partilhando a comida, o agasalho e a angústia no porvir, longe de se aperceberem&amp;nbsp; que aquela viagem marcava o&amp;nbsp; fim da&amp;nbsp; presença em terras do Namibe de quantos naquele navio&amp;nbsp; viajavam, e que de forma abrupta se viram obrigados a abandonar&amp;nbsp; o seu&amp;nbsp; torrão-natal.” &amp;nbsp;A ideia era o afastamento temporário para o alto mar à espera que a situação acalmasse. Foi a salvação possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No capítulo&amp;nbsp; &lt;b&gt;«Diário de bordo»,&lt;/b&gt; do seu livro&amp;nbsp; &lt;b&gt;O LADO ESCURO DA LUA,&lt;/b&gt; Mário Lopes narra as vicissitudes passadas no bojo daquele navio,&amp;nbsp; "o drama pungente daquele milhar e meio de pessoas que deixaram&amp;nbsp; o Namibe com destino a parte nenhuma",&amp;nbsp;&amp;nbsp; fugidos da guerra, em buscava de segurança num outro local, mas sempre com a esperança de voltarem à sua terra,&amp;nbsp; tão depressa quanto a horda assassina e a loucura irracional dos homens&amp;nbsp; abrandasse". Tal não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a transcrever, na íntegra, o relato de Mário Lopes (*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;&amp;nbsp;*&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MGLskvHybCk/TdRRrLb6pUI/AAAAAAAAXCM/n4hh55I2_Gk/s1600/fuga1.jpg"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-MGLskvHybCk/TdRRrLb6pUI/AAAAAAAAXCM/n4hh55I2_Gk/s400/fuga1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O LADO ESCURO DA LUA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;«Diário de bordo»&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Enquanto o «Silver Sky» se afastava das águas da baía, no espaço angolano grassava uma autêntica hecatombe, &amp;nbsp;com milhares de&amp;nbsp; homens, &amp;nbsp;mulheres &amp;nbsp;e crianças mortos e&amp;nbsp; estropiados,&amp;nbsp; cidades e vilas totalmente destruidas, &amp;nbsp;fome, &amp;nbsp;doenças, &amp;nbsp;guerra...&amp;nbsp; Essa era &amp;nbsp;a imagem &amp;nbsp;de Angola que perdurou décadas após a&amp;nbsp; independência,&amp;nbsp; prova evidente &amp;nbsp;da incapacidade de Portugal descolonizar, &amp;nbsp;e da irresponsabilidade ambiciosa das grandes&amp;nbsp; potências que, atirando mais achas para a fogueira, vieram dar uma dimensão internacional ao conflito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Seria tempo de se desmascarar os senhores da guerra, as potências internacionais &amp;nbsp;que estiveram por detrás do genocídio do povo angolano, &amp;nbsp;e todos quantos , sem deitaram um pingo do suor do seu rosto&amp;nbsp; por Angola, contribuiram para fazer &amp;nbsp;daquela terra rica, &amp;nbsp;&amp;nbsp;um dos países mais pobres do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que se relata a seguir, é a cronologia da minha perspectiva do acontecido em Moçâmedes, desde minha chegada, até à partida para Walvys Bay, a bordo do «Silver Sky», alertando-se, desde já,&amp;nbsp; que o realce dado a alguns eventos são da sua responsabilidade e poderão não ter tido, no contexto da guerra civil angolana, o impacto aqui alcançado. Outros acontecimentos, de certo relevantes, não terão o destaque e a menção que plenamente se justificaria.”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A descrição que se segue é a dessa viagem de retorno às origens, ou seja, a da minha viagem de regresso a Portugal, iniciada&amp;nbsp; no «Silver Sky», narrada dia a dia,&amp;nbsp; bem assim&amp;nbsp; como dos meses que a antecederam, sem esquecer a saga colonizadora e povoadora dos portugueses em terras do Namibe, e de forma&amp;nbsp; tão genuína quanto foi vivida, tão autêntica quanto&amp;nbsp; lhe foi contada,&amp;nbsp; ou quanto&amp;nbsp; os&amp;nbsp; documentos da época o atestam,&amp;nbsp; uma herança para os vindouros, para que conste no correr eterno do tempo.” &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;A DANÇA DOS MOVIMENTOS EM MOÇÂMEDES E OS ACONTECIMENTOS MAIS IMPORTANTE&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após o meu regresso a Angola, em Agosto de 1975, depois de gozados quatro meses de licença graciosa em Portugal, concedidas pelo Banco de Angola, a &amp;nbsp;entidade patronal, deparou-se-me um quadro verdadeiramente dantesco, no que respeita à situação do terrritório.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda no avião que me transportou e à minha família, de Lisboa para Luanda, constatei estupefacto, e com muita apreensão, que a única mulher que ia no avião, e as únicas crianças, &amp;nbsp;eram as minhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;No&amp;nbsp; aeroporto «Craveiro Lopes», em Luanda, era o caos e o pandemónio. Saltitava-se por &amp;nbsp;entre bagagens, &amp;nbsp;pessoas, &amp;nbsp;lixo e confusão. &amp;nbsp;A ponte aérea &amp;nbsp;Luanda /Lisboa para evacuação de «retornados» atingia o seu climax. Táxis eram inexistentes. Os hotéis estavam superlotados, não garantindo nem&amp;nbsp; água, nem &amp;nbsp;refeições. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aguardei &amp;nbsp;uma semana pelo avião da carreira da «DTA» &amp;nbsp;que nos transportasse de Luanda para Moçâmedes,&amp;nbsp; com adiamento todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Chegados a Moçâmedes , onde nos aguardava o meu sogro Aníbal,&amp;nbsp; demo-nos conta que o pandemónio que tínhamos&amp;nbsp; vivido &amp;nbsp;em Luanda, tinha aqui continuidade. Afinal,&amp;nbsp; acabávamos de fazer o trajecto ao inverso do&amp;nbsp; que toda a gente fazia &amp;nbsp;em loucura colectiva.&amp;nbsp; A debandada das pessoas estava no auge do frenesim. &amp;nbsp;Fomos&amp;nbsp; tidos em Luanda como em Moçâmedes, e , decerto, como seríamos em toda a parte, como seres absolutamente espaciais ou vindos das profundezas da Loucura e do Irreal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na nossa casa, logo na noite da chegada, fomos brindados com o tiroteio intenso que grassava na cidade, como se duma sessão tétrica de boas vindas se tratasse. Logo ali decidimos que, na primeira oportunidade, a minha mulher e as crianças iriam engrossar o imenso caudal da mole humana que, de hora a hora, por terra, pelo mar ou de avião, deixava &amp;nbsp;Angola, &amp;nbsp;no intuito de regressar quando tudo estivesse mais calmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;23 de Agosto de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após luta renhida, o MPLA desaloja de Moçâmedes, a coligação UNITA/FNLA, que se rende cerca das 19 horas, e passa a controlar a cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;28 de Agosto de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Partiu hoje do porto de Moçâmedes, rumo a Luanda, o navio «Ngola», transportando refugiados, para evacuação aérea com destino a Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;04 de Outubro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O dia mais triste da minha vida.&amp;nbsp; Depois de muita hesitação, pesados todos os condicionalismos que a difícil situação envolvia, resolveu-se que não seria justo expormos a nossa família, mulheres e crianças, por mais tempo, aos horrores da guerra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca das 11 horas, malas feitas com o que o imprevisto e o imediatismo&amp;nbsp; permitiam levar, a minha mulher, nossos três filhos, minha mãe, sogra, avó Rosário, cunhada Luisa e seus três filhos tomaram um barco de cabotagem, cheio de refugiados, &amp;nbsp;rumo a Luanda, para ali apanharem a ponte aérea que os levaria a Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após o barco se perder no horizonte, ao regressar a casa, fiquei como que petrificado, tolhido de comoção, coração apertado, ao contemplar os quartos dos meus filhos. Naquele vazio, a minha mente povoou-se de recordações, vendo a um canto, a cama do Paulo Sérgio, ali, um brinquedo do Jorge, acolá, uma roupa do Mário, e toda a casa a recordar-me a minha mulher. Toda esta emoção, ferida ainda mais pelo estigma de não saber quando, em que condições iria revê-los.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;12 de Outubro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje, Domingo, deparei com a minha irmã e o marido, dois cunhados e tios, que chegaram de Sá da Bandeira, viajando de comboio. Haviam fugido daquela cidade onde estiveram presos durante dias sempre maltratados pelo MPLA. Traziam apenas &amp;nbsp;a roupa que vestiam o corpo. Desfez-se em lágrimas &amp;nbsp;logo que me viu. Não consegui arranjar muita roupa, porque as lojas estavam vazias e em minha casa não havia nada de mulher para vestir. Telefonei para Porto Alexandre , ao meu irmão Jorge, que trouxe de lá, roupas grossas e agasalhos, dos&amp;nbsp; «fardos». Conseguiram apanhar o navio «Lobito» que partiu &amp;nbsp;na 4ª feira, para Portugal, absolutamante à deriva, pois no caso deles, perseguidos e marcados para morrerem, deixar Angola, era sinónimo de sobrevivência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;28 de Outubro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manhã cedo. Entraram em Moçâmedes pela estrada de Sá da Bandeira &amp;nbsp;tropas do ELP/FNLA com apoio de mercenários sul-africanos brancos, portugueses de Angola e «mukankalas», comandados por um general australiano. Foi a debandada do MPLA que, fugindo como ratazanas, incendiaram e destruiram o material de guerra que não conseguiram transportar, deixando crianças e mucubais a resistirem aos invasores. Houve muitas mortes &amp;nbsp;de entre as quais uma muito sentida, a do nosso amigo Mário «Chouriço».&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A tomada de Moçâmedes foi &amp;nbsp;algo de espectacular, com tanques, camions de apoio, infantaria, grande aparato bélico, progredindo pelas ruas da cidade, palmo a palmo. Ao largo, na baía, submarinos estrategicamente estacionados, faziam regressar a Moçâmedes vários barcos que trasportavam&amp;nbsp; familias e guerrilheirois do MPLA que se escapavam para Benguela. Os sul-africanos não molestaram a população civil, nem mesmo os simpatizantes do MPLA, transmitindo-nos forte dose de segurança.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As hostilidades começaram na véspera, de tarde, tendo o Banco de Angola, por motivo de segurança das pessoas que lá se encontravam, encerrado a Agência.&amp;nbsp; Na impossibilidade de se circular pela cidade, passámos essa noite, bancários e clientes, no segundo andar daquelas instalações, reservadas aos Administrardores do Banco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;5 de Novembro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após muita indecisão que perdurou&amp;nbsp; até ao último transporte, resolvi-me. O meu &amp;nbsp;carro «Autobianchi A-111», foi&amp;nbsp; o último automóvel a embarcar no&amp;nbsp; «Lobito» &amp;nbsp;para Portugal, e só foi conseguido por especial deferência de uns amigos que superintendiam no carregamento. A bagagem contendo rancho e recheio de casa, num total 7 volumes, seguiu também para Portugal a bordo do navio «Papacostas» , o último a sair de Moçâmedes, devendo a &amp;nbsp;Lisboa &amp;nbsp;a 18 deste mês.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Tive imensas dificuldades em conseguir madeira para engradar a bagagem, pois como me atrasei, os stocks dos armazéns de madeira, aliás, como todos os outros, estavam esgotados. Como o barco estava prestes a zarpar, contratei três carpinteiros e serventes que trabalharam dia e noite, numa maratona contra o tempo, na feitura dos caixotes. Estes eram tão grandes que não cabiam nas portas, pelo que tive que partir as paredes do quintal da casa do vizinho para poderem ser carregados para a camioneta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;11 de &amp;nbsp;Novembro de 1975 (Dia da Independência de Angola)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A Independência. Data histórica para Portugal e para Angola. Noite memorável para mim e para algumas centenas de portugueses e angolanos que assistiram à efeméride com discursos de ocasião e festança que durou pela madrugada dentro e durante todo o dia, feriado nacional, &amp;nbsp;que culminou com o baile da Independência, &amp;nbsp;no Estádio do Benfica. Assim ficara decidido entre os três movimentos e o governo de &amp;nbsp;Portugual, &amp;nbsp;com as inerentes politicas sociais e diplomáticas que o acto exige.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que não havia sido previsto, e muito menos acordado, foi que, nesta data, o neófito país estivesse envolvido em guerra civil, com os Movimentos a guerrearem-se e a desrespeitarem o que tinham subscrito em Alvor, demonstrando o governo português total incapacidade, como potência colonizante, para dominar tal estado de sitio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Assim, nesta data, foi festejado por todo o território, o nascimento de uma nova Nação, mas&amp;nbsp; dominada por duas forças antagónicas.&amp;nbsp; No norte, planalto central &amp;nbsp;e sul, &amp;nbsp;controladas pela UNITA/FNLA , de Savimbi e Holden Roberto /RDA, com &amp;nbsp;sede em Nova Lisboa, pró-capitalista, &amp;nbsp;e no resto do país, dominado pelo &amp;nbsp;MPLA de Agostinho Nerto, a RPA, com capital em Luanda, e&amp;nbsp; de tendência&amp;nbsp; pró-comunista&amp;nbsp; soviética.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesse contexto, às 00h00 do dia 11 de Novembro de 1975,&amp;nbsp; quinhentos anos após Diogo Cão ter erguido o primeiro padrão a assinalar a presença portuguesa em &amp;nbsp;terras africanas, &amp;nbsp;os delegados da UNITA e da&amp;nbsp; FNLA, arrearam a bandeira Lusa do mastro de honra, fronteiriço ao edifício do Governo Civil da cidade, depositando-a no chão, e hasteando as &amp;nbsp;dos dois &amp;nbsp;movimentos. O incrível &amp;nbsp;ia acontecendo. Um rafeiro que por alí deambulava&amp;nbsp; tentou abocanhar a bandeira arreada, no que foi impedido pelo Chefe do Posto, &amp;nbsp;Pieter Van der Keller, &amp;nbsp;autoridade que representava o governo português, &amp;nbsp;que a tomou em suas &amp;nbsp;mãos, &amp;nbsp;dobrou-a , guardou-a. Tinha cessado, discretamente, sem pompa nem o simbolismo que o acontecimento justificava, a dominação portuguesa de quinhentos anos por terras angolanas. Angola caminhava para a desintegração, &amp;nbsp;e estava a dois passos do caos completo e do apocalipse total. &amp;nbsp;As confrontações entre os Movimentos sucedem-se em todo o País, que, agora, passa a ter uma constituição, dois presidentes,&amp;nbsp; três exércitos e nenhuma administração.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora, livre da presença portuguesa , que&amp;nbsp; &amp;nbsp;militarmente e nos últimos meses &amp;nbsp;se mostrava inoperante, indecisa e timorata, continuava com mais fervor, sem trincheiras nem tréguas , o caos, a confusão, o genocídio tribal e a luta sangrenta pelo poder e pelo mando. Oxalá esteja profunda e redondamente enganado, mas ir-se-ão passar anos, talvez décadas, até que o povo angolano obtenha a Paz e a Tranquilidade que ambiciona e a que tem direito.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLjzs09-ODI/AAAAAAAAVAs/wSDGnnsgxy8/s1600/ultimas+fotos+226.JPG" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLj0iN_WqDI/AAAAAAAAVAw/gvO6LzBkg2Q/s1600/Copia+%282%29+de+Encontro+Caldas+2010+149.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="262" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLj0iN_WqDI/AAAAAAAAVAw/gvO6LzBkg2Q/s400/Copia+%282%29+de+Encontro+Caldas+2010+149.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;30 de &amp;nbsp;Novembro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No porto comercial de Moçâmedes mãos criminosas fizeram deflagrar violento incêndio nos contentores e caixotes pertencentes a muitas pessoas que, à desfilada, tinham vindo dos distritos do Huambo e da Huila, na expectativa de poderem embarcar os seus haveres para Portugal. &amp;nbsp;Muitos daqueles pertences estavam já abandonados &amp;nbsp;por seus proprietários terem partido para destino incerto, confirmada que foi a impossibilidade seu transporte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Chega até nós os ecos do movimento político militar ocorrido 25 Novembro em Portugal, que, sob a liderança militar do General Ramalho Eanes, subtrairia ao Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, a preponderância política que detinha no Estado português.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Portugal &amp;nbsp;havia estado, ao que parece, à beira de uma guerra civil, com um governo fragilizado que não governava, as estruturas militares politizadas e dependentes de grupos mais ou menos organizados, que ambicionavam o poder a todo o custo, e o povo descrente, intoxicado e manipulado por forças extremistas de esquerda que, após a queda do general Vasco Gonçalves, em 28 de Setembro, se tinham apegado ao símbolo que a figura prestigiada do General Otelo constituia, para prossecução dos seus intentos ditatoriais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;02 de Dezembro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Feriado nesta zona de Angola. Tomou&amp;nbsp; posse o primeiro&amp;nbsp; governo da República Democrática de Angola, &amp;nbsp;em Nova Lisboa, que o governo &amp;nbsp;do MPLA em Luanda apelida «fantoche», &amp;nbsp;ignorando-o.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;27 Dezembro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A Unita bombardeia o navio «Guilherme Capelo» que entrou no porto Moçâmedes, autorizado FNLA,&amp;nbsp; para abastecer de combustível o o navio «Roçadas»,&amp;nbsp;&amp;nbsp; acostado ao porto comercial.&amp;nbsp; Face à essa impossibilidade, &amp;nbsp;o «Roçadas» fez-se ao mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;28 de Dezembro&amp;nbsp; de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O «Roçadas» pela calada da noite fez-se ao mar, &amp;nbsp;não chegando a descarregar a carga destinada a Moçâmedes &amp;nbsp;que muita falta fazia por conter bens essenciais e alimentos e medicamentos. Ficámos a partir de agora sem um único meio de comunicação com o exterior,&amp;nbsp; via rádio, nomeadamente com Portugal, o que muito nos entristeceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;29 de Dezembro 1975 &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na sequência de profundas desavenças entre movimentos &amp;nbsp;que se tinham aliado e detinham &amp;nbsp;o controle Moçâmedes, estoirou a &amp;nbsp;confrontação armada entre eles. Pelas 9,30 horas da manhã&amp;nbsp; iniciou-se tiroteio nas ruas de Moçâmedes, entre FNLA e UNITA, que durou até ao cair da noite do dia seguinte.&amp;nbsp; Ficámos todos no Banco, &amp;nbsp;empregados e clientes,&amp;nbsp; até às 19 30 horas,&amp;nbsp; ao amainar da refrega &amp;nbsp;saimos dissimuladament &amp;nbsp;para&amp;nbsp; as &amp;nbsp;nossas casas.&amp;nbsp; Foram 22 horas de fuzilaria intensa , com algumas baixas entre os beligerantes.&amp;nbsp; No final do dia correm rumores que a UNITA domina militarmente a situação, estando a FNLA a aguardar a chegada de reforços provenientes de Sá da Bandeira. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca&amp;nbsp; das 21 horas, alegando motivos de segurança, o locutor Henrique Minas encerra a emisão da Rádio Clube de Moçâmedes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora é a FNLA que controla o sul de Angola e Nova Lisboa. A UNITA está em Benguela e Lobito, &amp;nbsp;e nalgumas localidades a leste.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cada vez a luta pela nossa permanência é mais dificil e penosa. Os &amp;nbsp;alimentos vão escasseando e a&amp;nbsp; electricidade&amp;nbsp; que vem da barragem &amp;nbsp;da Matala foi cortada pela UNITA.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora torna-se impossível a fuga da cidade. Não há aviões, o «Roçadas» zarpou e é perigoso andar pelo deserto, pois muitos &lt;i&gt;«unitas»&lt;/i&gt; andam a monte e os «mucubais», armados pelo MPLA, têm feito grandes chacinas&amp;nbsp; entre a população branca e negra que habitavam as «concessões» no Camucuio, Lola, Caitou e outras.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As ruas estão desertas. Moçâmedes já não tem quase ninguém, e os poucos que ainda cá estão, não saem à rua. A escuridão impera. O medo tolhe. Os boatos proliferam e aumentam o desânino. Na casa onde moro, sozinho, desejando o melhor mas adivinhando o pior, atirei apressadamente &amp;nbsp;algumas roupas para dentro de uma pequena mala de viagem, na perspectiva de fuga rápida durante a noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;30 de &amp;nbsp;Dezembro de 1975&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eram 7,30 horas. &amp;nbsp;Dois Jeeps «Land-Rover» circulam pelas ruas da cidade, dando vivas à FNLA. Os «Kuachas», derrotados, &amp;nbsp;teriam cessado o tiroteio refugiando-se, &amp;nbsp;uns, no deserto, &amp;nbsp;outros, na própria cidade, em casas e nos quintais abandonados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Às 9,30 o Rádio Clube divulga um comunicado da FNLA em que se alerta para as pessoas regressarem às suas casas em virtude da situação não estar completamente normalizada. Pede que médicos e paramédicos disponíveis se dirijam ao Hospital para assistirem aos feridos e disponibilizarem medicamentos que tenham em seu poder.&amp;nbsp; É lido também um apelo dos &amp;nbsp;CTT para telefonistas regressarem aos postos de trabalho. Mais tarde,&amp;nbsp; pela 16,30&lt;b&gt; &lt;/b&gt;horas,&amp;nbsp; já com os&lt;b&gt; &lt;/b&gt;mais curiosos a circularem pela cidade, assiste-se à tomada do Posto Adminstrativo de Santa Rita, nos subúrbios da cidade,&amp;nbsp; onde se acoitavam elementos da UNITA. Continua a ouvir-se o tiroteio das acções de limpeza por parte da FNLA, que vasculha, minuciosamente &amp;nbsp;as casas, quintais e residências de responsáveis e simpatizantes do Galo Negro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após a tomada da cidade por tropas da FNLA, com o apoio ligístico e operacional dos do exército regular sul africano, &amp;nbsp;viveu-se uma certa acalmia. As tropas sul-africanas confinaram-se ao seu aquartelamento,&amp;nbsp; que fora do exército português, &amp;nbsp;tendo dias depois retirado para o sudoeste africano, &amp;nbsp;ficando as estruturas civis da FNLA a dominarem a cidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Curto, porém, como se veria depois,&amp;nbsp; foi este período de sossego.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;10 de Janeiro de 1975, Sábado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pelas 10,30 surgem as primeiras notícias de que se travavam violentos combates em Sá da Bandeira entre UNITA e FNLA para conquista da cidade, que estava de posse deste último Movimento, constando que as forças do Galo Negro tinham já iniciado a marcha descendente, pela serra da Leba, com destino a Moçâmedes e Porto Alexandre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Às 11.30 horas, o Rádio Clube de Moçâmdes, ante a perspectiva da invasão da cidade por forças da UNITA, que estaria por horas, e face às notícias alarmantes que se propalavam pela cidade, divulga um comunicado em que o delegado da FNLA, reconhecendo a inferioridade dos homens e armamento, aconselha calma à população e ordena que se dirijam todos para o porto comercial ou para as instalações daquele Movimento, a fim de serem evacuados, de barco ou de automóvel, protegidos por militares.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No momento em que esta notícia era difundida, como funcionário do Banco Angola, encontrava-me num&amp;nbsp; armazém vistoriando mercadoria vinda de Portugal, &amp;nbsp;cuja documentação vinha à ordem e responsabilidade do Banco. Como o&amp;nbsp; importador tinha já abandonado Angola, a mercadoria que integrava géneros alimenticios e vinhos, nunca seria desalfandegada, correndo o risco de ser roubada ou de se deteriorar, &amp;nbsp;se o Banco não tomasse medidas urgentes para o seu aproveitamento, tendo em consideração a fase de carências de toda a ordem que se vivia. Dirigi-me de imediato à nossa «messe», composta de amigos e colegas do Banco de Angola, como Custódio, o sogro, o Aquinaldo Matos e genro, Osório, Zeca Santos, o Correia do talho, o Mena dos Correios, este, &amp;nbsp;de grande utilidade por conhecer a radiotegrafista do navio «Roçadas», e cujas familias, tal como a minha,&amp;nbsp; já se encontravam a recato em Portugal. Após muita controvérsia,&amp;nbsp; e de pesarmos bem os prós e os contras, decidimos, unânimemente, com muita mágua, aproveitarmos esta oportunidade para sairmos de Moçâmedes. Estávamos cansados da guerra, duvidávamos se a nossa teimosia em permanecer faria sentido, reconhecíamos a nossa impotência para inverter fosse o que fosse, as perspectivas de futuro eram nulas, angustiava-nos o paradeiro desconhecido e a sorte das nossas familias em Portugal . Cada vez que um movimento ocupava a cidade, era maior a sanha da destruição, vingança, ódiio e morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na compita pela dominação das cidades, vilas e povoações, os três Movimentos que fizeram a luta armada contra a presença de Portugal em Angola (MPLA, FNLA e UNITA), degladiavam-se entre si, &amp;nbsp;e, quando dominavam uma cidade ou região, para além de exercerem despoticamente a soberania militar e administrativa sobre elas, imputavam às populações, simpatias pelos movimentos que os precederam no domínio da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para &amp;nbsp;identificação das pessoas afectas aos vencedores, foram concedidos cartões de simpatizantes ou aderentes e como os três movimentos se revesavam&amp;nbsp; ciclicamente, no controle e permanência nas localidades, era normal a maioria das pessoas serem &amp;nbsp;portadoras dos três ditos cartões de identificação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O controle das pessoas no seu labutar quotidiano, era feito com muita insistência e invulgar aparato bélico por patrulhas de soldados, especialmente aos individuos que, ou se suspeitava, com razão ou não,&amp;nbsp; de serem simpatizantes de outro Movimento, ou por exercerem algum cargo cívico de algum destaque; &amp;nbsp;ou por serem brancos, ou, simplesmente, por não haver nenhuma razão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Tinha que se ter o extremo cuidado de termos sempre à mão o cartão certo do Movimento certo. Quando se viajava, &amp;nbsp;e, &amp;nbsp;como não se sabia qual o Movimento que controlava determinada região do percurso, era quase uma lotaria adivinhar-se qual o cartão que tínhamos que exibir, quando nos era exigido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O meu Pai era camionista, e numa das viagens em que transitava de Nova Lisboa para Moçâmedes, assitiu sem nada poder fazer, ao espancamento brutal, até quase à morte, do ajudante do seu camion, só por pertencer à raça «bailundo», que eram hostis aos agressores. Quando o meu Pai não se podendo conter, lhes solicitou que parassem com aquela barbaridade, um dos agressores encostou-lhe a arma ao peito e retorquiu, espumando de raiva: -Cala-te branco de merda, se não acontece-te o mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Certa vez na cidade, mandaram-me parar. -tem cartão, camarada? Inquiriu o soldado. -Tenho sim senhor. É preciso mostra ? retorqui, remexendo nos bolsos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Se tem cartão não oprecisa mostrar. Se não tivesse,&amp;nbsp; é que era preciso. Saiu-se o militar, triunfante, dando-me ordem para avançar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesta fase da nossa permanência em Moçâmedes, como em toda a Angola, havia gente a menos e automóveis a mais. Moçâmedes era também procurada por muita gente das cidades do interior que buscavam nos portos comercial e mineraleiro, transporte para sí, familia e bens. Na impossibilidade de o conseguirem, estes eram deixados à guarda de um amigo, de um familiar, ou simplesmente abandonados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os automóveis circulavam até lhes faltar o combustível&amp;nbsp; (só conseguindo a contrabando), quando se &amp;nbsp;lhes&amp;nbsp; adivinha uma «pane» irreparável, ou, quando conduzidos por guerrilheiros embriagados, terminavam as loucas correrias enfeixados na esquina de uma casa, ou num qualquer tronco de árvore.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Num dia, manhã cedo, soldados armados &amp;nbsp;fizeram «alto» a uma carrinha que transportava dois individuos brancos. O condutor fartou-se de gesticular, mas o veículo só parou quando se espatifou contra um muro, e o «chauffeur» &amp;nbsp;foi morto por uma bala que,&amp;nbsp; atravessando o vidro detrás da cabine, lhe perfurou a nuca, provocando morte instantânea.&amp;nbsp; Verificou-se então que o infeliz condutor não tinha obedecido à ordem de parar, por o automóvel não ter travões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais dois incidentes de entre muitos de que fui testemunha, arreigaram em mim a firme convicção de que era inviável a permanência branca nestas paragens. No primeiro, soldados super armados, irromperam pela Agência do Banco de Angola, onde trabalhava, pretendendo resgatar um cheque, passado à ordem da Delegação da UNITA. Como as assinaturas não conferissem e face à negativa do pagamento do cheque, exigiram de imediato o seu resgate, sob a ameaça de abrirem fogo e destruirem tudo. O cheque foi-lhes pago, como é óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De outra fez fui com o meu pai ao Cinema, numa &amp;nbsp;noite em que tal ainda era possível. No hall de entrada &amp;nbsp;um jovem soldado, ainda púbere,&amp;nbsp; impante de orgulho na sua farda de camuflado, levando a tiracolo uma espingarda metralhadora, peito cruzado por munições, interpelou o meu pai, pedindo-lhe um cigarro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Não tenho,porque não fumo, disse o meu pai, calmamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;-Cabrão de branco, que nem sequer tem um cigarro para me dar, ripostou o heroi, segurando firmemente na arma, à espera, possivelmente, de reacção. Foi ouvir e calar. Pelo menos para mim, Angola estava irremediavalmente perdida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A cidade estava completamente isolada do resto do território. Não havia transportes porque faltavam combustíveis.&amp;nbsp; Não se podia circular, por falta de segurança. &amp;nbsp;Estas duas situações inviabilizavam qualquer intercâmbio entre cidades vizinhas. As comunicações via rádio não funcionavam, como não funcionavam os Serviços básicos, Bancos, Hospital, Organismos públicos e comércio. Todo o pulsar da vida comunitária permanecia em mórbido estertor, e a única esperança de comunicação com o exterior estava num cargueiro grego atracado ao porto, &amp;nbsp;e que as tropas, prudentemente, não deixavam zarpar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não podíamos perder, como não perdemos, esta última oportunidade de nos pormos a salvo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Parti de imediato à procura do meu pai e do meu cunhado Pedro, familiares mais próximos, que sabia ainda estarem na cidade. &amp;nbsp;Não consegui contactar o meu pai, e o Pedro despreocupado, &amp;nbsp;ignorando o que constava pela cidade, estava na praia, desfrutando o prazer do sol do início do Verão, não suspeitando de que naquele sábado&amp;nbsp; o fazia pela última vez &amp;nbsp;na bonita e mítica Praia das Miragens, fronteiriça ao Casino. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois, foi o emalar frenético do que estava à mão, o abandono precipitado das casas, o aliciar dos mais renitentes em ficar, e o rumar apressado para o porto, não sem uma única olhadela pela casa devoluta, pelo carro abandonado, pelo amigo hesitante que fica, por tudo o que nos envolvia e que foi, durante tantos anos, uma vivência plenamente vivida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca das 18,00 horas, após se ter dirigido por duas vezes às pessoas alojadas no «Silver Sky», navio de nacionalidade grega &amp;nbsp;que se encontrava aprisionado no porto de Moçâmedes, o Felício, funcionário da Administração Civil, delegado da FNLA, de raça branca, visivelmente comovido, falando pausadamente, disse:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;«A sinceridade com que vos falo nas horas boas, é a mesma com que vos falo nas horas más. Conforme prometi, aqui estou a dar-vos mais notícias sobre a situação. Até este momento não temos notícias seguras sobre a evolução dos acontecimentos em Sá da Bandeira. &amp;nbsp;A situação é indefinida. &amp;nbsp;Acho que não vale a pena correrem-se mais riscos inúteis. &amp;nbsp;A partir deste momento, o vosso destino é este navio, que rumará de imediato para Walvys Bay. Vou dar ordens neste sentido ao comandante do navio. Boa sorte e...até um dia.»&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Walvys Bay é uma pequena cidade piscatória situada no território vizinho, outrora conhecido por Sudoeste Africano, a cerca de 480 milhas a sul de Moçâmedes. A capital é Windhoeck, no interior do país, com cerca de 60 mil habitantes. O poder político é &amp;nbsp;ilegalmente assumido por um Administrador-Geral designado pelo governo da África do Sul, que administra o território, já depois das Nações Unidas terem declarado o território, um Estado soberano da África Meridional, desde 1968. Os seus 824 269 Km 2 estão impantados na faixa litoral desértica do trópico de Capricórnio –deserto do Namibe - , este por sua vez, confinando com o extenso Kalahari, planaltico desértico, habitado por hotentotes e bochímanos. Tem cerca de um milhão de habitantes, sendo o primeiro produtor mundial de urânio e o segundo em diamantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;O procedimento realista e de elevado espírito de solidariedade revelado por este delegado da estrutura civil da &amp;nbsp;FNLA, numa altura dramática em que estavam em jogo o destino e as vidas de cerca de 1600 pessoas, de entre as quais muitos velhos e doentes que os familiares iam deixando no afã de deixarem Angola, calou bem fundo em todos quantos «tomaram de assalto» o navio. Logo ali tentaram demovê-lo de nos deixar. Mas, resoluto, desceu do portaló, embora com a promessa de voltar, para viver connosco&amp;nbsp; a incerteza do destino dos que, frustradamente, se sentiam sem Pátria, sem Rumo e sem Futuro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soube-se, mais tarde, por relato de pessoas que estavam em Moçâmedes&amp;nbsp; e presenciaram, antes de partirem no rebocador «Vouga», que o Felício e militares da FNLA dinamitaram as instalações do Banco de Angola e de lá retiraram todo o dinheiro e valores. Naquela esquina envidraçada da Rua dos Pescadores, em Moçâmedes, havia notas no chão das ruas, como folhas caidas em dia outonal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No crespúsculo de uma tarde quente do Verão de África, e com a noite a ameaçar envolver-nos &amp;nbsp;como que cúmplice do nosso triste destino, o navio, de luzes apagadas,&amp;nbsp; solta as amarras, &amp;nbsp;dolentemente, afasta-se do cais, rumo ao desconhecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;ERA A FASE ESCURA DA LUA A ENVOLVER TUDO E TODOS...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="margin-left: 24.75pt;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SmhjcDumHkI/AAAAAAAAQ7E/2K3fT_VOAWU/s1600/SilverSky1.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="291" src="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SmhjcDumHkI/AAAAAAAAQ7E/2K3fT_VOAWU/s400/SilverSky1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;«DIARIO DE BORDO» DE UMA VIAGEM ESPERADA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cortaram-se definitivamente para muitos, senão para todos, os últimos laços físicos que nos ligavam a Moçâmedes, a Angola, à nossa Pátria. A comoção era visível em todos os rostos. O silêncio de cada um e de todos era aterrador, a tornar ainda mais pesada a negritude da noite que caia. Lágrimas rebeldes rolavam pelas faces enrugadas dos mais velhos, tentando outros, aperceberem-se da transcendência daqueles amargos momentos. Um rol de interrogações desfilava no meu imaginário e de todos os meus companheiros de aventura.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Que fazer? Que destino? Como sobreviver apenas com uma pequena mala contendo roupas? Onde e como estariam a minha mulher e os meus filhos, postos a recato em Portugal? Será que aquele país a viver intestinamente a ressaca da revolução, e cujas notícias acompanhávamos pelos relatos da BBC, ou a comunidade internaciuonal sabiam da nossa existência e achariam solução para nós?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para tantas interrogações, uma mão cheia de NADA e outra prenhe de COISA NENHUMA. Entertanto, a cidade ia ficando longe, cada vez mais longe, triste, abúlica, envolta no manto plúmbeo da noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Adeus &lt;b&gt;Porto Alexandre&lt;/b&gt;, minha terra natal, da minha meninice, descuidada, livre,f eliz, como foi a de todos os meninos naquela terra. Adeus &lt;b&gt;Moçâmedes&lt;/b&gt;, dos meus sonhos de adolescente, de homem feito, onde conheci e amei a minha mulher e onde nasceram os meus três filhos. Parte de mim aí fica sepultado, para sempre, &amp;nbsp;nas areia cálidas do &amp;nbsp;teu deserto,&amp;nbsp; e nas quentes águas das tuas baías, praias e enseadas que tantas vezes calcorriei.Todas as ruas, becos, caminhos, picadas, bocados de ti, são também pedaços de mim, arrancados violentamente do meu corpo por maõs enegrecidas e assassinas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Perpassa pela minha memória a panóplia de emoções de uma vivência feliz, que julgava ter a duração da minha vida. Não me banharei mais nas tuas &amp;nbsp;praias, que vão do Cabo de Santa Maria à foz do Cunene.Não experimentarei mais o êxtase e a comoção das caçadas, da Pediva ao Iona, passando pelo Tambor, Espinheira, Virei ou Pico do Azevedo, cruzando o deserto em todas as direcções, pelas «mulolas», picadas e trilhos sem fim, dormindo ao relento, noite dentro,&amp;nbsp; farol do Piambo cintilando ao longe, escutando o marulhar das ondas batendo nas rochas, ou, no dia seguinte, lavando e acondicionando a caça nas praias do Kangulo, Mariquita ou Três Irmãos, para ludibriarmos a vigilância dos fiscais dos Serviços Veterinários. Adeus pesca submarina nas Pedras Negras, Cabo Negro ou Baía das Pipas, preliminar da subsequente caldeirada que «in locco», só o meu sogro sabia fazer e condimentar a preceito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do porão deste navio, a miscegenação de raças e de credos, de brancos, pretos e mestiços, homens e mulheres, crianças e anciãos, dão-me uma nova perspectiva de convivência inter-racial e de solidariedade humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No silêncio desta tenebrosa noite de sábado, 10 de Janeiro, que, para sempre ficará na minha memória, entre a multidão que partilha comigo o mesmo espaço, a mesma angústia, &amp;nbsp;e a incerteza do mesmo destino,&amp;nbsp; sinto-me só, triste e abandonado, qual corpo senil, sem vida e sem préstimo. Do tombadilho, contemplo o horizonte, e à medida que a cidade vai ficando mais longe, com o oceano ganhando espaço de permeio, os olhos humedeceram-se-me de lágrimas de há muito não choradas, por estar ciente de que nunca mais voltarei&amp;nbsp; a &amp;nbsp;Moçâmedes nem a Porto Alexandre. Paira também o desespero dos meus companheiros de jornada, brancos , pretos e mestiços, homens&amp;nbsp; e&amp;nbsp; mulheres ,&amp;nbsp; crianças e velhos,&amp;nbsp; a imagem, afinal, da colonização «sui generis»&amp;nbsp; perpretada pelos portugueses em África e no mundo e que outros brancos e pretos, falando ou não outros idiomas, derramando-se por poltranas e gabinetes luxuosos ou movimentando-se nas «chanas» e matas desta Angola purulenta de chagas que já fedem, insistem em renegar ou escamotear.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;11 de Janeiro de 1976. &amp;nbsp;Domingo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O final da noite de ontem e a manhã de hoje foram ocupadas em organizarmo-nos. No afã da partida, e porque a mesma foi decidida de imediato, poucas pessoas se prepararam com o indispensável. E o indispensável &amp;nbsp;era necessáriamente , tudo quanto se prendesse com a alimentação, vestuário, agasalho e medicamentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por volta das 16,00&amp;nbsp; horas foi servida uma refeição quente com o que foi possivel confeccionar. Ordeiramente, as pessoas formavam fila e iam sendo servidas até a comida acabar.&amp;nbsp; Os menos expeditos, obviamente,&amp;nbsp; não eram contemplados, e, se nada tivessem de seu para comer,&amp;nbsp; teriam que aguardar por nova refeição no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Muito embora em Janeiro faça calor, as noites são muito frias e, quanto a agasalhos, também não fomos muito previdentes.&amp;nbsp; As pessoas que não quizeram, ou que não puderam ir para os porões, tiveram que pernoitar no tombadilho e convés e arrostar com o frio e a humidade da noite.&amp;nbsp; Os que podiam, cediam agasalhos, especialmente aos mais idosos ou adoentados e como durante o dia o Sol era abrasador,&amp;nbsp; houve que cobrir todo aquele espaço com lonas e mantas , sarapilheiras, tudo o que pudesse resultar em abrigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;12 de Janeiro de 1976. &amp;nbsp;2ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca das 9 horas, avistou-se Welvys Bay. O navio não foi autorizado a entrar no porto, tendo ancorado fora&amp;nbsp; &amp;nbsp;das águas territoriais. Quase de imediato foi visitado por médicos e autoridades sul-africanas. Após se inteirarem da situação em que nos encontrávamos,&amp;nbsp; foi evacuada uma senhora, que necessitava ser hospitalizada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Continua a expectactiva sobre o nosso destino. Os noticiários são escutados atentamente por toda a gente, retransmitidos pelos alti-falantes de bordo. Nada noticiavam cobre a situação do «Silver Sky».&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Durante o dia, vários aviões sobrevoaram o navio e eram visíveis fotógrafos e repórteres de televisão ou cinema. Mais autoridades sul-africanas visitaram o navio, nada transpirando dessa visita.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;13 de Janeiro de 1976. 3ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As noites continuam muito frias. Pela manhã, deparou-se-nos uma situação que muito nos entristeceu. Uma senhora octogenária &amp;nbsp;de uma&amp;nbsp; família &amp;nbsp;da Torre do Tombo, em Moçâmedes, viajava no tombadilho, abraçada à filha, cega, corpo definhado pela sub-nutrição, ambas enroladas no mesmo cobertor. Eram absolutamente dependentes do auxílio dos outros e naquela posição de abraço fraterno permaneciam. A mãe, por já não poder andar, a filha Linda de nome, por ser cega e doente. Uma dependente da outra, e ambas da caridade alheia.&amp;nbsp; De manhã, deram com elas imóveis, como era esperado,&amp;nbsp; a filha abraçada à mãe, que era cadáver. Falecera durante a noite, sem que ela disso se apercebesse. A vida, porém, tem que continuar, e a expectativa , também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os géneros alimentícios vão rareando. Houve necessidade de se concentrar todos os alimentos dispersos por todos nós, para se poder confeccionar uma única refeição diária. Uma equipa médica da Cruz Vermelha Internacional, visita o navio, recusando abandoná-lo sem que as autoridades sul-africanas, de novo, vejam as condições sub-humanas em que se vive a bordo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da manhã, vislumbram-se as primeiras traineiras que partiram de Porto Alexandre, e o arrastão&amp;nbsp; «Rio Vouga», trazendo, sabe-se agora, a totalidade das populações de Moçâmedes e Porto Alexandre. Pelos comunicados, via rádio, das traineiras,&amp;nbsp; sabe-se que a traineira «Sagres»&amp;nbsp; foi abandonada na viagem, por se ter deflagrado incêndio a bordo, tendo todos os ocupantes sido recolhidos por outros barcos. A bordo de uma das traineiras uma parturiente deu à luz uma criança. O operador do rádio de bordo solicita ajuda, em forma de injecções, seringas, e antibióticos, e a presença de alguém com conhecimentos médicos,&amp;nbsp; que possa ajudar naquela emergência. A rádio sul-africana é escutada na sua emissão em português e deu notícias da nossa aventura. Ouvimos, estupefactos, que o «Silver Sky», o nosso navio, tinha sido tomado à força, pela população armada e que a tripulação tinha conseguido dominar a situação. Outra fantasia de quem forjou a notícia, a seu modo, com fins especulativos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da noite um rebocador traz-nos alimentos, parte dos quais são imediatamente cozinhados. Seis doentes são evacuados, por carecerem de assistência médica&amp;nbsp; urgente. Cabe aqui uma referência para o facto de haver já tantas pessoas a precisarem de assistência médica urgente. É que, apesar das condições péssimas de subsistência, havia a bordo muitos doentes que foram trazidos do hospital da cidade, por familiares e amigos que não queriam que eles lá ficassem, não só por a assistência que lhes era ministrada ser praticamente nula, mas também pela falta de médicos, enfermeiros e medicamentos. Surgem as primeiras notícias oficiais sobre a nossa situação pela voz do Felício, nosso único dialogante nas conversações com os sul africanos. As autoridades sul-africanas recusaram-se a aceitar-nos.&amp;nbsp; O comandante do navio, médicos e o comandante do porto intercedem pela prestação urgente de assistência em terra, tendo este último, numa posição de força, ameaçado autorizar a atracação do navio e pedir, de imediato, a demissão do cargo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta atitude do Comandante do Porto de Welvys Bay calou bem fundo entre nós, apesar da profunda decepção que de nós se apossou, ao constatarmos a realidade nua e crua dos factos: as autoridades sul-africanas não nos querem no seu país, e a sua apregoada solidariedade para com o povo angolano, resume-se, egoisticamente, em colocar um travão no próprio território angolano, à expansão do comunismo na África meridional.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soube-se, entretanto, que amanhã de manhã, as traineiras virão juntar-se ao «Silver Sky», como companheiros de infortúnio e parceiros de desdita, nesta aventura de que não se vislumbra o fim imediato.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sentir-nos-emos, de certo, mais confortados pois na parte que me toca, fiquei a saber, pela escuta dos rádios das traineiras, que na «Maria João» vem lá o meu irmão Abel, e na traineira «Maria Helena», &amp;nbsp;dos meus tios Neca, Zé Marques e Zé Camanhai,&amp;nbsp; vem as suas familias e a minha avó Catarina.&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;14 de Janeiro de 1976. 4ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O navio continua ancorado ao largo, sem permissão para entrar no porto, agora já acompanhado das traineiras surtas de Porto Alexandre. A vida a bordo continua cada vez mais monótona. As horas arrastam-se dolentemenmte.&amp;nbsp; Os noticiários são ouvidos com avidez. Consta que Benguela e o Lobito foram alvo de intensa metralha da aviação, mas não se sabe que Movimento ocupa aquelas cidades. Moçâmedes e Porto Alexandre são tristes palcos de sangrentos combates onde a UNITA parece levar vantagem. Sabe-se do esperado fracasso da reunião da OUA sobre Angola e da determinação do governo cubano em continuar a enviar «observadores militares» e armamento com destino ao MPLA, apesar do novo cessar fogo acordado entre os três deligerantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Estas notícias, apesar de nos entristecerem por dilacerarem ainda mais o marterizado povo angolano, em nada altera a firme decisão da quase totalidade dos brancos de seguirem para Portugal, em busca de paz e de trabalho, e de irem ao encontro dos seus familiares que os precederam. Esta convicção domina também a maioria dos negros e mestiços, pois Angola, para eles, não é mais que miséria, tristeza, caos, e a própria vida a perigar, momento a momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por sugestão das autoridades sul-africanas, fez-se uma relação da identidade de cada um, com a menção da nacionalidade que deseja optar.&amp;nbsp; Esta questão da opção da nacionalidade foi origem de longa controvérsia e foi tema obrigatório em todas as conversas. Escolha de nacionalidade? Quem me quer como cidadão? Quem pode ser cidadão angolano, e português? Será que passarei a ser apátrida, apenas por ter cometido o «crime» de ter nascido em Angola, de pais brancos, ambos naturais de Portugal? E a minha mulher, branca, de mãe angolana e pai algarvio? E os meus filhos, naturais de Angola, assim como nós? Tantas interrogações e nenhuma resposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;15 de Janeiro de 1976. 5ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Confirma-se ser&amp;nbsp; de 1600 o número de refugiados no navio, pois ontem, após terem chegado os víveres, fez-se, já noite dentro,&amp;nbsp; distribuição da única refeição do dia, composta de uma sande e um copo de leite, aproveitando-se a oportunidade para se fazer uma contagem que merecesse crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje, o Felicio apelou para a compreensão de todos no sentido de procederem à limpeza e higiene do navio, especialmente do porão, onde dorme a maioria das pessoas,tendo aquele espaço sido dividido em seis sectores e nomeados os respectivos responsáveis pela limpeza e asseio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Registou-se um caso insólito que nos encheu a todos de alegria.&amp;nbsp; Cerca das 09 horas da manhã, uma&amp;nbsp; senhora deu à luz uma menina, tendo sido assistida pelo enfermeiro Milagre, de circunstância e de apelido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem, a equipe médica observou cerca de 30 doentes, considerados mais graves, ficando os outros para nova visita. Da parte da tarde soube-se que a nossa odisseia era conhecida do mundo inteiro, tendo apenas os governos da Suécia, Chipre, e a Organização das Nações Americanas intercedido junto do Governo da África do Sul para urgentre resolução deste caso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;A população de Welvys Bay está solidária connosco tendo-se conhecimento de manifestações cívicas de protesto contra &amp;nbsp;atitude do seu Governo em não ter permitido ainda a entrada dos refugiados angolanos no seu território. As autoridades locais apenas se prontificaram a melhorarem as nossas condiçºões de vida, enquanto se aguarda pela definição do nosso destino.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Da parte da tarde, o Consulado de Portugal em Windoek iniciou a identificação de toda a comunidade embarcada, dando relevo especial à&amp;nbsp; existência da nossa ascendência portuguesa, até à terceira geração, facto que nos levou a cogitar, de que muitos angolanos, especialmente os de raça negra,&amp;nbsp; não deveriam ser evacuados para Portugal. A nosso pedido, o Consul recebeu os empregados do Banco de Angola,&amp;nbsp; todos da Agência de Moçâmedes, que lhe solicitaram que, através da Embaixada portuguesa, fosse dado a conhecer à sede do Banco em Lisboa, a nossa situação, e o nosso desejo de sermos repatriados (para Portugal), o mais rapidamente possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao cair da tarde chegou a que supomos ser a última embarcação com refuguiados a zarpar do porto&amp;nbsp; de Moçâmedes : o rebocador «Rio Bengo» Este barco fez-se ao largo, no sábado, dia 10, mas regressou a Moçâmedes na segunda-feira seguinte, tendo sido alvo de fogo de morteiro que atingiu o navio e feriu várias pessoas. Esta acção, por parte da UNITA, que parece agora dominar o extremo sul de Angola, dá-nos razão quanto à decisão de abandonarmos Angola, para salvarmos a pele. Com efeito, os seguidores do Dr. Savimbi, na sua ânsia de extermínio racista, &amp;nbsp;destruição e&amp;nbsp; morte de tudo quanto lembrasse a colonização, não poupariam nada nem ninguém que fosse branco ou mestiço. Oxalá os anos vindouros não &amp;nbsp;nos venham dar razão quanto aos verdadeiros desígnios do Dr. Savimbi e seus seguidores, extremamente racistas e tribais. Não me posso esquecer das sessões de esclarecimento de Savimbi, no Estadio Municipal da cidade, onde em português anunciava que os brancos eram necessários em Angola, para a construção de uma nova Pátria e slogans semelhantes, e em «umbundu», acicatava instintos raciais, incitando&amp;nbsp; os negros a acabarem com os colonos que os dominavam há quasi 500 anos. Ele esquecia-se que haviam muitos brancos que dominavam aquele dialecto. Era do dominio público que a UNITA tinha enviado uma mensagem através de medeireiros ao então Governador Geral de Angola, Coronel Rebocho Vaz, propondo-lhe auxiliar o Exército português a derroitar o MPLA, proposta que não mereceu crédito nem resposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;16 de Janeiro de 1976. 6ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Consta que o «Silver Sky» ainda ancorado em águas internacionais,&amp;nbsp; vai obter permissão para, finalmente, entrar no porto de Welvys Bay. Hoje, pela manhã, várias equipas de enfermeiros procederam à inoculação da vacina anti-tifoide, o que nos leva a pressupor de que iremos, ao fim de sete dias de cativeiro em mar alto, pôr pé em terra firme. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Esta perspectiva, deixa-nos, simultaneamente eufóricos e apreensivos, por finalmente a nossa situação começar a aclarar-se, perdurando a dúvida se no bom ou no mau sentido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;17 de Janeiro de 1976. Sábado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Faz hoje oito dias que nos encontramos a bordo. A Cruz Vermelha fez finalmente a sua aparição, tendo evacuado mais quatro doentes que careciam de tratamento médico urgente. Consta que são esperadas aqui, em Welvys Bay, mais 34 traineiras do Lobito e Benguela, também com refugiados a bordo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLjuFVHDcSI/AAAAAAAAVAk/AOoh9O1p_VQ/s1600/img030.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLjuFVHDcSI/AAAAAAAAVAk/AOoh9O1p_VQ/s320/img030.jpg" width="224" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Vários angolanos, já radicados em diversas cidades sul africanas, vieram de barco visitar-nos, sem lhes ter sido dada a permissão para entrarem no navio. Por eles ficámos a saber da sorte de outros familiares e amigos que ficaram em Moçâmedes e Porto Alexandre. Boas notícias para uns, incertezas que continuam, para outros. Devido à intercedência de familiares junto das autoridades locais, doze pessoas, portadoras de passagens aéreas já compradas para Lisboa, foram autorizadas abandonarem o navio. Para esses, num mar de abraços e recomendações, a odisseia terminou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Continuaram a chegar mantimentos em grande profusão, o que paradoxalmente, é mau pronúncio, pois de cada vez que vemos chegar embarcações atulhadas de géneros alimentícios, é sinal de que a nossa permanência no navio continuará por mais algum tempo. À noite um acontecimento agradável quebrou a monotonia e a sensaboria da nossa convivência comunitária. &amp;nbsp;Com a presença do Comandante do navio e esposa, improvisou-se um espectáculo de variedades a que não faltou orquestra, e que contou com saudosos valores dos palcos moçamedenses, como o Minas, Mário Figueiredo, Albertino e Raúl Gomes, a par das fifias dos caloiros, que a assistência magnanimamente aplaudiu. O improvisado serão terminou com uma desgarrada à boa maneira portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;18 de Janeiro de 1976. Domingo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje pelas 10 horas da manhã, para os católicos, &amp;nbsp;houve o sagrado culto da missa. Convém referir que entre nós, há quatro padres católicos e algumas madres, que prestaram desvelados serviços de assistência aos mais carenciados, sacrificando, elas próprias, algumas comodidades e alimentos para benefício de velhos e crianças, como é próprio do seu apostolado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Será tempo de se dar uma ideia das acomodações que temos no navio. O «Silver Sky» é um cargueiro grego qie há 25 anos navega pelos sete mares. As suas instalações, nada famosas, apenas para os seus 38 tripulantes, passam a dar guarida , agora, a 1600 pessoas. As poucas cabines foram disponibilizadas, pela tripulação, para os mais idosos. O resto, que era a esmagadora das &amp;nbsp;pesssoas, disseminou-se pelos porões, tombadilho, convés. Corredortes, dormindo todos no chão e, nos primeiros dias, sem mantas nem agasalhos adequados às frias noites deste extremo meridional do continente africano. A utilização dos mictórios das casas de banho era através de filas e depressa entupiam. O cheiro era insuportável, e de tal maneira o odor a amoníaco empestava o ambiente , que teve de se improvisar várias plataformas de madeira, na borda do navio, para servirem de sentinas, e escalar plantões, noite e dia, para verificar se cada utente procedia à sua respectiva limpeza depois de utilizadas. A cozinha também não tinha condições para confeccionar refeições para todos. As panelas, de reduzido tamanho, tinham que ir ao fogo várias vezes e, havendo uma só refeição diária, a cozinha funcionava as 24 horas por dia. Por turnos as mulheres eram escalalas para cozinheiras, e os homens para ajdantes, servindo-se, prioritariamente às crianças, os idosos ou&amp;nbsp; doente, as mulheres , e por fim os homens. Todas estas normas de disciplina comunitária eram acatadas sem controvérsia. As filas para as refeições, e aqui, tudo se obtia formando filas, era outro espectáculo. Como não havia pratos, copos nem talheres, houve que improvisar e tudo servia, ora como copos, ora como pratos e, após as refeições, eram guardadas religiosamente, longe de olhares cobiçosos, como se das melhores porcelanas da Vista Alegre se tratassem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;A permuta de tudo quanto tivesse valor, era livre e feita em profusão. Na parte que que toca, achei vantajosa a troca, com a senhora que se acomodava ao meu lado, no porão, de um pedaço de sabão que não me fazia falta, por uma pequena almofada, que passei a utilizar como travesseiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;No que concerne aos alimentos, consta que os géneros que diariamente nos trazem, desde que estamos ancorados, são oferta&amp;nbsp; do povo de Walvis Bay, cidadezinha onde se fixaram alguns portugueses e muitos angolanos, recentemente ali radicados, que se condoeram com a nossa situação, semelhante à que já haviam experimentado,&amp;nbsp; e com protesto contra a atitude do governo sul africano em não nos auxiliarem com a devida presteza e eficiência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;19 de Janeiro. 2ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E&amp;nbsp; de subito, a boa nova. O Felicio reuniu toda a gente para comunicar que o navio iria atracar, mas que ninguém sairia de bordo, até ordens em contrário. Passadas algumas horas, que mais pareciam uma eternidade, o navio pôs-se em marcha. Devidamente escoltado por dois rrebocadores portuários, e por entre as saudações dos nossos companheiros das traineiras, o «Silver Sky» dirigiu-se lentamente para o porto da baia de Welvys Bay, onde, finalmente, atracou. Depois do navio acostado, o Felicio chamou de novo toda a gente e, com voz repassada pela emoção, disse que nos ia deixar, por a viagem ter terminado, desejando-nos a todos boa sorte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aproveitámos a oportunidade para agradecermos calorosamente ao comandante do navio, sua esposa e tripulação e pedimos à autoridade ali presente para também transmitir ao povo de Welvys Bay todo o nosso agradecimento pelo auxilio prestado, e a simpatia e o sentimento humanitário com que acompanharam a nossa permanência ali perto. Depois foi a ansiedade que de todos se apossou, ao saber-se dos rumores de que cerca de 600 pessoas iriam sair já naquela manhã. Os rumores confirmaram-se. Fui dos primeiros, escolhido para acompanhar o senhor Ervedosa, funcionário aposentado do Banco de Angola, que nunca quiz sair de Moçâmedes, a descer a inclinada escada de saida do navio. Vesti-me a preceito, com o único fato que tinha, gravata emprestada, que não disfarçavam o aspecto desleixado que a barba e o cabelo comprido davam ao meu visual. Ao descer as escadas, amparando o «velho Ervedosa», como carinhosamente o tratávamos, fui alvo das objecticas das câmaras fotográficas e de televisão, não por mim, obviamente, mas pelo ansião que acompanhava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;No cais, para além de algumas pessoas conhecidas ou de familiares e de elevado número de profissionais da informação (rádio, cinema, televisão), num eficiente serviço de recepção e de apoio prestado pela Cruz Vermelha Internacional (vacinas, refeições frias e rápidas, cigarros, roupas, objectos de higiene pessoal, etc) e a entrada para um comboio especial que nos iria levar a Windoek, capital do território,&amp;nbsp; a cerca de 280 Km, no interior. O&amp;nbsp; final da nossa viagem, fosse ela qual fosse , estava agora mais perto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tudo isto em fila ordenada por militares sul-africanos, que utilizaram para aquele efeito, tendas de campanha e as próprias instalações do porto, disponibilizadas para aquela eventualidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Cumpridas todas aquelas demoradas formalidaddes, e já dentro das carruagens do comboio que nos levaria a Windoek , e porque a partida se atrasara devido à morosidade da saída das 600 pessoas do navio, fomos obsequiados, através das janelas das carruagens, com chávenas de canja, sandes e bolos, oferecidos pelas senhoras portuguesas que,  deste modo,&amp;nbsp; também quizeram minorar as nossas necessidades imediatas. E  que boa ajuda elas nos prestaram, especialmente aos nossos sacrificados  estomagos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Constou que os angolanos de raça negra e que, portanto, não demonstraram possuir nos seus antepassados ascendência portuguesa até à terceira geração, foram conduzidos à fronteira, para regresso a Angola. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Finalmente, cerca das 20 horas, o comboio dos refugiados angolanos pôs-se em marcha com destino à capital namibiana, nova etapa desta tragédia,que, nem mesmo em noite de pesadelo, nunca ninguém ousara sonhar viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;20 de Janeiro&amp;nbsp;&amp;nbsp; 3ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca das 11 horas da manhã chegámos a Windhoek&amp;nbsp; e de imediato colocaram-nos em autocarros e encaminharam-nos para um «Campo de Apoio» dentro da cidade. Eram antigas e abandonadas instalações hospitalares, só com paredes e tectos sujos, sem as condições mínimas de decência e higiene para acomodar pessoas. Distribuiram-nos duas mantas desintectadas, pelo cheiro que delas exalava, um sabonete, toalha, dois pratos, copo e talheres e desinfectante em pó para pulverizar as camas de ferro, com estrado de madeira,à guiza de colchão. Depois de conhecermos os dormitórios, distribuiram a primeira refeição composta por duas fatias de pão escuro, nada saboroso e duas sandes de cobnserva de atum e água.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ali permanecemos o resto do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaram a chegar mais amigos mas o contacto com o exterior era à distância, pois o «Campo» era vedado com arame farpado, e agentes da polícia impediam, em termos violentos,&amp;nbsp; que de um lado ou do outro se chegasse à vedação. Mesmo assim o meu tio Mário Martins, que tinha ido de automóvel para Windhoek, por motivos de saúde, apareceu na parte exterior do «Campo»,&amp;nbsp; e conseguimos, a muito custo conversar, gesticulando, sempre sob a vigilância atenta dos agentes sul-africanos. Gostei muito de o ver, mas, infelizmente,&amp;nbsp; embora me tivesse perguntado, em nada me podia valer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Como o «Campo» está praticamente dentro da cidade, fomos objecto de olhares curiosos de todos os passantes, sentimo-nos como feras ou animais exóticos, expostos num Jardim Zoológico. Por este cuidado, todos evitamos contactos com familiares que vivem em Windhoek e que nos visitaram, logo depreendemos que resultariam infrutíferas quaisquer diligências em obtermos o «permit» para sairmos do «Campo». Soubemos depois que os sul-africanos quizeram tirar dividendos politicos deste abandono total das cidades do sul de Angola às hordas assassinas dos guerrilheiros da UNITA, movimento que apoiam, tentando evitar que transmitissemos para o exterior a ideia de que tinha sido exacatamente devido àquele Movimento que toda a gente abandonou Angola, no passado recente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;À noite, foi-me servida uma sande e uma chávena de café com leite, perfazendo 3 sandes e 2 chávenas de café com leite, os únicos alimentos ingeridos hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;21 de Janeiro. 4ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A parte da manhã foi dedicada à limpesa das instalações do «Campo», tendo-se procedido, para o efeito,à elaboração de escalas de turnos de limpeza.&amp;nbsp; Da parte da tarde foi finalmente anunciado que, no dia seguinte, iria ter início a ponte-aérea Windohek/Lisboa, com a saida de dois aviões, transportando, cada um, 180 pessoas. Como no «Campo» havia famílias&amp;nbsp; em que alguns elementos ainda se encontravam a bordo do navio, e como não desejassem desfazer o agregado familiar, foi ordenada nova fila, apenas para as pessoas que estavam prontas a partir. Mais contactos à distância com pessoas amigas já residentes em Windhoek que, sabendo das nossas carências alimentares se apressaram em ir à cidade, trazendo-nos frutas, refrescos e sandes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a noite não chegava, foi a azáfama de refazer e acondicionar os nossos pertences (os meus couberam numa malinha verde de cartão, que guardarei como relíquia), tomar banho, barbear-nos, no propósito de tornear a apresentação pessoal de cada um o melhor possível, para o reencontro com os nossos familiares em Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;22 de Janeiro. 5ª feira&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dos 2500 companheiros de infortúnio que, fraccionadamente deixaram Moçâmedes e Porto Alexandre no «Silver Sky», rebocador «Rio Bengo» e nas traineiras, 180 partiram no primeiro avião e mais 180 no segundo que partiu duas horas depois. O pequeno almoço estava marcado para as 9 horas, mas já às 4 horas da madrugada os mais impacientes estavam de pé. Quase que garanto que nesta última noite passada em Winfhork, e que era também a última noite em África, ninguém conseguiu dormir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Devido à antecedência da nossa comparência, dejejuamos mais cedo, formamos fila, conferiram os nossos nomes,&amp;nbsp; e mais cedo partimos para o aeroposto, distante 42 km da cidade. Ali chegados cerca das 9 horas, fomos conduzidos em fila indiana a umas instalações cercadas de arame farpado (estes sul-africanos ou têm excedentes de arames, ou suspeitam de tudo e de todos, até das suas próprias sombras).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cerca das 14, 30 horas, ainda em fila, e, antecedido de nova chamada, dirigimo-nos para o Boeing 707 «Vera Cruz» da TAP, que deixou o aeroporto uma hora depois. Às 19 horas, o aparelho fez uma escala técnica em Abidjan, na Costa do Marfim, para reabastecimento, não nos tendo sido autorizado sair do avião.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Duas horas depois, deslocamos rumo a Lisboa, fim da nossa odisseia de fuga à guerra, de abandono forçado da Pátria que não nos quiz, mas com a garantia de continuarmos vivos e o propósito de nos sentirmos Homens úteis onde quer que sejamos acolhidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="post-body entry-content"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cOQSEZpaKMk/S9An_tpdmcI/AAAAAAAAANs/oCGN70HVgLM/s1600/Retornados2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462910323539155394" src="http://2.bp.blogspot.com/_cOQSEZpaKMk/S9An_tpdmcI/AAAAAAAAANs/oCGN70HVgLM/s400/Retornados2.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Talvez devido aos fusos horários ou à emoção da chegada, não sei se hoje foi ontem ou se amanhã é hoje. Não penso na incógnita e na incerteza do futuro, num país que embora conste do meu Bilhete de Identidade como sendo o meu, não sei se me acolherá como filho ou como enteado, com toda a carga de rejeição e repulsa que o termo, por vezes, contém. Não penso em nada disso, nem me apercebo da azáfama do aeroporto de Lisboa, com pais à procura de filhos, esposas tentando lobrigar maridos, parentes à cata de familiares, curiosos na expectativa de abraçar ou rever amigos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Reporteres da imprensa falada e escrita tentam transmitir para a posteridade a amálgama de sentimentos e emoções que se transmite num abraço, num beijo, numa carícia, até num aceno ou num olhar fugaz.&amp;nbsp; No seio desta babilónia, lá estava o IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais) a dirigir as pessoas, em mais filas, para a fotografia, para a identificação, para a entrega de documentos, alojamentos, etc. E repentinamente, cai nos braços do meu sogro que me aguardava há muitas horas na expectativa de que eu, o Pedro Rolão e familia estivessemos entre os que chegavam. Estava finda a odisseia da fuga da guerra que durou 13 dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Agora, era a emoção de rever a minha mulher e os meus filhos, 108 dias após a partida deles de Moçâmedes para Luanda em 4 de Outubro de 1975. Amanhã será outro dia para mim e para todos. Começara decerto uma outra epopeia pela sobrevivência, num pais com 700 mil desempregados, politicamente instável, economicamente débil,&amp;nbsp; socialmente conflituoso, onde o FUTURO se nos apresenta incerto, mas não apreensivo como o espectro da Guerra a que, decididamente, voltamos as costas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;«OS MESES NÃO SÃO LONGOS,&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;NEM OS DIAS, NEM AS NOITES.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;LONGA SIM, &amp;nbsp;É A GUERRA »&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;Lisboa, Aeroporto da Portela de Sacavém, 22 de Janeiro de 1976.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;(ass)Mário Augusto da Silva Lopes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(Angolano de nascimento, descendente de portugueses da Póvoa de Varzim) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dactilografado por MariaNJardim&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nota: &lt;/b&gt;Solicita-se respeito por este texto que pode ser&amp;nbsp; daqui retirado desde que exiba o nome do seu autor, &lt;b&gt;Mário Augusto da Silva Lopes,&lt;/b&gt;&amp;nbsp; bem comoa referência ao blog de onde o mesmo provêm: &lt;a href="http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2010/09/fuga-da-cidade-do-namibe-ex-mocamedes.html"&gt;http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2010/09/fuga-da-cidade-do-namibe-ex-mocamedes.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MariaNJardim&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-6621766184922398008?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/6621766184922398008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=6621766184922398008' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/6621766184922398008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/6621766184922398008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/09/da-cidade-de-mocamedes-nos-ultimos.html' title='DA CIDADE DE MOÇÂMEDES NOS ÚLTIMOS MESES DO IMPÉRIO À CIDADE DO NAMIBE NOS PRIMEIROS MÊSES APÓS A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA. A FUGA NO «SILVER SKY» a 10 DE JANEIRO DE 1976'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/TLjtaCJ9S9I/AAAAAAAAVAc/MQaJZXZ3ZnU/s72-c/img027.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-1166474220046059439</id><published>2010-05-27T19:05:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T19:09:16.751-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Namibe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1º colonia Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola'/><title type='text'>Luz Soreano, o promotor da colonização de Mossamedes: 1849</title><content type='html'>&lt;span class="post-labels"&gt; &lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="post-footer-line post-footer-line-3"&gt;&lt;span class="post-location"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="post-outer"&gt;&lt;div class="post hentry uncustomized-post-template"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7415417724154201698&amp;amp;postID=1166474220046059439" name="387563298887489749"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMZxJeLUiJQ/SpAYIzmjUNI/AAAAAAAAC6g/Qa2kS_uFzz4/s1600-h/1-Luz-Soriano-1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372820895022928082" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMZxJeLUiJQ/SpAYIzmjUNI/AAAAAAAAC6g/Qa2kS_uFzz4/s320/1-Luz-Soriano-1.jpg" style="display: block; height: 305px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 257px;" /&gt;&lt;/a&gt; Luz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Soriano&lt;/span&gt; quando escrevia a História da  Guerra &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Civil&lt;/span&gt;  1866-1890. &lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Colocado como chefe da repartição de Angola da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar de Outubro de 1842 até junho de 1851, Luz Soreano deixou escritosobre a sua contribuição para a colonização de Mossãmedes em Revelações da Minha vida e Memórias de alguns Factos e Homens meus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-header" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="post-body entry-content"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...Reconhecendo que as nossas provincias d'Africa nada mais tem sido  desde a sua descoberta até ao nosso tempo do que um simples viveiro de  escravatura para a America, e feitorias commercia es, de não grande  monta para a Europa, busquei, tanto quanto em mim cabia, vêr se á  provincia de Angola dava uma mais subida importancia do quo aquella, que  até então tivera. É sabido que o clima d'Africa é bastante damnoso aos  europeus, e tanto mais, quanto mais se aproximam da equinocial. Dizia-se  que no interior do paiz alguns pontos havia, proprios para colonisação  europêa, o que na pratica se não verificou, pelo malogro de algumas  tentativas desta especie, provindo isto, tanto da falta das  indispensaveis cautelas no transporte dos colonos, como da insalubridade  de taes pontos, como aconteceu com o presidio do duque de Bragança,  como acontece com o Bembe, e como acontece com o Ambriz. Revendo o  cartorio da antiga secretaria do ultramar, onde Ioda a correspondencia  de Angola õ posterior ao meado do seculo passado, vi que o clima de  Cabinda, ao norte do rio Zaire, ponto .onde se começara a levantar um  forte, por auxilio de uma expedição, que para alli sahira de Loanda aos  17 de julho de 1783, estava effectivamente incluido na regra geral da  insalubridade para os europeus, apesar da fama, que tivera em contrario,  attenta a grande mortalidade, que alli soffreu a força expedicionaria.  Vi mais que a politica de alguns gabinetes estrangeiros, e  particularmente o inglez, nos contestava fazer por aquella parte  effectiva a nossa auctoridade, como o demonstrou a expedição naval, que a  França empregou contra a nossa expedição de Cabinda, onde em 1784 fez  demolir o forte, que alli começámos a levantar. A este estado de  insolita e inesperada hostilidade, seguiram-se as nossas reclamações,  das quaes resultou a convenção de Madrid de 30 de janeiro de 1786, pela  qual a França declarou respeitar os direitos, que a coroa deste reino  pertendia ter áquella parte da costa africana. Todavia a Inglaterra tem  sido para nós mais severa sobre este ponto do que a propria França, a  Inglaterra, que pelos tratados de 19 de fevereiro de 1810 e 22 de  janeiro de 1815, e convenção addicionaJ de 28 de julho de 1817,  reconheceu formalmente a reserva dos direitos da coroa de Portugal aos  territorios da Africa Occidental, comprehendidos entro o quinto gráu e  doze minutos, e o oitavo gráu de latitude meridional. K ella a unica  potencia, que com frivolos pretextos nos tem ultimamente embaraçado  fazer effectiva a jurisdicção portugueza nos citados territorios.  Conseguintemente intendendo que, tanto por esta causa, como pela  insalubridade do clima dos territorios ao norte de Loanda, as nossas  tentativas coloniaes haviam de ser sempre infructuosas, ou mal  succedidas, dediquei desde então toda a minha attenção aos territorios  ao sul de Benguella, não só porque alli ninguem nos contestava o nosso  dominio, mas sobre tudo por ver que, estando já bastante distantes do  equador aquelles territorjos, era de suppor que o seu clima fosse já  mais analogo ao do Cabo de Boa Esperança, e por tanto ao da Europa.  Reputei eu tanto mais urgente a occupação destes territorios, quanto que  em França algum viajante instava com o seu governo para os mandar  invadir. No quarto volume, documento n.° 13, da viagem que Mr. João  Baptista Douville fez a Angola em 1827, vê-se apparecer alli bem  descripto o porto e o sertão de Mossamedes. Mais se vê ter elle  fortemente despertado a attenção do governo francez por meio de uma  memoria, dirigida ao ministro das colonias, sobre aquelle porto,  rogando-o encarecidamente para que nelle mandasse levantar um presidio  para degradados. Douville dizia haver alli agua doce, serem risonhas as  margens do rio, que o avisinham, serem pacificos os povos dos sertões  limitrophes, e finalmente ter observado que a temperatura das costas  pelas duas horas da tarde de um dia de dezembro de 1827 era de 23 a 24  gráus de Reaumur, achando igualmente que a 10 leguas da costa sobre um  monte elevado, a temperatura era de 19 gráos, no mesmo momento em que o  thermometro marcava 22 sobre a costa. A leitura de tudo isto  convenceu-me cada vez mais da urgencia de se segurar a todo o custo o  porto e o sertão de Mossamedes, antes que o governo francez annuisse ás  instancias de Douville, e nos expellissem do sul de Angola pelo mesmo  modo por que nos tinham expellido do norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a leitura da viagem deste francez coincidiu igualmente achar eu no  archivo da secretaria do ultramar um officio do barão de Mossamedes, que  depois foi conde da Lapa, descrevendo a importante exploração, que em  1785 mandára fazer aos sertões do sul de Benguella. A respectiva  expedição sahira de Loanda aos 12 de junho d'aquelle anno, e  posteriormente de Benguella, dirigindo-se á chamada Angra do Negro, á  qual desde então se poz o nome de Mossamedes por obsequiosa memoria de  quem ordenára a expedição. Tanto a descripção desta bahia, como a da  grande serra e valle do Bumbo, que d'ella dista tres dias de viagem,  segundo as ultimas participações, e 28 leguas (é distancia excessiva)  segundo o cumputo do chefe da expedição, o famoso sertanejo d'aquelle  tempo, Gregorio José Mendes, são de attrahir a attenção do mais  impassivel leitor, circumstancia que em mim se deu no mais alto gráu.  Apesar dos esforços do conde da Lapa, a bahia de Mossamedes continuou a  permanecer no total esquecimento do nosso governo, para d'elle sahir no  nosso tempo. Para aquelle porto se emprehendeu uma outra expedição em  1839, ordenada pelo vice-almirante, Antonio Manuel de Noronha, que para  ella commissionou a corveta Izabel Maria, do commando do meu fallecido  amigo, Pedro Alexandrino da Cunha, que então era capilão-tenente da  armada. A corveta foi até á vasta Bahia dos Tigres, d'onde voltou para o  norte, por se não verem n'aquellas costas, quer olhando para o interior  do paiz, quer para o sul, senão vastos campos de areia solta, sem terem  um só vegetal, vindo finalmente ao porto de Mossamedes, cujo aspecto e  vantagens foram muito elogiados pelo commandante deste vaso O. Ao  vice-almirante Noronha succedeu-lhe, como governador de Angola, Matiuel  Eleuterio Malheiros, que em fe ver eiro de 1840 mandou levantar um forte  em Mossamedes, dando-lhe por governador o tenente de artilheria de  Benguella, João Francisco Garcia Moreira, que para lá partiu com 26  praças de pret, e duas peças de artilheria. Entretanto o forte quasi que  não passava dos alicerces, quando alli tocou em fms de setembro de 1842  o governador geral d'aquella provincia, José Xavier Bressane Leite,  successor de Malheiros. As noticias officiaes de Mossamedes, que a  instancias minhas se pediram a Bressane, e ao seu successor, Lourenço  Germak Possollo, e as repetidas ordens, que pelas minhas rogativas para  alli expediram os ministros da marinha com quem servi, para se dar  importancia áquelle*porto, cada vez me convenceram mais de que elle não  só era salubre, mas que até tinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i) Os que quizerem ver o interessante relatorio desta viagem, consultem  os Ensaios Statisticcs de Lopes Lima no volume 3.°, parte de Benguella,  png. i i e seguintes, ou o n.° i- dos Annaes Maritimos o Coloniaes de  1845.&lt;br /&gt;.....&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;todos os elementos de se  constituir n'um importante  ponto commercial, com relação aos sertões,  que o avisinbam, apesar de  estar cercado de areias, como é todo o  littoral de Angola. Todos estes  sertões se apresentaram aos officiaes  de marinha, que os visitaram, com  os mais lisongeiros auspicios para o  estabelecimento de colonias  europeas, particularmente a liuilla,  Gambos, e Humpata, a mais de 30 ou  40 leguas de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;todos situados  além da notavel serra de Chella, cujos  territorios tem logaresmuito  ferteis, e de excellente clima. De todos  estes sertões o da Huilla foi o  que por si teve melhores informações,  considerandose como um paiz muito  apto para o estabelecimento de  caudelarias, em razão das vastissimas  pastagens, que tem, onde os  indigenas pastoream numerosas manadas de  gado vaccum.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Attentas pois todas estas vantagens, não admira,  que  me deixasse preoccupar por todas as descripções, que me chegaram á  mão,  e incessantemente instasse com todos os ministros da marinha e   ultramar para que não deixassem ficar em abandono um porto, que tanto se   recommendava para uma colonisação europea. Com a falta de recursos,  que  para tal lim se dava, coincidiu tambem o esmorecimento de alguns   especuladores, por não terem correspondido ás suas vistas os interesses   das feitorias commerciaes, que lá tinham mandado estabelecer. Bem longe   disto me desvanecer das ideas, que concebi em favor de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;cada vez mais me convenci da   necessidade da sua colonisação, pela firme persuasão de que a rivalidade   de Benguella era uma das poderosas causas do malogro de similhantes   feitorias. Mas quando os interesses commerciaes, e os da projectada   colonisação não correspondessem ainda assim á minha espectativa,   intendia que mesmo neste caso era indispensavel assegurar &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;pela urgente necessidade que   tinhamos de assegurar todo o littoral, que vae desde a enseada de &lt;i&gt;Moeni-Calanga,   &lt;/i&gt;assente em doze gráus e cinco minutos de latitude sul, e que de   facto se considerava então como o ultimo limite á beira-mar do districto   de Benguella, até á bahia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;assente   em quinze gráus e dez minutos. Com a occupação defmitiva de mais estes   tres gráus, ou 54 leguas de costa, mais outra vantagem tinhamos, tal  era  a de assegurar igualmente no interior do paiz os sertões   correspondentes a esta&lt;span class="gtxt_body"&gt; occupação do liltoral, e  tanto mais, quanto qtiiytK nosso presidio de  Quilengues se achava quasi  abandonado pela viva guerra, que então os  negros lhe faziam. Além do  que fica exposto, linha, e ainda  presentemente tenho a crença de que  dentro de um seculo ou seculo e  meio, aquelles nossos sertões terão de  ser demarcados com relação aos  dominios dos Boêrs, ou as possessões  inglezas da colonia do Cabo da Boa  Esperança, c tratar de obviar desde  já futuras contestações, assegurando  de facto o que de direito nos  pertence, aconselhava-o a prudencia, e  exigia-o a politica. Por  conseguinte, encarada por qualquer modo que  fosse esta questão, era  para mim manifesta a necessidade de tornar cada  vez mais forte a  occupação da bahia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;necessidade  reclamada por todas as considerações, que sobre este  objecto se podiam  fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Obvias  eram portanto as razões, que me levavam a  cuidar com lodo o empenho na  segurança d'aquella bahia, e tão obvias e  patentes, que todos os  ministros, com quem disto tratei, as julgaram  sempre attendiveis, e  effeclivamente as attenderam, tanto quanto estava  ao seu alcance, não  emprehendendo coisa mais séria pela inteira falta de  meios pecuniarios,  que o orçamento geral do estado lhes não facultava.  D'uma grande somma  de escravos, apresados a bordo do brigue brasileiro &lt;i&gt;Caçador,  &lt;/i&gt;ordenou-se  em 4 do agosto de 18í4 que cincoenta casaes marchassem  como libertos  para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;a fim  d'alli se  empregarem nos trabalhos da agricultura. Mais se ordenou em 22   d'aquelle mez que em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossa&lt;/span&gt;medes se   organisasse uma companhia de linha debaixo do mesmo plano, que a dos   mais presidios da provincia, devendo entrar nella não sómente os   brancos, mas lambem os homens de cor. Para este fim auctorisou-se o   respectivo governador geral a nomear para ella os officiae?, que   precizasse. Em conformidade com estas medidas foi para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;alguma artilheria, e outros mais   objectos, necessarios para se guarnecer o respectivo forte, pondo-o em   estado de fazer respeitar o porto, quer por mar, quer por terra.   Finalmente d'uma grande porção de degradados, que a charrua &lt;i&gt;Princeza   Real &lt;/i&gt;conduziu para Angola em setembro de 1845, ordenouse que   quarenta desembarcassem em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;para   fazerem parte da respectiva companhia de linha, devendo o commandante   da charrua deixar alli com elles a maior porção de mantimentos,&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;que  lhe fosse'possivel. Sei muito bem que o porto  de Mossamedes é  geralmente cercado de areas e alturas agrestes, como  todas as costas  d'aquellas paragens, e por conseguinte destituido de  grandes porções de  terreno vegetal. Sabia igualmente que, no tempo a que  me refiro, o  commercio do sertão limitrophe ainda para elle não estava  encarreirado,  de que resultára o facto, já citado, de haverem alguns  especuladores  mandado retirar algumas feitorias, que lá tinham  estabelecido. Alguns  officiaes de marinha houve, que fortemente  murmuraram da presistencia  do governo em querer dar importancia a um  ponto, que, segundo elles, a  não podia ter por aquellas circumstancias.  Eu mesmo, entrando  casualmente n'uma casa de pasto, ouvi estarem-se  fazendo ao governo por  aquelle motivo censuras um pouco asperas e  desabridas; mas pela minha  parte nenhum peso lhes dei, não só pelas  razões, que já acima expuz,  mas tambem pela convicção, que tinha, de que  o tempo havia de atenuar  no todo, ou em parte o que dizia respeito aos  inconvenientes allegados,  como actualmente vae acontecendo, não perdendo  da lembrança de que  area.es são igualmente os territorios de Loanda, e  além disso sem agua  potavel, o que não acontece a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;e  nem por isso deixa de ser aquella  cidade a mais importante povoação da  Africa Occidental. Os cuidados,  quo prestei á segurança do novo porto,  não me embaraçaram de attender á  dos seus sertões limitrophes,  convencido que o dominio das costas é  sempre ephemero, em quanto se não  asseguram os seus respectivos sertões.  Com estas vistas de assegurar o  littoral e interior de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;se  mandaram embaixadores aos regulos  do Bumbo e da Huilla para se  presentearem, e se levarem a prestar  vassalagem á coroa portugueza,  como praticaram, assentando-se com elles  pazes, confirmadas pelos  competentes tratados. Para garantir o dominio  da Huilla, talvez o mais  importante dos sertões de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;como  já disse, para lá se mandou ir  a gente de que foi possivel dispor, e  que ao principio consistiu em um  sargento com quatro paisanos com uma  mulher e seis casaes de libertos.  Mesquinho era similhante presidio;  mas em fim já era um nucleo para  maiores empresas de colonisação,  quando no futuro se quizessem levar a  effeito. Os trabalhos a que me  entreguei para a segurança e colonisação  de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;não se reduziram&lt;span class="gtxt_body"&gt; sómente &lt;i&gt;aos &lt;/i&gt;do  um simples official de secretaria do ultramar,  chefe de repartição; mas  até a tomar tambem sobre mim os de escriptor  publico. Nas vistas pois  de provocar alguma emigração para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;confeccionei  uma memoria,  descriptiva deste porto, das suas vantagens para a  navegação e  commercio, da salubridade do seu clima, o melhor de toda a  provincia de  Angola, e fmalmente das vantagens e fertilidade dos  sertões lemitrophes.  Esta memoria acha-se impressa no n.° 3 da 6.&lt;span class="gstxt_sup"&gt;a&lt;/span&gt;  serie dos &lt;i&gt;Annaes Maritimos c Cotoniacs do  anno de &lt;/i&gt;1846.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Sem embargo do que fica  exposto confesso que  da minha parte havia ainda bastante falta de  confiança na proficuidade  dos esforços, empregados para a segurança e  colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;por que em fim  desanimado o  commercio de tirar d'alli as vantagens, que dos mais  pontos da  provincia tirava, o progresso da colonisação havia de ser  sempre  ephemero. Uma circumstancia imprevista veio porém fortificar e   engrandecer aquelles meus esforços. Os partidos politicos, que em   differentes pontos do Brasil se debatem, e particularmente em   Pernambuco, tornam-se geralmente oppressores dos portuguezes ali i   residentes, aos quaes os brasileiros perseguem por toda a forma ao seu   alcance. Offendidos e desgostosos por aquella causa muitos dos nossos   concidadãos, que se achavam em Pernambuco, lembraram-se de ir fundar na   nossa Africa uma colonia agricola, e neste sentido officiou um delles  ao  nosso governo na data de 13 de julho de 1848, communicando-lhc  aquella  resolução, e pedindo se lhe enviassem as memorias, relatorios,  ou  quaesquer escriptos, que no ministerio do ultramar houvessem,   descrevendo os pontos, que na nossa Africa se olhavam como adequados   para aquelle fim. Entre os documentos collegidos, e mandados para   Pernambuco, foi lambem a minha memoria, e por ella é que se guiaram os   que se resolveram a ir fundar na nossa Africa a sua projectada colonia. O   governo nomeou uma commissão em Pernambuco para tratar dos aprestos,   adequados ao embarque dos colonos, auctorisando-a a sacar pelas   respectivas despesas, e remettendo-lhe além disso ordens da commissão   liquidataria das companhias do Grã-Pará e Maranhão, Pernambuco e   Parahiba, para pelo seu respectivo cofre se fazerem os precisos   adiantamentos. Para occorrer a"s despesas de todos estes&lt;span class="gtxt_body"&gt; arranjos, o governo fez tambem uma proposta ás  cortes, da qual resultou a  carta de lei de 3 de julho de 1849, pela  qual foi auctorisado a  despender até á quantia de dezoito contos de  réis com a colonia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;A bordo  da galera brasileira, &lt;i&gt;Tentativa  Feliz, &lt;/i&gt;comboiada pelo brigue de  guerra &lt;i&gt;Douro, &lt;/i&gt;sairam  fmalmente de Pernambuco em 23 de maio do  mesmo anno 1849 coisa de 300  colonos de ambos os sexos, chegando todos  ao logar do seu destino no dia  4 de agosto. Para governador daquelle  ponto fora nomeado um official de  marinha de muito bom nome, reputação e  intelligencia, tal como o  capitão de fragata, Antonio Sergio de Sousa,  ao qual se deram umas  instrucções, por mim feitas e elaboradas, as  quaes, verdadeiramente  fallando, nada mais são do que uma segunda  memoria, complementar da  primeira, sobre o modo de realisar a  colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Alguns  engenhos de assucar,  comprados por conta do governo, acompanharam esta  primeira expedição  colonial, á qual se seguiu depois uma segunda, que  de Pernambuco saiu no  dia 13 de outubro de 1850 a bordo da barca &lt;i&gt;Bracharense,  &lt;/i&gt;igualmente  comboiada pelo dito brigue &lt;i&gt;Douro, &lt;/i&gt;chegando a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;no dia 26 de novembro. As despesas   desta segunda expedição não as costeou o governo, mas sairam do  producto  de uma subscripção, tirada por entre os cidadãos portuguezes,   residentes em Pernambuco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify; text-indent: 1em;"&gt;Por infelicidade dn  colonia do &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;muitos individuos  acompanharam  estas duas expedições, sendo inteiramente inuteis para uma  empresa  destas, d'onde resultou que, chegados ao seu destino,  immediatamente  abandonaram a colonia, infundindo assim um grande  desalento pelas  murmurações e queixas, que imprudentemente levantaram,  algumas vezes  com razão, outras sem ella. Além destas, outras  contrariedades  experimentou a colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;sendo  a de maior vulto a guerra, que por uma mal intendida  rivalidade lhe  levantaram os commerciantes de Loanda c de Benguella. A  estes males se  vieram depois reunir uma espantosa esterilidade,  resultado da fnlta de  chuvas e innundações do rio Bero, o mau sustento  que o estado fornecia*  aos colonos, a mortalidade que por estas causas  os perseguiu, a  ignorancia dos tempos de semear, e finalmente a falta de  sementes. A  natural consequencia do tudo isto foi o desalento de quasi  todos&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;os colonos, c o imminente  risco de se perderem  todos os esforços e despesas, que para tão  importante fim se tinham  feito. Felizmente o tempo e a presistencia de  alguns dos referidos  colonos por tal modo venceu estas contrariedades,  que hoje já nenhum  receio me infunde a colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;cujo  progresso tem sido bastante  sensivel nestes ultimos annos. A  agricultura tem alli tido um  successivo augmeuto, particularmente depois  que a pratica tem feito  conhecer, que as especulações commerciaes nem  sempre são tão solidas e  proficuas, quanto o amanho das terras. Quatro  engenhos de assucar se  acham presente"mente montados no districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;um na povoação deste nome, que o  decreto de 26 de março e a  carta regia de 7 de maio de 1855 elevaram á  cathegoria de villa; outro  no Bumbo, onde ha o melhor estabelecimento  agricola da colonia, com  relação á cultura da canna sacarina e da  mandioca ; outro na Equimina,  assentando-se o quarto no sitio da Boa  Vista, em local onde ha bastante  canna, com a outra vantagem de  offerecer bons commodos aos lavradores.  Além da cultura da canna, os  colonos de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes  &lt;/span&gt;tambem se tem  entregado á cultura do algodão, cuja plantação  não tem lido maior  desenvolvimento em razão das más colheitas, que  houveram ultimamente,  não pagando o trabalho do agricultor. Os generos  necessarios ao sustento  dos colonos não só chega já para alli se  manterem, mas até mesmo para  exportação, em vista das remessas, que  d'alli se tem feito para Loanda, e  do que já se vende aos navios  balieiros americanos, que em numero  consideravel frequentam aquclle  porto, para receberem refrescos de  vegetaes e gado, do qual tambem  ultimamente se tem feito alguma  exportação para a ilha de Santa Helena.  O facto é que em quanto em quasi  toda a parte da provincia de Angola  se fez consideravelmente sentir a  falta de subsistencias nos annos de  1856, 1857, e 1858, no districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;não  só houve para as necessidades  dos seus moradores, mas até alguma coisa  se exportou dos generos  alimenticios. Com tudo isto ha coincidido o  desenvolvimento do fabrico  do azeite de peixe, pelas muitas feitorias  de pesca, que lá se tem  estabelecido, o accrescimo das construcções  urbanas, e o incessante  pedido de terrenos para mais casas.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Segundo a memoria, lançada nos annaes do municipio  de  Mos&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;x &lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;samedes,  com relação ao anno de 1857, vê-se que a  mortalidade fora nulla nos  ultimos colonos, idos para aquelle ponto,  quando n'outro tempo regulava  na razão de 20 por cento. Nos mesmos  annaes, com relação ao anno  anterior de 1856, se lia já o seguinte,  debaixo do ponto de vista de  salubridade: « O clima de Mossame«des é  hoje um paraiso, em comparação  do que ainda era no « anno de 1850; é  seguramente o melhor de toda a  Africa, é su«perior ao de todo o Brasil,  superior ao de muitos logares  de « Portugal, e igual ao melhor e mais  temperado deste ultimo paiz.»  Todo o territorio da circumferencia da  villa é agreste e montanhoso,  como já disse, sendo apenas susceptivel de  cultura nas margens de  alguns rios. No Bumbo, distante a E N.E. tres  dias de viagem de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;já se  encontra uma vegetação muito  desenvolvida,, tendo arvores e matas não  somenos ás do Brasil, com  bellas madeiras, tanto em qualidade, como em  dimensões. O paiz do Bumbo  consiste n'um extensissimo valle, que a E.,  ou nascente, tem a serra  de Chella, assaz elevada, correndo do norte ao  sul. A escabrosidade  desta serra a torna de difficil subida, tendo para o  conseguir de se  passar pela beira de muitos precipicios. Galgada a  serra, encontra-se o  sobado da Umpata, cujo terreno é fertilissimo, e  abundante de aguas,  com bellissimas campinas, onde os respectivos pretos  cultivam milho,  massamballa, massango, batata ingleza, e outros  legumes, havendo aqui e  no Bumbo bastante gado vaccum, e ovelhum. A duas  ou tres legoas de  distancia da Umpata, c na direcção de E., está o  sobado da Huilla, paiz  que igualmente tem ferteis terrenos, sendo  cortado por muitas ribeiras  e rios, cujas margens tem bellas pastagens,  onde os indigenas  pastoream bastantes manadas de gado vaccum. Ao sul da  Huilla fica o  sobado do Jau, cujos terrenos, apesar de mais extensos,  são todavia de  vegetação menos luxurienta, que os da Umpata e Huilla.  Outros sobados  se seguem ainda, como Mucuma, Hay e Cambos, sendo este um  dos maiores  em população. A E. dos Cambos encontramse as povoações de  Mulondo,  Camba e Humbe, na margem d'aquem do Cunene, que por estas  terras corre  n'uma curva, para ir desaguar no Oceano, pela bahia dos  Tigres. O mais  extenso e povoado dos sertões, além do Cunene, é o  Coanhama, onde  poucos brancos tem ido em procura do marfim, que alli se  diz abundante.  A E SE.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;do  Coanhama fica a terra do Donga, d'onde em  distancia de 4 a 5 dias de  viagem para o S. se encontram as grandes  minas de cobre, que abastecem  todos os sertões limitrophes. Deste metal,  que os indigenas fundem,  formam elles um vergalhão de um quarto de  pollegada de grossura, com  cinco palmos de comprido, de que fazem  bracelletes para as mulheres, e  que enrolado nos braços, a começar do  pulso, vae em espiral até ao  cotovello.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Por  esta rapida  descripção do littoral e sertões do districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes  &lt;/span&gt;poderá-o leitor ajuisar do  importante serviço, que fiz ao paiz,  em provocar, tanto como empregado,  como escriptor publico, a colonisação  de um ponto com que assegurei á  coroa portugueza tão vastos e ferteis  territorios. A este impulso, que  provoquei, quanto em mina coube, se tem  posteriormente seguido as  proficuas medidas, que se tem ultimamente  ordenado para aquelle ponto.  Considerando a Huilla, em vista das  informações, que d'alli lhe tem  vindo, como o mais adequado ponto para  nelle se fundar uma colonia  agricola, para alli se mandaram, a bordo do  brigue &lt;i&gt;Sado, &lt;/i&gt;vinte e  nove colonos allemães, que, por arribada do  navio, que do Baltico os  conduzia para a America, tinham entrado no  Tejo. Chegados a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;de lá  partiram para a Huilla, cujo  terreno lhes agradou summamente, vendo-o  tão cortado de ribeiras, e  riachos, um dos quaes passa pela frente, e  outro pela retaguarda do  local das suas respectivas habitações.  Escolhida uma varzea fertil, e  pouco distante da respectiva fortaleza,  deu-se começo á povoação desta  nova colonia, procedendo-se ao  alinhamento e demarcação das ruas no dia  19 de julho de 1858. &lt;i&gt;O nome  de Vista Alegre &lt;/i&gt;foi o destinado  para esta nova e esperançosa  povoação. Pelas recentes noticias, que o  governador de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;dirigiu ao  ministerio da marinha e  ultramar, datado da Huilla aos 15 de julho do  mesmo anno 1858, soube-se  que n'aquelle ponto se achava elle residindo  para regular os negocios da  colonia portugueza o allemã. Entre as  obras, a cuja construcção  procedéra para beneficio d'ella, figuravam : &lt;i&gt;l.°  &lt;/i&gt;um moinho de  agua paia cereaes; 2.° uma olaria para fabricar  tijolo e telha; 3.° uma  fabrica de cortumes, propriedade particular;  4.° finalmente uma machina  movida por agua para serrar madeira. O mesmo  governador affirmava que as  colheitas do trigo se podiam alli obter  tres em cada&lt;span class="gtxt_body"&gt; anno, em março, maio, e dezembro,  semeando-se em janeiro, março, e  outubro, c que todos os productos da  Europa alli se podiam aclimatar C).  Quanto ao estado sanitario dos  colonos não podia ser melhor, prova  evidente da benignidade do clima.  Do Rio de Janeiro linham ido para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;a  bordo do patacho &lt;i&gt;Paquete do  Loanda, &lt;/i&gt;dezeseis passageiros,  alguns d'elles abastados, nas vistas  de se estabelecerem no interior do  districto, dedicando-sc á  agricultura. Pelos ditos passageiros  constava que da mesma cidade do Rio  de Janeiro outros mais individuos  sabiriam em breve com aquellas mesmas  vistas. Para maior segurança dos  territorios de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes  &lt;/span&gt;mandou-se  estabelecer um pequeno forte i.m Porto Pinda, ao sul  de Cabo Negro, e  na sua proximidade. Por decreto de 15 de julho de 1857  se organisou a  força militar da provincia de Angola, devendo ter em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;o seu respectivo quartel o batalhão   de caçadores n.° 3, creado segundo o referido decreto. A primeira   companhia deste batalhão sahiu directamente do Lisboa para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;no 1.° dia de outubro de 1858 a   bordo da nau &lt;i&gt;Vasco da Gama. &lt;/i&gt;indo na força de 104 homens,   incluindo os seus respectivos officiaes, 50 mulheres, e 44 menores. Toda   esta força foi destinada a constituir a colonia militar da Iluilla, em   conformidade com as portarias, expedidas pelo ministerio do ultramar  em  26 de dezembro de 1857. Levava esta colonia comsigo tres contos de  réis  em dinheiro para as primeiras despesas da sua sustentação, o seu   competente armamento, 21 peças de artilheria, polvora em proporção, e   mais petrechos ile guerra, importando os objectos militares em 7:262£287   réis, o os não militares em 1:7630337 réis. Já antes da sabida desta   força outra tinha partido em 4 de maio de 1858 a bordo do brigue &lt;i&gt;Forttmato   &lt;/i&gt;com destino á guarnição de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Compunha-se   esta ultima força de 80 praças ao todo, não fallando em 400  degradados,  nas mulheres e filhos de muitos destes, que tambem foram  para Angola na  mesma nau &lt;i&gt;Vasco da. Gama. &lt;/i&gt;Todas estas  providencias devem  constituir &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;a  segunda povoa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;(I j Sem embargo de Iodas  cstas vantagens, os  colonos allcmães, desavi ndose cuiu o governador de  &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;allegdudo falia de  cumprimento nas  promessas, (íu" se lhes fizera, abandonaram a colonia,  subindo ualli  para a America em 1839, perdendo o governo as  consideráveis despesas,  que com elles tinha ícit". Kra má gente, c  impropria para esta  colonisnçáo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;ção  do Angola, e pude ser que dentro em poucos  annos soja a primeira,  segundo as lisongeiras noticias, que d'alli tem  vindo depois da chegada  de todos estes reforços. A estatistica d'aquelle  ponto em 1857 era a  seguinte: fogos na villa de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;Aguada,  Boavista, Cavalleiros c Macalla, 91. Predios na villa  C8, sendo 34 de  pedra, M de adobe, e 23 de pau a pique. As cubalas de  palha eram 6. Em  construcção estavam 4 predios de pedra, c 14 de adobe.  Os predios da  Aguada eram 16 de todo o genero, na Boavista 33, nos  Casados 5, e nos  Cavalleiros e Macalla 3. A população livre era de 275  individuos, sendo  132 brancos maiores e menores do sexo masculino, 81  ditos do sexo  femenino, sendo o resto composto de pardos e pretos. Os  libertos eram  99, o a população escrava montava a 837 individuos, vindo  assim o total  de todas as classes e sexos a elevar-se a 1:211 pessons,  só na villa  de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Á vista pois  do exposto  concluo que se me não cabe a exclusiva gloria desta  esperançosa  colonisação em totalidade, cabe-me seguramente em grande  parte, sendo  eu o que mais que ninguem me empenhei em achar nos vastos  dominios de  Angola algum sertão, que pelo seu clima, e fertilidade se  prestasse ao  estabelecimento de colonias agricolas, que com o andar do  tempo nos  supprissem a falta, que nos fez a separação do Brasil, dando  animação, e  vida ao nosso frouxo e decadente commercio. Se preenchi ou  não as  vistas a que me propuz, o tempo é quem o ha de dizer, e sendo  pela  affirmativa, como julgo que será, tenho para mim que paguei bem &lt;i&gt;à  &lt;/i&gt;minha  patria, não só as despesas, que fizera com a minha educação,  mas até o  ordenado com que me tem retribuido o meu trabalho como  official  ordinario da secretaria da marinha e ultramar. Talvez que  depois de  morto me venham então as honras posthumas, quando já para nada  me  servem, nem ao menos para me desvanecer com ellas.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Posto que não tão importante como o precedente, um   outro serviço prestei ao meu paiz, na firme crença de ter sahido fora   das minhas obrigações ordinarias de empregado secundario no ministerio   em que tenho servido. Um navio estrangeiro foi abandonado pelo seu   capitão n'uma das nossas provincias d'Africa, por duvidas que teve em se   submetter aos regulamentos flscaes, lavrando deste abandono um termo,   que lhe serviu de titulo para &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;reclamar de Purtugal o pagamento de perdas e   damnos, e o de lucros cessantes, com o de tudo o mais, que julgou a bem   dos seus interesses, allegando de injustas e parciaes as exigencias,  que  as auctoridades da respectiva alfandega lhe fizeram. Dentro em  pouco  tempo dirigiu ao nosso governo a competente reclamação o ministro  da  nação a que o navio pertencia, tendo eu de responder á energica e  altiva  nota, que para este fim o referido ministro formulára, e na qual  se  continham expressões e argumentos de um desafogo, proprio de quem  tem  por si a força. Vendo eu que se a informação pedida pelo ministerio  dos  negocios estrangeiros ao da marinha se limitasse somente a dar os   simples esclarecimentos, que se exigiam, de certo que pagariamos a   importancia da reclamação em questão, entreguei-me de todo o coração e   zelo pelo bem do paiz, não a ministrar apenas aquelles esclarecimentos,   roas a redigir de facto uma verdadeira nota, que servisse de resposta á   do minislro reclamante, nota que elaborei com muito trabalho e esforço   da minha intelligencia, expondo fortes e energicos argumentos, para  que  me foi necessario consultar a nossa legislação fiscal, e ir por  mais de  uma vez pessoalmente á alfandega grande de Lisboa, para alli me  informar  das praticas analogas ao caso acontecido em Africa. Pelo  officio, que  elaborei sobre este ponto, se pode bem ver, ou no  ministerio da marinha,  ou no dos estrangeiros, o patriotico zelo com  que então me conduzi.  Verdade é que o ministro reclamante redarguiu á  resposta, que se lhe  dera, por meio d'uma segunda nota, tanto ou mais  forte do que a  primeira, de que resultou pedirem-se com ella novas  informações, ou  antes pedir-se a replica a esta segunda nota ao  ministerio da marinha. E  posto que já se tivessem dado todos quantos  esclarecimentos se podiam  dar, quando a questão se reduzisse somente a  esclarecimentos, enchi-me  de novos brios para rebater as razões de um  estrangeiro orgulhoso e  insolente, o que fiz com não menos zélo e  dedicação pela causa publica  com que da primeira vez o fizera. Os  argumentos de que me servi, e os  trabalhos a que de novo me enUeguei  constam do respectivo officio,  enviado pelo ministerio da marinha ao  dos negocios estrangeiros, officio  que até hoje ficou sem resposta da  parte do ministro a quem se dirigiu,  )le que resultou evitar eu por  este modo ao thesouro portu&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="flow"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-align: justify;"&gt;gucz  o pagamento de uma avultada somma, que talvez  pagasse, se não fora o  meu allegado zelo e dedicação pela causa publica.  Muito maior gloria me  coube a mim na sustentação desta questão, do que a  que retirou o nosso  governo em 1858 na do celebre apresamento da barca  franceza &lt;i&gt;Charles  et Georges, &lt;/i&gt;que sendo evidentemente negreira, e  encontrada com  todas as provas disso, infringindo as leis do paiz na  bahia da  Conducia, em Moçambique, o gabinete francez, appcllando  vergonhosa e  indignamente do campo da razão e da legalidade para os  argumentos da  força e allegações de um despotismo insolente, não se  pejou de enviar  duas naus suas ao Téjo, com a intimação, que nos mandou  fazer, de se  lhe entregar a referida barca dentro de quarenta e oito  horas, como  effectivamente aconteceu em 23 de outubro de 1858. Não se  limitou  sómente a esta entrega o jugo, que a França nos impoz por tal  motivo,  porque além delia, tivemos tambem de lhe pagar a enorme somma de   62:828$100 réis, como indemnisação da captura em questão, sendo ella   todavia mais justa do que a materia, que eu tive de defender no caso   acima citado. Não digo que a correspondencia do nosso governo sobre a   entrega da barca &lt;i&gt;Charles et Georges &lt;/i&gt;fosse mal conduzida, mas o   facto é que delia não se lirou o resultado da que me passou pelas mãos   doze ou treze annos antes, sendo a consequencia disso supportar a nação   portugueza um vexame, que tanto deu que fallar em toda a Europa, e   tamanho desaire nos acarretou, vexame e desaire de que eu a livrei, alóm   do pagamento da respectiva somma, mettido em questões de peor aspecto,   que a da citada barca. Eis-aqui pois mais outra prova da minha   affirmativa de ter pago ao estado as despesas, que fez com a minha   educação, e o ordenado com que me retribuiu o trabalho do meu emprego de   official da secretaria da marinha, donde resulta ter igualmente pago á   patria o nascimento, que a sorte me deparou no gremio da nação   portugueza. Deste modo desempenhei pois as funcções do meu antigo logar   de chefe da repartição de Angola, que exerci desde novembro de 1842 até   junho de 1851, em que dellc fui demiltido, pela razão e modo por que  se  vae vêr.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In: &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;a href="http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/02/colonizacao-de-mossamedes-angola.html"&gt; A colonizacao de Mossamedes, Angola, em Revelacões da minha vida e memorias de alguns factos e homens meus ... Por Simão José da Luz Soriano &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-1166474220046059439?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/1166474220046059439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=1166474220046059439' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/1166474220046059439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/1166474220046059439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/05/luz-soreano-o-promotor-da-colonizacao.html' title='Luz Soreano, o promotor da colonização de Mossamedes: 1849'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMZxJeLUiJQ/SpAYIzmjUNI/AAAAAAAAC6g/Qa2kS_uFzz4/s72-c/1-Luz-Soriano-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-2717702406421368917</id><published>2010-02-16T17:32:00.000-08:00</published><updated>2010-04-22T15:49:20.007-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colonizaçao de Angola; NAMIBE;'/><title type='text'>História de Angola: AS COLÓNIAS DO NAMIBE- Anuário da Origem Abolicionista da Colonização do Sul de Angola</title><content type='html'>&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://tudosobreangola.blogspot.com/2010/01/historia-de-angola.html"&gt;Do site Angola-Saiago&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História  de Angola: AS COLÓNIAS DO NAMIBE&lt;/div&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title" style="color: black;"&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; AS COLÓNIAS DO NAMIBE&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;center style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;big&gt;A&lt;/big&gt;nuário da &lt;big&gt;O&lt;/big&gt;rigem &lt;big&gt;A&lt;/big&gt;bolicionista&lt;br /&gt;da &lt;big&gt;C&lt;/big&gt;olonização do &lt;big&gt;S&lt;/big&gt;ul de &lt;big&gt;A&lt;/big&gt;ngola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; Compilado por&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt; Júlio Alves Victor &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;   &lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;big&gt;*&lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; em Luanda, aos 3 de Março de 2004.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;    &lt;/center&gt;  &lt;b style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Dissertações sobre a  actual cidade do Namibe tendem a vestir-se de apenas duas roupagens: a   épico-bairrista e a bucólico-naturalista, referindo com maior ou menor  pormenor, respectivamente  as afanosas idas e vindas de primeiros  colonos e pescadores, ou o ‘potencial’ turístico da  &lt;i&gt;welwitschia&lt;/i&gt; e  o deambular das cabras-de-leque. Pouco se lê sobre o elo entre a cidade  e a  maior transformação sócio-económica da História moderna, a  criminalização do comércio em  mão-de-obra escrava – o tráfico – e os  papéis que muitas figuras associadas com a cidade  desempenharam nesse  longo drama. Sem entrar em pormenores sobre a origem e necessidade  económica  do tráfico, merece a pena conferir algumas datas na larga  periferia temporal da localidade do  sul de Angola: o sítio tem raízes  compridas e espêssas, alimentadas durante séculos pelo  enriquecimento  das Américas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tanto as razões humanitárias, de há muito expressas pelas nações  europeias – especialmente  aquelas cujas economias não dependiam do  trabalho braçal em escalas industriais – mas a  influência da  máquina-a-vapor inglesa sobre o Brasil independente, tornou possível a  libertação  de todos os escravos daquele país em 1826. A medida causaria  na Angola do século dezanove sérios  problemas administrativos –  derivados da despesa com a prevenção do tráfico ilícito e dos   resultados da ociosidade e potencial criminalidade dos libertos  desempregados – se a legislação  portuguesa tivesse contemplado o caso  de uma dívida do Estado para com os senhores e mercadores  angolanos. É  duvidoso que o problema pudesse resolver-se, mesmo se os governos  Liberais que  promoveram a Abolição fossem perenemente fortes; assim,  merece todo o crédito a orientação  política, tão judiciosa quanto o  permitiam os preconceitos da época e a conversão lenta da  cultura  económica colonial, que veio a ser adoptada e passou pela criação de um  foco de dispersão  de uma economia moderna a partir do antigo porto do  barão de Moçâmedes, no sul de Angola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ali, à beira do deserto do &lt;i&gt;Namib&lt;/i&gt;,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; 1&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;   que as convicções abolicionistas de um outro barão, o de Sá da Bandeira,  tomam corpo num  projecto de colonização em cuja cronologia se esboçam a  coincidência e o contraste, ocorrem  situações extraordinárias e  aparecem tipos humanos como os que coloriram a literatura da época   Romântica, a que pertenceu, curiosamente, a Abolição.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;__________ &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1. Namib – ‘Terra sem água’ nos  dialectos Nama, nome genérico de povos do grupo étnico  &lt;i&gt;Khoi &lt;/i&gt;(versão  inglesa do nome de uma das tribos a sul do Cunene, os &lt;i&gt;Gai //khaun&lt;/i&gt;),   ou ‘hotentotes’.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; __________ &lt;br /&gt;&lt;big&gt;*&lt;/big&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; Natural de  Moçâmedes, hoje Namibe, Angola.   Amigo e colega no Helderberg College,  África do Sul, nos anos 60.   Depois de terminar os estudos  universitários, em Geologia, fixou residência  naquele país. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Página 2 de 12 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt; &lt;span style="font-size: medium;"&gt; &lt;b&gt;1. Datas da Ascendência Internacional da  Abolição&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1.1. O início do  tráfico, comércio legal institucionalizado de escravaria&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1493&lt;/b&gt; – A colonização de São Tomé  inicia-se por a cultura da cana em Cabo Verde nunca ter  pegado, dada a  fraca pluviosidade do arquipélago; para tanto, D. João II decreta que as  escravas  negras – maioritariamente da costa africana entre a ilha de  Fernando Pó e a foz do rio Zaire –  que dêm filhos aos colonos do  arquipélago, sejam libertas e os filhos nasçam livres. Algumas  centenas  de almas continuaram a ir, cada ano, da costa da ‘guiné’ – o antigo  reino de Ghana –  para o Reino, em parte para venda a Castela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1495&lt;/b&gt; – No ano da morte do seu  grande rival D. João II, a rainha Isabel, a Católica, de  Espanha  decreta a proibição do tráfico de índios nas colónias espanholas do Novo  Mundo,  valendo-se do comércio particular dos armadores internacionais  que, sob o rei D. Manuel I,  passaram a poder comprar mão-de-obra à  alfândega real portuguesa em Santiago de Cabo Verde: eram  escravos, na  sua maior parte, idos da Guiné, mas também do porto conguês de Mpinda. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1502&lt;/b&gt; – Logo na primeira viagem de  colonização após o manifesto de descobrimento do Brasil  se  transportaram para o Brasil alguns escravos da Guiné. Ficou assim  patente aos feitores  espanhóis das ilhas do mar das Caraíbas, que uma  “máquina” negra produzia quatro vezes mais  trabalho que uma ameríndia.  Isto facilitou a luta dos missionários contra o verdadeiro genocídio  –  geralmente involuntário, devido à ausência de imunidades entre os  autóctones – que viam  desenrolar-se entre as populações índias durante  os primeiros vinte anos da colonização espanhola.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1514&lt;/b&gt; – O antigo advogado e  colono, e recentemente padre domínico, Bartolomeu de Las Casas,  entrega  os seus escravos ao governador de Cuba e transforma-se no mais acérrimo  pregador contra  os excessos dos &lt;i&gt;encomenderos&lt;/i&gt; sobre os  autóctones das Américas, advogando a ideia de  utilizarem-se escravos  negros, em vez de ameríndios, nas colónias espanholas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1516&lt;/b&gt; – O &lt;i&gt;resgate&lt;/i&gt; da Guiné  torna possível a intervenção oficial da coroa espanhola:  neste ano em  que o chefe do Santo Império Romano acede aos tronos de Castela e Aragão  por morte  do viúvo da rainha Católica, os escravos africanos passam  ser importados directamente pelo  imperador Carlos V, por contrato real –  &lt;i&gt;assiento&lt;/i&gt; – com o rei de Portugal, D. Manuel I,  devendo o  tráfico ser autorizado pelas autoridades de Santiago de Cabo Verde e os  direitos da  Coroa espanhola fiscalizados por Portugal: o resgate no  Congo é vedado aos santomenses e o  tráfico do Congo canalizado para a  alfândega de Santiago. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1.2. O sul do ‘reino de Angola’ e o  germe do movimento abolicionista&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1601&lt;/b&gt; – Concluídas as obras do  presídio da Muxima, o capitão-geral de Angola, João Furtado  de  Mendonça, decide iniciar a ‘ocupação efectiva’ do país a sul do rio Cuvo  no ano seguinte,  enviando uma pequena frota a explorar e comerciar nas  baías da costa de Benguela.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1602&lt;/b&gt; – É um contingente da força  enviada pelo governador Mendonça que sobe o rio Cuvo e  transporta um  quilombo de jagas, em batéis, para a margem sul do rio, onde os célebres  guerreiros  se dedicam quase que imediatamente à sua ocupação favorita:  fazer escravos para venda aos  mercadores da costa. Com a força seguia  um ex-corsário escocês chamado André Battell –  aprisionado em águas  brasileiras e oferecido ao governador Mendonça como criado – que é  deixado  com o regimento imbangala, segundo o próprio, e bastante  improvavelmente, como refém: ao fim de  um ano de permanência com os  temíveis canibais, Battel é entregue são e salvo no presídio de   Cambambe, vindo a escrever na Inglaterra as suas memórias da aventura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1605&lt;/b&gt; – Neste ano  da ‘conspiração da pólvora’ – o atentado católico contra o Parlamento   inglês – o rei Tiago de Inglaterra (James I), resolve reconciliar as  facções religiosas do país  por meio de uma nova tradução da Bíblia, e é  a John Layfield, colono na América retornado à  pátria, que os editores  reais confiam a tradução do Livro do Génese da famosa edição dos textos   sagrados: o pastor protestante descreve o Paraíso à semelhança das  Caraíbas, onde eram então  evidentes os efeitos desastrosos da economia  colonial da potência contemporânea mais forte do  Mundo, a católica  Espanha, sobre as populações ameríndias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1615&lt;/b&gt; – Com a autonomização do governo do reino de Benguela, por  provisão de 14.02 de Filipe II, abre-se um novo porto comercial na costa  a sul do rio Zaire, depois do de Luanda e  dos vários do rio Cuanza. A  opinião internacional sobre a escravatura não é, porém, o que fora  em  fins do século XV e o antigo governador da administração espanhola de  Angola – o mesmo  Capitão-general que demonstrara não haver prata em  Cambambe – é nomeado donatário do Reino de  Benguela, que parece ter  fama de conter minas de cobre, minério de que, de resto, a Espanha não   carece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1617&lt;/b&gt; – O antigo capitão-general, e agora donatário, Manuel  Cerveira Pereira, lança ferro  na baía da Torre a 17.05. A partir de  então, diz-nos Cadornega, “este Reino de Benguella antes  desta terra  ser tomada pello Hollandez, teve sobre si governo separado, onde havia  feituria e  officiaes reaes, que davão despacho ás peças deste Reino, e  assim despachadas vinhão para esta  cidade de São Paulo da Assumpção,  ficando naquelle Reino os direitos dellas, para a paga e  sustento da  infantaria, e mais ordinarias...”  Benguela nunca se evidenciaria como  porto  exportador de cobre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1627&lt;/b&gt; – O capitão-mor Lopo Soares Lasso é nomeado governador de  Benguela por morte de  Cerveira Pereira no ano anterior, e quando o  capitão-geral de Angola, Fernão de Sousa  (1624-1630), c. 1626, pensa em  encerrar o presídio – de onde não só nunca se exportara cobre mas  onde  poucos escravos se resgatavam – Lasso opôs-se. Terá sido na subsequente  tentativa de  estabelecer relações comerciais com os chefes tribais do  planalto de Benguela que o capitão-mor  descobriu a verdadeira vocação  do presídio de S. Filipe: dar acesso aos territórios entre o rio   Coporolo e o cabo da Boa Esperança, que todos então eram considerados  parte do ‘reino de Angola’.  Lasso funda Caconda-a-Velha e terá  estabelecido, provavelmente ainda antes do fim do mandato do   Capitão-general em 1630, os primeiros contactos com o soba ‘Hila’&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt; , cuja gente vinha até o Lobito&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  à troca do sal; em 1639, ao pretender comerciar na margem  esquerda do rio Cunene, pereceu com  toda a sua tropa numa emboscada  perto de Caconda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1664&lt;/b&gt; – André Vidal de Negreiros, um dos principais comandantes da  resistência portuguesa  contra a ocupação holandesa do Brasil, e  capitão-general de Angola (1661-1666), com grandes  interesses no  fornecimento de mão-de-obra africana à agricultura das colónias do  nordeste  daquele país, envia em Outubro deste ano um ‘homem prático’ no  patacho &lt;i&gt;Nossa Senhora da  Nazaré&lt;/i&gt; à descoberta da foz do rio  Cunene: o explorador identifica-se numa inscrição na  falésia que limita  a angra do Negro pelo sul: “José da Rosa em 1665”; a viagem prendia-se  com  a possibilidade de o Cunene – nome banto que significa ‘grande’ e  sugerira extensa navegabilidade  a Lopo Soares Lasso, o primeiro europeu  a ver o rio – se aproximar do rio Zambeze e poder assim  dar acesso,  mediante portagem até este outro rio, à costa de Moçambique. Rosa, não  encontrando a  foz do rio, encontrou contudo o estranho gentio daquela  paragem, que, relata-o Cadornega, o  capitão “resolveu trazer... que se  não entendia nada do que fallava; e a falla como de estrallo,  gente  como selvagem, que bem o demostravão assim em comerem a carne, o peixe, e  milho cru, e por  acenos só se entendia delles alguma couza, os quaes  se mandarão pôr outra vez em suas terras, à  custa de quem os trouxe,  sem os haver comprado, nem resgatado...”  Desconhece-se se o Rosa de   facto voltou à custa do sul de Angola com os pobres diabos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________ &lt;br /&gt;1.&lt;/b&gt; Nha.Hum. &lt;i&gt;yila&lt;/i&gt;, ‘veia’, ‘vida’, por onde &lt;i&gt;o’yila&lt;/i&gt; e  ‘Oíla’, claramente sem  ‘h’ aspirado, dos escritores portugueses coevos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt; Umb. &lt;i&gt;o’lupito&lt;/i&gt;, a  ‘porta’ por  entrava o mar, entre a cuspe arenosa e a costa que  caracteriza o lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1.3. As raizes do  movimento abolicionista&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1670&lt;/b&gt; – Publicação de &lt;i&gt;Christian Directory&lt;/i&gt;, em que o  pregador Robert Baxter, daqueles  Protestantes que nem com o  anglicanismo se conformavam – por isso o epíteto de ‘inconformista’  que  lhes davam – ataca vigorosamente a escravatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1680&lt;/b&gt; – Outra obra crítica da prática da escravatura é a do  clérigo anglicano Morgan  Goodwin, que retrata em 1680 os horrores do  tratamento dos escravos na colónia britânica de  Barbados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1688-1690&lt;/b&gt; – Na novela &lt;i&gt;Oroonoko&lt;/i&gt; (1688) o escritor Aphra  Behn descreve o tráfico nas  Antilhas britânicas; o &lt;i&gt;Tratado Sobre o  Governo Civil&lt;/i&gt; (1690), do filósofo escocês John  Locke, condena a  escravatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1700&lt;/b&gt; – Na França, o nobre Carlos Luís de Secondat, barão de La  Brède e respeitadíssimo  marquês de Montesquieu, pondera no seu &lt;i&gt;Espírito  das Leis&lt;/i&gt;, que “a escravatura é tão  contrária à lei civil como está  em oposição à lei natural: que espécie de estado civil poderia  impedir  um escravo de fugir?” O célebre jurista havia passado um tempo na  Inglaterra e sem dúvida  mantinha contactos com anti-esclavagistas  ingleses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1766&lt;/b&gt; – Os devotos e circunspectos agricultores da feitoria  independente da Pensilvânia  libertam todos os seus escravos: pouco  depois começam a aparecer grupos abolicionistas na Europa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1772&lt;/b&gt; – Os colonos da Virgínia debalde peticionam à Coroa  britânica a libertação dos seus  escravos: é tristemente irónico que os  seus descendentes viessem a ser, menos de cem anos mais  tarde e quando  já americanos independentes, o esteio da política esclavagista dos  estados  meridionais da América do norte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1778&lt;/b&gt; – Um pedido dos comerciantes de Bristol e Liverpool –  chocados com o mau nome que o  transbordo dos escravos para as Antilhas  dava aos dois grandes portos ingleses – para que Coroa  proibisse as  escalas nas Ilhas britânicas do descomunal tráfico da &lt;i&gt;Slave Coast&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt; , é indeferido pelo governo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt; &lt;span style="font-size: medium;"&gt; &lt;b&gt;2. O Abolicionismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;b&gt;2.1. Moçâmedes&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1784&lt;/b&gt; – A  resistência dos colonos norte americanos de Jorge Washington sobre o  exército  expedicionário inglês tem um desfecho inesperado a norte da  foz do rio Zaire: numa pausa nas  operações contra a marinha britânica,  uma frota francesa sob o comando do almirante Bernado de  Marigny vem a  Molembo – hoje Cabinda – e bombardeia o forte que o Capitão-general de  Angola ali  mandara o major de engenharia Furtado construir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1785&lt;/b&gt; – Em consequência do  bombardeamento do forte de Molembo, o Capitão-general, receoso  de que  os Franceses planeassem apoderar-se da rota atlântica do Brasil – que,  sob os ventos  predominantes, trazia os veleiros directamente à angra do  cabo Negro, assim chamado por Diogo  Cão – dá ao major Luis Cândido  Cordeiro Pinheiro Furtado o comando de uma expedição por mar e  terra à  estratégica angra, onde tencionaria fundar um presídio. O major, a quem o  capitão-mor  de Benguela não parece ter dado o auxílio que devia,  beneficia porém do apoio do abastado  comerciante e sertanejo da vila,  Gregório José Mendes, habilmente aliciado pelo Capitão-general,  e os  dois levam a bom termo uma das expedições mais interessantes da história  ultramarina  portuguesa: Furtado por mar, a remos, em grande parte do  reconhecimento pormenorisado da costa,  e Mendes a pé, com cerca de mil  empregados seus, através das terras áriadas a norte do deserto  do  Namib. Reúnem-se os dois comandantes a 03.08 na angra, que Furtado  crisma com o nome de  Moçâmedes – uma vila do distrito de Viseu,  Portugal, de que o Capitão-general era barão – mais  mnemónico que o  nome próprio do precavido governador, D. José de Almeida e Vasconcelos  Soveral  de Carvalho da Maia Soares de Albergaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;__________  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;i&gt; Slave Coast&lt;/i&gt; – A ‘Costa dos Escravos’, no Golfo da  Guiné, contestada pelos  Franceses e Ingleses aos Portugueses antes do  tráfico se enraizar no Congo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;2.2. A oposição militante ao tráfico&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1786&lt;/b&gt;  – Neste ano em que só as colónias britânicas no Atlântico importam  38.000 almas –  seguia-se-lhe o Brasil com umas 14.000 pessoas por ano –  o pastor inglês James Clarkson publica  a primeira “sondagem” moderna  sobre o tráfico: o &lt;i&gt;Ensaio sobre a Escravidão e Comércio da  Espécie  Humana&lt;/i&gt;, baseado nos depoimentos de muitas testemunhas  contemporâneas. Nenhum  filósofo contemporâneo – para não dizer  empresário – saberia nesse ano que outra fonte de  energia usar para  inverter o aumento no tráfico, dada a necessidade de mão-de-obra para as  minas  e plantações americanas; e no entanto, neste mesmo ano o vapor  faz funcionar um moinho na  Inglaterra. Já noventa anos antes  Montesquieu, ao definir como coisas “intrinsecamente más” na  sociedade  humana, “a intolerância, o despotismo e a escravatura”, profetizara que a  máquina  substituiria o escravo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1788&lt;/b&gt;  – Figuras importantes de Paris juntam-se para exigir à Coroa a abolição  imediata da  escravatura: o presidente da &lt;i&gt;Sociedade dos Amigos dos  Negros&lt;/i&gt; é o matemático, membro da  Academia das Ciências e inspector  geral da Casa da Moeda, João António Nicolau Caritat, marquês  de  Condorcet. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1789&lt;/b&gt;  – No ano da Revolução francesa, Condorcet é secretário da Assembleia  Legislativa  revolucionária: tenta obliterar algumas coisas  “intrinsecamente más” que iam pelo mundo,  conseguindo que a Assembleia  adopte algo que havia redigido: a &lt;i&gt;Declaração dos Direitos do  Homem&lt;/i&gt;.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1790&lt;/b&gt;  – A Assembleia constituinte ainda não está decidida quanto à legislação  competente à  &lt;i&gt;Declaração&lt;/i&gt;, excepto num aspecto: pelo decreto de  08.03 os direitos definem-se só para os  habitantes da França, não os  das colónias essencialmente agrárias, muito menos à população  escrava. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1794&lt;/b&gt;  – A esquerda revolucionária toma poderes ditatoriais e passa a Lei  abolicionista.  Logo se nota, porém, que existe apenas em teoria e as  medidas que se tomam contra o tráfico são  tímidas: no Haiti são  contestadas pela própria administração colonial e na ilha de Reunião são   mesmo repudiadas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1798&lt;/b&gt;  – Os princípios contidos nos &lt;i&gt;Direitos&lt;/i&gt; são adoptados no &lt;i&gt;Código  de  Escravidão&lt;/i&gt; das colónias espanholas e as melhorias assim  introduzidas no tráfico nas Antilhas  são logo exigidas pela mão-de-obra  das plantações francesas e britânicas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1799&lt;/b&gt;  – No Haiti, que já cem anos antes era uma das possessões coloniais mais  ricas do  mundo, havia nas vésperas da Revolução francesa uma população  de 42.500 brancos, 27.500 libertos  &lt;i&gt;mulâtre&lt;/i&gt; e 450.000 escravos  negros; mas a nova Constituição francesa, promulgada em Paris  em  25.12.1799 com o apoio do competentíssimo general corso &lt;i&gt;Buonaparte&lt;/i&gt;,  não menciona  &lt;i&gt;egalité&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;fraternité&lt;/i&gt;, nem &lt;i&gt;liberté&lt;/i&gt;,  nem se refere aos &lt;i&gt;Direitos&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1800&lt;/b&gt;  – O plebiscito de Fevereiro de 1800 aprova a Constituição napoleónica –  por três  milhões de votos contra mil e quinhentos – e, com ela, o  governo militar que vem restabelecer  a boa ordem na França e a  legalidade da escravatura: o general Bonaparte refere-se a esta como  o  estatuto “sob o qual as colónias tinham atingido a prosperidade.” A  mão-de-obra escrava  mantém-se como elemento importante da economia  francesa, dependente então da produção de açúcar  e seus derivados no  ultramar: e enquanto a França produzisse o açúcar que ajudava a manter  os  seu poderio naval, na Inglaterra a câmara dos Lordes não tinha o  mínimo interesse na abolição  advogada pelo orador Guilherme  Wilberforce, deputado por Hull, o porto por onde se exportavam  as  máquinas a vapor que estavam a tornar famosa a indústria britânica.  Outro deputado famoso,  o mestiço Aléxandre Sabès Pètion que  representara o Haiti na defunta Assembleia Nacional  francesa,  encontra-se na frota enviada por Bonaparte ao Haiti, sob o comando de  seu cunhado  o general Leclerc: o governador negro da ilha, Toussaint  l’Ouverture, pensando que vai assinar  um tratado de paz, é detido e  embarcado para a França. Quando Bonaparte reinstitui a escravatura  nas  ilhas de Guadalupe e Martinica, Pètion, desiludido, incorpora-se na  guerrilha de Jean-Jacques  Dèssalines, outro caudilho haitiano negro que  sucede a l’Ouverture.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1803&lt;/b&gt; –  L’Ouverture morre no cárcere em Paris. Entretanto no Haiti a guerrilha, a  febre  amarela e a Armada britânica cobram aos Franceses: Leclerc morre  da febre em Novembro e pouco  depois o general Rochambeau rende-se aos  Ingleses.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1804&lt;/b&gt; – Dèssalines nomeia-se  governador geral do Haiti, declara a ilha independente,  massacra todos  os colonos que haviam ficado na ilha – naturais brancos que se  consideravam  benquistos dos negros – e trata brutalmente todos os que,  entre estes, o opunham. Em Setembro  proclama-se imperador, como Jacques  I, e, já não sendo legal a escravatura mas apercebendo-se  da vantagem  continuar a produzir açucar para o mercado francês, institui o trabalho  forçado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;2.3. Reacção na Europa&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1805&lt;/b&gt; – Na segunda-feira dia  21.10.1805 uma armada franco-espanhola de 33 navios que saía  de Cádiz  com rumo a Nápoles, onde Bonaparte necessitava de tropas para invadir a  Áustria, é  atacada e destruida ao largo do cabo Trafalgar; embora o  mais jovem almirante britânico, Horácio  Nelson, morra durante a famosa  batalha, pelas 17 horas o poderio naval da França atinge o seu  ocaso.  Quando a Inglaterra proíbe imediatamente as nações neutras de  comerciarem por mar com a  França sem uma licença a obter nos portos  ingleses, o imperador Bonaparte decreta um bloqueio  geral dos portos  europeus. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1806&lt;/b&gt; – Encorajada pelo domínio  britânico do mar das Caraíbas, a população mestiça de  Port-au-Prince,  encabeçada por Pètion, revolta-se e o imperador Jacques I morre ao  tentar  dominá-la. No lado sul da ilha Pètion alforria os escravos e  persuade-os a que, em vez de  cultivarem a cana, plantem café: é esta  cultura livre e imecanizável, encorajada pelo comércio  americano, que  põe fim à economia ultramarina francesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1807&lt;/b&gt; – Na Europa, a nação  portuguesa encontra-se na difícil situação de aliada centenária  da  Inglaterra, com uma economia dominada por investimentos britânicos e sob  um governo forçado a  fingir que respeita o bloqueio francês; a 12.08  sabe-se da nota do embaixador francês, em que  este exige, entre outras  medidas, a declaração de guerra à Inglaterra. De facto o rei português   chega a assinar os decretos respectivos entre Outubro e Novembro mas,  mesmo assim, a Casa de  Bragança é banida por decreto de Bonaparte e, na  noite de 19.11, o general Junot invade Portugal  com 25.000 soldados  que vão saquear a vila de Castelo Branco. Dez dias depois a família real  e  muitos nobres deixam a praia da Ericeira rumo ao Brasil, sob escolta  duma flotilha britânica.  Com o domínio do comércio do Atlântico  garantido pela presença do rei português D. João VI na  América, os  Lordes britânicos aprovam, finalmente, a proposta de Wilberforce: a  abolição da  escravatura em todos os domínios da coroa britânica. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1810&lt;/b&gt; – O tratado de Aliança de  19.02.1810, negociado com a Grã-Bretanha pela corte do Rio  de Janeiro,  contém uma proposta de Abolição gradual em todos os territórios  portugueses. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1811&lt;/b&gt; – O governo britânico  institui a pena de morte para os transportadores ingleses,  agora  conhecidos por ‘negreiros’. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1813&lt;/b&gt; – A lei de 13.11 reduz à  metade o tráfico de Angola, mas na prática os negreiros  mantêm-no em  alta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;2.4. Portugal e a Abolição&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1815&lt;/b&gt; – Pelo tratado de Viena de  22.01 a Coroa britânica renuncia à soberania que exercera  desde 1795  sobre todos os ancoradouros de Angola além de 15º de latitude sul – toda  a costa a sul  da foz do rio Giraúl – que fizera da angra &lt;i&gt;das  Aldeias&lt;/i&gt; de Diogo Cão o porto  &lt;i&gt;Alexander&lt;/i&gt; dos Britânicos: a  real armada  britânica alijava a responsabilidade, agora  injustificada,  de manter os Franceses ao largo da costa do sul de Angola, mas  continuava a poder  apreender os transportes ilegais de escravos no  Atlântico Sul.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Página 7 de 12&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1817&lt;/b&gt; – No Brasil  eclode a revolução emancipalista do norte e o Capitão-general intervém,   mas desagrada ao príncipe Regente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1818&lt;/b&gt; – A actuação das autoridades  civis que o Regente inaugura é, porém, ainda pior que a  do  Capitão-general português, e D. Pedro concede aos revolucionários uma  amnistia no dia da sua  coroação, 06.02. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1820&lt;/b&gt; – A primeira revolução  Liberal portuguesa, assoprada por ventos de França, repercute  no  nordeste brasileiro, e a adesão popular ao movimento emancipalista em  Pernambuco convence a  Coroa de que a posição imperial é insustentável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1822&lt;/b&gt; – Enquanto entra a vigorar  em Portugal uma constituição Liberal, baseada no princípio  da  ‘soberania do povo’, no Brasil, o príncipe regente D. Pedro usa o  pretexto de uma votação  desfavorável nas Cortes de Lisboa para declarar  o território independente, e os mercadores  brasileiros, por convenções  assinadas imediatamente com a Grã Bretanha, obrigam-se a fornecer-se   de escravos exclusivamente em Angola. A abolição no Brasil dá-se já como  inevitável, e aos  fornecedores angolanos resta a possibilidade de  manter o tráfico com Havana, de onde, por sua  vez, se fornecem os  estados meridionais da União da América do norte: quando o governo  brasileiro  propõe a Luanda a independência de Angola, a maioria dos  vereadores e outros representantes do  povo ao senado da Câmara de  Luanda – brasileiros e nativos – vota pela continuação do território   africano sob a Coroa portuguesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1823&lt;/b&gt; – Aparece no mercado a  caldeira de Seguin, ou ‘de tubos’, que não explode como os  modelos mais  antigos: a mecanização apodera-se dos engenhos açucareiros do Brasil, a  libertação  total dos escravos é aprazada para 1826 impreterivelmente  e, à medida que as empresas do ramo se  adaptam à nova tecnologia,  crescem as exportações da indústria do vapor inglesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1826&lt;/b&gt; – No ano em que a Abolição  se completa no Brasil, morre em Portugal o rei D. João VI  e o seu  filho, o imperador D. Pedro, aprova uma Carta constitucional que vem  substituir a  Constituição liberal de 1822: concede um pouco mais de  soberania à Nobreza nacional em redor da  coroa, e um pouco menos ao  Povo. É trazida para o Reino por um Lorde inglês, e os ‘conservadores’   portugueses, entre eles nobres e militares antigos combatentes das  Invasões francesas, aceitam-na.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1836&lt;/b&gt; – A segunda revolução  liberal portuguesa imita também um acontecimento parisiense: a  subida  ao poder em Julho de 1830 do popular Luís Phillipe, em cujo reinado se  criminalizaram  finalmente os ‘negreiros’ franceses. Estes, de resto,  continuavam a visitar a costa africana  entre o Molembo e o Ambriz, já  que os governos ‘conservadores’ portugueses se haviam acomodado  ao &lt;i&gt;status-quo&lt;/i&gt;  comercial que a escravatura implicava. A revolução estala quando, sob a   crítica cerrada dos ‘liberais’ lisboetas, o governo autoriza uma força  de setecentos fuzileiros  navais britânicos a desembarcar sob pretexto  de protegerem a soberana de dezasseis anos, D. Maria  II, sobrinha do  imperador do Brasil; aos nobres que apoiam a Constituição de D. Pedro  impõe-se  habilmente um soldado da mesma guerra civil que dera o trono à  menina: é o tenente-coronel  Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, que  a Coroa vem depois a chamar para formar o segundo  governo Liberal. É  como chefe deste que o futuro marquês de Sá da Bandeira dá urgente  atenção à  questão do contrabando de escravos a sul do Molembo,  decretando em 10.12 a Abolição da  escravatura em todo o território  português; porém, perante a realidade desta mono-indústria de  Angola,  Sá Nogueira propõe um antídoto: “Promovamos na África a colonização dos  europeus, o  desenvolvimento da sua indústria, o emprego dos seus  capitais; e numa série de anos tiraremos os  grandes resultados que  outrora obtivemos das nossas colónias.” Em Luanda os exportadores clamam   contra o primeiro ministro que assustara a jovem Rainha, neta do  soberano a quem em 1822 o senado  da Câmara jurara fidelidade em vez de  se juntar ao Brasil, e em Lisboa cai o governo do tenente  coronel.  Neste ano o tráfico angolano é conduzido maioritariamente com Havana,  por negreiros  americanos e franceses que actuam entre a foz do rio Loge  e a baía de Molembo: os Estados  norte-americanos meridionais protegem o  seu abastecimento de Havana, a Inglaterra não deve  intervir, Portugal  não pode, e portanto o risco de complicações internacionais aumenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;2.5. Moçâmedes e a  Abolição&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1838&lt;/b&gt; – A ‘colonização’ a que Sá Nogueira se referira tinha tudo a  ver com a aclimatisação  de comunidades portuguesas em África como  unidades produtivas auto-suficientes – na tradição  portuguesa do Brasil  e inglesa na América do norte – e pouco com o conceito de grandes   territórios ultramarinos anexados a uma potência europeia, ao jeito  popularizado cinquenta anos  mais tarde pelo rei Leopoldo dos Belgas;  não devia, por isso, dar-se como o início daquilo que  mais tarde se  convencionou chamar ‘colonialismo’. Porém, toda a autoridade era então  pouca para  manter em Luanda o respeito pelo governo Liberal em Lisboa: o  ministro Sá Nogueira, agora na  pasta da Marinha e Ultramar, nomeia por  isso António de Noronha Governador geral, em cujo posto  o almirante se  mantém aproximadamente um ano, governando Angola segundo o novo  figurino, e não  já como um capitão-general da antiga tradição  ultramarina: é um governador geral com grande  autoridade civil em  representação da Coroa, à maneira britânica. Noronha dá o primeiro passo  da  nova política ultramarina portuguesa ordenando a restauração do  antigo presídio de Caconda, em  parte para demonstrar que existia já uma  soberania europeia a sul de 13º latitude sul – desde a  seca de 1829  que os hotentotes Orlam entravam a cavalo pela Huíla em busca de gado – e  em parte  para iniciar o projecto anti-esclavagista imaginado pelo  ex-primeiro ministro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1839&lt;/b&gt; – O almirante Noronha escolhe para chefe da estação naval de  Luanda o tenente da  Armada Pedro Alexandrino da Cunha: já servia em  Angola havia alguns anos, competindo-lhe vigiar  os ‘negreiros’ entre  Molembo e Luanda, e por isso conhecia bem o envolvimento da praça da  capital  no contrabando de escravos. Sá Nogueira autoriza uma expedição  do tenente ao sul de Benguela, nos  moldes da de Furtado e Mendes em  1785: na costa sul de Angola os contrabandistas não tinham   ancoradouros, portanto o governador geral terá pensando em radicar ali  uma agricultura local, que  ocupasse a população escrava e servisse de  exemplo ao norte, visto ser impossível ao tesouro do  Reino indemnizar  os senhores. Por terra, de Benguela a Quilengues – a antiga Caconda – e  de aqui  à Huila e ao Jau, marcha o comandante daquele presídio, o  tenente de artilharia José Francisco  Garcia. Pedro Alexandrino comanda,  já como capitão-tenente, a corveta Isabel Maria,  acompanhando-o o  comerciante António Joaquim Guimarães, encarregado de escolher um ponto  para  estabelecer indústrias de charqueação e curtumes no porto de  Moçâmedes, com promessa de ajuda do  governo. De caminho, Cunha dá o  nome do governador geral à ponta sul da baía de Moçâmedes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1840&lt;/b&gt; – O tenente Garcia, escolhido para chefiar o novo  estabelecimento, vem a bordo do  brigue &lt;i&gt;Raimundo I&lt;/i&gt;, aprisionado a  19.02 por um navio da Armada britânica que o confunde com  um negreiro;  quando chega à baía, na corveta &lt;i&gt;Isabel Maria&lt;/i&gt; do comando do  capitão-tenente  Cunha, já ali se encontravam, não só Guimarães, mas  também os empresários de Benguela, Jácome  Filipe Torres, Manuel Joaquim  Teixeira e João Gonçalves Pinto. Finalmente, no dia 13.08 há uma  tenda  de campanha na praia da baía de Moçâmedes, em que estão presentes os  comerciantes, os dois  oficiais, e os sobas de Mussungo, Giraúl,  Quietena e Jáu: vão estes assinar um acordo com os  portugueses, que vêm  ali instalar-se para abrir comércio com eles e construir uma fortaleza  “que  a todos protegesse das frequentes correrias do gentio...” do  ‘nano’&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt; , segundo a acta respectiva,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  assinada por todos os presentes.  Fundava-se o presídio de  Moçâmedes e, acto contínuo,  delimitam-se feitorias nas margens do rio  das Mortes, o &lt;i&gt;Mbwelo&lt;/i&gt; (‘o de baixo’)  dos nativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1841&lt;/b&gt; – A portaria de 31.08. determina a construção de um forte na  extremidade norte da  falésia da baía do porto de Moçâmedes, a que o  tenente Garcia, seu construtor inicial, dá por  patrono S. Fernado, o  santo homónimo do príncipe que D. Maria II desposara cinco anos antes,   Fernando de Saxe-Coburgo Gotha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________&lt;br /&gt;1.&lt;/b&gt; Nano – A raiz de &lt;i&gt;o’nanu&lt;/i&gt;, ‘cimo’, &lt;i&gt;va nanu&lt;/i&gt;, ‘povo de  cima’, &lt;i&gt;munanu&lt;/i&gt;,  ‘um de lá de cima’; referência aos bandos de  guerreiros de origem ovimbunda que assolavam os  pastores do planalto de  Moçâmedes – hoje ‘da Huíla’ – com golpes-de-mão para apresamento de  gado  destinado em parte ao comércio de Benguela.  &lt;b&gt;2.&lt;/b&gt; Esta acta  foi publicada no &lt;i&gt;Jornal de  Moçâmedes&lt;/i&gt; de 8 de Março de 1882.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Página 9 de 12&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1842&lt;/b&gt; – As obras  da fortaleza estão suficientemente avançadas para que o estabelecimento   agrário do porto de moçâmedes se classifique como presídio, visitado  então pelo governador geral  José Xavier Bressane Leite (1842-1843). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1844&lt;/b&gt; – O governo Liberal concede distinções aos colonos do norte  de Angola que se  sobressaiam na agricultura, como o cafeicultor do  Cazengo agraciado nesse ano com o Hábito de  Nossa Senhora de Vila  Viçosa; seria, porém, evidente em Lisboa que fundir grilhetas em enxadas   tão perto do reino do Congo seria obra demorada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1845&lt;/b&gt; – No ano em que o ministro da Marinha, o persistente coronel  Sá Nogueira, agora barão  de Sá da Bandeira, decide nomear dois  governadores para África, especialmente escolhidos para  executarem o  decreto de 1836, em Angola não há ninguém mais credenciado para o cargo  que o chefe  da Estação Naval: Pedro Alexandrino é promovido a  capitão-de-fragata e simultaneamente empossado  em 31.05, e envia  imediatamente o antigo companheiro de exploração, o tenente Garcia, para  o  planalto de Moçâmedes – hoje ‘da Huíla’ – para iniciar outra  colónia, substituido-o interinamente  na costa António Joaquim de  Freitas. O novo governador geral (1845-1848) dá, assim, o primeiro   passo do projecto do capitão-general pombalino, D. Francisco Inocêncio  da Sousa Coutinho, de  construir uma linha de presídios entre a costa e o  rio Zambeze. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1846&lt;/b&gt; – O tenente da Armada, Francisco António Correia, é nomeado  chefe do presídio de  Moçâmedes. A 06.10, a rainha D. Maria II chama ao  paço o Primeiro ministro, Duque de Palmela e,  zangada, demite-o:  ostensivamente, porque Sá Nogueira, novo ministro da Guerra, também  demitira  e transferira numerosos oficiais de tendências conservadoras. É  menos claro, mas plausível, que  se tenham movido influências de  Luanda, já que dos implicados no contrabando de escravos pelas  rusgas  navais ordenadas pelo governador geral Pedro Alexandrino, um é o  director das alfândegas  de Angola, irmão do juiz presidente de Luanda,  que 18 meses antes se perfilara no cais da  Alfândega do irmão para  saudar o novo Governador geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1847&lt;/b&gt; – Quase exactamente doze meses depois da queda do governo de  Palmela, e depois de  perder duas batalhas, Sá Nogueira tem que aceitar  um armistício proposto por um oficial inglês  enviado pelo lado  ‘conservador’. No porto de Moçâmedes o conde de Bonfim, ali desterrado  por  actividades a favor dos Cartistas em Portugal, tenta um  levantamento e é deportado, tentando  contudo evadir-se da escuna &lt;i&gt;Conselho&lt;/i&gt;.   No Brasil explode em Dezembro a revolução Praieira:  o ‘Nativismo’&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  que, desde a vitória do movimento Liberal  brasileiro em 1844, alimentara a  “extrema esquerda” brasileira,  reacende o antigo antagonismo entre as duas comunidades, “nativa”  e  portuguesa, do Nordeste.  Sob o caudilho conservador português Costa  Cabral – o primeiro  Ministro favorecido na corte de D. Maria II –  assiste-se ao espectáculo, em Angola e Lisboa, de  um governador-geral  de Angola ser levado a juízo por impor leis incómodas a alguns homens   influentes de Luanda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________&lt;br /&gt;1.&lt;/b&gt; Este sentimento brasileiro radicava-se na rivalidade seiscentista  entre a classe  “nativa” de ricos agricultores e donos de engenho de  Olinda, e os imigrantes portugueses –  “marinheiros” – da vizinha cidade  de Recife, na maior parte comerciantes que não dependiam  directamente  da escravatura para sobreviverem, pois tinham um &lt;i&gt;modus vivendi&lt;/i&gt;  comercial com  a Companhia das Índias Ocidentais holandesa; esta  dominava o tráfico e competia com Olinda, ao  ponto de a destruir quando  teve que abandonar o Brasil durante a restauração do domínio português   em 1654. Foi após o desaparecimento da administração holandesa que se  fizeram as grandes fortunas  dos senhores-de-engenho brasileiros da  região de Olinda e se inventou a nova alcunha de  “mascates”, dada aos  comerciantes de origem portuguesa radicados no porto do Recife. Os  “nativos”  chegaram ao extremo de invadirem o Recife em 1710 com um  exército de 20.000 homens, financiado  pelos agricultores, e colocarem  um ‘governo’ exclusivamente de autóctones no município, cujos   privilégios só lhe foram restaurados pelo novo governador nomeado por  Lisboa: por fim, em 1716,  a capitania foi comprada pela Coroa  portuguesa ao então proprietário, o conde de Vimieiro. Mas  nada disso  impediu que em 1817 os caudilhos do estado da Baía tentassem fundar como  os vizinhos  Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte uma ‘Confederação do  Equador’, independente e republicana,  e em 1820 afigurava-se aos  nordestinos uma incongruência que a economia do território enorme do   Brasil, em crescimento praticamente independente sob o investimento  britânico, devesse obedecer  ao governo de um diminuto reino europeu do  outro lado de um oceano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Página 10 de 12&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1848&lt;/b&gt; – Em  Fevereiro a influência conservadora da monarquia francesa está  inteiramente  defunta: quando mais uma revolução Liberal inicia em Paris  a 2ª República Francesa, em Lisboa é  rapidamente nomeada uma comissão  parlamentar e elaborado um decreto de abolição que se aplica a  todo o  Ultramar entre Maio e Agosto. Neste ano em que o Governador geral Pedro  Alexandrino da  Cunha é exonerado – o processo que lhe fora movido pelo  comerciante de Luanda não chegara a  tribunal – a compra de escravos de  Molembo e Ambriz era, finalmente, criminalizada.  Paradoxalmente, é  então que, no Brasil, a meados do ano, o terrorismo contra a comunidade   portuguesa no Nordeste é tal – gritava-se “mata que é ‘marinheiro’” –  que um obscuro professor  português de liceu, tão apegado à causa  absolutista de D. Miguel que se exilara voluntariamente  em Pernambuco,  decide-se a escrever ao maior Liberal de Portugal pedindo-lhe asilo para  si e  outros Portugueses “nas Áfricas ou na Índia”: a petição de  Bernardino Freire de Abreu e Castro  vem directamente ao encontro dos  planos do chefe da Repartição de Angola do Conselho Ultramarino,  o  extraordinário combatente Liberal, tipógrafo, médico da Armada e  historiador, Simão José da Luz  Soriano: sacode a poeira ao relatório de  Pinheiro Furtado, escrito 63 anos antes, e apresenta ao  ministro da  Marinha, o indestrutível Sá Nogueira – por agora  visconde de Sá da  Bandeira – a  ideia de colocar o professor Absolutista e os seus  seguidores numa das “Áfricas”, a do porto de  Moçâmedes. O financiamento  do transporte de cento e setenta emigrantes, e dois engenhos de açúcar,   é prontamente arranjado, mas entretanto os agricultores do vale do rio  das Mortes sofrem o  primeiro ataque do gentio do Nano, cujos chefes  linhageiros eram antigos beneficiários do  tráfico: é uma acção que vai  repetir-se, somando-se os seus efeitos psicoógicos aos dos outro  grande  problema administrativo ainda por resolver: o destino a dar à  escravaria de Angola. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;2.6. As colónias de Moçâmedes&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1849&lt;/b&gt; – A última etapa da Abolição  passa a decorrer da acção colonial desenvolvida a partir  do presídio  de Moçâmedes pelo Ministério da Marinha e Ultramar, habilmente  aconselhado pelo  autodidacta Luz Soriano. O major do Exército Ferreira  da Horta é nomeado por portaria de 30.03  para planificar o  estabelecimento da colónia que se prepara em Pernambuco, e o decreto de  19.04  nomeia o tenente da Armada António Sérgio de Sousa primeiro  governador do novo distrito, talhado  do de Benguela e que inclui parte  da actual Huila. Os colonos sob a chefia do austero e  conservador Abreu  e Castro tomam o seu lugar na barca &lt;i&gt;Tentativa Feliz&lt;/i&gt; que,  escoltada pelo  brigue &lt;i&gt;Douro&lt;/i&gt;, vai fazer um travessia  extraordinariamente lenta, de mais de dois meses, nas  calmarias do  Atlântico sul: são pessoas de ambos os sexos e todas as idades,  empregados do  comércio, operários, algumas com as suas famílias – todas  “marinheiros” das cidades do Nordeste –  por quem o governador geral  Adrião da Silveira Pinto espera em vão na baía do &lt;i&gt;Namib&lt;/i&gt;,   regressando a Luanda por necessidade de serviço.  A colónia aporta  afinal a 04.08. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1850&lt;/b&gt; – Aporta a Moçâmedes na  barca &lt;i&gt;Bracharense&lt;/i&gt; mais um grupo de refugiados do  Nordeste  brasileiro: o Governo português não financiara esta ‘segunda colónia’  mas o desejo de  vir para &lt;i&gt;as Áfricas&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;as Índias&lt;/i&gt;, na  expressão de Abreu e Castro, era tal que o  fizera ela própria por  colecta em Pernambuco; nesse ano a seca e a inexperiência conjugam-se  para  reduzir muitos membros das duas ‘colónias’ do &lt;i&gt;Namib&lt;/i&gt; à  indigência; de Luanda vem o generoso  auxílio que permite a uns  sobreviverem durante o ano e a outros emigrarem para Benguela e a   Huíla; os dois engenhos da ‘primeira colónia’ e o da ‘segunda’ são  montados e a seu tempo  funcionam, empregando a mão-de-obra que abunda  ainda em Benguela.  Pedro Alexandrino da Cunha  toma posse em 29.05 como  governador de Macau. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1851&lt;/b&gt; – Com a fundação da  alfândega de Moçâmdes, exporta-se o primeiro açucar. O governador  de  Macau é encontrado morto em 06.07: assassinado, aparentemente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1852&lt;/b&gt; – Estabelece-se o julgado  municipal de Moçâmedes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1853&lt;/b&gt; – Apenas três anos após a  Conferência de Berlim, o Capitão de mar-e-guerra António  Ricardo Graça  manda ocupar o porto de Mpinda como forma derradeira de impedir o  contrabando em  seres humanos no território de Angola, que agora inclui o  ‘Congo português’. A mão-de-obra  escrava não pode, contudo, deixar de  ser utilizada na produção de açúcar do vale do rio Bero; o  ministro Sá  Nogueira, agora marquês de Sá da Bandeira, insiste para que se fomente  uma indústria  da pesca no distrito de Moçâmedes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1854&lt;/b&gt; – José Rodrigues Coelho do  Amaral chega a Luanda como Governador geral (1854-1860);  acompanha-o  Fernando da Costa Leal, um capitão do Exército de 28 anos escolhido pelo  Geral e que  vem nomeado como governador de Moçâmedes, onde toma posse a  26.02. Das primeiras iniciativas que  toma, uma é localizar a foz do  rio Cunene, o que faz por terra, já que por mar a foz é encoberta  por  uma barra de areia a maior parte do ano; baptiza o rio mas o nome de  “Elefantes” nunca é  popular; tem melhor sucesso noutra área: “Obras  paralisadas havia muito tempo, como a Igreja, que  não andava desde  1849, são rapidamente concluídas. Outras, como a Fortaleza de São  Fernando,  iniciam-se ainda nesse ano e sem delongas se aprontam.”&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  Mas a mais importante é a concessão das  primeiras licenças de pesca comercial, na Baía das  Pipas. Em 14.12 é  decretada com efeito imediato a libertação dos escravos do Estado:  calcula-se  que em toda a Angola houvesse então ainda cerca de 60.000  escravos nas mãos de senhores  particulares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1855&lt;/b&gt; – A povoação do porto de Moçâmedes é elevada à categoria de  vila: consistia então de  dois alinhamentos de habitações, as melhores  frente à praia, com uma rua de permeio, de 400  metros de comprimento.  Neste ano de eleição da primeira vereação da Câmara Municipal, tendo com   seu primeiro presidente Bernardino de Abreu e Castro, chefe da  primeira colónia, é ocupada a  Praia do Baba e a rainha D. Maria II  envia 1000 anzóis ao governador do distrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1856&lt;/b&gt; – No ano em que o hospício de Moçâmedes é inaugurado, o  decreto de 15.06 decreta a  Abolição em todo o território então sob a  soberania portuguesa. Os primeiros armadores  portugueses estabelecem-se  nas Luciras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1857&lt;/b&gt; – Segundo o governador Leal, estão agora instaladas em  Moçâmedes 16 pescarias, com 40  escaleres e 280 escravos, e mais 4 nas  praias do Norte: Baía das Pipas, Baba, Lucira e Catara.  Mas por outra  preocupação, o governante desloca-se aos Gambos acompanhado pelo  presidente da  Câmara municipal de Moçâmedes: Bernardino Abreu e Castro  mais tarde descreve ao Govenador geral  o &lt;i&gt;patria potestas&lt;/i&gt; banto,  verdadeiro motor da escravatura africana.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  A visita  relacionava-se com a resolução de um litígio com o novo soba dos Gambos,  ‘Xipalanga’,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;3&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;  que o governador dava por usurpador, e foi o  prelúdio de pequenas operações militares lançadas  da colónia do  Lubango pelo governador, contra o parecer da Câmara e a opinião do  experiente e  educado viajante e comerciante entre os Cuanhamas,  Bernardino José Brochado, estabelecido em  Moçâmedes. Como o clima de  guerra na Huíla convencesse alguns dos colonos do Lubango a   deslocarem-se para a costa, a 25.11 o governador Leal assentou praça a  dois deles: seguiu-se o  protesto da Câmara, a dissolução desta pelo  governador, a sublevação dos colonos e o embarque do  governador para  Luanda. O incidente – reflexo da antiga tradição de independência  municipal  ibérica, vestígio da colonização Romana e travão perene  contra os desmandos dos barões feudais –  tem sido, contudo, mal visto  por habitantes mais recentes do &lt;i&gt;Namib&lt;/i&gt; angolano, onde, por  esse  ponto de vista mais obediente, naquele tempo “uma indisciplina latente  constituía permanente  ameaça.”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;  &lt;b&gt;4&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1858&lt;/b&gt; – O Governador geral vem a  Moçâmedes acompanhado do governador Leal, manda deter os  cabecilhas da  revolta, dissolve a Câmara – Brochado é nomeado presidente da Vereação  (1858-1860)  – e reconduz Leal. Resta pouca dúvida, porém, que a  iniciativa militar do jovem governador de  trinta e dois anos,  inexperiente das “Áfricas” mas assoberbado pelo apoio que teria em  Luanda,  terá ajudado a acender um fogo entre os povos aguerridos do sul  de Angola que só veio a apagar-se  meio século mais tarde, depois de  outro incidente, o de Naulila. Sai o decreto de 29.04 que  estabelece  aos senhores particulares um prazo improrrogável de 20 anos para a  libertação final  dos seus escravos, metade do qual na condição de  servitude livre. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1859&lt;/b&gt;  – O Governador Fernando da Costa Leal deixa o distrito de Moçâmedes  para ir trabalhar  com o marquês de Sá da Bandeira na compilação da  primeira carta geográfica de Angola&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________&lt;br /&gt;1.&lt;/b&gt; Bobella Mota, A. - &lt;i&gt;A Exploração do Rio Cunene, c.&lt;/i&gt; 1970. &lt;b&gt;2.&lt;/b&gt;  Abreu e Castro, B.F.  de – &lt;i&gt;Opinião sobre a melhor forma de extinguir  a escravatura&lt;/i&gt;. Boletim Oficial de Angola,  nº. 611 de 13 de Junho  de 1857.  &lt;b&gt;3.&lt;/b&gt; O nome não é, necessariamente, próprio: &lt;i&gt;epalanga&lt;/i&gt;   eram os conselheiros dos chefes nos estados ovimbundo e este soba  seria um &lt;i&gt;tyipalanga  &lt;/i&gt;revolucionário que se julgara autorizado  pelo governador Leal a tomar o poder.  &lt;b&gt;4.&lt;/b&gt;  Bobella Mota, A. – &lt;i&gt;Op.  ct.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;1860&lt;/b&gt; – Dez anos  depois da chegada dos portugueses vindos do Brasil começa a colonização   dos algarvios que para aqui se deslocam nos seus próprios barcos, em  viagens de autênticos  aventureiros honrando bem os seus antepassados  navegadores: o primeiro é José Guerreiro de  Mendonça, de Olhão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1861&lt;/b&gt; – No Governo geral de Sebastião Lopes Calheiros de Menezes  (1861-1862) o levantamento  dos povos do baixo Cunene – herança do  governo do capitão Leal – obriga à constituição do  Batalhão de  Caçadores 3 com seis companhias, das quais a 1.ª e 2.ª se vão estacionar  na Huíla, a  3.ª nos Gambos, a 4.ª no Humbe; a 5.ª C. caç. é colocada  em Capangombe e constroem-se os fortes  dos Cavaleiros e Boa Esperança,  no vale do rio Bero: a guerra do Nano descia à cidade. Famílias  de  pescadores de Moçâmedes estabelecem quatro feitorias na ponta do Pinda,  adjacente à antiga  angra das Aldeias, o porto &lt;i&gt;Alexander&lt;/i&gt; das  cartas náuticas do almirantado britânico.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1862-5&lt;/b&gt; – A reacção dos chefes tribais do sul de Angola ao  aparecimento dos destacamentos  militares não se fazem esperar,  inaugurando um longo período de instabilidade para os colonos do   planalto. Em Luanda o Governador geral é o militar que pacificara os  Dembos e subtraíra  finalmente o Ambriz às atenções britânicas; é, no  entanto, durante este período conturbado da  primeira vigência do  notável Governador geral José Baptista de Andrade (1862-1865) que, na  costa  do distrito de Moçâmedes, se radicam pescadores algarvios não só  em Moçâmedes, mas também na Baía  das Pipas, Baba e Baía das Salinas: os  do Baba mudam-se para o porto Alexandre, onde em 1863 já  há seis  feitorias de gente de Moçâmedes; iniciam-se as obras do hospital de  Moçâmedes (1863), a  construção do troço Bruco-Chela da estrada  Moçâmedes-Huila e a fundação de uma indústria de  tecelagem em Moçâmedes  (1864), e se inaugura a estrada de Moçâmedes à pousada da Pedra Grande   (1865); neste ano, os algarvios atingem na enseada do Leão, na enorme &lt;i&gt;Great  Fish-bay&lt;/i&gt; da  marinha inglesa: o jogo de sombras às listas nas dunas  da costa sugerem-lhe o nome moderno, ‘baía  dos Tigres’, e a falta de  água obriga-os a fazer um plano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1870&lt;/b&gt; – No ano em que o marquês de Sá da Bandeira deixa  definitivamente a política, as  estradas para a Huila estão acabadas,  não só na antiga passagem por Capangombe à Huíla, pelo  Bruco, mas  também para a Bibala, pelo Munhino; e há um numeroso grupo de pescadores  algarivos na  baía dos Tigres, que para ali transportam a água potável  nas suas frotas. Governa Angola  novamente, por um breve período, o  enérgico Coelho do Amaral (1869-70). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1876&lt;/b&gt; – Morre Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, o marquês de  Sá da Bandeira, e em sua  memória é decretada para o dia 29.04 – dois  anos antes do previsto em 1859 – a libertação dos  poucos escravos que  ainda existem em território português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1884&lt;/b&gt; – Os oficiais da Armada Hermenegildo Brito Capelo e Roberto  Ivens partem de Moçâmedes  para Tete, no rio Zambeze, na sua travessia  de África até Moçambique: é que as potências  internacionais  interessam-se por partilhar o sempre difícil continente e o Governo  português toma  precauções, uma delas o convite de muitas famílias da  populosa e pobre ilha da Madeira a  estabelecerem-se nas ‘Áfricas’.  São  pescadores e agricultores, aqueles com destino a Moçâmedes –  a maioria  ao Baba, outros a Porto Alexandre – estes em rota para a colónia de  Lubango, na Huíla.   De resto, a imigração portuguesa para Angola  encontra-se agora facilitada,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-size: small;"&gt;  e pela primeira vez se pensa em  Angola como uma ‘província’ aberta a todos os Portugueses  particulares,  como as do continente europeu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1885&lt;/b&gt; – Por decreto do Ministro da Marinha e Ultramar, a vila do  Lubango passa a  conhecer-se pelo título do marquês cuja iniciativa  humanitária e denodo político lhe dera origem:  Sá da Bandeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: white; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="color: white; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________&lt;br style="color: black;" /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; 1.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; Só em 1921, no governo do Alto comissário de Angola, o general  Norton de Matos, volta a  haver nova corrente emigratória, desta vez  incluindo pescadores poveiros.  Data de então a  construção de uma  estação de dessalinização a baía dos Tigres. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;__________&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/b&gt;: Bobella Mota, A. - &lt;i&gt;A Exploração do Rio Cunene, c.&lt;/i&gt;  1970; C. M. Castro  Alves, trineto de Bernardino de Figueiredo Abreu e  Castro - &lt;i&gt;Tese de mestrado&lt;/i&gt;; Encyclopedia  Britannica; Grande  Enciclopédia Portuguesa e Brasileira; Lemos, A. 1943-45;  O Sul de  Angola,  n.º comemorativo do 1º centenário da Cidade de Moçâmedes, 1949.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;   &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: papyrus,Arial,Helvetica,Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;br style="color: black;" /&gt; &lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Fonte:  &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.angola-saiago.net/histang.html" style="color: black;"&gt;http://www.angola-saiago.net/histang.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black; font-family: papyrus,Arial,Helvetica,Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/1739.pdf"&gt;Ver também &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-2717702406421368917?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/2717702406421368917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=2717702406421368917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2717702406421368917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2717702406421368917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/02/historia-de-angola-as-colonias-do.html' title='História de Angola: AS COLÓNIAS DO NAMIBE- Anuário da Origem Abolicionista da Colonização do Sul de Angola'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-387563298887489749</id><published>2010-02-16T16:35:00.000-08:00</published><updated>2010-02-16T16:35:56.258-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes; Angola; Namibe;'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simão José da Luz Soriano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mossamedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colonizacao sul Angola'/><title type='text'>A colonizacao de Mossamedes, Angola,  emRevelacões da minha vida e memorias de alguns factos e homens meus ...  Por Simão José da Luz Soriano e memorias de alguns factos e homens meus ...  Por Simão José da Luz Soriano</title><content type='html'>&lt;b&gt;L&lt;b&gt;uz Soreano e a colonizacao de Mossamedes&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Colocado como chefe da repartição de Angola da secretaria de estado dos negocios da marinha e ultramar de outubro de 1842 até junho de 1851, Luz Soreano deixou escritosobre a sua contribuicao&lt;b&gt;&lt;b&gt; para a colonizacao de Mossamedes em Revelacoes da Minha vida e Memorias&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Reconhecendo que as nossas provincias d'Africa nada mais tem sido desde a sua descoberta até ao nosso tempo do que um simples viveiro de escravatura para a America, e feitorias commercia es, de não grande monta para a Europa, busquei, tanto quanto em mim cabia, vêr se á provincia de Angola dava uma mais subida importancia do quo aquella, que até então tivera. É sabido que o clima d'Africa é bastante damnoso aos europeus, e tanto mais, quanto mais se aproximam da equinocial. Dizia-se que no interior do paiz alguns pontos havia, proprios para colonisação europêa, o que na pratica se não verificou, pelo malogro de algumas tentativas desta especie, provindo isto, tanto da falta das indispensaveis cautelas no transporte dos colonos, como da insalubridade de taes pontos, como aconteceu com o presidio do duque de Bragança, como acontece com o Bembe, e como acontece com o Ambriz. Revendo o cartorio da antiga secretaria do ultramar, onde Ioda a correspondencia de Angola õ posterior ao meado do seculo passado, vi que o clima de Cabinda, ao norte do rio Zaire, ponto .onde se começara a levantar um forte, por auxilio de uma expedição, que para alli sahira de Loanda aos 17 de julho de 1783, estava effectivamente incluido na regra geral da insalubridade para os europeus, apesar da fama, que tivera em contrario, attenta a grande mortalidade, que alli soffreu a força expedicionaria. Vi mais que a politica de alguns gabinetes estrangeiros, e particularmente o inglez, nos contestava fazer por aquella parte effectiva a nossa auctoridade, como o demonstrou a expedição naval, que a França empregou contra a nossa expedição de Cabinda, onde em 1784 fez demolir o forte, que alli começámos a levantar. A este estado de insolita e inesperada hostilidade, seguiram-se as nossas reclamações, das quaes resultou a convenção de Madrid de 30 de janeiro de 1786, pela qual a França declarou respeitar os direitos, que a coroa deste reino pertendia ter áquella parte da costa africana. Todavia a Inglaterra tem sido para nós mais severa sobre este ponto do que a propria França, a Inglaterra, que pelos tratados de 19 de fevereiro de 1810 e 22 de janeiro de 1815, e convenção addicionaJ de 28 de julho de 1817, reconheceu formalmente a reserva dos direitos da coroa de Portugal aos territorios da Africa Occidental, comprehendidos entro o quinto gráu e doze minutos, e o oitavo gráu de latitude meridional. K ella a unica potencia, que com frivolos pretextos nos tem ultimamente embaraçado fazer effectiva a jurisdicção portugueza nos citados territorios. Conseguintemente intendendo que, tanto por esta causa, como pela insalubridade do clima dos territorios ao norte de Loanda, as nossas tentativas coloniaes haviam de ser sempre infructuosas, ou mal succedidas, dediquei desde então toda a minha attenção aos territorios ao sul de Benguella, não só porque alli ninguem nos contestava o nosso dominio, mas sobre tudo por ver que, estando já bastante distantes do equador aquelles territorjos, era de suppor que o seu clima fosse já mais analogo ao do Cabo de Boa Esperança, e por tanto ao da Europa. Reputei eu tanto mais urgente a occupação destes territorios, quanto que em França algum viajante instava com o seu governo para os mandar invadir. No quarto volume, documento n.° 13, da viagem que Mr. João Baptista Douville fez a Angola em 1827, vê-se apparecer alli bem descripto o porto e o sertão de Mossamedes. Mais se vê ter elle fortemente despertado a attenção do governo francez por meio de uma memoria, dirigida ao ministro das colonias, sobre aquelle porto, rogando-o encarecidamente para que nelle mandasse levantar um presidio para degradados. Douville dizia haver alli agua doce, serem risonhas as margens do rio, que o avisinham, serem pacificos os povos dos sertões limitrophes, e finalmente ter observado que a temperatura das costas pelas duas horas da tarde de um dia de dezembro de 1827 era de 23 a 24 gráus de Reaumur, achando igualmente que a 10 leguas da costa sobre um monte elevado, a temperatura era de 19 gráos, no mesmo momento em que o thermometro marcava 22 sobre a costa. A leitura de tudo isto convenceu-me cada vez mais da urgencia de se segurar a todo o custo o porto e o sertão de Mossamedes, antes que o governo francez annuisse ás instancias de Douville, e nos expellissem do sul de Angola pelo mesmo modo por que nos tinham expellido do norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a leitura da viagem deste francez coincidiu igualmente achar eu no archivo da secretaria do ultramar um officio do barão de Mossamedes, que depois foi conde da Lapa, descrevendo a importante exploração, que em 1785 mandára fazer aos sertões do sul de Benguella. A respectiva expedição sahira de Loanda aos 12 de junho d'aquelle anno, e posteriormente de Benguella, dirigindo-se á chamada Angra do Negro, á qual desde então se poz o nome de Mossamedes por obsequiosa memoria de quem ordenára a expedição. Tanto a descripção desta bahia, como a da grande serra e valle do Bumbo, que d'ella dista tres dias de viagem, segundo as ultimas participações, e 28 leguas (é distancia excessiva) segundo o cumputo do chefe da expedição, o famoso sertanejo d'aquelle tempo, Gregorio José Mendes, são de attrahir a attenção do mais impassivel leitor, circumstancia que em mim se deu no mais alto gráu. Apesar dos esforços do conde da Lapa, a bahia de Mossamedes continuou a permanecer no total esquecimento do nosso governo, para d'elle sahir no nosso tempo. Para aquelle porto se emprehendeu uma outra expedição em 1839, ordenada pelo vice-almirante, Antonio Manuel de Noronha, que para ella commissionou a corveta Izabel Maria, do commando do meu fallecido amigo, Pedro Alexandrino da Cunha, que então era capilão-tenente da armada. A corveta foi até á vasta Bahia dos Tigres, d'onde voltou para o norte, por se não verem n'aquellas costas, quer olhando para o interior do paiz, quer para o sul, senão vastos campos de areia solta, sem terem um só vegetal, vindo finalmente ao porto de Mossamedes, cujo aspecto e vantagens foram muito elogiados pelo commandante deste vaso O. Ao vice-almirante Noronha succedeu-lhe, como governador de Angola, Matiuel Eleuterio Malheiros, que em fe ver eiro de 1840 mandou levantar um forte em Mossamedes, dando-lhe por governador o tenente de artilheria de Benguella, João Francisco Garcia Moreira, que para lá partiu com 26 praças de pret, e duas peças de artilheria. Entretanto o forte quasi que não passava dos alicerces, quando alli tocou em fms de setembro de 1842 o governador geral d'aquella provincia, José Xavier Bressane Leite, successor de Malheiros. As noticias officiaes de Mossamedes, que a instancias minhas se pediram a Bressane, e ao seu successor, Lourenço Germak Possollo, e as repetidas ordens, que pelas minhas rogativas para alli expediram os ministros da marinha com quem servi, para se dar importancia áquelle*porto, cada vez me convenceram mais de que elle não só era salubre, mas que até tinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i) Os que quizerem ver o interessante relatorio desta viagem, consultem os Ensaios Statisticcs de Lopes Lima no volume 3.°, parte de Benguella, png. i i e seguintes, ou o n.° i- dos Annaes Maritimos o Coloniaes de 1845.&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;todos os elementos de se constituir n'um importante  ponto commercial, com relação aos sertões, que o avisinbam, apesar de  estar cercado de areias, como é todo o littoral de Angola. Todos estes  sertões se apresentaram aos officiaes de marinha, que os visitaram, com  os mais lisongeiros auspicios para o estabelecimento de colonias  europeas, particularmente a liuilla, Gambos, e Humpata, a mais de 30 ou  40 leguas de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;todos situados  além da notavel serra de Chella, cujos territorios tem logaresmuito  ferteis, e de excellente clima. De todos estes sertões o da Huilla foi o  que por si teve melhores informações, considerandose como um paiz muito  apto para o estabelecimento de caudelarias, em razão das vastissimas  pastagens, que tem, onde os indigenas pastoream numerosas manadas de  gado vaccum.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Attentas pois todas estas vantagens, não admira,  que me deixasse preoccupar por todas as descripções, que me chegaram á  mão, e incessantemente instasse com todos os ministros da marinha e  ultramar para que não deixassem ficar em abandono um porto, que tanto se  recommendava para uma colonisação europea. Com a falta de recursos, que  para tal lim se dava, coincidiu tambem o esmorecimento de alguns  especuladores, por não terem correspondido ás suas vistas os interesses  das feitorias commerciaes, que lá tinham mandado estabelecer. Bem longe  disto me desvanecer das ideas, que concebi em favor de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;cada vez mais me convenci da  necessidade da sua colonisação, pela firme persuasão de que a rivalidade  de Benguella era uma das poderosas causas do malogro de similhantes  feitorias. Mas quando os interesses commerciaes, e os da projectada  colonisação não correspondessem ainda assim á minha espectativa,  intendia que mesmo neste caso era indispensavel assegurar &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;pela urgente necessidade que  tinhamos de assegurar todo o littoral, que vae desde a enseada de &lt;i&gt;Moeni-Calanga,  &lt;/i&gt;assente em doze gráus e cinco minutos de latitude sul, e que de  facto se considerava então como o ultimo limite á beira-mar do districto  de Benguella, até á bahia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;assente  em quinze gráus e dez minutos. Com a occupação defmitiva de mais estes  tres gráus, ou 54 leguas de costa, mais outra vantagem tinhamos, tal era  a de assegurar igualmente no interior do paiz os sertões  correspondentes a esta&lt;span class="gtxt_body"&gt; occupação do liltoral, e tanto mais, quanto qtiiytK nosso presidio de  Quilengues se achava quasi abandonado pela viva guerra, que então os  negros lhe faziam. Além do que fica exposto, linha, e ainda  presentemente tenho a crença de que dentro de um seculo ou seculo e  meio, aquelles nossos sertões terão de ser demarcados com relação aos  dominios dos Boêrs, ou as possessões inglezas da colonia do Cabo da Boa  Esperança, c tratar de obviar desde já futuras contestações, assegurando  de facto o que de direito nos pertence, aconselhava-o a prudencia, e  exigia-o a politica. Por conseguinte, encarada por qualquer modo que  fosse esta questão, era para mim manifesta a necessidade de tornar cada  vez mais forte a occupação da bahia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;necessidade reclamada por todas as considerações, que sobre este  objecto se podiam fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366438377952 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;Obvias eram portanto as razões, que me levavam a  cuidar com lodo o empenho na segurança d'aquella bahia, e tão obvias e  patentes, que todos os ministros, com quem disto tratei, as julgaram  sempre attendiveis, e effeclivamente as attenderam, tanto quanto estava  ao seu alcance, não emprehendendo coisa mais séria pela inteira falta de  meios pecuniarios, que o orçamento geral do estado lhes não facultava.  D'uma grande somma de escravos, apresados a bordo do brigue brasileiro &lt;i&gt;Caçador,  &lt;/i&gt;ordenou-se em 4 do agosto de 18í4 que cincoenta casaes marchassem  como libertos para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;a fim  d'alli se empregarem nos trabalhos da agricultura. Mais se ordenou em 22  d'aquelle mez que em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossa&lt;/span&gt;medes se  organisasse uma companhia de linha debaixo do mesmo plano, que a dos  mais presidios da provincia, devendo entrar nella não sómente os  brancos, mas lambem os homens de cor. Para este fim auctorisou-se o  respectivo governador geral a nomear para ella os officiae?, que  precizasse. Em conformidade com estas medidas foi para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;alguma artilheria, e outros mais  objectos, necessarios para se guarnecer o respectivo forte, pondo-o em  estado de fazer respeitar o porto, quer por mar, quer por terra.  Finalmente d'uma grande porção de degradados, que a charrua &lt;i&gt;Princeza  Real &lt;/i&gt;conduziu para Angola em setembro de 1845, ordenouse que  quarenta desembarcassem em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;para  fazerem parte da respectiva companhia de linha, devendo o commandante  da charrua deixar alli com elles a maior porção de mantimentos,&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366438383178 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;que lhe fosse'possivel. Sei muito bem que o porto  de Mossamedes é geralmente cercado de areas e alturas agrestes, como  todas as costas d'aquellas paragens, e por conseguinte destituido de  grandes porções de terreno vegetal. Sabia igualmente que, no tempo a que  me refiro, o commercio do sertão limitrophe ainda para elle não estava  encarreirado, de que resultára o facto, já citado, de haverem alguns  especuladores mandado retirar algumas feitorias, que lá tinham  estabelecido. Alguns officiaes de marinha houve, que fortemente  murmuraram da presistencia do governo em querer dar importancia a um  ponto, que, segundo elles, a não podia ter por aquellas circumstancias.  Eu mesmo, entrando casualmente n'uma casa de pasto, ouvi estarem-se  fazendo ao governo por aquelle motivo censuras um pouco asperas e  desabridas; mas pela minha parte nenhum peso lhes dei, não só pelas  razões, que já acima expuz, mas tambem pela convicção, que tinha, de que  o tempo havia de atenuar no todo, ou em parte o que dizia respeito aos  inconvenientes allegados, como actualmente vae acontecendo, não perdendo  da lembrança de que area.es são igualmente os territorios de Loanda, e  além disso sem agua potavel, o que não acontece a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;e nem por isso deixa de ser aquella  cidade a mais importante povoação da Africa Occidental. Os cuidados,  quo prestei á segurança do novo porto, não me embaraçaram de attender á  dos seus sertões limitrophes, convencido que o dominio das costas é  sempre ephemero, em quanto se não asseguram os seus respectivos sertões.  Com estas vistas de assegurar o littoral e interior de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;se mandaram embaixadores aos regulos  do Bumbo e da Huilla para se presentearem, e se levarem a prestar  vassalagem á coroa portugueza, como praticaram, assentando-se com elles  pazes, confirmadas pelos competentes tratados. Para garantir o dominio  da Huilla, talvez o mais importante dos sertões de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;como já disse, para lá se mandou ir  a gente de que foi possivel dispor, e que ao principio consistiu em um  sargento com quatro paisanos com uma mulher e seis casaes de libertos.  Mesquinho era similhante presidio; mas em fim já era um nucleo para  maiores empresas de colonisação, quando no futuro se quizessem levar a  effeito. Os trabalhos a que me entreguei para a segurança e colonisação  de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;não se reduziram&lt;span class="gtxt_body"&gt; sómente &lt;i&gt;aos &lt;/i&gt;do um simples official de secretaria do ultramar,  chefe de repartição; mas até a tomar tambem sobre mim os de escriptor  publico. Nas vistas pois de provocar alguma emigração para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;confeccionei uma memoria,  descriptiva deste porto, das suas vantagens para a navegação e  commercio, da salubridade do seu clima, o melhor de toda a provincia de  Angola, e fmalmente das vantagens e fertilidade dos sertões lemitrophes.  Esta memoria acha-se impressa no n.° 3 da 6.&lt;span class="gstxt_sup"&gt;a&lt;/span&gt;  serie dos &lt;i&gt;Annaes Maritimos c Cotoniacs do anno de &lt;/i&gt;1846.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366438388123 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Sem embargo do que fica  exposto confesso que da minha parte havia ainda bastante falta de  confiança na proficuidade dos esforços, empregados para a segurança e  colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;por que em fim  desanimado o commercio de tirar d'alli as vantagens, que dos mais  pontos da provincia tirava, o progresso da colonisação havia de ser  sempre ephemero. Uma circumstancia imprevista veio porém fortificar e  engrandecer aquelles meus esforços. Os partidos politicos, que em  differentes pontos do Brasil se debatem, e particularmente em  Pernambuco, tornam-se geralmente oppressores dos portuguezes ali i  residentes, aos quaes os brasileiros perseguem por toda a forma ao seu  alcance. Offendidos e desgostosos por aquella causa muitos dos nossos  concidadãos, que se achavam em Pernambuco, lembraram-se de ir fundar na  nossa Africa uma colonia agricola, e neste sentido officiou um delles ao  nosso governo na data de 13 de julho de 1848, communicando-lhc aquella  resolução, e pedindo se lhe enviassem as memorias, relatorios, ou  quaesquer escriptos, que no ministerio do ultramar houvessem,  descrevendo os pontos, que na nossa Africa se olhavam como adequados  para aquelle fim. Entre os documentos collegidos, e mandados para  Pernambuco, foi lambem a minha memoria, e por ella é que se guiaram os  que se resolveram a ir fundar na nossa Africa a sua projectada colonia. O  governo nomeou uma commissão em Pernambuco para tratar dos aprestos,  adequados ao embarque dos colonos, auctorisando-a a sacar pelas  respectivas despesas, e remettendo-lhe além disso ordens da commissão  liquidataria das companhias do Grã-Pará e Maranhão, Pernambuco e  Parahiba, para pelo seu respectivo cofre se fazerem os precisos  adiantamentos. Para occorrer a"s despesas de todos estes&lt;span class="gtxt_body"&gt; arranjos, o governo fez tambem uma proposta ás cortes, da qual resultou a  carta de lei de 3 de julho de 1849, pela qual foi auctorisado a  despender até á quantia de dezoito contos de réis com a colonia de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;A bordo da galera brasileira, &lt;i&gt;Tentativa  Feliz, &lt;/i&gt;comboiada pelo brigue de guerra &lt;i&gt;Douro, &lt;/i&gt;sairam  fmalmente de Pernambuco em 23 de maio do mesmo anno 1849 coisa de 300  colonos de ambos os sexos, chegando todos ao logar do seu destino no dia  4 de agosto. Para governador daquelle ponto fora nomeado um official de  marinha de muito bom nome, reputação e intelligencia, tal como o  capitão de fragata, Antonio Sergio de Sousa, ao qual se deram umas  instrucções, por mim feitas e elaboradas, as quaes, verdadeiramente  fallando, nada mais são do que uma segunda memoria, complementar da  primeira, sobre o modo de realisar a colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Alguns engenhos de assucar,  comprados por conta do governo, acompanharam esta primeira expedição  colonial, á qual se seguiu depois uma segunda, que de Pernambuco saiu no  dia 13 de outubro de 1850 a bordo da barca &lt;i&gt;Bracharense, &lt;/i&gt;igualmente  comboiada pelo dito brigue &lt;i&gt;Douro, &lt;/i&gt;chegando a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;no dia 26 de novembro. As despesas  desta segunda expedição não as costeou o governo, mas sairam do producto  de uma subscripção, tirada por entre os cidadãos portuguezes,  residentes em Pernambuco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366438393104 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Por infelicidade dn  colonia do &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;muitos individuos  acompanharam estas duas expedições, sendo inteiramente inuteis para uma  empresa destas, d'onde resultou que, chegados ao seu destino,  immediatamente abandonaram a colonia, infundindo assim um grande  desalento pelas murmurações e queixas, que imprudentemente levantaram,  algumas vezes com razão, outras sem ella. Além destas, outras  contrariedades experimentou a colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;sendo a de maior vulto a guerra, que por uma mal intendida  rivalidade lhe levantaram os commerciantes de Loanda c de Benguella. A  estes males se vieram depois reunir uma espantosa esterilidade,  resultado da fnlta de chuvas e innundações do rio Bero, o mau sustento  que o estado fornecia* aos colonos, a mortalidade que por estas causas  os perseguiu, a ignorancia dos tempos de semear, e finalmente a falta de  sementes. A natural consequencia do tudo isto foi o desalento de quasi  todos&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;os colonos, c o imminente risco de se perderem  todos os esforços e despesas, que para tão importante fim se tinham  feito. Felizmente o tempo e a presistencia de alguns dos referidos  colonos por tal modo venceu estas contrariedades, que hoje já nenhum  receio me infunde a colonisação de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;cujo  progresso tem sido bastante sensivel nestes ultimos annos. A  agricultura tem alli tido um successivo augmeuto, particularmente depois  que a pratica tem feito conhecer, que as especulações commerciaes nem  sempre são tão solidas e proficuas, quanto o amanho das terras. Quatro  engenhos de assucar se acham presente"mente montados no districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;um na povoação deste nome, que o  decreto de 26 de março e a carta regia de 7 de maio de 1855 elevaram á  cathegoria de villa; outro no Bumbo, onde ha o melhor estabelecimento  agricola da colonia, com relação á cultura da canna sacarina e da  mandioca ; outro na Equimina, assentando-se o quarto no sitio da Boa  Vista, em local onde ha bastante canna, com a outra vantagem de  offerecer bons commodos aos lavradores. Além da cultura da canna, os  colonos de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;tambem se tem  entregado á cultura do algodão, cuja plantação não tem lido maior  desenvolvimento em razão das más colheitas, que houveram ultimamente,  não pagando o trabalho do agricultor. Os generos necessarios ao sustento  dos colonos não só chega já para alli se manterem, mas até mesmo para  exportação, em vista das remessas, que d'alli se tem feito para Loanda, e  do que já se vende aos navios balieiros americanos, que em numero  consideravel frequentam aquclle porto, para receberem refrescos de  vegetaes e gado, do qual tambem ultimamente se tem feito alguma  exportação para a ilha de Santa Helena. O facto é que em quanto em quasi  toda a parte da provincia de Angola se fez consideravelmente sentir a  falta de subsistencias nos annos de 1856, 1857, e 1858, no districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;não só houve para as necessidades  dos seus moradores, mas até alguma coisa se exportou dos generos  alimenticios. Com tudo isto ha coincidido o desenvolvimento do fabrico  do azeite de peixe, pelas muitas feitorias de pesca, que lá se tem  estabelecido, o accrescimo das construcções urbanas, e o incessante  pedido de terrenos para mais casas.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Segundo a memoria, lançada nos annaes do municipio  de Mos&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366476543254 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body" style="text-align: right;"&gt;&lt;span&gt;x &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;samedes, com relação ao anno de 1857, vê-se que a  mortalidade fora nulla nos ultimos colonos, idos para aquelle ponto,  quando n'outro tempo regulava na razão de 20 por cento. Nos mesmos  annaes, com relação ao anno anterior de 1856, se lia já o seguinte,  debaixo do ponto de vista de salubridade: « O clima de Mossame«des é  hoje um paraiso, em comparação do que ainda era no « anno de 1850; é  seguramente o melhor de toda a Africa, é su«perior ao de todo o Brasil,  superior ao de muitos logares de « Portugal, e igual ao melhor e mais  temperado deste ultimo paiz.» Todo o territorio da circumferencia da  villa é agreste e montanhoso, como já disse, sendo apenas susceptivel de  cultura nas margens de alguns rios. No Bumbo, distante a E N.E. tres  dias de viagem de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;já se  encontra uma vegetação muito desenvolvida,, tendo arvores e matas não  somenos ás do Brasil, com bellas madeiras, tanto em qualidade, como em  dimensões. O paiz do Bumbo consiste n'um extensissimo valle, que a E.,  ou nascente, tem a serra de Chella, assaz elevada, correndo do norte ao  sul. A escabrosidade desta serra a torna de difficil subida, tendo para o  conseguir de se passar pela beira de muitos precipicios. Galgada a  serra, encontra-se o sobado da Umpata, cujo terreno é fertilissimo, e  abundante de aguas, com bellissimas campinas, onde os respectivos pretos  cultivam milho, massamballa, massango, batata ingleza, e outros  legumes, havendo aqui e no Bumbo bastante gado vaccum, e ovelhum. A duas  ou tres legoas de distancia da Umpata, c na direcção de E., está o  sobado da Huilla, paiz que igualmente tem ferteis terrenos, sendo  cortado por muitas ribeiras e rios, cujas margens tem bellas pastagens,  onde os indigenas pastoream bastantes manadas de gado vaccum. Ao sul da  Huilla fica o sobado do Jau, cujos terrenos, apesar de mais extensos,  são todavia de vegetação menos luxurienta, que os da Umpata e Huilla.  Outros sobados se seguem ainda, como Mucuma, Hay e Cambos, sendo este um  dos maiores em população. A E. dos Cambos encontramse as povoações de  Mulondo, Camba e Humbe, na margem d'aquem do Cunene, que por estas  terras corre n'uma curva, para ir desaguar no Oceano, pela bahia dos  Tigres. O mais extenso e povoado dos sertões, além do Cunene, é o  Coanhama, onde poucos brancos tem ido em procura do marfim, que alli se  diz abundante. A E SE.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366476548407 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;do Coanhama fica a terra do Donga, d'onde em  distancia de 4 a 5 dias de viagem para o S. se encontram as grandes  minas de cobre, que abastecem todos os sertões limitrophes. Deste metal,  que os indigenas fundem, formam elles um vergalhão de um quarto de  pollegada de grossura, com cinco palmos de comprido, de que fazem  bracelletes para as mulheres, e que enrolado nos braços, a começar do  pulso, vae em espiral até ao cotovello.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;Por esta rapida  descripção do littoral e sertões do districto de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes  &lt;/span&gt;poderá-o leitor ajuisar do importante serviço, que fiz ao paiz,  em provocar, tanto como empregado, como escriptor publico, a colonisação  de um ponto com que assegurei á coroa portugueza tão vastos e ferteis  territorios. A este impulso, que provoquei, quanto em mina coube, se tem  posteriormente seguido as proficuas medidas, que se tem ultimamente  ordenado para aquelle ponto. Considerando a Huilla, em vista das  informações, que d'alli lhe tem vindo, como o mais adequado ponto para  nelle se fundar uma colonia agricola, para alli se mandaram, a bordo do  brigue &lt;i&gt;Sado, &lt;/i&gt;vinte e nove colonos allemães, que, por arribada do  navio, que do Baltico os conduzia para a America, tinham entrado no  Tejo. Chegados a &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;de lá  partiram para a Huilla, cujo terreno lhes agradou summamente, vendo-o  tão cortado de ribeiras, e riachos, um dos quaes passa pela frente, e  outro pela retaguarda do local das suas respectivas habitações.  Escolhida uma varzea fertil, e pouco distante da respectiva fortaleza,  deu-se começo á povoação desta nova colonia, procedendo-se ao  alinhamento e demarcação das ruas no dia 19 de julho de 1858. &lt;i&gt;O nome  de Vista Alegre &lt;/i&gt;foi o destinado para esta nova e esperançosa  povoação. Pelas recentes noticias, que o governador de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;dirigiu ao ministerio da marinha e  ultramar, datado da Huilla aos 15 de julho do mesmo anno 1858, soube-se  que n'aquelle ponto se achava elle residindo para regular os negocios da  colonia portugueza o allemã. Entre as obras, a cuja construcção  procedéra para beneficio d'ella, figuravam : &lt;i&gt;l.° &lt;/i&gt;um moinho de  agua paia cereaes; 2.° uma olaria para fabricar tijolo e telha; 3.° uma  fabrica de cortumes, propriedade particular; 4.° finalmente uma machina  movida por agua para serrar madeira. O mesmo governador affirmava que as  colheitas do trigo se podiam alli obter tres em cada&lt;span class="gtxt_body"&gt; anno, em março, maio, e dezembro, semeando-se em janeiro, março, e  outubro, c que todos os productos da Europa alli se podiam aclimatar C).  Quanto ao estado sanitario dos colonos não podia ser melhor, prova  evidente da benignidade do clima. Do Rio de Janeiro linham ido para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;a bordo do patacho &lt;i&gt;Paquete do  Loanda, &lt;/i&gt;dezeseis passageiros, alguns d'elles abastados, nas vistas  de se estabelecerem no interior do districto, dedicando-sc á  agricultura. Pelos ditos passageiros constava que da mesma cidade do Rio  de Janeiro outros mais individuos sabiriam em breve com aquellas mesmas  vistas. Para maior segurança dos territorios de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes  &lt;/span&gt;mandou-se estabelecer um pequeno forte i.m Porto Pinda, ao sul  de Cabo Negro, e na sua proximidade. Por decreto de 15 de julho de 1857  se organisou a força militar da provincia de Angola, devendo ter em &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;o seu respectivo quartel o batalhão  de caçadores n.° 3, creado segundo o referido decreto. A primeira  companhia deste batalhão sahiu directamente do Lisboa para &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;no 1.° dia de outubro de 1858 a  bordo da nau &lt;i&gt;Vasco da Gama. &lt;/i&gt;indo na força de 104 homens,  incluindo os seus respectivos officiaes, 50 mulheres, e 44 menores. Toda  esta força foi destinada a constituir a colonia militar da Iluilla, em  conformidade com as portarias, expedidas pelo ministerio do ultramar em  26 de dezembro de 1857. Levava esta colonia comsigo tres contos de réis  em dinheiro para as primeiras despesas da sua sustentação, o seu  competente armamento, 21 peças de artilheria, polvora em proporção, e  mais petrechos ile guerra, importando os objectos militares em 7:262£287  réis, o os não militares em 1:7630337 réis. Já antes da sabida desta  força outra tinha partido em 4 de maio de 1858 a bordo do brigue &lt;i&gt;Forttmato  &lt;/i&gt;com destino á guarnição de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Compunha-se  esta ultima força de 80 praças ao todo, não fallando em 400 degradados,  nas mulheres e filhos de muitos destes, que tambem foram para Angola na  mesma nau &lt;i&gt;Vasco da. Gama. &lt;/i&gt;Todas estas providencias devem  constituir &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes &lt;/span&gt;a segunda povoa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366476553307 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt;(I j Sem embargo de Iodas  cstas vantagens, os colonos allcmães, desavi ndose cuiu o governador de  &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes, &lt;/span&gt;allegdudo falia de  cumprimento nas promessas, (íu" se lhes fizera, abandonaram a colonia,  subindo ualli para a America em 1839, perdendo o governo as  consideráveis despesas, que com elles tinha ícit". Kra má gente, c  impropria para esta colonisnçáo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366476558834 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;ção do Angola, e pude ser que dentro em poucos  annos soja a primeira, segundo as lisongeiras noticias, que d'alli tem  vindo depois da chegada de todos estes reforços. A estatistica d'aquelle  ponto em 1857 era a seguinte: fogos na villa de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes,  &lt;/span&gt;Aguada, Boavista, Cavalleiros c Macalla, 91. Predios na villa  C8, sendo 34 de pedra, M de adobe, e 23 de pau a pique. As cubalas de  palha eram 6. Em construcção estavam 4 predios de pedra, c 14 de adobe.  Os predios da Aguada eram 16 de todo o genero, na Boavista 33, nos  Casados 5, e nos Cavalleiros e Macalla 3. A população livre era de 275  individuos, sendo 132 brancos maiores e menores do sexo masculino, 81  ditos do sexo femenino, sendo o resto composto de pardos e pretos. Os  libertos eram 99, o a população escrava montava a 837 individuos, vindo  assim o total de todas as classes e sexos a elevar-se a 1:211 pessons,  só na villa de &lt;span class="gstxt_hlt"&gt;Mossamedes. &lt;/span&gt;Á vista pois  do exposto concluo que se me não cabe a exclusiva gloria desta  esperançosa colonisação em totalidade, cabe-me seguramente em grande  parte, sendo eu o que mais que ninguem me empenhei em achar nos vastos  dominios de Angola algum sertão, que pelo seu clima, e fertilidade se  prestasse ao estabelecimento de colonias agricolas, que com o andar do  tempo nos supprissem a falta, que nos fez a separação do Brasil, dando  animação, e vida ao nosso frouxo e decadente commercio. Se preenchi ou  não as vistas a que me propuz, o tempo é quem o ha de dizer, e sendo  pela affirmativa, como julgo que será, tenho para mim que paguei bem &lt;i&gt;à  &lt;/i&gt;minha patria, não só as despesas, que fizera com a minha educação,  mas até o ordenado com que me tem retribuido o meu trabalho como  official ordinario da secretaria da marinha e ultramar. Talvez que  depois de morto me venham então as honras posthumas, quando já para nada  me servem, nem ao menos para me desvanecer com ellas.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;Posto que não tão importante como o precedente, um  outro serviço prestei ao meu paiz, na firme crença de ter sahido fora  das minhas obrigações ordinarias de empregado secundario no ministerio  em que tenho servido. Um navio estrangeiro foi abandonado pelo seu  capitão n'uma das nossas provincias d'Africa, por duvidas que teve em se  submetter aos regulamentos flscaes, lavrando deste abandono um termo,  que lhe serviu de titulo para &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;reclamar de Purtugal o pagamento de perdas e  damnos, e o de lucros cessantes, com o de tudo o mais, que julgou a bem  dos seus interesses, allegando de injustas e parciaes as exigencias, que  as auctoridades da respectiva alfandega lhe fizeram. Dentro em pouco  tempo dirigiu ao nosso governo a competente reclamação o ministro da  nação a que o navio pertencia, tendo eu de responder á energica e altiva  nota, que para este fim o referido ministro formulára, e na qual se  continham expressões e argumentos de um desafogo, proprio de quem tem  por si a força. Vendo eu que se a informação pedida pelo ministerio dos  negocios estrangeiros ao da marinha se limitasse somente a dar os  simples esclarecimentos, que se exigiam, de certo que pagariamos a  importancia da reclamação em questão, entreguei-me de todo o coração e  zelo pelo bem do paiz, não a ministrar apenas aquelles esclarecimentos,  roas a redigir de facto uma verdadeira nota, que servisse de resposta á  do minislro reclamante, nota que elaborei com muito trabalho e esforço  da minha intelligencia, expondo fortes e energicos argumentos, para que  me foi necessario consultar a nossa legislação fiscal, e ir por mais de  uma vez pessoalmente á alfandega grande de Lisboa, para alli me informar  das praticas analogas ao caso acontecido em Africa. Pelo officio, que  elaborei sobre este ponto, se pode bem ver, ou no ministerio da marinha,  ou no dos estrangeiros, o patriotico zelo com que então me conduzi.  Verdade é que o ministro reclamante redarguiu á resposta, que se lhe  dera, por meio d'uma segunda nota, tanto ou mais forte do que a  primeira, de que resultou pedirem-se com ella novas informações, ou  antes pedir-se a replica a esta segunda nota ao ministerio da marinha. E  posto que já se tivessem dado todos quantos esclarecimentos se podiam  dar, quando a questão se reduzisse somente a esclarecimentos, enchi-me  de novos brios para rebater as razões de um estrangeiro orgulhoso e  insolente, o que fiz com não menos zélo e dedicação pela causa publica  com que da primeira vez o fizera. Os argumentos de que me servi, e os  trabalhos a que de novo me enUeguei constam do respectivo officio,  enviado pelo ministerio da marinha ao dos negocios estrangeiros, officio  que até hoje ficou sem resposta da parte do ministro a quem se dirigiu,  )le que resultou evitar eu por este modo ao thesouro portu&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;!-- Content from Google Book Search, generated at 1266366599588774 --&gt; &lt;div class="flow"&gt;  &lt;div class="gtxt_body"&gt; &lt;div class="gtxt_body"&gt;gucz o pagamento de uma avultada somma, que talvez  pagasse, se não fora o meu allegado zelo e dedicação pela causa publica.  Muito maior gloria me coube a mim na sustentação desta questão, do que a  que retirou o nosso governo em 1858 na do celebre apresamento da barca  franceza &lt;i&gt;Charles et Georges, &lt;/i&gt;que sendo evidentemente negreira, e  encontrada com todas as provas disso, infringindo as leis do paiz na  bahia da Conducia, em Moçambique, o gabinete francez, appcllando  vergonhosa e indignamente do campo da razão e da legalidade para os  argumentos da força e allegações de um despotismo insolente, não se  pejou de enviar duas naus suas ao Téjo, com a intimação, que nos mandou  fazer, de se lhe entregar a referida barca dentro de quarenta e oito  horas, como effectivamente aconteceu em 23 de outubro de 1858. Não se  limitou sómente a esta entrega o jugo, que a França nos impoz por tal  motivo, porque além delia, tivemos tambem de lhe pagar a enorme somma de  62:828$100 réis, como indemnisação da captura em questão, sendo ella  todavia mais justa do que a materia, que eu tive de defender no caso  acima citado. Não digo que a correspondencia do nosso governo sobre a  entrega da barca &lt;i&gt;Charles et Georges &lt;/i&gt;fosse mal conduzida, mas o  facto é que delia não se lirou o resultado da que me passou pelas mãos  doze ou treze annos antes, sendo a consequencia disso supportar a nação  portugueza um vexame, que tanto deu que fallar em toda a Europa, e  tamanho desaire nos acarretou, vexame e desaire de que eu a livrei, alóm  do pagamento da respectiva somma, mettido em questões de peor aspecto,  que a da citada barca. Eis-aqui pois mais outra prova da minha  affirmativa de ter pago ao estado as despesas, que fez com a minha  educação, e o ordenado com que me retribuiu o trabalho do meu emprego de  official da secretaria da marinha, donde resulta ter igualmente pago á  patria o nascimento, que a sorte me deparou no gremio da nação  portugueza. Deste modo desempenhei pois as funcções do meu antigo logar  de chefe da repartição de Angola, que exerci desde novembro de 1842 até  junho de 1851, em que dellc fui demiltido, pela razão e modo por que se  vae vêr.&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="gtxt_body" style="text-indent: 1em;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-387563298887489749?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/387563298887489749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=387563298887489749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/387563298887489749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/387563298887489749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/02/colonizacao-de-mossamedes-angola.html' title='A colonizacao de Mossamedes, Angola,  emRevelacões da minha vida e memorias de alguns factos e homens meus ...  Por Simão José da Luz Soriano e memorias de alguns factos e homens meus ...  Por Simão José da Luz Soriano'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-829726569092044585</id><published>2010-01-11T08:28:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T08:28:44.302-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Namibe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term=';'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Fundação de Mossãmedes; Angola - Moçâmedes'/><title type='text'>A Fundação de Mossãmedes  (A Provincia de Angola, artigo de J.T.)</title><content type='html'>&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:"Cambria Math"; panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; mso-font-charset:1; mso-generic-font-family:roman; mso-font-format:other; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face {font-family:Calibri; panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-520092929 1073786111 9 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-unhide:no; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:10.0pt; margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Calibri; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault {mso-style-type:export-only; mso-default-props:yes; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-fareast-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Calibri; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-theme-font:minor-bidi; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault {mso-style-type:export-only; margin-bottom:10.0pt; line-height:115%;}@page Section1 {size:595.3pt 841.9pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:35.4pt; mso-footer-margin:35.4pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A Fundação de Mossãmedes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;(A Provincia de Angola, artigo de J.T.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que Mossãmedes foi fundada em 04 de Agosto de 1849, ninguém o ignora. A Câmara Municipal até escolheu esse dia para o distinguir como&amp;nbsp; feriado da cidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi na data acima citada quem, vindos do Brasil, aportaram à Angra do Negro os primeiros colonos, chefiados por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, português de boa têmpera e bastante culto, que por sinal fez jornalismo em terras de Santa Cruz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Das vicissitudes e trabalhos por que passaram esses esforçados pioneiros da nossa colonização, talvez nem todos tenham conhecimento, e os que já ouviram falar em tal não podem sequer conceber a admirável grandeza da luta que eles tiveram, com as doenças, com as feras e até com os indígenas, para aqui cravarem mais um marco glorioso, testemunho épico da fantástixa cavalgada portuguesa atrvés do Mundo imenso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Houve, a agravar ainda a triste situação dos primeiros colonos, uma falta quase absoluta de recursos de toda a espécie, falta que bem podemos classificar de autêntica pobreza «franciscana».&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi assim que esteve quase a perder-se, ingloriamente, o trabalho hercúlro desses heróis, avós dos mossamedenses de hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Socorros, auxílios, um pouca de assistência social não lhes foram prestados, e Mossãmedes esteve por um triz&amp;nbsp; a constituir uma falhada tentativa de colonização, o que seria impróprio de uma raça de colonizadores como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas, pela mesma razão que os primeiros colonos tinham abandonado o Brasil, outros de lá partiram para Angolam com a intenção de lá se fixarem: - nas terras de Além-atlântico rugia pavorosa e cheia de ódios a campanha nativista e esses obscuros patriótas lusitanos, preferiram, então, abandonar as suas fazrndas&amp;nbsp; e vantagens já adquiridas por entenderem&amp;nbsp; que a sua Pátria estava acima de tudo. Vieram para Angola, com o fim de desbravar terra portuguesa com o solo ainda inculto. E como aqui, neste cantinho do sul apenas encontraram um inóspito e desolador deserto, a barrar-lhes o caminho do interior,&amp;nbsp; voltaram-se para o Mar, e esse Mar – a eterna fascinação dos portugueses – foi a sua salvção ! Fundou-se a mais importante colónis dce características&amp;nbsp; marítimas de que nos podemos orgulhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ora, os novos colonis, que vieram na peugada dos que haviam chegado em 1849, desembarcaram nestas despidas e calcinantes areias, sob a chefia de José Joaquim da Costa, em 26 de Novembro de 1850.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sem a segunda colónia, que trouxe &amp;nbsp;alento, cooperação e e auxilio, a primeira não teria suportado&amp;nbsp; as durissimas inclemâncias que a atormentavam. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois, os seus esforços conjugados, o seu trabalho árduo e incansável,&amp;nbsp; valorizado ainda pela vimda de outros mais colonos , chegados anos depois, a pouco e poico,&amp;nbsp; permitiram que, passado quasi um século,&amp;nbsp; Mossãmedes seja uma cidade que ocupa em Angola, sob todos os pontos de vista, um lugar de extreorsinário relevo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Boletim Geral das Colónias . XIX - 213&lt;br /&gt;Nº 213 - Vol. XIX, 1943, 216 pags. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-829726569092044585?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/829726569092044585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=829726569092044585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/829726569092044585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/829726569092044585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2010/01/fundacao-de-mossamedes-provincia-de.html' title='A Fundação de Mossãmedes  (A Provincia de Angola, artigo de J.T.)'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-9197306243321244332</id><published>2009-09-04T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T18:21:16.125-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes; Angola; Namibe;'/><title type='text'>Apontamentos sobre Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador de Moçâmedes</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title"&gt; &lt;a href="http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2008/08/o-busto-de-bernardino-nos-jardins-da.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SKnp8DQf08I/AAAAAAAAJkU/26bK47eTSrQ/s1600-h/206.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SKnp8DQf08I/AAAAAAAAJkU/26bK47eTSrQ/s400/206.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235973259670836162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SKnq2ZHRGgI/AAAAAAAAJkc/sLJrMuKrCUA/s1600-h/busto+de+Bernardino+Abreu+e++Castro.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SKnq2ZHRGgI/AAAAAAAAJkc/sLJrMuKrCUA/s400/busto+de+Bernardino+Abreu+e++Castro.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235974261970115074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SJue3LFNIFI/AAAAAAAAJYU/d0F2sOwGH-Y/s1600-h/Bernardino.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SJue3LFNIFI/AAAAAAAAJYU/d0F2sOwGH-Y/s400/Bernardino.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231950062825578578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SJ7y9oKrOiI/AAAAAAAAJZU/J1MBLkEcYN4/s1600-h/Cedida_por_Rui_Ribeiro_7Sanzalang.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SJ7y9oKrOiI/AAAAAAAAJZU/J1MBLkEcYN4/s400/Cedida_por_Rui_Ribeiro_7Sanzalang.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232886957619231266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="post hentry uncustomized-post-template"&gt; &lt;a name="8751533022237137173"&gt;&lt;/a&gt; &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="post-body entry-content"&gt;&lt;h3 style="color: rgb(0, 0, 0); font-weight: normal;" class="post-title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SRDlR62-sFI/AAAAAAAAOEQ/COANw3L5c-o/s1600-h/busto+Bernardino.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 233px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SRDlR62-sFI/AAAAAAAAOEQ/COANw3L5c-o/s400/busto+Bernardino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264960060416503890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,Sans Serif; font-size: 85%;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SOBRE BERNARDINO&lt;/span&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;In: Memórias de Angra do Negro - Moçâmedes- Namibe (Angola) desde a sua ocupação efectiva, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de  António A. M. Cristão&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;«...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Em 1848, o nosso Império no Brasil vivia horas de indizível agitação: Na cidade de Pernambuco estalara a revolução política. O ódio e a perseguição manifestaram-se de imediato, fazendo sofrer as mais indignas crueldades e degradantes humilhações a compatriotas nossos que ali procuravam ocupação. É, então que, oprimidos cada vez mais, concebem o projecto de fundar em África uma colónia agrícola que possa valorizar o património nacional. Assim Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, que mais tarde seria o chefe do primeiro colonato, fica incumbido de apresentar ao Governo Português o arrojado empreendimento que se propõem levar a efeito. Pedem informações detalhadas de relatórios, de memórias e de mais documentos para que pudessem avaliar da região mais apropriada para se instalarem. Pedem, igualmente, auxílio financeiro ao Governo para custear a sua deslocação e aquisição de engenhos para fabrico de açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o empenhamento de Simão José da Luz Soriano, chefe da repartição de Angola no então Ministério do Ultramar, junto do Ministro - O Visconde de Castro - , é então garantido todo o auxílio e facilidades necessárias àquele arrojado empreendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira ocupação desta parcela e, por conseguinte, do que nela se ergueu, deve-se assim e indubitavelmente, à impulsiva decisão, inteligência e heroicidade patriótica daquele que jamais será esquecido saudosamente pelos moçamedenses, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro que, em 13 de Julho de 1848, enaltecido do espírito de demandar terras de África e animado por uma conta de sem recuo endereçou uma carta ao ministro e secretário de estado dos Negócios da Marinha e Ultramar da Nação Portuguesa, escrita em Recife de Pernambuco, onde se pode ler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«...Eu, que livre de orgulho, afirmo poder seguir para onde me conviesse, sacrifiquei-me a esperar, a ir compartilhar dos trabalhos e reveses que acompanham o estabelecimento de uma colónia, só porque vejo que coligo acarreto algum número, mormente dos mais úteis, que são os que entendem do fabrico dos açucares e plantação de canas e mesmo do tabaco e café pois que vivo em relação a muitos engenhos, tendo neles arranjado vários, e hei-de dedicar-me a conhecer com fundamento o modo mais profícuo de fazer açúcar, de agricultar a cana com vantagem, segundo a natureza do terreno e a tirar da matéria prima toda a possível utilidade, mormente com as destilações que, bem dirigidas, são de sumo interesse. Vª Exª desculpará na certeza de que não o faço porque não esteja persuadido do seu profundo saber, mas porque muitas vezes a lembrança de um homem medíocre faz produzir medidas acertadas». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modéstia! Bernardino não era um homem medíocre. Era um homem de extraordinária visão. Um grande português da estirpe dos «barões assinalados», cujo nome a história registaria com orgulho. Um portugues, que, já nessa altura defendia a tese de que a emigração do País deveria ser canalizada para as suas possessões ultramarinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente que a petição de Bernardino foi atendida. A Portaria nº 2063 de 26 de Outubro de 1848 dizia: «Tenho um grande número de cidadãos portugueses residentes na Província de Pernambuco, no Império do Brasil, feito constar a sua Majestade a Rainha, que desejavam passar para algum ponto das possessões portuguesas, houve por bem em Portaria desta data, mandar expedir providências necessárias para a passagem dos mencioinados portugueses para o lugar das possessões portuguesas em África que por eles for escolhida.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 29 de Março de 1849, o Governador Geral de Angola -Adrião Acácio da Silveira Pinto- informava o Ministro da Marinha e Ultramar de ter sido escolhida a província de Angola e o estabelecimento de Mossãmedes para a formação da colónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 23 de Maio do mesmo ano, cento e oitenta colonos (116 homens, 39 mulheres e 25 crianças), com Bernardino a chefiar, deixam Pernambuco, rumo a Mossãmedes, embarcando na barca brasileira «Tentativa Feliz» e no brigue de guerra «Douro». Foi de facto uma tentativa feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardino faz assim a descrição dessa viagem aventurosa:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;«...Foram os brasileiros quem fez lembrar aos portugueses que escusavam de melhorar terras alheias, quando tinham ainda muitas suas onde podiam procurar fortuna sem sofrerem insultos. E não pareça que é exagero, não, que lá está o dia 23 de Maio deste ano - dia em que o brigue de guerra «Douro», comboiando a barca «Tentativa Feliz» que a seus bordos conduziram 180 colonos, saiu do porto do Recife, à vista de numerosíssimo povo, para falar tão alto, atento o número de testemunhas, que bem se pode aplicar a este respeito o que sobre outrora disse o nosso sempre admirável Camões:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Estão pelos telhados e janelas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Velhos e moços, donas e donzelas...»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Levando consigo máquinas, instrumentos rurais e seus haveres, e até para nada lhes faltar, víveres para os primeiros tempos, era de pasmar ver aquela gente sair de uma bela cidade, divisando-se no rosto de todos a maior alegria, mesmo sabendo que trocavam uma habitação cómoda e divertida, para irem desembarcar num areal, onde o seu primeiro cuidado seria o de edificar uma cabana para se abrigarem das injúrias do tempo. A todos se ouvia dizer, ao desaparecimento da terra, o que Castilho disse nos seus «Ciúmes de bordo»:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Sumam-se à vista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os últimos oiteiros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dessa terra falaz...»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E se sofrimentos houveram na viagem, nem por isso se ouviram queixas. Algum génio mau quis apurar-lhes a paciência: ventos contrários e bonançosos, com repetidas calmarias, tornaram a viagem longa; todos os colonos iam mal alojados e a epidemia das bexigas desenvolveu-se a bordo, chegando a haver, simultaneamente, 56 doentes, entre colonos e a tripulação. Três adultos e cinco menores pereceram. Não havia facultativo: para os atender tanto exerciam tais funções o encarregado de governar a colónia como o capitão da barca, coadjuvados por um barbeiro e dirigidos por um cirurgião do «Douro» - Francisco António Chagas Franco - o qual logo que da barca se fazia sinal de que era necessária a sua visita, vinha a bordo. Veio quatro vezes com tal prontidão e tão boa vontade que ão sei qual possa elogiar-se mais , se ele em vir, se o comandante em o mandar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No dia 1 de Agosto entrou em Mossãmedes o Brigue «Douro» e, no dia 4 do mesmo mês, a barca «tentativa Feliz». com 74 dias de viagem. Os colonos vêem outra vez realizado o que o nosso poeta disse outrora aos seus heróis ascendentes:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Já sois chegados, já tendes diante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A terra de riquezas abundante...»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os colonos e os majores Horta e Garcia se instalavam e examinavam os terrenos aptos para a agricultura, Bernardino seguiu, no dia 16 do mesmo mês, a bordo do brigue «Douro», para Luanda, a fim de se avistar com o Governador Geral. Chegado no dia 22, ali se demoraria cerca de dois meses. O Governador recebeu-o «com as mais decididas provas de contentamento, que igualmente foram manifestadas por todas as autoridades e habitantes da cidade.»&lt;br /&gt;E Bernardino termina o seu relato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Esta empresa bem se pode chamar das incredulidades desfeitas, portanto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;1º) Parecia inacreditável que houvesse quem representasse o Governo de S. M. , porque muitas vezes haviam acontecido no Brasil casos iguais aos dos dias 26 e 27, e nunca houve o menor movimento: mas alguém representou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;2º) Parecia inacreditável que o Governo  pudesse mandar navios para proteger os seus súbditos: mas mandou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;3º) Parecia inacreditável que ele pudesse fazer despesas para coadjuvar e transportar para as possessões africanas os que para elas quisessem seguir: mas pôde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;4º) Parecia inacreditável que houvessem colonos que se arriscassem a vir para África, depois do que havia acontecido a outros: mas houve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;5º) Parecia inacreditável que em Mossãmedes houvessem providências tomadas para a recepção do colonos, atentos ao pouco tempo e ao estado financeiro da província: mas houve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;6º) Parecia inacreditável que houvessem bons terrenos n local escolhido: mas houve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Resta ainda uma incredulidade a vencer, a qual afecta a todos e vem a ser: se com efeito desta vez se montará a agricultura nesta velha parte do mundo antigo de forma a que se lhe façam trajar as galas de uma bela jovem; eis o que a breve espaço de um ano há-de resolver, no fim do qual se poderá dizer como Camões: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Que verá tanto obrar tão pouca gente...»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos seus incontestáveis méritos Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro é leito, por maioria de votos, em 14 de Outubro de 1849, para o Conselho Colonial de Mossãmedes. Esta qualidade reforça o prestígio do ousado português. Todos lhe obedeceram. Todos o reconhecem como chefe. Todos acatam, esperançadas as suas ordens. pelos colonos são distribuidos os terrenos incultos do rio Bero. Escolhe-se o Vale dos Cavaleiros para instalação de engenhos agrícolas. Começa o «fervet opus», como diz o próprio Bernardino:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;«É um bulício. Todos edificam casas na povoação que escolheram para habitar: outros nas faldas da serra dos Cavaleiros (de basalto laminado) no sítio chamado dos Namorados e que dista uma légua; outros roteiam terras nas hortas, outros no sítio da Olaria, onde se vai fazer tijolos e telhas; outros na Várzea da união, duas léguas longe dali; outro no fim co vale dos Cavaleiros, que dista três léguas e que é onde se vão levantar os primeiros laboratórios sacarinos: lá se vê um carro carregado de caibros (barrotes de madeira), ali pretos conduzindo junco e tábua, acolá as autoridades, montadas em bois, percorrendo e medindo os terrenos: noutra parte se quebra a pedra que se vai carregando juntamente com o barro; as paredes para as casas crescem visivelmente; a capela de Santo Adrião antes de um mês ficará ponta de paredes; enfim, ou antes de pouco tempo teremos de ver Mossãmedes uma sofrível povoação, e seus arrabaldes bem agricultados, ou se ficará o «mons parturiens» do velho Fedro».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua objectividade sensata e clássica de escrever é própria de um Grande português, de um Grande Chefe. Embora tudo pareça estar a correr de feição, a ele e aos colonos, para ele não era bom sinal que assim estivesse. Sempre os reveses estão na génese dos grandes cometimentos. Graves dificuldades surgiram. primeiro a inadaptação dos colonos. Depois a estiagem de longos meses. As sementes não seriam das melhores, nem haviam sido lançadas á terra na altura mais propícia. a terra, habituada á preguiça da infecundidade, negava-se a produzir. O desalento instala-se na alma dos colonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que Bernardino houve como Moisés relativamente ao seu povo «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Antes fossemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas das carnes e comíamos pão com fartura. Porque nos trouxeste a este deserto , para matar á fome esta multidão?».&lt;/span&gt; É neste transe difícil que se revela a indomável força de vontade de Bernardino, e sua certeza de vitória. No meio do seu povo exclama: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«Só será salvo o que preservar até ao fim!»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta altura, uma colónia composta de 145 emigrantes portugueses, sob a direcção de José Joaquim da Costa, deixa o Brasil a 13 de Outubro de 1850 e chega a Mossãmedes a 26 de Novembro do mesmo ano. A esta gente se fica a dever parte do êxito agrícola que a partir daí se obteve, pelo grande ânimo que deu aos primeiros colonos, unindo-se-lhe com vivacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tardou que outros se viessem juntar, provenientes, especialmente da ilha da Madeira (220 a bordo do vapôr Índia, chefiados por D. José Augusto da Câmara Leme), já que desta mesma origem era avultado o número dos que se achavam nas terras do planalto do Lubango, dada a conhecida fertilidade do seu solo a par do seu óptimo clima, em nada diferente ao da sua ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde sucederam-se-lhes outros vindos da Metrópole. O fluxo mais importante , sob o ponto de vista piscícola, foi o dos povos do Algarve, por lhes ter chegado ao conhecimento, quanto de rico em peixe era o seu mar e até, quanto mesmo era de bonançoso e nada de temer. Sabiam-se conhecedores das artes de pescar e das que pensavam em vir a instalar ali. Levaram consigo os aviamentos de pescar com linhas de certa robustês, anzóis de vários tipos para a pesca de pequenos e grandes peixes, não só da superfície como do fundo, chumbadas, roletes de cortiça, cabos de variadíssimas espessuras e até modelos de covos para aprisionar polvos, chocos, caranguejos do fundo (tipo santola), lagosta, etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o tempo impiedoso corria célere. A pesca restringida a uma simples rede que não ia além de cem braças de comprimento e alada de terra a pulso estava só a dar o bastante para o consumo do povo do colonato. Havia que aumentar a quantidade de pescado para que também viesse a dar para abastecer o interior e até os povos dissiminados pela vizinha província da Huíla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ânsia de progredir estava no ânimo de todos. Os pequenos barcos que ali existiam não satisfaziam. Havia que aliciar construtores navais que para ali viessem instalar os seus estaleiros, de maneira que ali construissem barcos idênticos aos que no Algarve eram utilizados na várias redes e pescar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convicção do entusiasmo convence outros conterrâneos. Prestaram-lhes as informações precisas das madeiras necessárias para as estruturas a construir (esqueletos, braços, quilhas, etc.) que ali teriam em abundância e que a mulemba (Ficus psilopoga) lhes poderia fornecer a contento. Somente teriam de trazer tábuas de pinho, das medidas que achassem indicadas, para barcos de 10 a 15 toneladas. Como complemento teriam de trazer estopa, breu, cavilhame, sebo, tintas e em suma, tudo quanto achassem de trazer, sem esquecer lonas para as velas, fios de cozer, agulhas para palomar, cabos para guarnecer as mesmas e para as adriças, ostagas, amuras, cabeleiras para as prôas, etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi ssim que, cheios de entusiasmo, esperança e fé, se trasferiram, do Algarve para Mossãmedes, os conterrâneos construtores navais, por sinal de grande prestígio. De distinguir o primeiro - Manuel Simão Gomes - a quem os petizes chamavam de avô Leandro e que instalou um estaleiro junto da praia, perto de uma escola primária, pertencente D. Maria Peiroteu, dentro da baía, a uns escassos passos da Fortaleza S. Fernando. O segundo, José de Sousa - conhecido por José de Deus - (como atrás referido) - acompanhado pelo calafate João de Pêra, estabeleceu-se numa das praias junto do morro da Torre do Tombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1856, com a existência de 36 casas de pedra e 8 de adobe, que albergavam parte da população, nasce o Município de Mossãmedes.&lt;br /&gt;Terá de reconhecer-se que foi às primeiras colónias de emigrantes de Pernambuco que se ficou a dever o verdadeiro incremento do local conhecido por Mossãmedes. A glória de não só haverem erguido um Distrito que se notabilizou, como também pel facto de terem iniciado, a preceito, a agricultura da região: horticultura, fruticultura, cultura de algodão, cana sacarina para produção de açucar e à industrialização de pescado. também é de reconhecer que foi aqui que nasceu a primeira tecelagem da Província, embora só com um fuso, para o fabrico de tecido grosseiro dada a qualidade das fibras ao seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Duarte Pacheco. à medida que se progredia para sul da costa africana, esta ia-se tornando cada ve mais escassa em arvoredo e em moradores. Nas alturas de entre Porto Alexandre e a Baía dos Tigres a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«terra eh baixa &amp;amp; maa de conheser»&lt;/span&gt; e mais adiante a navegação costeira torna-se difícil.  Nestas paragens pacheco refere a existência de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;«gente pobre que se nom mantem nrm uiuem senom pescaria»&lt;/span&gt; e que esses negros faziam «cazas com costas de baleas cobertas com seba do mar» lançando-les por cima areia «&amp;amp; aly passam sua triste uida».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In: Memórias de Angra do Negro - Moçâmedes- Namibe (Angola) desde a sua ocupação efectiva &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de  António A. M. Cristão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;..........................................................&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PERNAMBUCO E ANGOLA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,Sans Serif; font-size: 85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;...«A história da emigração para Angola de grande número de portugueses residentes em Pernambuco, em 1849 e 1850, ainda não está conhecida com pormenores, embora existam alguns trabalhos a respeito. O episódio está ligado à campanha anti-lusitana que precedeu a Rebelião Praieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha não limitou-se, como é sabido, a violentos artigos de jornal, mas foi até à agressão física e ao assassínio de portugueses. Em 13 de julho de 1848, um dos portugueses fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que muitos deles estavaminteressados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Diario de Pernambuco de 31 de janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial (criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferirpara a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais; "instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada e ummensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado (19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata Antônio Sérgio de Sousa (depois Visconde de Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser estabelecida em Moçâmedes. Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto" referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192, que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito, existentes naquele Arquivo. O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de 27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22; no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-se para Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levando em sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se". BIBLIOTECA VIRTUAL José Antônio Gonsalves de Mello · http://www.fgf.org.br/bvjagm Proibida a reprodução sem prévia autorização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://216.239.59.132/search?q=cache:CIV3Ut-2IBYJ:bvjagm.fgf.org.br/obra/Imprensa/030404-00029.pdf+bernardino+abreu+e+castro+obra&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;ct=clnk&amp;amp;cd=7&amp;amp;gl=pt&amp;amp;client=firefox-a"&gt;FONTE&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;....................................&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;O FUNDADOR DE MOÇÂMEDES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;A 23 de Maio de 1849, finalmente a concretização do projecto. Partia de Pernambuco, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro" com 166 portugueses a bordo, rumo ao estabelecimento de Moçâmedes, na Província de Angola, então província do reino de Portugal. Na viagem, sucumbiram, com bexigas, 3 adultos e 5 crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Entram na baía de Moçâmedes e avistam um vasto areal servido por um rio seco, o rio Bero, que mais tarde Bernardino chamou de Nilo de Moçâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. Era ali que os novos colonos íam reconstruir as suas vidas em tranquilidade, em paz e em território pátrio. Era o dia 4 DE AGOSTO DE 1849, que ficou na História como o dia da FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença das autoridades tradicionais: sobas Mossungo e Giraúl. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores. No dia seguinte foram conduzidos às áreas agrícolas onde foram distribuídas as terras. Bernardino seguiu para Luanda no dia 16 de Agosto afim de apresentar cumprimentos ao governador geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 21 de Outubro foi a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar: às 7 da manhã içou-se, no local, a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, com uma salva de 21 tiros. A maior parte dos colonos ali compareceu e houve arraial com largada de foguetes. Almoçaram e jantaram em barracas improvisadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Faz viagens de estudo, contacta sobas, colabora com as autoridades, sobe a Chela, entra na Huíla, visita a lagoa dos cavalos marinhos, que fica a 4 léguas ao norte de Lopolo, onde os rios gelam em Maio e Junho. Já lá existem alguns colonos. Outros irão fixar-se noutras áreas do planalto da Huíla em consequência do estudo feito. Uma vida de líder, de rija têmpera, apostado em tudo fazer pela "sua" colónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a natureza não se compadeceu dos recém-chegados. Uma estiagem de 3 anos secou as terras, perdendo-se todas as sementeiras. A 1ª. colónia luta com falta de tudo, desde alimentos a vestuário. A situação é desesperada. Alguns opinam mudar a colónia e comentam: "Antes fôssemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas cheias de carne e comíamos pão com fartura, do que padecer com fome neste deserto." Bernardino mantém-se firme e lança a máxima: "Vence quem perseverar até ao fim".O governador do distrito oficia a desesperada situação dos colonos. Há um intenso movimento de solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes e tudo se vai normalizando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, em Pernambuco, os portugueses organizam, a expensas suas, uma segunda leva de colonos (125) para se dedicarem á agricultura em Moçâmedes, chefiada por José Joaquim da Costa. Viajam na barca Bracarense e no brigue Douro, da marinha portuguesa. Chegam a Moçâmedes no dia 26 de Novembro de 1850. Dedicam-se também à pesca. Lançam mão a pessoal conhecedor da técnica de escalagem e secagem do peixe que trabalhou na feitoria montada no estabelecimento pelo olhanense Cardoso Guimarães, 7 anos antes.&lt;br /&gt;Bernardino reconhece que os colonos conseguiram vencer as adversidades e o deserto. São o maior exemplo de perseverança em toda a Província.Moçâmedes engradece-se ràpidamente e é elevada a vila por decreto de 26 de Março de 1855. Em 1857 já existem 16 pescarias onde trabalham 280 escravos. Ao festejarem o décimo aniversário da chegada da colónia, no dia 4 de Agosto de 1859, verificaram a existência de 83 propriedades agrícolas nas margens do rio Bero, 3 no Giraúl, 2 no Bumbo, 3 em S. Nicolau, 1 no Carujamba, 3 no Coroca, 7 na Huíla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha-se materializado o sonho do Barão de Moçâmedes, Luz Soriano e Sá da Bandeira, de fixar populações nas regiões a sul de Benguela. Foi graças à liderança forte de Bernardino que esse desiderato foi possível. Mas havia uma outra luta que todos eles estavam empenhados: a abolição da escravatura.Bernardino não permite na sua fazenda mão de obra escrava. Bate-se pela abolição da escravatura. Escreve em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações". Em 1858 Portugal decretou que, passados 20 anos não poderia haver escravos; mas, 11 anos depois, em 1869, aboliu o estado de escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que Bernardino foi generoso para com os companheiros mais desafortunados. A sua casa fora uma espécie de hospedaria ao visitante. Bernardino faleceu pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871. Tinha 62 anos de idade. Faleceu quando regressava de Luanda, onde tinha ído em serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Não se sabe o local, no cemitério, onde foi sepultado. Memoriais: sòmente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal e um busto muito simples no jardim, plantado cerca de 90 anos depois da sua morte. As autoridades portuguesas não prestaram a homenagem devida. Os sobas Mossungo, Giraúl, Moeni-Quipola e muitos outros deviam ter dado voltas nas sepulturas pela falta de reconhecimento das autoridades locais ao amigo que pugnou pela justiça e igualdade entre os povos e não admitia escravos na sua fazenda, porém quase ostracizado pelas autoridades da terra. O povo é que nunca o esqueceu e demonstrava-o nas competições interselecções quando a claque o invocava em uníssono BER...NAR...DI...NO, BER...NAR...DI...NO, para que a sua alma ajudasse a alcançar a vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da vida de Bernardino irá perder-se como papéis imprestáveis nas prateleiras de algum arquivo. A guerra civil de Angola após 1974, entre os movimentos de libertação, criou uma nova diáspora em Portugal: a dos filhos de Moçâmedes. Nunca mais será invocado o seu nome na cidade que fundou. A população que o invocava e o respeitava já lá não se encontra a viver. Criou raízes em Portugal e só a visita para matar saudades da infância ou rever todo um passado deixado para trás. Acreditemos que em algum ponto do universo, exista plasmado, um registo eterno de vidas justas e verdadeiras de heróis humanistas, como foi a vida de Bernardino, para que a ciência um dia a possa trazer de volta e ajudar na concepção de um Homem novo que esta Terra tanto necessita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia visitou Moçâmedes um amigo da família de Bernardino. Esteve na Fazenda dos Cavaleiros. Um negro idoso apontou a ruína duma casa onde muitos anos antes teria vivido um branco. Não se lembrava do nome. Num alto, a ruína domina toda a extensão da terra, numa vigília constante de mais de uma centena de anos. É também o Sítio da Bandeira onde os colonos íam beber a Pátria Portuguesa, naquela terra adoptiva de Angola e onde foi sonhada uma cidade: a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe da República de Angola.&lt;br /&gt;Moçâmedes foi elevada a cidade em 1907, 36 anos após a morte de Bernardino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;                    &lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;publicado por Cláudio Frota em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;a href="http://%20www.memoriaseraizes.blogspot.com/"&gt;www.memoriaseraizes.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Para ler mais, clicar  A&lt;a href="http://mocamedes-do-antigamente.blogspot.com/2007/05/blog-post_30.html"&gt;QUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.............................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PERNAMBUCO E ANGOLA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) A história da emigração para Angola de grande número de portugueses residentes em Pernambuco, em 1849 e 1850, ainda não está conhecida com pormenores, embora existam alguns trabalhos a respeito. O episódio está ligado à campanha anti-lusitana que precedeu a Rebelião Praieira. A campanha não se limitou, como é sabido, a violentos artigos de jornal, mas foi até à agressão física e ao assassínio de portugueses. Em 13 de Julho de 1848, um dos portugueses fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que muitos deles estavam interessados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Diário de Pernambuco de 31 de Janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial (criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferir para a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais; "instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada e uma mensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado (19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata Antônio Sérgio de Sousa (depois Visconde de Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser estabelecida em Moçâmedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, Page 3 BIBLIOTECA VIRTUAL José Antônio Gonsalves de Mello · http://www.fgf.org.br/bvjagm Proibida a reprodução sem prévia autorização. no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849. Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto" referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192, que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito, existentes naquele Arquivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de 27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22; no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-se para Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levando em sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se". Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956.&lt;br /&gt;Tirei&lt;a href="http://64.233.183.104/search?q=cache:CIV3Ut-2IBYJ:bvjagm.fgf.org.br/obra/Imprensa/030404-00029.pdf+Bernardino+Freyre+de+Abreu+e+Castro&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;ct=clnk&amp;amp;cd=10&amp;amp;gl=pt&amp;amp;client=firefox-a"&gt; DAQUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOBRE AS FOTOS DESTA POSTAGEM:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;As três primeiras fotos mostram-nos o busto de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador da cidade de Moçâmedes, numa altura em que a Avenida da Praia do Bonfim, ainda não possuia palmeiras, ou seja, nos finais da década de 50, início de 60. As três fotos seguintes mostram-nos o local onde o referido busto foi colocado, o local mais nobre da cidade, ou seja, a Avenida da Praia do Bonfim, que aqui nos surge em todo o seu explendor diurno e nocturno. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Sempre me fez confusão sobre qual o critério que teria levado as autoridades competentes darem o nome de Bernardino &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Freire de Figueiredo Abreu e Castro,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt; a um rua de somenos importância,  perpendicular ao mar, que ligava a Avenida  da Praia do Bonfim à  Rua da Fabrica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao busto, como se pode ver pela 3ª, 5ª, e 6ª fotos, este foi arrancado da coluna que o suportava após a independência de Angola, restando apenas a coluna que o suportava. Hoje, o busto do fundador de Moçâmedes, bem como o quadro a óleo, repousam com outros espólios do tempo da colonização portuguesa, no interior de uma sala-museu, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal da cidade. Apraz registar aqui que ainda hoje as autoridades mantém o 4 de Agosto como o dia da fundação de Moçâmedes e continuam com a tradição das Festas do Mar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;Encontrei na Net&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 85%;"&gt;esta passagem significativa das comemorações na cidade do Namibe do dia da fundação da cidade de Mossãmedes: 4 de Agosto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,Sans Serif; font-size: 85%;"&gt;&lt;div style="font-style: italic;" align="left"&gt; &lt;/div&gt;     &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,Geneva,Arial,Sans-serif;"&gt;«De Luanda partiu um voo com mais de 80 pessoas, que se integraram nas actividades locais de forma «alegremente contagiosa». &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,Geneva,Arial,Sans-serif;"&gt;Valeu a excursão, liderada por elementos que organizaram os festejos em 2005. Mas valeu &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; foi a camaradagem entre todos os naturais e amigos do Namibe, residentes e não residentes, membros do Governo e cidadãos comuns que às actividades se decidiram juntar. Curiosidade foi um grupo de (novos) amigos que, ao saberem da excursão decidiram juntar-se a nós sem qualquer vínculo com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,Geneva,Arial,Sans-serif;"&gt;a terra. Tanto quanto sabemos, foi uma ótima experincia tanto para eles como para nós, que esperamos sirva de exemplo para que Angola se (re)comece a descobrir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,Geneva,Arial,Sans-serif;"&gt;No dia 3 houve debate acerca dos dias de ontem, hoje e amanhã, muito participativo e cheio de ideias apresentadas pelos jovens residentes no Namibe. Houve também missa, exposições e desfile de embarcações pesqueiras. Depois vale falar da festa de 4 para 5 no salão do Sporting, da Tertúlia na sede da Cultura e do Moio na Estufa Municipal. Nestes últimos participaram artistas naturais e amigos, tendo-se destacado de entre outros a Banda Odisseia, Akapanan, Bigu, Kangato... Ouviram-se poemas de Neco Manjericão entre outros, .... Namibe, Namibe, Namibe... cantaram muitos naturais e amigos, ...da minha saudade, cidade de Angola, Angola Nação (Raul Pequenino, para quem é desse tempo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,Geneva,Arial,Sans-serif;"&gt;Quanto ao &lt;strong&gt;grupo de excursionistas&lt;/strong&gt;, teve também a oportunidade de visitar a "Lagoa do Arco", e de entregar algumas ofertas recolhidas ao longo do ano. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Para os detalhes da excursão, fica aqui um apelo aos mais "participativos" para que enriqueçam estas linhas. Contamos também com a publicação das fotos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Um Kandando,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maísa Tavare&lt;/span&gt;s»&lt;br /&gt;in&lt;a href="http://groups.msn.com/Namibe-online/general.msnw?action=get_message&amp;amp;mview=0&amp;amp;ID_Message=10&amp;amp;LastModified=4675584618446255353"&gt; NAMIBEONLINE&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;;font-size:9;&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-9197306243321244332?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/9197306243321244332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=9197306243321244332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/9197306243321244332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/9197306243321244332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2009/09/apontamentos-sobre-bernardino-freire-de.html' title='Apontamentos sobre Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador de Moçâmedes'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SKnp8DQf08I/AAAAAAAAJkU/26bK47eTSrQ/s72-c/206.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-656501360860907172</id><published>2008-12-04T07:18:00.000-08:00</published><updated>2008-12-04T07:24:35.810-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Times;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:19;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:13;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="position: absolute; top: 1345px; left: 43px;"&gt;&lt;nobr&gt;Garcia, por terra .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/nobr&gt;&lt;/div&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style=";font-family:Times;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:7;"  &gt; &lt;div style="position: absolute; top: 198px; left: 375px;"&gt;&lt;nobr&gt;&lt;/nobr&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Times;font-size:13;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-656501360860907172?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/656501360860907172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=656501360860907172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/656501360860907172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/656501360860907172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/12/namibe-histria-baa-de-mamedes-nas.html' title=''/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-2518327749059112977</id><published>2008-12-04T06:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-04T07:26:26.895-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola - Moçâmedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cuamato'/><title type='text'>Terras do Fim do Mundo - Campanhas do Kuamato (1905,1906,1907)</title><content type='html'>&lt;div class="post hentry category-historia category-informacao category-monarquicos"&gt;    &lt;em class="info"&gt;&lt;a href="http://causamonarquica.wordpress.com/2008/10/23/terras-do-fim-do-mundo-campanhas-do-kuamato-190519061907/trackback/" title="trackback url"&gt;&lt;/a&gt;     &lt;/em&gt;        &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;table width="300" border="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100%"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;         &lt;img style="width: 364px; height: 196px;" src="http://www.arqnet.pt/imagens3/ph_posto2.jpg" alt="Posto de socorros" border="1" /&gt;      &lt;/span&gt;     &lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;     &lt;td width="300"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;     &lt;td width="300"&gt;       &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;   Posto de socorros da face direita do acampamento da Môngua&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;     &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;Terras do Fim do Mundo&lt;br /&gt;- Campanhas do Kuamato (1905,1906,1907) -&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mestre José Carlos de Oliveira*&lt;br /&gt;Deste documento faz parte um documentário, composto por cerca de 150 fotografias relacionadas com o assunto, criteriosamente seleccionadas. A realização audiovisual foi criada para ser exibida em complemento ao entendimento do espírito do tempo em que os factos se passaram. Sem esse suporte, torna-se mais difícil qualquer abordagem. Porém tanto o documentário como o presente artigo reflectem o ângulo de visão e de opinião do autor que, não por acaso, é antropólogo.&lt;br /&gt;Tal como vem acontecendo há 45 anos, os Ex-Instruendos da classe de 1959 da Ex EAMA (Escola de Aplicação Militar de Angola) de Nova Lisboa, mais uma vez se reuniram, e diga-se em abono da verdade, para que se saiba, todos fomos incorporados em companhias Indígenas.&lt;br /&gt;A meio da última confraternização (2005), numa troca de palavras com um velho e grande companheiro, no caso o Coronel Catolino Dias Pinto, (sem qualquer desrespeito pelos restantes) lamentava-me eu, da actuação menos própria de alguns militares. Em resposta, recebi uma grande lição “Zé, não te esqueças, antes de militares são homens, e algumas características menos dignas, também se encontram inscritas na nossa natureza humana…&lt;br /&gt;E ao começar pela abordagem dos valores morais, que teimam em pautar a atitude dos homens e das mulheres, pertençam eles à Nação que perten­cerem (no sentido de chão, de país, de terra dos pais) lembrei-me daqueles que, dum lado e de outro, nos antecederam nas vicissitudes da vida militar.&lt;br /&gt;Nesta Zona de África tudo começou para os portugueses por volta de 1485. Diogo Cão ia dando continuidade às ordens dos seus maiores, percorrendo as etapas necessárias, estabelecendo os respectivos contactos, que facilitariam o posterior encontro com o “Adamastor”. Na sua segunda viagem, colocou o padrão do Cabo Negro1 situado perto da povoação de Pinda e de Porto Alexandre, entre os paralelos 15 e 16 de latitude sul.&lt;br /&gt;A sul da costa de Moçâmedes situa-se a enseada da “Angra do negro” conhecida pelos ingleses por “Little Fish Bay”, mas que para os naturais sempre foi conhecida como Bisungo‑Bitolo. As embarcações portuguesas ron­dariam estas paragens à caça de baleias e na rapina de “peças” (escravos), havendo notícias da presença dos portugueses no século XVII. Terá sido por volta dessa altura que um português deu o nome de Moçâmedes à Baía, embora estas informações sejam muito obscuras. Outras mais concretas dão notícia de uma expedição comandada pelo rico sertanejo Gregório José Mendes na patente de Sargento-mor das ordenanças.&lt;br /&gt;Incumbido de actualizar informações das rotas do comércio do interior, e por outro lado corrigir a infeliz incursão da expedição marítima do Tenente de mar António Valente e do Tenente-coronel Pinheiro Furtado. Ousaram explorar terra depois de arribar em 3 de Agosto de 1785 a Angra do Norte. Foram assassinados quando exploravam a margem do Bero.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segmento de carta geográfica de 1907 com localização das Terras do Fim do Mundo “Kuamato”&lt;br /&gt;E tudo isto porque tinham sido incumbidos pelo governador da zona para explorarem a possibilidade de criarem ali um possível presídio 2. Sempre que os exploradores europeus, de qualquer potência colonizadora, menosprezaram a inteligência dos nativos, sofreram as respectivas consequências, acabando com frequência por morrer inutilmente.&lt;br /&gt;Todo um passado recente dizia aos potentados quão perigosa se tornaria a permanência militar dos brancos na zona. E note-se que então como hoje, fazer incursões não era difícil, a dificuldade estava em permanecer nos locais avassalados. O adversário sabia memorizar as circunstâncias. Quem invadia, tratando-se de europeus, não estava minimamente adaptado ao clima, à geografia e era desconhecedor quase absoluto dos trilhos de contacto com as populações. Foi assim também nos primeiros dois anos da guerra colonial vivida a partir de meados dos anos cinquenta, já lá vão outros cinquenta anos.&lt;br /&gt;Um astuto, ousado e conhecedor sertanejo, António Guimarães Júnior ofereceu-se, já em 1839 para fundar um estabelecimento em terras de Moçamedes. O objectivo era o de comercializar, carne salgada, fabrico de sola, uma vez que nos nativos eram possuidores de imenso gado bovino.&lt;br /&gt;Todavia não podemos esquecer que estes privilégios concedidos pelo governo tinham por detrás, para além do lucro, a espionagem a favor da implantação do domínio português.&lt;br /&gt;O elemento militar português, ou o que por tal passava, era ainda em 1845‑1848, mais do que nunca o escudo do comércio dos grandes negociantes de Luanda e Benguela. E estes, por sua vez, contavam com a resistência e coragem dos seus pumbeiros e aviados, comerciantes ambulantes, negros mestiços libertos ou forros e mesmo até escravos que deambulavam pelos mercados do interior, tanto os já afectos aos portugueses como aqueles em que os europeus ainda pagavam pela permissão de comprar e vender. Estas relações explicam em grande parte a continuidade de um sistema de trocas (álcool armas, pólvora, panos, etc.) a que correspondia um equilíbrio económico que não conhecera substituto em África.&lt;br /&gt;A grande força dos portugueses provinha da quase total ausência de concorrência comercial e política… Só estava seriamente ameaçado, a norte das possessões reais ao longo do que os portugueses chamavam a Costa do Norte. Era grande e muito experiente a habilidade dos armadores “estáticos” de Luanda e Benguela ao utilizarem a resistência e coragem dos seus pombeiros e aviados, negros mestiços libertos ou forros e mesmo até escravos, quando não eram até degredados, foragidos ou não, como aconteceu com João Brandão e José do Telhado.&lt;br /&gt;Deambulavam pelos mercados do interior, tanto os já afectos aos portugueses como aqueles em que os europeus ainda pagavam pela permissão de comprar e vender. Estes agentes itinerantes iam funar (leia-se praticar o comércio ambulante) pelos mercados do interior no sertão já subjugado ou pelos ainda insubmissos potentados. A perpetuação do sistema de trocas (álcool, armas, pólvora, panos etc.) correspondia a um equilíbrio económico que não conhecera substituto em África.&lt;br /&gt;Um dos principais conflitos residia na oposição que os comerciantes faziam aos militares. Tentavam a todo o transe transformar a transferência de poderes fiscais no sertão. Os missionários por sua vez não viam com bons olhos a ocupação militar, pressentiam as razias. Todos, sem excepção, desconfiavam de todos.&lt;br /&gt;São do General Norton de Matos as seguintes palavras: A 1ª Grande Guerra fez desaparecer o enorme império Austríaco do mapa da Europa, formando com ele diversas nações, no meio das quais a Áustria ficou mínima em território e população, sem finanças próprias, servindo a ensaios e experiências políticas, quase como uma curiosidade de museu3.&lt;br /&gt;E diz mais: Que mandou uma carta a 1 de Janeiro de 1913 ao ministro das colónias de então com os seguintes dizeres:&lt;br /&gt;Desejo-lhe um ano novo cheio de venturas. Venho pedir-lhe que leia o livro de F.Von Bernhardi. A Alemanha e a próxima guerra que foi posto à venda nos fins de 1911. Sei que V. Exa., lê correctamente o alemão, mas já há deste livro uma tradução inglesa4.&lt;br /&gt;Nos tempos que antecederam a Grande Guerra estava a Alemanha ocupada na sua fantástica obra a federação Central Europeia. Para tanto teria que empregar os meios julgados convenientes alargando os seus territórios coloniais em África. Ocorreram acontecimentos que mostravam a possibili­dade da Alemanha obter grandes territórios em África e na América do Sul em consequência de negociações pacíficas subjacentes com a crise financeira e política Portuguesa…&lt;br /&gt;Apresentava-se assim uma oportunidade excelente para se apoderar das colónias portuguesas mais valiosas, embora se tenha dito que a Inglaterra depois de ter chegado a acordo com a Alemanha sobre a partilha das colónias Lusitanas, garantiu a Portugal, (por meio de uma convenção especial) a posse de todas as suas colónias.&lt;br /&gt;Continuam as transcrições, “as terras de África, que terão de passar para a nossa posse devem de ser encaradas sobre dois aspectos: desejamos que umas sejam próprias para a colonização alemã, para a fixação dos colonos germânicos e outras que sejam fornecedoras de matérias-primas e constituam mercados dos produtos alemães”.&lt;br /&gt;Não devemos, porém perder de vista a absoluta necessidade de não enfraquecer na África o elemento germânico, espalhando os colonos ou os comerciantes pelos territórios africanos. Temos de os reunir em blocos compactos, em centros políticos de gravidade, próprios para a criação de mercados das nossas exportações, para a difusão da cultura alemã.&lt;br /&gt;Foi contra este Golias germânico, entre outros que o pequeno Portugal teve de se haver. De que lado enfileirar então? A coabitação, a dominação e a influência dos Portugueses, por antigas que fossem, podiam a todo o momento ser contestadas pelos seus súbditos, vassalos e vizinhos.&lt;br /&gt;A disenteria, a malária, o escorbuto, a filaria, a tuberculose faziam as suas razias nas tropas expedicionárias, àa quais não faltava a semente da desunião. Não admira portanto que um dos piores revezes tivesse acontecido em Setembro de 1904 com os Kuamato. Um guia ovimbundo que fora deportado para o Humbe5 levou-os a cair numa emboscada em Umpungo.&lt;br /&gt;Guerreiros Kuamato Foto do então Alferes Veloso e Castro 1905&lt;br /&gt;Os guerreiros Kuamato, munidos de excelente armamento, muito dele conseguido com a venda de gado, mais para o sul do que para o norte… eram, e continuam a ser, possuidores de excepcionais qualidades militares. As populações vizinhas, juntavam‑se a eles, constituindo a temível Liga Ovampo, sempre que era necessário combater o inimigo comum, o branco.&lt;br /&gt;Como sempre, os Kuamato quando entravam em contacto com os inimigos e em especial contra os portugueses mantinham-se ocultos entre as árvores, tal como aconteceu com a expedição do Comandante Aguiar. Começaram por disparar sobre os oficiais e depois avançaram. A cavalaria, carregou sobre as árvores e perdeu as montadas, tudo aconteceu como em 1891. Os Kuamato estavam a 100 150 metros e tinham concentrado um poder de fogo invulgar nos confrontos bélicos em Angola.&lt;br /&gt;Pior que tudo, o Comandante Aguiar mandou usar a artilharia, as peças mal apontadas dispararam sobre os sobreviventes, que saíam do mato. Naquela ratoeira os Kuamato não fizeram prisioneiros acabando por dar a morte aos últimos sol­dados que ainda resistiam.&lt;br /&gt;Foto do Alferes Veloso e Castro campanhas do Kuamamto 1905&lt;br /&gt;Por volta de Agosto de 1904 todos os Ovambo pressentiam6 que algo acontecia com o Exército Português estacionado na zona. Preparavam uma grande guerra e pareciam muito confiantes.&lt;br /&gt;Os sacrifícios eram incomensuráveis, a fotografia intercalada que se apresenta dá certamente uma pálida ideia do que era, por exemplo, um carro com dez juntas de bois preparado para transportar três toneladas. Muitas vezes o condutor carreiro, era preto, já civilizado, manejando o chicote a preceito, coadjuvado pelo homem do travão e candeeiro, que normalmente não passava de um rapazito e seguia à frente da primeira junta de bois7. Pode imaginar-se o que seria comandar uma expedição militar, constituída por 2 291 militares, oficiais, sargentos e praças, incluindo indivíduos civis, condenados, e indígenas; 115 auxiliares portugueses, boers e indígenas; 100 cavalos, 181 muares, 620 bois de carro, 40 bois para abater (deveriam contar-se entre os bois a abater os que se fossem perdendo das juntas de bois de tracção). E falamos nós hoje de dificuldades. O autor destas linhas foi militar numa companhia indígena, mais propriamente a 5ª Companhia de Caçadores Indígenas do Batalhão de Caçadores Nº 3 (com muita honra) de 1959 a 1963, sempre no Norte de Angola. Sabe muito bem do que fala, durante 35 anos manteve-se na Zona. Acaba de chegar do Uije, onde foi reconfirmar e adquirir novos conhecimentos para dar continuidade à sua tese de doutoramento.&lt;br /&gt;Libata do kuamato 1905&lt;br /&gt;O terreno em terras do Kuamato e do Ovampo é relativamente plano, apenas ligeiras ondulações aqui, além coincidindo em regra com zonas de cultura… Quem atravesse qualquer dos vaus de Balaonde, Pemba, do Encondo ou Macuma, embrenha‑se de seguida em matas marginais, atingindo depois um plató, cujo o aspecto geral seria o de uma vastíssima campina de capim, salpicada por vezes de manchas de mutiati. Essas manchas de mata, ligadas entre si, envolvem as zonas de capim que ficam livres e tomam o nome de chanas. Estas por sua vez, quando extensas e estreitas e correspondendo a depressões sensíveis do terreno, tomam o nome de mulolas. Em regra é à volta das chanas, no meio do mato, que vivem os naturais em libatas, bem defendidas por cercados de pau a pique.&lt;br /&gt;Weyulu, o grande chefe político e militar, já não estava entre os vivos para poder mandar incutir aos seus lenga (guerreiros comandantes) a força mágica vital induzida aos Kuanhama em vitórias anteriores, faltavam‑lhes também os grandes conselheiros alemães… como faltaram às gentes do norte a “inteli­gência” inglesa. O sucessor de Weyulu seu irmão Nande, segundo algumas informações de fonte fidedigna, não era muito afecto aos brancos alemães. Dizia-lhe a experiência vivida e pelos seus antecessores transmitida que, se os seus queriam sobreviver tal custaria a separação do reino. Os brancos dividiriam o país Ovambo entre si. O melhor seria fazer as pazes com eles, embora os chefes guerreiros Lenga, quase todos Ovampo, não Kuanhama, ou mesmo renegados Humbe ou Ganguela, fossem deten­tores de uma enorme vantagem: muito astutos e profundos conhecedores do seu chão, sabiam ler todas as pegadas e pela forma como se inscreviam no terreno até conheciam as intenções do inimigo. Comandavam de forma magistral cerca de 300 homens. A sua experiência era longa, tinham presenciado primeiro e comandado depois, inúmeras razias e saques, sendo essa experiência a força da sua razão, por isso, resistiam às incertezas do seu rei. Se fosse necessário desobedecer, o recurso seria envenenamento do rei. Não deixariam de retirar a sua parte da presa de guerra. Era o seu ofício.&lt;br /&gt;Segundo o missionário francês Lecomte8 “só os Kuamato e os Vale (Mucubais) eram de temer. Eram corajosos, ao passo que os Kuanhama baseavam a sua estratégia no efeito de surpresa e na sua rapidez de atacar as povoações”. Aquilo a que chamamos razias.&lt;br /&gt;Mas Nande, interiormente não se deixava enganar. A sua intuição dizia‑lhe que mais tarde ou mais cedo, as metralhadoras alemãs a sul e as portuguesas a norte, acabariam por crivar de balas a sua independência. O Padre Ernesto Lecomte9 numa das suas “duas cartas dum missionário…” escrevia. Foi ele que em 1901 teria exclamado para o irmão Weyulu: “Visto isso, tu hás-de pertencer aos alemães e eu aos portugueses (Nande administrava o Norte) verás que daqui a meia dúzia de anos já não seremos mais nada e o poder há-de ser dos brancos 10.&lt;br /&gt;Só a indecisão da administração portuguesa iria permitir aos Ovambo, pelo menos aos Kuanhama conservar a sua independência até ao verão de 1915. Facto absolutamente notável, pois só os Dembu a Norte, e a revolta de Buta na zona fronteiriça de S.Salvador, hoje Banza Kongo, tinham similitudes notáveis. Independentemente de tudo isto, o envenenamento espreitava Nande se quisesse tocar no tecido social e económico dos Kuanhama. Extraordinariamente penoso foi admitirem que os brancos eram possuidores das novas magias de matar. Os seus chefes espirituais não as compreendiam, e por isso, não conseguiam transmitir ao seu líder a forma de suportar a derrota.&lt;br /&gt;O autor está ciente (e não necessita de ser um estratega militar) que embora o canhão fosse uma força dissuasora era muito difícil de locomover nestes terrenos. Três novos elementos introduzidos foram fundamentais para conduzir os brancos à vitória:&lt;br /&gt;A metralhadora que passou a devastar filas inteiras de comba­tentes indígenas.&lt;br /&gt;O telégrafo morse, grande ganhador das comunicações e que destronou o tambor de guerra das forças indígenas.&lt;br /&gt;E, finalmente, a fotografia, órgão que punha à disposição do Estado‑Maior do Exército dos brancos o panorama real e factual do que acontecia no terreno.&lt;br /&gt;Acrescente-se que quando os missionários ingleses no norte de Angola utilizaram pela primeira vez esta tecnologia, “a Caixa Mágica” para surpreender as elites políticas que olhavam estarrecidas a figura do seu rei falecido, o seu espanto era enorme e os grandes feiticeiros mais uma vez ficaram, perante os seus notáveis sem poder justificar tal poder detido pelos “feiti­ceiros” brancos. Ainda hoje, no norte de Angola, a máquina fotográfica, na posse de um estrangeiro europeu é olhada com muita reserva.&lt;br /&gt;O já Major Roçadas com oficias do seu Estado-Maior nas campanhas do kuamato&lt;br /&gt;Com estas vantagens contou o Capitão Roçadas, (durante as três campanhas que dirigiu 1905, 1906, 1907) mas também com um vasto conhecimento adquirido pelas expe­dições anteriores. Ines­ti­mável foi a actuação do fidalgo Kalipalula Kuamato da mais alta linhagem. Vo­tado ao ostracismo pelas suas gentes, teve de abandonar com a família e haveres o seu chão. Encontrado muito ferido pelos portugueses, foi curado, em troca conduziu a expedição de Roçadas com a maior segurança, os menores custos e a maior rapidez em alcançar o objectivo.&lt;br /&gt;Os Kuamatos já esperavam os portugueses. Tinham levado para o mato os mantimentos e as armas que podiam. Nas refregas foram auxiliados por outros povos vizinhos surpreendendo muitas vezes os exaustos expedicionários. Estas palavras do Capitão Roçadas são testemunho da valentia do adversário11, As qualidades guerreiras do inimigo e a sua força de combater”.&lt;br /&gt;Estavam prestes a começar os recontros. Os Kuamato tinham reunido o máximo de vizinhos que podiam, mas por si eram os mais temidos, os mais aguerridos os mais audazes, sendo temidos pelos próprios Kuanhama e Evale. Estavam lá também os Kuambi, muito temidos no assalto à arma branca, enfim também os ganguela, barantus, e hingas. Ao todo cerca de 20 000 homens. Tal como Nande os seus guerreiros Kuamato renderam-se momentaneamente, a guerra na zona iria perdurar até para lá de 1920. Curiosamente a última guerra em Angola iria acabar com a morte de Jonas Malheiro Savimbi já lá vão quatro anos (2001).&lt;br /&gt;Recordemos que no início mencionámos o General Norton de Matos: “Desejo-lhe um ano novo cheio de venturas. Venho pedir-lhe que leia o livro de F.Von Bernhardi. A Alemanha e a próxima guerra que foi posto à venda nos fins de 1911. Sei que V. Exa., lê correctamente o alemão, mas já há deste livro uma tradução inglesa.12”&lt;br /&gt;Do discurso do Comandante de Operações do Kuamato, José Augusto Alves Roçadas, proferido na Sociedade de Geografia de Lisboa em 1908 ressalta um trecho final “…seja organizado por um processo idóneo, parece que seria o meio de iniciar desde já o ressurgimento daquela nossa pérola colonial, que, filha ainda, na infância, a mãe pátria deve cuidar em instruir, desenvolver e preparar para a luta futura, de forma a que no dia em que chegue à sua maioridade, ela possa dar-lhe voluntariamente o emblema da independência, na certeza do que terá quem continue a representar dignamente, como sucede hoje com o Brasil, a velha raça lusitana, e a considerar-nos como nação favorecida nos tratados mútuos.&lt;br /&gt;Estas apreciações dependem sempre do mérito que o leitor possua em saber interpretar o espírito do tempo em que os acontecimentos se desenvolveram…&lt;br /&gt;______________________&lt;br /&gt;*      Mestre em Ciências Sociais e Políticas, Antropologia Cultural e Estudos Africanos pelo ISCSP/UTL.&lt;br /&gt;______________________&lt;br /&gt;1 Silva, Raul José Candeias Subsídios para a História da Colonização do Distrito de Moçâmedes Durante o século XIX, Stúdia Nº32 (Junho 1971) p. 371.&lt;br /&gt;2 Idem p. 374.&lt;br /&gt;3 Matos, Norton Memórias e trabalhos da minha vida, volume 4 pp. 9‑10.&lt;br /&gt;4 Idem, p.18.&lt;br /&gt;5 Pelissier, Rene, História das campanhas de Angola II, p. 191.&lt;br /&gt;6 Pelissier, Rene História das campanhas de Angola II. p. 189.&lt;br /&gt;7 Roçadas, José Augusto Alves Conferência sobre o Sul de Angola, A propósito das operações Militares do Cuamato, Sociedade de Geografia de Lisboa, 1908 p. 11.&lt;br /&gt;8 René Pelissier, obra citada, II p. 190.&lt;br /&gt;9 Lecomte, Ernest, Duas cartas do missionário Ernesto Lecomte, P. E Af. Nº132 Dezembro de 1904.&lt;br /&gt;10 René Pélissier, obra citada I, p. 35.&lt;br /&gt;11 Roçadas, José Augusto Alves, obra citada, p. 23.&lt;br /&gt;12 Idem, p.18.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fonte : Revista Militar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;In blog CausaMonarquica&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-2518327749059112977?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/2518327749059112977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=2518327749059112977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2518327749059112977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2518327749059112977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/12/terras-do-fim-do-mundo-campanhas-do.html' title='Terras do Fim do Mundo - Campanhas do Kuamato (1905,1906,1907)'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-9104461479584875729</id><published>2008-10-27T18:21:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T18:22:07.430-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A GUERRA EM ANGOLA&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;color:#000080;"&gt;1. &lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;AS PRIMEIRAS OPERAÇÕES MILITARES EM 1914&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;img src="http://www.arqnet.pt/imagens3/ph_cacoluvar.jpg" alt="Leito do Cacoluvar" border="1" width="300" height="196" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; A procurar água no leito do rio Cacoluvar &lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;   &lt;table border="0" width="600"&gt;   &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;     &lt;td&gt;       &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;I. A FORÇA EXPEDICIONÁRIA.       PREPARAÇÃO DAS OPERAÇÕES&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;A entrada da Inglaterra no conflito       europeu, tornada pública com a declarado de guerra à Alemanha em 5 de       Agosto de 1914, e a possibilidade de que, mais tarde ou mais cedo nos       poderíamos encontrar envolvidos no mesmo conflito, levaram o governo       português a pedir ao Congresso da República, em 7 do referido mês, «as       faculdades necessárias para, em tal conjuntura, garantir a ordem em todo       o país e salvaguardar os interesses nacionais, bem como para ocorrer a       quaisquer emergências extraordinárias de carácter económico e       financeiro».&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;Dada a nossa condição de potência       colonial, cujas duas maiores possessões ultramarinas - Angola e Moçambique       - confrontavam, ao tempo, com dois grandes territórios alemães -&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;a Damaralandia e o Leste Africano - e tendo em atenção que eram       sobejamente conhecidas as pretensões germânicas de compartilhar a posse       daqueles nossos domínios, o Governo da metrópole, na previsão de       futuros acontecimentos, resolve reforçar as guarnições provinciais com       dois corpos expedicionários, um destinado a Angola, outro a Moçambique.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;No dia 18 de Agosto, o general Pereira       de Eça, Ministro da Guerra, convida o tenente coronel do Corpo do Estado       Maior Alves &lt;a name="rocadas"&gt; Roçadas&lt;/a&gt; &lt;b&gt;&lt;sup&gt;&lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang01.html#n01"&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt; a aceitar o comando do primeiro       daqueles corpos, constituído por um quartel general, um batalhão de       infantaria, uma bateria de metralhadoras, uma bateria de artilharia de       montanha, um esquadrão de cavalaria, serviços de saúde, engenharia,       administração militar, transportes e de etapas, e tendo por missão       assegurar a obediência do gentio e vigiar a fronteira sul nos pontos &lt;a name="importantes"&gt;       importantes&lt;/a&gt; &lt;b&gt;&lt;sup&gt;&lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang01.html#n02"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;A partir do dia 20, e por intermédio do       Ministério das Colónias, Roçadas expede ao governador geral ele Angola       uma série de telegramas pedindo informações sobre os recursos       existentes na província e mandando proceder a vários trabalhos, entre os       quais a mobilização das unidades indígenas e europeias.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;Passados dias, e depois de ter reunido       os elementos que lhe foi possível colher em Lisboa, apresenta ao Ministério       das Colónias um projecto de operações, no qual prevê o reforço do       corpo do seu comando com unidades da guarnição da província de modo a       constituir-se uma coluna de operações cuja composição e efectivo       correspondessem à importância dos objectivos a atingir e que seriam:       ocupação directa cio Cuanhama e oposição ao avanço de quaisquer forças,       isoladas ou não, que pretendessem invadir o território da colónia.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;Nos dias 10 e 11 de Setembro, a bordo       cios vapores Cubo Verde e Moçambique, parte ele Lisboa o corpo expedicionário.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;A 27 de Setembro e 1 de Outubro       desembarcam em Moçamedes o Comando, as unidades de menor efectivo e os       Serviços, continuando a bordo por alguns dias, e até que fosse escolhido       e preparado o seu aquartelamento na cidade, o batalhão de infantaria 14.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;Pouco depois da instalação do       quartel-general em Moçamedes, e até 11 de Outubro, publicam-se as ordens       e instruções para a organização do serviço de informações e dos       serviços da retaguarda.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;p&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;span style=""&gt;Para a organização do primeiro destes       serviços, o Governador-Geral de Angola, Norton de Matos, ampliando as       instruções confidenciais do Ministro das Colónias, determinava ao       Governador do distrito de Moçamedes que cooperasse com o comandante do       corpo expedicionário na instalação e funcionamento do referido serviço,       ordenava aos chefes de concelho, de circunscrição e de postos da beira       mar que se pudesse em contacto com as canhoneiras &lt;i&gt;Save&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Massabi&lt;/i&gt;,       que estavam cruzando ao longo da costa de Moçamedes.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;       &lt;/p&gt;       &lt;table align="left" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2" width="329"&gt;      &lt;tbody&gt;       &lt;tr&gt;        &lt;td align="left" valign="top" width="300"&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;         &lt;img src="http://www.arqnet.pt/imagens3/ph_mocamedes.jpg" alt="Cais de Moçamedes" border="1" width="300" height="227" /&gt;       &lt;/span&gt;        &lt;/td&gt;        &lt;td rowspan="2" width="15" height="180"&gt;       &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;      &lt;br /&gt;      &lt;/span&gt;        &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;       &lt;tr&gt;&lt;td colspan="" 2="" width="300"&gt;           &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Cais flutuante de           Moçamedes&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;       &lt;/tbody&gt;       &lt;/table&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Ao Governador do mesmo distrito       solicitava Roçadas que lhe transmitisse quaisquer informações que se       referissem à acção de alemães ou indígenas nas nossas águas, no       nosso litoral, no próprio território da Damaralandia e no interior do       distrito; e aos capitães-mores do Cuamato, Evale e Baixo Cubango       confia-lhes idêntico serviço a respeito do que se passar dentro da área       das respectivas jurisdições e no país da Damaralandia, que interesse       à nossa acção militar e política no sul da província.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Com o fim de completar as informações       relativas ao inimigo provável com as que diziam respeito ao terreno em       que poderia vir a operar, manda ainda proceder ao reconhecimento militar       do Baixo Coróca no litoral de Moçamedes, ao estudo do acesso possível       às regiões de Otchinjou, através dos contrafortes da Chela, estudos       estes cujo objectivo era encontrar uma posição militar que fechasse o       acesso do Baixo Cunene a Porto Alexandre e Moçamedes e verificar se era       possível pôr em ligação a força, que porventura viesse guarnecer       aquela posição, com as futuras forças do sector de defesa do Pocolo.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Publica, a seguir, a organização dos       serviços da retaguarda, estabelecendo como base dessa organização:&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;Zona do interior&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt; – Desde o litoral até o planalto da Huíla. &lt;i&gt;Zona da retaguarda&lt;/i&gt;       – Desde o planalto da Huíla até o Cuamato. Zona de operações –       Desde o Cuamato até à fronteira alemã. &lt;i&gt;Estação de reunião&lt;/i&gt; –       Os depósitos de Moçamedes, na estação do caminho-de-ferro. &lt;i&gt;Estação       «terminus»&lt;/i&gt; – Estação do caminho-de-ferro de Vila Arriaga. &lt;i&gt;Base       de etapas&lt;/i&gt; – Lubango-Chibia. &lt;i&gt;Testa de etapas&lt;/i&gt; -Forte do Cuamato.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Expede ainda as instruções para o       serviço de etapas e, no dia 11 de Outubro, depois de ter verificado       pessoalmente o estado de adiantamento dos alojamentos destinados às       diversas unidades expedicionárias, ordena a concentração destas no       planalto.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A 18, Roçadas tomava posse do governo       da Huíla. A fim de ser facilitada a sua acção como comandante do corpo       expedicionário, cujas operações militares deviam desenrolar-se em regiões       pertencentes àquele distrito.&lt;o:p&gt;       &lt;/o:p&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A 19, dá-se o primeiro incidente de fronteira, em       Angola – &lt;i&gt;o incidente de Naulila&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;       &lt;table align="left" border="0" cellpadding="2" cellspacing="2" width="337"&gt;       &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;        &lt;td align="left" valign="top" width="304"&gt;         &lt;span style=""&gt;             &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;         &lt;img src="http://www.arqnet.pt/imagens3/ph_embarque.jpg" alt="A caminho do embarque" border="1" width="300" height="194" /&gt;       &lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;        &lt;/td&gt;        &lt;td rowspan="2" width="15" height="180"&gt;&lt;span style=""&gt;             &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;       &lt;br /&gt;      &lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;       &lt;/td&gt;       &lt;/tr&gt;       &lt;tr&gt;&lt;td 2="" width="304"&gt;           &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;1914 - O batalhão de           marinha a caminho do embarque&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;           &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;         &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;       &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;      O Dr. Vageler, ao terminar os seus   estudos próximo do Cunene, pretendera passar para a Damaralândia, através   da Hinga, mas detido pela nossa polícia nas proximidades da Dombondola e   remetido para o Humbe, onde se encontrava por ocasião do incidente de Naulila,   serviu de intérprete ao administrador daquela circunscrição na conferência   que esta autoridade tentara realizar com o sargento alemão da escolta do Dr.   Schultze Jena, junto ao Calueque, na manhã do dia 19 de Outubro, seguindo   para a Damaralândia com a referida escolta, depois de ter exclamado: &lt;i&gt;C'est   la guerre.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;   &lt;/span&gt;       &lt;/span&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;O incidente de Naulila e a apreensão do   comboio dos 11 carros boers levaram Roçadas, de acordo com o coronel Coelho,   a mandar retirar a missão do distrito da Huíla, na previsão de dificuldades   que poderiam advir à execução das medidas do governo com a permanência dos   membros da mesma missão no interior.&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A maioria destes encontravam-se rio   Lubango, donde seguiram directamente para Moçamedes; mas Schubert, oficial de   artilharia da reserva, que andara juntamente com Roma Machado, tendo pedido   autorização para seguir pelo caminho do Chácuto, o que lhe fora concedido,   desaparece de uma maneira singular na estação do caminho de ferro do Munhino,   no intuito de seguir para a Damaralandia, o que lhe não foi consentido, e,   ao ser preso na Chela pelo português Morgado, exclama: &lt;i&gt;Já vem tarde&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Mais súbditos alemães, além daqueles   a que acabamos de fazer referência, se encontravam espalhados pelos distritos   de Benguela e Huíla, exercendo, aparentemente, as profissões de negociantes,   colonos agrícolas, exploradores de terras e empregados em oficinas   particulares, mas, segundo todas as probabilidades, desempenhando o papel de   espiões informadores.&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A ordem de expulsão do território do   distrito da Huíla dada aos membros da missão de estudos é mandada aplicar,   como era óbvio, a todos os súbditos de raça germânica e ainda àqueles   que, estrangeiros ou nacionais, fossem considerados suspeitos, tornando-se   extensiva ao vice-cônsul Schoss e família logo após o conhecimento do   massacre do Cuangar.&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Dias depois, quando se procedia à detenção   de um alemão, que se verificara ser oficial da reserva e era empregado nas   oficinas do Almeida da Chibia, foi-lhe apreendida uma carta da Damaralandia,   onde estava traçado a lápis o itinerário com a indicação das etapas que   mais tarde seguiram as forças que de Outjô, e sob o comando do major Frank,   vieram atacar Naulila (18 de Dezembro).&lt;o:p&gt;   &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt; &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_angola.html"&gt;&lt;img alt="Página de entrada:  «A Guerra em Angola»" src="http://www.arqnet.pt/imagens/setcim.gif" border="0" width="36" height="36" /&gt;&lt;/a&gt;       &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang011.html"&gt;       &lt;img alt="Página seguinte: «Primeiras operações: incidentes de fronteira»" src="http://www.arqnet.pt/imagens/setdir.gif" border="0" width="36" height="36" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-9104461479584875729?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/9104461479584875729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=9104461479584875729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/9104461479584875729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/9104461479584875729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/guerra-em-angola-1.html' title=''/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-5596508328339606836</id><published>2008-10-25T13:10:00.001-07:00</published><updated>2009-10-19T07:03:13.828-07:00</updated><title type='text'>Vila de Mossâmedes 1840 - 1855</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/vila-de-mossmedes.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rb0qt7zyY1I/AAAAAAAAAFk/TsvFD5ox-ho/s1600-h/138612%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025219727852725074" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rb0qt7zyY1I/AAAAAAAAAFk/TsvFD5ox-ho/s400/138612%255B2%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Postal histórico encontrado na Internet, datado de 26 de Junho de 1904, onde de vêm as primeiras edificações da Vila, na praia do Bom Fim hoje conhecida por praia das Miragens. Por decreto de 26 de Março de 1855, e por carta régia expedida a 7 de Maio do mesmo ano, Mossâmedes subiu à categoria de Vila..Praia do Bom Fim - Praia das Miragens&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45" onclick="BLOG_clickHandler(this)"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45" onclick="BLOG_clickHandler(this)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025164404378985218" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbz4ZrzyYwI/AAAAAAAAAEw/jaOJGg62nF8/s400/138562%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;Postal histórico da Vila de Mossâmedes encontrada na Internet. Fotografia datada de 1904.&lt;br /&gt;Fortaleza de S. Fernando.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rb0piLzyY0I/AAAAAAAAAFc/0q7eq0_ViZA/s1600-h/138596%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025218426477634370" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rb0piLzyY0I/AAAAAAAAAFc/0q7eq0_ViZA/s400/138596%255B2%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;Postal histórico datado de Janeiro de 1904, encontrado na Internet, representa a fortaleza de S.Fernando construida em 1884, pelo então Governador Geral da Província de Angola - Manuel Eleutério Malheiros e que continha 26 canhões.&lt;br /&gt;E ao longo da praia anexa à fortaleza se edificou a partir de 1880 e anos seguintes a Vila de Mossâmedes.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-1840-1855_28.html"&gt;Mossâmedes 1840 / 1855&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbzwQbzyYvI/AAAAAAAAAEk/P7T-Phi73Ow/s1600-h/Porto-de-Mo%C3%83%C2%A77amedes20-201914%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025155449372173042" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbzwQbzyYvI/AAAAAAAAAEk/P7T-Phi73Ow/s400/Porto-de-Mo%C3%A77amedes20-201914%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imagem do Forte mandado construir em 184o pelo então Governador Geral da Província de Angola e concluido em 1884, iniciando-se a ocupação militar de Mossâmedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/momedes-1954_8582.html"&gt;Moçâmedes 1954&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu-vbzyYtI/AAAAAAAAAEQ/wkKcbi-WMDM/s1600-h/Namibe+014.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024819531390018258" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu-vbzyYtI/AAAAAAAAAEQ/wkKcbi-WMDM/s400/Namibe+014.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; Fotografia do jardim tirada do Forte de S. Fernando, construído em 1884&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="5293297771829151222"&gt;&lt;/a&gt; &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/momedes-1954_27.html"&gt;Moçâmedes 1954&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu-JbzyYsI/AAAAAAAAAEE/ROOyVUb6Rpg/s1600-h/Namibe+013.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024818878554989250" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu-JbzyYsI/AAAAAAAAAEE/ROOyVUb6Rpg/s400/Namibe+013.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="7940601732025806926"&gt;&lt;/a&gt; &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939_6860.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu2PbzyYpI/AAAAAAAAADg/EM5-sSkNDWE/s1600-h/Namibe+09.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024810185541182098" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu2PbzyYpI/AAAAAAAAADg/EM5-sSkNDWE/s400/Namibe+09.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939_9407.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu1LrzyYoI/AAAAAAAAADU/wNhFWJK0de0/s1600-h/Namibe+07.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024809021605044866" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbu1LrzyYoI/AAAAAAAAADU/wNhFWJK0de0/s400/Namibe+07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vista panorâmica da cidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;span class="post-author vcard"&gt; &lt;span class="fn"&gt; &lt;h2 class="date-header"&gt;Saturday, January 27, 2007&lt;/h2&gt;  &lt;a name="2373323311883936318"&gt;&lt;/a&gt; &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939_4706.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuzkLzyYnI/AAAAAAAAADI/jm5w0sB4dDM/s1600-h/Namibe+08.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024807243488584306" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuzkLzyYnI/AAAAAAAAADI/jm5w0sB4dDM/s400/Namibe+08.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vista a toda a extenção do jardim principal da cidade.&lt;/div&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;   &lt;span class="post-author vcard"&gt; Posted by &lt;span class="fn"&gt;Nelson Nobrega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Vista do Centro da Cidade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;span class="post-author vcard"&gt; Posted by &lt;span class="fn"&gt;Nelson Nobrega&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="post-timestamp"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939_4745.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuykLzyYmI/AAAAAAAAAC8/ZtG0_HkUCEY/s1600-h/Namibe+011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024806143976956514" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuykLzyYmI/AAAAAAAAAC8/ZtG0_HkUCEY/s400/Namibe+011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Edificio da Alfândega&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939_27.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuxVLzyYlI/AAAAAAAAACw/7YWWnWla68M/s1600-h/Namibe+06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024804786767290962" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuxVLzyYlI/AAAAAAAAACw/7YWWnWla68M/s400/Namibe+06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vista da cidade pelo lado do mar.&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mossmedes-3-6-1939.html"&gt;Mossâmedes 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbuv5LzyYkI/AAAAAAAAACk/z7knSfgLwJ4/s1600-h/Namibe+05.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024803206219326018" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rbuv5LzyYkI/AAAAAAAAACk/z7knSfgLwJ4/s400/Namibe+05.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vista do deserto para a cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/momedes-vista-da-aguada-3-6-1939.html"&gt;Moçâmedes - Vista da Aguada a 3 / 6 / 1939&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbusSrzyYjI/AAAAAAAAACY/9_xcpuaxOvc/s1600-h/Namibe+04.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024799246259479090" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbusSrzyYjI/AAAAAAAAACY/9_xcpuaxOvc/s400/Namibe+04.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na recolha das fotografias da família encontrei oito fotografias tiradas de avioneta e oferecidas pelo meu avô materno, José Pereira Craveiro, natural de Mossâmedes, às suas filhas Maria de Lourdes Craveiro Nóbrega e Maria Delfina Craveiro Coimbra, ambas também nascidas na cidade. Todas elas datam de 3 de Junho de 1939.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/momedes-1935-1940.html"&gt;Moçâmedes 1935 / 1940&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuqtLzyYiI/AAAAAAAAACM/nlWD6C349WU/s1600-h/Namibe+03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024797502502756898" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuqtLzyYiI/AAAAAAAAACM/nlWD6C349WU/s400/Namibe+03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="post-author vcard"&gt;&lt;span class="fn"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/2007/01/mocmedes-1935-1940.html"&gt;Mocâmedes 1935 / 1940&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;a aiotitle="" href="http://3.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuqG7zyYhI/AAAAAAAAACA/qDTrqRsy9Bs/s1600-h/Namibe+02.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024796845372760594" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/RbuqG7zyYhI/AAAAAAAAACA/qDTrqRsy9Bs/s400/Namibe+02.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;span class="post-author vcard"&gt; Posted by &lt;span class="fn"&gt;Nelson Nobrega&lt;/span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span class="post-author vcard"&gt;&lt;a href="http://afrokuata.blogspot.com/search?updated-max=2007-01-27T11%3A39%3A00-08%3A00&amp;amp;max-results=7"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-5596508328339606836?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/5596508328339606836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=5596508328339606836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/5596508328339606836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/5596508328339606836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/vila-de-mossmedes-1840-1855.html' title='Vila de Mossâmedes 1840 - 1855'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IME3vFp8onE/Rb0qt7zyY1I/AAAAAAAAAFk/TsvFD5ox-ho/s72-c/138612%255B2%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-2077442841222016948</id><published>2008-10-25T10:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T10:43:52.300-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="post-body entry-content"&gt; &lt;div class="flickr-frame"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="http://farm4.static.flickr.com/3116/2408957866_12b294b85f_o.jpg"&gt;&lt;img class="flickr-photo" alt="" src="http://farm4.static.flickr.com/3116/2408957866_6f06dce9e5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="flickr-caption"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/gatochy/2408957866/"&gt;Ilustração Portugueza, No.475, March 29 1915 - 8&lt;/a&gt;, originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/gatochy/"&gt;Gatochy&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="flickr-yourcomment"&gt;Carregar na imagem para ver em tamanho 1520 x 2250.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;"No Sul d'Angola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang02.html"&gt;tenente Aragão&lt;/a&gt; dando banho aos cavalos no &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang05.html"&gt;rio Cunene junto ao Capelongo&lt;/a&gt;. -- 2. Chana do Mufilo (campo do silencio), local onde estão depositadas as ossadas dos militares mortos em 1907 e onde o capitão &lt;a href="http://www.presidencia.pt/?idc=13&amp;amp;idi=38"&gt;Martins de Lima&lt;/a&gt; deu a carga conhecida por &lt;i&gt;carga de Mufilo&lt;/i&gt;. -- 3. O tenente Aragão n'um dongo passando o Lussuco (vau onde os &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuanhamas"&gt;Cuanhamas&lt;/a&gt; passam para as razias). 4. Auxiliares &lt;a href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD6830"&gt;cuamatas&lt;/a&gt; recebendo carne em pagamento de serviço prestado a um destacamento comandado pelo tenente Aragão, o glorioso comandante dos &lt;a href="http://antigamente1900.blogspot.com/2005/04/sul-de-angola-como-escrevi-aqui-o-meu.html"&gt;dragões de Mossamedes&lt;/a&gt;, morto no &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang03.html"&gt;combate de Naulila&lt;/a&gt;."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ilustração Portugueza, No.475, March 29 1915 - 8a by Gatochy, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/gatochy/2408957914/"&gt;&lt;img alt="Ilustração Portugueza, No.475, March 29 1915 - 8a" src="http://farm3.static.flickr.com/2385/2408957914_8c9fdf004b_o.jpg" width="380" height="545" /&gt;&lt;/a&gt;   &lt;/div&gt;   &lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;a href="http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/2008/09/ilustrao-portugueza-no475-maro-29-1915_11.html"&gt;Ilustração Portugueza, No.475, Março 29 1915 - 8&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicada por &lt;span class="fn"&gt;Mariana&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span class="post-author vcard"&gt; &lt;/span&gt; &lt;span class="post-timestamp"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-2077442841222016948?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/2077442841222016948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=2077442841222016948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2077442841222016948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/2077442841222016948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/ilustrao-portugueza-no.html' title=''/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm4.static.flickr.com/3116/2408957866_6f06dce9e5_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-3000191896572393612</id><published>2008-10-22T13:12:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T13:13:29.464-07:00</updated><title type='text'>Ova-kwankala v. Ova-yambq</title><content type='html'>&lt;div class="main"&gt;  &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7214/480/1600/Bochimane---chega-da-ca%3F%3Fa.jpg"&gt;&lt;img src="http://espacotempo.files.wordpress.com/2006/08/bochimane-chega-da-ca-a.jpg" alt="bochimane-chega-da-ca-a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por causa desta &lt;a href="http://www.survival-international.org/news.php?id=1389"&gt;notícia&lt;/a&gt;, na &lt;a href="http://www.survival-international.org/index.php"&gt;Survival International&lt;/a&gt;, sobre os &lt;a href="http://www.survival-international.org/tribes.php?tribe_id=11"&gt;bosquímanos&lt;/a&gt; (os &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Khoi"&gt;povos Khoisan&lt;/a&gt;), que conheci na Handa (região da Mupa, Angola), releio Estermann*: «Como é sabido, estes primitivos devem o nome, por que são conhecidos, aos colonos Holandeses do Cabo, que os denominaram “Bosjesmannen” (em inglês “Bushmen”), que quer dizer “homens da floresta”. [...] A maioria dos Bochimanes do Sul de Angola pertence à tribo !Kung (! é o sinal gráfico para o clique gutural). [...] Embora não sejam precisamente “vermelhos”, como os negros dizem, a cor da pele é muito mais clara do que nos Bantos. É acastanhada, às vezes até amarelada, duma amarelo claro. [...] As mulheres gozam duma grande independência [...] a monogamia era imposta aos homens pelas mulheres, que não tolerariam rivais. [...] não praticam a circuncisão. [...] para eles o “Ente Supremo” se chama //Gaua (// é o sinal para o clique lateral). [...] Gaua, que é sempre invocado nas necessidades. “Todos os dias pedimos-lhe assim” - disse um velho&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- “paizinho, deixe-nos ficar fartos hoje!”&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7214/480/1600/Pint.Rup.B..jpg"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7214/480/320/Pint.Rup.B..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;[...] os Negros julgam inútil ou indigno falar a língua dos “selvagens”. Todos os homens da raça bochimane, mais raras vezes as mulheres, falam uma língua banta. Mas, o que é afinal que nos faz parecer cómica a língua bochimane? É o emprego dos cliques ou estalinhos. [...] Os Bantos da região chamam estes povos pelo nome de Ova-kwankala [...] os do caranguejo. [...] empregando-o indistintamente para Bochimanes e Hotentotes. [...] O termo empregado para designar os Negros em oposição aos Ova-kwankala é Ova-yamba, que quer dizer - os que possuem bens, os ricos.»&lt;br /&gt;Que será deles hoje? Estermann calculava, estimativamente, 4000 a 5000 em 1939.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;* Estermann, Carlos, Etnografia de Angola, vol. 1, IICT, Lisboa, 1983, pp. 35-43.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://ngola.no.sapo.pt/fls.htm"&gt;Foto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.phototravels.net/"&gt;+ 220 fotos&lt;/a&gt; (Namíbia, 1993)&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-3000191896572393612?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/3000191896572393612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=3000191896572393612' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/3000191896572393612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/3000191896572393612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/ova-kwankala-v-ova-yambq.html' title='Ova-kwankala v. Ova-yambq'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-7397500715197326014</id><published>2008-10-05T07:31:00.000-07:00</published><updated>2008-11-23T10:45:52.657-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O farol da Ponta Albina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simão Tôco'/><title type='text'>O farol da Ponta Albina albergava um hóspede de peso</title><content type='html'>&lt;h5&gt;&lt;img alt="Untitled-Afri.jpg" src="http://drakemberg.blogs.sapo.pt/arquivo/Untitled-Afri.jpg" border="0" width="284" height="346" /&gt;&lt;/h5&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Porto Alexandre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Untitled-Afri.jpg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a maior povoação digna desse nome,a mais a sul de todas.Angola terminava com o farol da Ponta Albina,e mais abaixo, de raspão junto à fronteira,a Baía dos Tigres finalizava-a mesmo.Paragens desertas e inòspitas.O farol da Ponta Albina albergava lá um hóspede de peso, era em simultâneo faroleiro e preso ao mesmo tempo.Paradoxo dos paradoxos,mas Angola ao tempo era rica em paradoxos.A creatura para ali estava naquela imensidão e ainda por cima com mordomias do estado.Vièmos a saber depois que se tratava do Sr.Simão Toco,este senhor era nem mais nem menos que um poderoso patriarca religioso que, aglutinava ao tempo milhares e milhares de seguidores,pràticamente em todo o norte de Angola,e até para lá da fronteira pois os povos das duas zonas eram os mesmos Quicongos.Quem estava em Angola ao tempo sabia bem o que era o tocoismo.O que é curioso é que o homem estando preso,era em simultâneo funcionàrio do estado português com a categoria de faroleiro.Os mantimentos faziam-se-lhe chegar da seguinte maneira.No período das marés vivas e em plena vazante,o jipão fazia-se à praia e era vê-lo com o prego a fundo a calcurrear a distancia que nos separava do farol.O cabelo flanava qual bandeira em desfralda, o peito ao léu recebia os ventos marítimos como um bàlsamo, contrariando o ar seco e abafadiço do deserto; foram tempos de vida em plenitude.as trocas eram feitas e raramente se podia fazer a viagem de regresso na mesma vazante esperando pois pela seguinte.O homem à despedida abriu-se-nos, num sorriso franco,e bom.E lá fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;publicada por drakemberg&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-7397500715197326014?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/7397500715197326014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=7397500715197326014' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/7397500715197326014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/7397500715197326014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/o-farol-da-ponta-albina-albergava-um.html' title='O farol da Ponta Albina albergava um hóspede de peso'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-8245231250393413037</id><published>2008-10-05T03:53:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T07:10:04.149-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro;  fundador de Moçâmedes; Angola; Namibe;'/><title type='text'>E ASSIM NASCEU MOÇÂMEDES...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/STfqjffJMEI/AAAAAAAAOaI/YormW6Se91U/s1600-h/0034.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/STfqjffJMEI/AAAAAAAAOaI/YormW6Se91U/s400/0034.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275943383956271170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face  {font-family:Wingdings;  panose-1:5 0 0 0 0 0 0 0 0 0;  mso-font-charset:2;  mso-generic-font-family:auto;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:0 268435456 0 0 -2147483648 0;} @font-face  {font-family:"Cambria Math";  panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;  mso-font-charset:1;  mso-generic-font-family:roman;  mso-font-format:other;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face  {font-family:Calibri;  panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;  mso-font-charset:0;  mso-generic-font-family:swiss;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-unhide:no;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  margin-top:0cm;  margin-right:0cm;  margin-bottom:10.0pt;  margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-fareast-theme-font:minor-latin;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;  mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault  {mso-style-type:export-only;  mso-default-props:yes;  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-fareast-theme-font:minor-latin;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;  mso-fareast-language:EN-US;} .MsoPapDefault  {mso-style-type:export-only;  margin-bottom:10.0pt;  line-height:115%;} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:35.4pt;  mso-footer-margin:35.4pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;}  /* List Definitions */  @list l0  {mso-list-id:1876457297;  mso-list-template-ids:-1250247748;} @list l0:level1  {mso-level-number-format:bullet;  mso-level-text:;  mso-level-tab-stop:36.0pt;  mso-level-number-position:left;  text-indent:-18.0pt;  mso-ansi-font-size:10.0pt;  font-family:Symbol;} ol  {margin-bottom:0cm;} ul  {margin-bottom:0cm;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-language:EN-US;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A BAÍA DE MAÇÂMEDES NAS ANTIGAS CARTAS E ROTEIROS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Baía de Moçâmedes, mais conhecida entre os ingleses por Little Fish Bay (Pequena Baía dos Peixes), figurava nas antigas cartas e roteiros de navegação sob a designação de Angra do Negro. Está assim designado porque por ela, como por todas as Baías, angras e enseadas de Angola, se fazia larga exportação de escravos (A derrocada, 1913 - O Distrito de Moçâmedes, nas fases de origem e da primeira organização - 1485-1859, pág. 27, de Manuel J.M.Torres).   AS PRIMEIRAS INVESTIGAÇÕES PARA O CONHECIMENTOS DO TERRITÓRIO DE MOÇÂMEDES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desvairo do comércio de escravos impediu que durante três séculos, se procedesse a um reconhecimento proveitoso da costa e dos sertões ao sul de Benguela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira exploração regular só pode efectuar-se em 1785. Ordenou-a o Capitão-General de Angola, José de Almeida Vasconcelos Soveral e Carvalho, Barão de Moçâmedes. Organizaram-se, então, em Benguela, duas expedições, que deveriam seguir para a Angra do Negro, uma por mar e outra por terra. A direcção da primeira foi confiada ao tenente-coronel Luís Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado e a segunda ao Sargento-mor Gregório José Mendes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXPEDIÇÃO DE PINHEIRO FURTADO - VIA MARÍTIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expedição Marítima, com Pinheiro Furtado, embarcou na fragata Luanda, sob o comando do Capitão-tenente António José Valente. A fragata era ainda acompanhada duma outra chamada Paqueta real, e partiram de Luanda a 25 de Maio de 1785 e chegaram ao Novo Redondo a 7 de Junho do mesmo ano. Cinco dias depois, ou seja, dia 12 de Junho, os navios seguiram para Benguela onde fundearam no dia 22 de Junho. De Benguela, a fragata sob o comando do Capitão-Piloto Manuel José da Silveira, tendo saído para o sul, fundeou em Angra dos Negros em 3 de Agosto de 1785.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUDANÇA DA DESIGNAÇÃO DE ANGRA EM PORTO DE MOÇÂMEDES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinheiro Furtado durante sua navegação para Angra dos Negros enfrentou ventos de Sudoeste, soprados pela proa e fortes correntes de feição contrária que os obrigou a navegar sempre á vista de terra, observando minuciosamente, palmo a palmo, toda a costa. Ao chegar ao destino (Angra dos Negros) e após fundear, Pinheiro Furtado exprimiu o desejo de prestar justa homenagem ao ilustre titular que ordenara a exploração tendo solicitado por escrito ao Capitão-General de Angola, nos seguintes termos: "Seja sua Excelência servido permitir que, nos mapas, o novo porto ele o denomine de Moçâmedes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXPEDIÇÃO DE GREGÓRIO MENDES - VIA TERRESTRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expedição terrestre, chefiada por Gregório Mendes, compunha-se de:   Escolta de mil pessoas, sob seu      comando; Vinte soldados, comandados pelo      porta-bandeira Luís Cardoso; Miguel Pinheiro, Francisco      Rodrigues (antigo tenente de artilharia) e do Piloto Manuel Pires da Cruz.        Gregório Mendes e seus homens partiram de Benguela com rumo Sul-sueste, em 30 de Setembro de 1785. No primeiro dia chegaram a Quipupa. Em 1 de Outubro chegaram ao Dombe de Quizamaba atravessada pelo Rio Cupororo onde ficaram até dia 3 de outubro para se proverem de água, mantimentos e gados. Em 4 de outubro chegaram a libata Malicalunga, onde permaneceram a explorar a bacia do Cupororo até dia 6. Em 7 de Outubro chegaram ao Mocuio. E assim prosseguiram a marcha até que em 3 de novembro pelas 3 horas da tarde chegaram ao Porto de Moçâmedes onde assentaram campo. Depois prosseguiram marcha, até que em 7 de Novembro chegaram em bentiaba. Em 24 e 25 de Novembro chega em Dombe de Quinzamba onde fecha o círculo de sua digressão. Volta á Benguela, donde tinha partido, e onde chega a 29 de Dezembro de 1785.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinheiro Furtado e Gregório Mendes instaram, o governo geral, para que se erguesse um presídio na Baía, para que se mantesse eficazmente o domínio português e se intensificasse o tratado iniciado com os povos que aí habitavam. Mas o Barão de Moçâmedes, não obstante a entusiástica descrição de Gregório Mendes e a particular estima que votava a pinheiro Furtado, afora o patriótico desejo de fazer boa administração, não pode realizar tal empreendimento por haver deixado, pouco depois, o Governo da Província de Angola. No entanto, o esforço despendido pelos dois exploradores tivera resultado auspicioso, embora demorado, porque só em 1839 os portugueses continuaram a fazer expedições dos territórios Sul-angolanos. Antes, um explorador francês chamado João Baptista Douvallier em 1827 fizera uma viagem para Angola, tendo solicitado ao Ministro das Colónias o seu interesse em fundar em Moçâmedes um presídio para degregados. Esta solicitação do explorador francês evidenciou a urgência da ocupação por parte de Portugal dos territórios sul angolanos. Assim é que em 1839 recomeçaram as explorações com expedição de Pedro Alexandrino, por mar, e Francisco Garcia, por terra. Pedro Alexandrino saiu de Luanda a bordo da corveta Isabel Maria em 9 de Agosto de 1839, passou por Benguela e dia 23 de Setembro chegou a Cabo Negro. Em 4 de Novembro chegou á Baía de Moçâmedes, onde, como eles descreve em seus relatórios, "as espécies itiológicas são muito variadas e em muita quantidade. Determina a posição da Baía a 15º 10.0´ de latitude Sul, e 012º 5.0´ de longitude Este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco Garcia saiu no dia 17 de Agosto de 1839 de Benguela, tendo chegado á Baía de Moçâmedes em Setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OCUPAÇÃO DE MOÇÂMEDES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Ocupação Militar  Feitos os estudos da costa e dos sertões, em 1840, o então Governador Geral da Província de Angola, Manuel Eleutério Malheiros, ordenou em Fevereiro de 1840 que se levantasse um forte na Baía de Moçâmedes, tendo se iniciado a ocupação militar de Moçâmedes. Em 1844 o forte foi construído.&lt;br /&gt;2 -  Ocupação Económica   Da fundação do presídio e Estabelecimento de Moçâmedes e da celebração do pacto amistoso e mercantil entre autoridade portuguesa e os sobas derivou a criação, na Baía, de feitorias, casas de negócios que foram se instalando ao longo da praia entre 1840 e 1849.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHEGADA DOS PRIMEIROS COLONOS A MOÇÂMEDES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira feitoria foi montada por António Joaquim Guimarães Júnior, sendo considerado, o primeiro morador branco de Moçâmedes. No entanto os corajosos esforços dos primeiros moradores dos presídios e estabelecimentos de Moçâmedes, representavam tentativas persistente, mas isoladas, de poucos, e não podiam originar uma colonização em forma razoável, com razoáveis probabilidades de êxitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram os lastimosos acontecimentos de Pernambuco (Brasil), ocorridos em 26 e 27 de Junho, que determinaram a partida para Moçâmedes, em 1849 e 1850 de dois grupos de Portugueses, residentes naquela cidade, numerosos e seleccionados, que formaram as chamadas "Primeira e Segunda Colónias"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, em 23 de Maio de 1849 partiu de Pernambuco (Brasil) a  Barca Brasileira «Tentativa Feliz», capitaneada pelo Brigue de Guerra Nacional "Douro" com 166 colonos no total tendo chegado a Moçâmedes no dia  4 de Agosto de 1849, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sendo considerados os primeiros colonos e fundadores do distrito .&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;cite&gt;&lt;/cite&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-8245231250393413037?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/8245231250393413037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=8245231250393413037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/8245231250393413037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/8245231250393413037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/10/e-assim-nasceu-momedes.html' title='E ASSIM NASCEU MOÇÂMEDES...'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/STfqjffJMEI/AAAAAAAAOaI/YormW6Se91U/s72-c/0034.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-234411076717159956</id><published>2008-08-09T21:30:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T08:14:32.775-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MEMORIAS DE UM MOÇAMEDENSE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARMINDO BENTO'/><title type='text'>MEMORIAS DE UM MOÇAMEDENSE: ARMINDO BENTO</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Recordações e Retalhos I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXqK8fSlEI/AAAAAAAAAvA/fPdSFB9ngpg/s1600-h/Retalhos.01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072718029059691586" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXqK8fSlEI/AAAAAAAAAvA/fPdSFB9ngpg/s200/Retalhos.01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXs7sfSlFI/AAAAAAAAAvI/TZqERODftrI/s1600-h/Retalhos.02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072721065601569874" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXs7sfSlFI/AAAAAAAAAvI/TZqERODftrI/s200/Retalhos.02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img src="file:///C:/DOCUME%7E1/N%C3%8DDIAJ%7E1/LOCALS%7E1/Temp/moz-screenshot-5.jpg" alt="" /&gt;&lt;h3 class="post-title"&gt;       Recordações e Retalhos II        &lt;/h3&gt;                     &lt;p&gt;       &lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXt_8fSlII/AAAAAAAAAvg/IVzIpkv4KOE/s1600-h/Retalhos.03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072722238127641730" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXt_8fSlII/AAAAAAAAAvg/IVzIpkv4KOE/s200/Retalhos.03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXt1MfSlHI/AAAAAAAAAvY/QS-aDsk1iag/s1600-h/Retalhos.04.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072722053444047986" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXt1MfSlHI/AAAAAAAAAvY/QS-aDsk1iag/s200/Retalhos.04.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXu08fSlKI/AAAAAAAAAvw/IZBEkDtRncU/s1600-h/Retalhos.05.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072723148660708514" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXu08fSlKI/AAAAAAAAAvw/IZBEkDtRncU/s200/Retalhos.05.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXupcfSlJI/AAAAAAAAAvo/b9rAS0juxmE/s1600-h/Retalhos.06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072722951092212882" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXupcfSlJI/AAAAAAAAAvo/b9rAS0juxmE/s200/Retalhos.06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmX9s8fSlMI/AAAAAAAAAwA/MBt-X5DdoFI/s1600-h/Retalhos.07.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072739503896171714" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmX9s8fSlMI/AAAAAAAAAwA/MBt-X5DdoFI/s200/Retalhos.07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmX9esfSlLI/AAAAAAAAAv4/esL2D6yKkWc/s1600-h/Retalhos.08.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072739259083035826" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmX9esfSlLI/AAAAAAAAAv4/esL2D6yKkWc/s200/Retalhos.08.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(continua)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Agradecimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A publicação destas memórias só foi possível devido à prestimosa colaboração de Albano Júnior, dirigente da ADIMO – Amigos do Distrito de Moçamedes, que nos facultou o acesso ao texto que passamos a publicar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os nossos penhorados agradecimentos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Admário Costa Lindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota Prévia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este texto foi escrito pela sua própria mão, já depois do nosso pai ter sofrido uma trombose, razão pela qual, devido ao seu tamanho e pormenores, foi necessário um esforço muito grande de memória e muita força de vontade para o concluir. Por isso, o recordamos sempre como uma pessoa inteligente (e culta apesar da sua pouca instrução), dinâmica e persistente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O nosso pai veio a falecer com 78 anos de idade, no dia 25 de Setembro de 1991, ou seja, 7 dias depois de ser atropelado por um camião do lixo, numa passadeira para peões, perto do nosso bar da praia, em Quarteira. Veio a provar-se em Tribunal que o condutor da referida viatura se encontrava alcoolizado no momento do acidente. Mas nós não quisemos complicar a vida desse homem em Tribunal, visto que era um pobre coitado e nada mais interessava, agora que o nosso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pai estava morto. A Câmara pagou uma quantia ridícula como indemnização pela sua morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esta transcrição serve apenas como recordação para a família e amigos mais chegados, daquele que foi, tal qual o seu pai (nosso avô) um trabalhador incansável, um bom marido, bom pai e grande amigo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Os filhos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;(Retirado &lt;a href="http://geohistharia.blogspot.com/2006/07/recordaes-e-retalhos-i.html"&gt;DAQUI&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-234411076717159956?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/234411076717159956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=234411076717159956' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/234411076717159956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/234411076717159956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/08/memrias-de-raul-ferreira-trindade.html' title='MEMORIAS DE UM MOÇAMEDENSE: ARMINDO BENTO'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aUEhxEKFank/RmXqK8fSlEI/AAAAAAAAAvA/fPdSFB9ngpg/s72-c/Retalhos.01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-3534089802067643467</id><published>2008-04-04T14:26:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T14:27:35.096-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Raul RadichJ únior'/><title type='text'>Raul Radich Júnior</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title"&gt;      Homenagem a Raul Radich Jr        &lt;/h3&gt;                            &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJAybFVHTI/AAAAAAAAAA0/rMv1Nvcbi_4/s1600-h/Radich.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071687365380349234" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJAybFVHTI/AAAAAAAAAA0/rMv1Nvcbi_4/s200/Radich.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJA9rFVHUI/AAAAAAAAAA8/YOhfC9bTilg/s1600-h/Radich.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071687558653877570" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJA9rFVHUI/AAAAAAAAAA8/YOhfC9bTilg/s200/Radich.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJDgLFVHXI/AAAAAAAAABU/xsLg-OxFfM0/s1600-h/Radich.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071690350382620018" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJDgLFVHXI/AAAAAAAAABU/xsLg-OxFfM0/s200/Radich.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJEWbFVHYI/AAAAAAAAABc/dHdCf9MqkXs/s1600-h/RAdich.4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071691282390523266" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJEWbFVHYI/AAAAAAAAABc/dHdCf9MqkXs/s200/RAdich.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto da Homenagem prestada ao Raul Radich &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Júnior, a 1 de Agosto de 2004 no Encontro anual &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;em Caldas da Rainha.&lt;br /&gt;in: Adimo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7415417724154201698-3534089802067643467?l=mocamedesregistosefactos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/feeds/3534089802067643467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7415417724154201698&amp;postID=3534089802067643467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/3534089802067643467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7415417724154201698/posts/default/3534089802067643467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2008/04/raul-radich-jnior.html' title='Raul Radich Júnior'/><author><name>MariaNJardim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02702775674766209656</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-LkJ72O2ZWQE/Ttbri_KGGHI/AAAAAAAAYR0/nW3bWySfysU/s220/Nidia%2B2005%2B3.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oJFn43Qjk3o/RmJAybFVHTI/AAAAAAAAAA0/rMv1Nvcbi_4/s72-c/Radich.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7415417724154201698.post-605583554611117800</id><published>2008-03-29T11:45:00.000-07:00</published><updated>2008-03-29T11:47:12.305-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gilberto Freire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TÚMULOS AFRO-CRISTÃOS'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Angola - Moçâmedes'/><title type='text'>EM TÔRNO DE ALGUNS TÚMULOS AFRO-CRISTÃOS</title><content type='html'>&lt;!-- corpo do texto --&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;EM TÔRNO DE ALGUNS TÚMULOS AFRO-CRISTÃOS&lt;a name="vnota1"&gt; &lt;!--(marca de volta)--&gt;&lt;/a&gt;&lt;sup&gt;[&lt;a href="http://bvgf.fgf.org.br/portugues/obra/opusculos/tumulos_afro.htm#nota1"&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/sup&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/center&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PREFÁCIO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Era natural que percorrendo, como percorri, de 1951 a 1952, grande parte do Ultramar Português, atravessando, para atingi-lo no Oriente e na África, outras áreas tropicais ou quase tropicais - o Egito, a Arábia Saudita, o Paquistão, a União Indiana, o Senegal, as Rodésias, a África do Sul, a Libéria, o Congo Belga, que fiquei também conhecendo de perto - minhas observações de paisagens e populações, de costumes e estilos de vida, nesses países e nessas áreas, se processassem dentro da hipótese de trabalho que levantei no início da mesma viagem de estudo, em conferência proferida no Instituto de Goa. Essa hipótese de trabalho, eu a confirmaria - como critério de interpretação de um complexo binacional à base da evidência de constituírem o Brasil e os vários Portugais uma área de cultura em grande parte condicionada pela sua ecologia tropical - em conferência lida na Universidade de Coimbra - "Em tôrno de um novo conceito de tropicalismo" - após aquela longa, e para mim, proveitosa viagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; No trabalho que se segue, recordo algumas das observações diretas de paisagens e populações luso-orientais e luso-africanas, que me levaram a sugerir a caracterização do mesmo complexo como complexo binacional de civilização, para o qual sugeri a denominação, inevitàvelmente pedante, de luso-tropical; e que - mais do que isto - me parece constituir base ou motivo para possível subciência. Subciência que, dentro de uma possível Tropicologia, geral, se denominasse Luso-tropicologia, tendo por ciência intermediária, uma também possível e até necessária Hispano-tropicologia. É uma sugestão, esta, que vem merecendo o apoio de antropólogos, sociólogos e ecologistas da Europa e dos Estados Unidos; e também do Brasil. Recentemente teve a aprovação de cientistas sociais de Oxford, Paris, Londres, Holanda, Bélgica, Itália, Portugal, Estados Unidos, assim como da África e do Oriente, reunidos na Europa em conclave de caráter estritamente científico, em tôrno de problemas de pluralismo étnico e cultural, sob os auspícios do Instituto Internacional de Civilizações Diferentes, com sede em Bruxelas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A documentação fotográfica que recolhi no Oriente e na África - e parte da qual acompanha o texto do trabalho que se segue e é nele publicada com o maximo possivel de nitidez, graças ao Professor Pinto de Aguiar - recolhi-a dentro da preocupação de reunir material de valor comparativo para estudos do comportamento e da cultura dos vários grupos ou das diversas sociedades que, no Oriente, na África, na América, parecem constituir hoje o sugerido complexo luso-tropical; ou seja, uma comunidade luso-tropical caracterizada por um quase sistema de relações simbióticas de grupos étnico-culturais uns com os outros e de todos com o ambiente ou o meio tropical. Daí fotografias - que constam daquele material de viagem de estudo e algumas das quais são agora publicadas - sôbre os diferentes estilos que caracterizam o uso do pano à cabeça por mulheres do povo num arquipélago-síntese, como Cabo Verde: estilos que devem ser comparados com os ainda em uso no Brasil. Fotografias - nem sempre tècnicamente boas - do trajo de mulheres, cristãs ou não, da Índia que parecem ter tido influência sôbre o trajo de mulheres do povo de alta categoria em áreas luso-africanas como Moçambique e o Brasil; de tipos castiçamente indianos de palanquins dos quais se derivaram os brasileiros com suas variantes; do interior de tempos hindus, que visitei, e que me impressionaram como tendo talvez provocado nos Católicos o desejo de fazerem o interior de suas igrejas rivalizar com o desses templos - e superá-los - em fausto e pompa; de tipos de africanos em fase de assimilação do estado "primitivo" ao "civilizado", luso-tropical, africanos em transição cujos trajos talvez possam ser utilizados por continuadores do meu amigo Flávio de Carvalho, como sugestões para experimentos em tôrno do vestuario idealmente ecológico para o homem civilizado nos trópicos: vestuario que o Brasil está quase na obrigação de ser o primeiro povo a inventar, através de combinações inteligentes de estilos mestiços de indumentaria já desenvolvidos em areas de civilização luso-tropical. A tais fotografias acrescentei, na minha colheita de material antropologico durante aquela longa viagem de estudo, aquelas que me parecem ilustrar o modo por que portuguêses de hoje procuram dominar, pela técnica, desertos tropicais como o de Angola, servindo-se, em alguns casos, de experiência ou de experimentos brasileiros; e noutros, realizando obra pioneira de que os técnicos brasileiros precisam de inteirar-se. De qualquer modo, realizando obra caracterìsticamente luso-tropical pelo que continuam a juntar de lusitano a paisagens e culturas tropicais; pelo que continuam a conservar e desenvolver, dos nativos dos tropicos, de artes tanto das chamadas maiores como das denominadas menores, sob o aspecto de artes simbiòticamente lusotropicais. Dessas fotografias várias serão publicadas noutro trabalho, por se referiram menos a uma arte especifica, como é a do tumulo, que a experimentos de caráter não só artístico como científico que se vêm realizando naquelas áreas de civilização luto-tropical.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Êste aspecto de assunto tão complexo como é o conjunto que forma uma civilisação luso-tropical - a arte luso-tropical - foi aliás o tema de todo um curso em que, servindo-me através de projeções de documentário fotográfico quase de todo inédito, procurei considerar problemas de "Sociologia da Arte aplicada a situações luso-tropicais". Êsse curso realizou-se na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, no mês de outubro de 1957, por iniciativa do seu ilustre diretor, naquela época o Professor João Alfredo, com o apoio do então Magnífico Reitor Joaquim Amazonas, que presidiu a sua inauguração. Foi um curso em que se inscreveram 150 estudantes e foi por êles e por numerosos ouvintes seguido com o maior interêsse: interêsse provocado pelo tema. A êsse curso se seguiram novas conferências sôbre o assunto, estas proferidas na Escola de Teatro da Universidade da Bahia, em 1958, por iniciativa do seu Magnífico Reitor, o Professor Edgar Santos, e com a valiosa colaboração do diretor da mesma Escola, o Professor Martim Gonçalves; e também uma serie de conferências, igualmente ilustradas, proferidas no Museu de Arte de São Paulo, a primeira das quais presidida pelo Deputado Horacio Lafer que encareceu a coveniencia de ser a matéria versada pelo conferencista conhecida por um publico maior.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Daí outra iniciativa do Reitor Edgar Santos: a de publicar a Universidade da Bahia grande parte do material fotográfico e algumas das notas que venho reunindo sôbre temas luso-tropicais, do ponto de vista da Sociologia da Arte em particular, e da Antropologia ou da Sociologia Cultural, em geral - as que se referem aos túmulos afro-cristãos de Moçamedes - como edição da Imprensa Universitária da mesma Universidade da Bahia. Devo salientar que algumas das notas que se seguem foram lidas e algumas das fotografias, que as acompanham, exibidas, em conferências proferidas pelo autor no Instituto Joaquim Nabuco de Ciências Sociais, depois de terem sido objeto de pequena comunicação de caráter antropológico, em inglês, também acompanhada de ilustrações, sôbre túmulos afro-cristãos de Moçamedes, ao Professor Evans-Pritchard, o sábio catedrático de Antropologia da Universidade de Oxford, quando tive a honra de ser recebido por êle e pelos seus principais colaboradores, no Departamento de Antropologia da mesma Universidade, em maior de 1956. Outras notas e fotografias sôbre temas luso-tropicais da arte serão publicadas pelo Museu de Arte de São Paulo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; É claro que à observação de tais aspectos do comportamento português no Oriente e na África - os de interesse artistico - juntei o afã de procurar surpreender o modo lusitano de proceder com relação a orientais e africanos cristianizados e não-cristianizados. E creio ter encontrado confirmação para a sugestão de que é um modo de proceder sociòlogicamente mais cristocêntrico que etnocêntrico, em contraste, por exemplo, com o dos Protestantes holandeses, neste particular influenciados pela Igreja Holandesa Reformada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sto. Antônio de Apipucos (Recife), 1959.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;p align="center"&gt;EM TÔRNO DE ALGUNS TÚMULOS AFRO-CRISTÃOS DE UMA ÁREA AFRICANA&lt;/p&gt;  &lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Um dos elementos que concorreram para a transculturação, de valores brasileiros em áreas ou entre populações africanas, através de agentes que do Brasil regressaram à África ou ainda aí se transferiam foi o colono português ou o brasileiro branco, proprietário de escravos no Brasil, ao deslocar-se do Basmera a África juntamente com êsses escravos - além de móveis de jacarandá, vasilhas de barro, rêdes do Ceará, balaios e cestas de feitio ameríndio, mudas de plantas, papagaios; ou apenas com idéias ou noções ou métodos, adquiridos na América Portuguêsa, de lidar com escravos, alojá-los em senzalas complementares de casas-grandes, alimentá-los, vesti-los, iniciá-los em capelas particulares ou em oratórios das mesmas casas, mas práticas, e ritos luso-Católicos, fazê-los trabalhar em lavouras tropicais, com objetivos europeus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Houve vários casos dessa espécie - de transferência às vêzes como que global de colonos estabelecidos no Brasil para a África - entre os quais casos de brasileiros, filhos de portuguêses, e portuguêses casados com brasileiras de famílias antigas e de velhos habitos patriarcais-rurais ou patriarcais-agrários. Alguns dêsses portuguêses e brasileiros transferiram-se na primeira metade do século XIX de Pernambuco para Moçamedes. Aí se encontram em cemitério aristocrático, túmulos de estilo convencionalmente luso-Católico, de vários brasileiros, alguns de famílias fidalgamente rurais; e são vários os descendentes dêles, na população atual de Moçamedes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ainda hoje se encontram, também, nas "hortas" ou fazendas pequenas ou médias de descendentes de "brasileiros" naquela parte da Angola fortes traços de influência brasileira, não só sôbre a paisagem ou a vegetação africana - abrasileirada pela presença da mandioca, do tabaco, do cajueiro - como sôbre os estilos luso-africanos de vida, de economia e de comportamento. Inclusive o comportamento de serviçais africanos, alguns dêles continuadores de escravos africanos ou de descendentes de africanos que, ou acompanharam seus senhores na aventura de deixar o Brasil pela África, em face de surtos brasileiros de anti-lusismo; ou foram influenciados pelos métodos brasileiros de assimilação dos escravos a uma terceira cultura, nem européia nem ameríndia, porém luso-brasileira, com possibilidades de generalizar-se fàcilmente naquela cultura geral que venho denominando luso-tropical.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A generalização de cultura luso-brasileira em cultura luso-tropical ocorreu, com alguma freqüência, através de regressos quer involuntários - de escravos que acompanharam senhores do feitio dos que se estabeleceram em Moçamedes, em suas transferências do Brasil para outras áreas de colonização portuguêsa ou européia - quer voluntários: de ex-escravos ou de descendentes de escravos que se deslocaram do Brasil para essas outras áreas, maternalmente africanas, conservando-se, porém, com certo brio étnico-cultural, "brasileiros"; e não se deixando reintegrar de todo nas culturas ou sociedades maternas da África.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A situação dos descendentes dêsses "brasileiros" é assunto não apenas para pequeno ensaio, mas para obra extensa, longa e sistemática, em que se considere e estude o assunto nos seus vários aspectos socioculturais e psicossociais ou psicoculturais. Assunto complexo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; O que se poderá fazer, sob o critério de existir hoje uma cultura luso-tropical, particularmente favorável a subgrupos como os formados por tais "brasileiros" e por luso-indianos na África. São subgrupos que, fora dessa cultura - a luso-tropical - tendem a sentir-se mais ou menos desajustados ou "marginais", embora alguns individuos, membros dêsses subgrupos, tenham se tornado notáveis - mesmo como marginais - em subsistemas anglo-africanos e franco-africanos de cultura, depois de terem estudado - vários dêsses individuos - na própria Europa francesa ou inglêsa. A verdade, porém, é que raramente parecem desprender-se de todo de sua condição de luso-tropicais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Em viagens de observação pela África, em 1951 e em 1952, procurei surpreender, com particular atenção, nas várias regiões que tive o gôsto de visitar, traços da presença dêsses "brasileiros". Os sinais de influência brasileira na paisagem, na economia, na cultura - cultura no sentido antropológico ou sociológico - de sociedades ou de áreas africanas, nem tôdas elas atualmente sob bandeira portuguêsa são por vezes evidentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="texto"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Surpreendi vários dêsses traços, alargando assim o conhecimento de assunto há tempo entrevisto ou contemplado como tema ideal para uma pesquisa intensa e extensa. Na mesma época - 1951 - versei-o em nota prévia destinada ao grande público e publicada com excelentes fotografias de um companheiro francês de estudos afro-brasileiros, M. Pierre Verger, na revista &lt;i&gt;O Cruzeiro&lt;/i&gt;, do Rio de Janeiro: notas que, ampliadas, constam da
