sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Districto de Mossamedes, Moçâmedes, Namibe, Angola: 1892





 
Carta de Angola de 1892 com a delimitação dos quatro distritos: Congo, Luanda, Benguela e Mossâmedes




O Districto de Mossamedes acha-se comprehendido entre os parallelos 13.0, 50' e 17.0, 25' de longitude austral. Confina ao norte com o districto de Benguella, a oeste com o Oceano atlântico, ao sul com as possessões allemáes, das quaes é separado pela porção do rio Kunene, cujo rumo segue na direcção les-oeste desde a Hinga até á foz e a leste estende-se até os limites ainda não difinidos da provinda de Angola.

A parte explorada do districto, a que é habitada pela raça branca, e por isso desperta o interesse descriptivo, abrange uma vasta extensão de território, que se prolonga na linha norte-sul desde o parallelo que passa pelo cabo de Santa Martha ao curso inferior do Kunene e na Unha les-oeste desde a costa maritima ao curso ascendente do mesmo rio até o Lucéke. E esta a zona que pelas suas benéficas condições de clima e riqueza geológica tem sido percorrida, habitada e colonisada pela raça europêa, e a unica que sob o ponto de vista da adaptação da raça branca merece ser conhecida.
O districto de Mossamedes divide-se em duas zonas bem distinctas: uma, que se prolonga de norte a sul com a costa marítima, é baixa, secca e arenosa; e outra, que se segue d esta e d'ella se separa pela cordilheira da Chella (Tyela), abrange toda a vasta bacia do Kunene, é alta, chuvosa e ricamente arborisada; constitue o plan'alto proveitosamente explorado pela raça branca, mercê da benignidade do clima e abundância de elementos de riqueza agrícola e commercial.

A estas duas zonas tão nitidamente separadas pelos seus caracteres geológicos correspondem modalidades climatéricas, que imprimem profundas modificações no modo de ser, nas cousas e nas pessoas.

Zona  baixa. Prolonga-se para o interior na extensão de 100 kilometros aproximadamente até os contrafortes da Chella e alarga gradualmente para o sul até o valle inferior do Kunene constituindo um vasto deserto arenoso. Esta zona eleva-se para o interior por modo insensível attingindo a altitude media de 500 metros nas proximidades da cordilheira da Chella. Distinguem-se n'ella duas fachas de terrenos, que correm com caracteres nitidos no sentido les-oeste: a primeira, litoral, formada por extensa planície de areia solta com alterações de relevo em dunas e ravinas, onde as chuvas são raras e de pouca duração; a segunda, interior, prolongando-se com a Chella, pedregosa, com vegetação que augmenta á maneira que se aproxima do planalto e que marca o limite das aguas permanentes que correm da zona alta.

Os terrenos que formam a zona baixa pertencem pelos seus caracteres geológicos á formação terciária. Encontram-se n'elles grande numero de géneros de conchas e algumas variedades de grés calcarifero com moldes de bivalvas e rochas formadas por uma aglomeração de conchas ligadas entre si por um cimento calcareo. Em muitos logares afastados da costa marítima e em altitudes superiores a 100 e 200 metros encontram-se calhaus rolados de calcareo silicioso e textura porphirica, que demonstram que esta zona em épocas remotas constituía um fundo do mar, que lentamente se foi elevando do seio do oceano. 

A rede fluvial da zona baixa comprehende os valles de S. Nicolau, Giraul (Dyraul), Bero e Koroká, cujos rios na maior parte do anno estão seccos; apenas levam agua durante alguns dias na estação pluvial, quando as chuvas torrenciaes do plan'alto, depois de encherem os afílu entes do Kunene, se despenham eminnumeras cataractas pela Chella abaixo. E' então que enormes massas de nuvens condensadas sobre? a região alta e açoutadas pelo impetuoso vento sueste são arrastadas para a zona baixa do valle de Kapangombe, onde se desfazem em catadupas, que conduzidas por milhares de regatos e ravinas formam enormes massas d'agua, que correm em rápidas e perigosas enchurradas, que enchem e alagam os terrenos marginaes dos valles por espaço de dias e mesmo horas.

Na facha arborisada de Kapangombe, liraitrophe da Chella, as aguas permanecem por alguns mezes por causa da dureza do terreno e por serem os rios na sua primeira porção alimentados pelo excesso das aguas do plan'alto. Na facha arenosa do litoral ellas desapparecem em pouco tempo por infiltração nas areias dos leitos dos rios. D estes o que conserva por mais tempo maior volume d'agua é o Bero, que ferti-lisa os terrenos de Mossamedes. Este rio é o primeiro a conduzir as aguas pluviaes da região alta e o que as conserva por maior espaço de tempo. Resulta esta circurastancia de ser o seu curso entre a Chella e o litoral mais curto e directo, formado em grande extensão por um leito de pedras e principalmente por ter a sua principal origem no plan'alto por intermédio de um a nascente que deriva para elleum grande volume de aguas colhidas na bacia do Jau(Dyau), durante a primeira parte da estação chuvosa do plan alto, de outubro a dezembro, quando ainda não teem cahido as primeiras chuvas na zona baixa; em quanto que os rios de S. Nicolau e Koroka são alimentados pelas chuvas que cahem sobre as vertentes occidentaes da Chella, o que só tem logar na quadra das grandes chuvas da zona alta, de janeiro a abril.

É de notar-se que o regimen pluvial d'esta zona difere considerável mente do da zona alta. N'esta apparecem as primeiras chuvas em setembro e prolongam-se até dezembro, formando a primeira parte da estação chuvosa, chamada das pequenas chuvas. N'esta quadra, dominando os ventos moderados do nordeste, as nuvens formadas por condensação no plan'alto descarregam sobre elle não chegando á zona baixa. Apenas de janeiro a maio, que comprehcnde a quadra das chuvas torrenciaes e dos ventos impetuosos do quadrante do sueste, e que as chuvas attingem a zona baixa e chegam á facha arenosa do litoral produzindo innundações passageiras, que ainda assim são o único recurso para a fertilidade dos terrenos agricultados nas proximidades de Mossamedes, taes são: as hortas do valle do Bero e Cavalleiros e as fazendas agrícolas exploradas nos valles do Giraul, Koroka e S. Nicolau. Lançado no mar o excesso das enchurradas, fica no solo do leito dos rios uma certa humidade que se conserva por espaço de um e dois inezes e um deposito de detritos orgânicos, que constitue um rico adubo aproveitado pelos agricultores que sobre elle fazem as suas plantações em pleno leito dos rios.

Estas fazendas produzem variadas espécies de cultura, taes como: algodão, cana saccharina, cereaes, legumes, hortaliças e arvores fructiferas. Empregam no arroteamento dos seus terrenos, 29 maachinas a vapor e possuem 32 engenhos de moer cana, e outros tantos alambiques para a distillaçáo da aguardente.

Pela disposição natural da zona alta, a sua maior altura corresponde á cordilheira da Chella e d'ahi para o interior desce suavemente para o sul e leste, do que resulta que a maior parte das aguas pluviaes correm ao Kunene; deriva para a zona baixa uma pequena porção, que na quadra das grandes chuvas cae sobre as vertentes occidentaes da cordilheira, fertilisando os terrenos do valle de Kapangombe.

Sobre a facha arenosa do litoral de Mossamedes chove muito pouco, duas ou três vezes por anno. Na facha cultivada em frente á Chella chove durante dois a três mezes, emquanto que na zona alta a estação chuvosa com prebende seis mezes no anno.

Convém observar que tem havido profundas modificações no regimen pluvial da zona baixa, cujas causas são pouco conhecidas. Em épocas remotas chovia regularmente todos os annos em quantidade bastante para encher os leitos dos rios. Os antigos agricultores estabelecidos no valle de Kapangombe e Biballa e os primeiros colonisadores de Mossamedes faliam com saudade dos primeiros annos da sua installação n'este districto, annos de chuvas abundantes e regulares; d'então para cá ellas teem diminuído progressivamente a ponto de passarem períodos de quatro e cinco annos sem cahir uma gotta de agua.

Quando pela infiltração e evaporação desapparece a humidade no leito dos rios e bem assim durante os annos de estiagem, em que as aguas por successivas infiltrações nas areias não chegam a humedecer os terrenos cultivados, recorrem os agricultores á irrigação com agua extrahida de poços praticados a profundidade de 5 a 15 metros. Na villa de Mossamedes todas as casas teem poços, que fornecem agua necessária para os usos ordinários. Esta agua é de má qualidade, pesada, salitrosa, produzindo perturbações digestivas. A existência de uma toalha liquida subterrânea na zona baixa, cujo nivel se mantém constante apezar das vicissi- tudes do regimen pluvial, é um facto incontestável, que nos leva a suppor que cila mantém estreitas relações com a bacia fluvial do plan'alto, que a alimenta como uma parte importante das suas aguas por infiltração atravez de ca- madas porosas, que seguindo as vertentes da Chella se pro- longam e continuam com o sub-solo da zona baixa. E de importância capital para o desenvolvimento das fazendas agricolasdo valle de Kapangomb e investigar com apparelhos próprios e aproveitar por meio de poços artesianos este filão de agua, que todas as razões induzem a crer que tenha a sua origem no plan'alto, cuja altitude media sobre o valle de Kapangombe é de 1600 metros. A agricultura n'esta zona, que foi o principal elemento de prosperidade e riqueza nos tempos áureos do districto, acha-se actualmente em estado de lastimosa decadência por falta de aguas que irriguem os seus fertilissimos terrenos. Os annos de secca succedem-se uns apóz outros com insistência esmagadora espalhando o desanimo por toda esta riquíssima região, cujos agricultores vão rareando, ceifa- dos uns pela morte, e outros obrigados por falta de recur- sos a abandonar a.s suas propriedades, fructo de longos annos de trabalhos. Os mais favorecidos, que ainda assim mantem as suas fazendas a troco de penosos sacrifícios, são os que se estabeleceram nas vertentes da Chella, onde aproveitam as primeiras aguas de pequenos regatos per- manentes, que descem do plan alto e formam as origens dos rios da zona baixa.

E' de urgente e inadiável necessidade proceder a estes estudos, pois que o bom êxito dos poços artesianos é im- portante medida de salvação para em breve espaço de tempo elevar ao primitivo apogeu a agricultura em Mossamedes, única fonte de riqueza da população branca do districto, que se acha abatida e depauperada nos seus re- cursos por tão longa estiagem sem esperança de melhores tempos. O primeiro ensaio a fazer-se deve naturalmente incidir na zona de Kapangombe por estar mais próxima da Chella e oíferecer por isso maiores probabilidades de bom êxito. Se d'esta tentativa sortir o desejado efeito, fácil será por suceessivas investigações animadoras estabelecer um systema de poços artesianos, que colloque a zona agricultada ao abrigo das vicissitudes de um regimen fluvial inconstante, o que concorrerá para desenvolver as propriedades existentes com valiosas culturas, crear novos centros de producção agrícola e animar os proprietários a converter os seus capitães em produetiyas fontes de receita. Esta falta d'agua torna-se sobremodo sensivel na facha de terreno sobre que assenta a estrada que parte de Mossamedes para o plan'alto, passando pelos sitios denominados: Pedra Grande, Pedra do Major, Providencia, Moninho e Kapangombe. Esta estrada é percorrida pelos vagons loers que fazem o transporte das mercadorias e productos agrícolas entre o plan'alto e o litoral, e vice versa; pelos viajantes, car- regadores e manadas de gado para consumo e exportação. Nos annos ordinários, em que não chove, não se encontra uma gotta d'agua nem pasto na maior extensão d'esta facha desde o valle do Giraul até o Moninho, do que resulta morrer á sede e á fome grande numero de bois que pucham os carros e dos que são enviados do plan'alto para exportação e consumo. Cada vagou é conduzido por 20 a 30 bois, dos quaes um terço e ás vezes metade succumbe por falta d'agua — 20 — durante os 10 ou 12 dias de viagem ftitigante por este deserto arenoso, atravez do qual os pesados veliiculos carregados com 100 a 150 arrobas de carga são penosa- mente arrastados pelos pobres bois famintos e sequiosos por entre densas nuvens de suffocante poeira. Está calculado que morrem annual mente n'este deserto 400 a 600 bois, o que representa iim enorme prejuízo para os seus proprietários, que para compensar tão grave dam- no elevam cada vez mais o preço do transporte. Basta saber-se que o preço do transporte de uma arroba de carga do litoral para o plan'alto importava, ha três annos, em I$000 réis e actualmente com a persistência das seccas e mortalidade no gado elevo u-se a 2$200 réis. Independente da perda material do boi, ha a accrescen- tar a perda da somma de trabalho que o boer dispende para amansa-lo e sujeita-lo ao serviço da canga. O boi bravo comprado nos centros productores dos Gam- bos e Humbe importa em 10 ou 15 mil réis e depois de amansado e ensinado vale 25 a 30. Calcule-se do desanimo que lavra entre os boers e portuguezes que vivem do aluguer dos seus carros para o transporte das mercadorias, sabendo-se que durante a estiagem rara é a viagem, em que não fiquem orlando a estrada os cadáveres de um terço ou metade dos seus bois a servir de festim ás hienas e lobos que infestam estas paragens. Para de algum modo atenuar tamanho prejuízo, que ameaça aniquilar a exportação de gado por via de Mossa- medes, pelo excessivo preço a que chegou, e que fere de morte os interesses commerciaes e agrícolas do plan'alto pela exhorbitante carestia e difficuldades de transporte, ordenou o governo o aproveitamento de uns tanques na- turaes cavados em uma grande rocha no sitio da Pedra Grande, a dois dias de viagem de Mossamedes, mandando construir uns paredões que conduzem para elles toda a agua das chuvas que cae sobre a enorme pedra que dá o nomc! a este sitio.

Existe n'este ponto uma casa do governo que serve de pousada aos via.jantes, um curral para abrigo do gado e algumas cubatas, em que residem os soldados do destaca- mento. Os tanques cavados na rocha são quatro e tem bastante capacidade. Quando sobre a rocha caem chuvas torrenciaes, os tanques enchem-se d'agaa, que se conserva por bastante tempo. E' d'esta agua que bebem os viajantes e o gado. Quando ella diminue e seguem-se annos de estiagem o governo só permitte que se tire a porção indispensável para uso dos viajantes, prohibindo que seja dada ao gado e para cumprimento d'estas ordens e vigilância dos poços tem ali um destacamento militar. O que fica dito para a Pedra Grande applica-se ao ponto denominado — Pedra da Providencia, com a diferença de não haver casa para viajantes nem destacamento militar. Encontra-se agua em cavidades das rochas e poças, quando chove; fora d'estas ccmdições anormaes a monotonia do terreno prolonga-se em desesperadora aridez até ao valle do Moninho, em cujas fazendas se encontra agua em cacimbas, que servem para a rega dos terrenos de cultura. A vegetação n'esta facha é rachitica, compõe-se da welvitchla miníbilis, falso cedro, algumas euphorbiaceas, espi- nheiros e acácias, que vegetam nos valles, ravinas e leitos dos rios seccos. Xa faciía de terrenos arborisados, que correra paralle- los aos contrafortes da Chella, a agua existe com abundan- dancia durante a estação das chuvas; nas épocas de estiagem não chega a irrigar a vasta área de terrenos cultivados. O districto de Mossamedes abrange uma arca de 176:250 kilometros quadrados, duas vezes a superficie de Portugal. Divide-se em sete concelhos, dois na zona baixa, que são: os de Mossamedes e Kapangombe, e cinco no planalto: os da Humpata, Lubango, Huilla, Gambos o Humbe, dos quaes os três primeiros formam a área de coloiiisação europêa, que explora os seus férteis terrenos; e os dois últimos, que pelas suas condições de clima nào se prestam á adaptação da raça branca, formam a área de exploração commercial com os indígenas e são os centros de permutação do gado bovino, cuja creação constíitue a principal occupação das raças indígenas, que povoam a riquissima zona do sul do planalto.
Continua...



FONTE "O Districto de Mossâmedes, J. Pereira do Nascimento, 1892


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Vimos já que podemos considerar o Sul d'Angola dividido em quatro zonas orographicas, a cada uma das quaes corresponde um systema hidrographico. Indiquemos a traços largos, embora, o que se encontra mais saliente e característico em cada uma delias.

Zona do litoral

Na vertente do Atlântico, ou zona baixa do litoral, a rede fluvial é constituída por um certo numero de linhas d'agua que, originarias nas faldas ou contrafortes da serra da Chella, seguem para oeste e a curta distancia da costa inflectem o seu curso sensivelmente para noroeste, devido talvez á constituição e movimentos do terreno, dunas d'areia movediças em geral, açoitados pelo vento sudoeste. Todos elles são de corrente periódica ou curso intermitente, correndo permanentemente a agua apenas até alguns kilometros das suas origens, na quadra secca, até onde a evaporação ou a infiltração de terrenos permitte conserval-a, emquanto no restante curso até ao mar estão seccos, pelo menos á superfície, se bem que alguns conservem grossa toalha liquida sob as areias ou terrenos permiaveis.

Na quadra pluviosa, ou seja devido ás chuvas do planalto ou á natureza do terreno e formações da base da serra, os numerosos afluentes, ravinas e depressões enchem a trasbordar e, lançando-se nos rios. produzem enchentes rápidas e perigosas, alagam os terrenos marginaes, levando a enchurrada até ao mar. Terminadas as chuvas ou passada a trovoada, as aguas baixam e ficam reduzidas a pequenas correntes superficiaes, para em breve, prolongando-se a estiagem, seccarem de todo. E os arroios ou regatos formados do excedente das aguas da infiltração do planalto, delle descem em cascatas, sómem-se a alguns kilometros depois de entrarem na zona arenosa, ou depois de lhe faltar o terreno rochoso e impermiavel. Devemos notar que o regimen das chuvas tem aqui grande influencia na conservação das aguas destes rios. Emquanto na vertente oriental da Chella começa a chover em meados de setembro, alimentando logo as linhas de agua e as nascentes dalgumas que descem para occidente, na zona baixa só depois, de janeiro a maio, é que as nuvens formadas por fortes condensações na parte alta são impellidas pelo vento sueste para a zona litoral, provocando as chuvas que produzem algumas enchentes. O que parece, porem, não sofrer duvida é que o excedente das aguas do planalto se escoa por uma camada inferior para o litoral, atravez dos leitos desses rios e que, chegados á zona litoral, formam extenso lençol sub-arenoso. E é por isso que escavando alguns metros no litoral, ou até decimetros, nos rios, se encontra sempre agua. De todas essas linhas dagua as mais importantes e de curso independente, a começar pelo norte, são: o Carunjamba, Monaia-Cangando, S. Nicolau, Cuto ou Piambo, Giraul, Bero, Guroca e Tchiambala.

Carunjamba — O Carunjamba e o Monaia descem do nó montanhoso da Cavira na Chella e em rápido curso, declivoso e atravez de terrenos pedregosos, lança-se no mar, tendo agua apenas na epocha das chuvas.

S. Nicolau "...O S. Nicolau recebe todas as águas da vertente occidental da Chella desde o nó montanhoso da Cavira á portela da Quillemba pelos numerosos afluentes — Bentiaba, Cabia, Nongihue, Caniço, Mongonde e Maluco. Todos estes se conservam correntes duranle a maior parte do anno, seccando nalguns troços em Setembro, conservando, porem, agua todo o anno em represas naturaes ou escavações fundas das rochas. Depois da juncção destes afluentes o S. Nicolau conserva água permanente em numerosos pegos e fundões, quando não corre, o que nalgumas secções raras vezes deixa de acontecer. O curso deste rio e dos seus afluentes é declivoso e rápido, cheio de cascalho ou grandes pedras, enfragado e encaixado quasi sempre entre altas serranias. São hoje muito habitadas as margens dos seus afluentes no curso superior


 
Giraul— O Giraul recebe as aguas do ponto mais elevado da cordilheira da Chella, na sua ver- tente occidental, desde a Biballa ao Hokc, pelos S2US afluentes Munhino, Jimba, Sanla There:[a íLeba e Bruco), Bumbo (Banja) e Ovelundo. A' excepção do ultimo, estes rios descem mesmo do vértice da Chella e correm constantemente até á base da mesma serra, e nalguns annos até se lan- çarem e confundirem no Giraul. Entretanto em todo o seu percurso se encontra agua permanente retida em grandes escavações em rocha atulhadas de pedras e areias, ou correndo mesmo por sob estas. Nalguns sitios encontra-se sempre a descoberto, noutros em pequenas nascentes e em todo o seu leito se encontra agua á superfície, bastando escavar alguns decimetros para se descobrir, como Rio Nene até fazem os próprios animaes que vivem nas suas margens, — as cabras, antílopes, etc. Todo o seu curso é bastante declivoso e, serpentiando atravez de altos morros e em terrenos pedregosos, atulha o leito com grossos pedregulhos e areias. O Giraul é habitado junto da foz e em toda a sua bacia superior até alturas da «Nascente» onde actualmente vive muita gente. 
 
Bero. — O Bero recebe as aguas duma grande extensão da vertente oeste da Chella e ainda de uma grande parte do seu platcau. Estas derivam da Bata-Bata pelo Calombo, Bcmgolo e Cangalombe formando o Chacuto, do Jau e Onaheria pelo Quambambe e Munhere que formam o Tampa, e do Panguero pelo Tchipeio. Todos estes conservam corrente permanente até alcançarem o sopé da serra, depois de se terem despenhado pela vertente. Alem destes, outros afluentes de cursos periódicos, torrenciaes com as grandes trovoadas, formam o Bero, taes como o Hoke e Elephanlc que originam o Saiona e se lança nelle apenas no seu terço inferior. O Cambunga, Metaca, e outros que, seguindo para norte até se unirem ao Tampa, desviam depois para noroeste. O curso deste em tudo similhante ao Giraul e S. Nicolau, é de todos os da zona do litoral aquelle que conserva maior volume d'aguas correntes e estas se 14 manifestam até mais próximo do mar. E isso é devido não só ao facto do seu curso ser também o mais directo entre a serra e o litoral e á grande quantidade de aguas que constantemente recebe do planalto, mas ainda á natureza dos terrenos em que abre o seu leito, o qual, sendo rochoso e duro, está atulhado de pedras e areias, não permit- tindo a infiltração nem facilitando a evaporação. No terço inferior, porem, alastra sob extensa camada arenosa, formando lençol, até ao litoral da vasta bahia de Mossamedes e a agua, a não ser nas enchentes, só pode descobrir-se cavando na areia. O Bero é habitado no seu curso inferior junto aos Cavalleiros, e em todas as margens dos seus afluentes no curso superior até á confluência do Saiona, sendo nalguns pontos muito densa a população como em Bata-Bata, Ongheria e Tchipeio. 
 
 Curoca. — O Curoca, rio torrencial, intermitente e impetuoso nas cheias, tem as suas origens também no alto da Chella e é de todos o que offerece maior percurso. Recebendo as aguas dos terrenos dentre as duas cumeadas da Chella, que se separam a sul de Vana-Velombe, por vá- rios afluentes de curso quasi constante, dirije-se abertamente para oeste e depois de entroncar com a Damba dos Car- neiros, a uns 5 o kilometros do mar, inflecte para no-nor oeste até Passagem do Cunene na Hinga que, recebendo Outras dambas nas alturas de S. Bento, corta directamente para o Atlântico, formando a bahia de Pinda. No seu curso inferior apresenta o leito uma largura média de 5o a 6o metros por 3 de profundidade. Os afluentes principaes que canalisam as aguas do plateau, são: o Taca prove- niente do Panguero, o Mahipanjôo que vem do Pocólo, o Evero e Tiipembe, que se- guindo todos para sul se vão lançando no Otchinjau que vem de leste, e, depois de se precipitarem na Ompupa, formam o Curoca. Este recebe ainda um outro afluente de importância na quadra das chuvas e originário da Chella, o Luaia, e algumas dambas e córregos que canalizam as aguas torrenciaes nas epochas das grandes trovoadas. O Curoca é habitado no curso inferior e em todos os seus afluentes da bacia superior até á Ompupa e com grande densidade, especialmente no Panguero e Pocolo. Vertente interior da Ciíeiia Cunene. — A região interior e a leste da Chella e contigua á mesma constitue, como já vimos, a bacia hidrographica do Cunene, cujas aguas recolhe por numerosos afluentes convergindo nas duas margens. 
 
O rio Cunene, o maior de toda a região oriental de Angola do Sul, nasce no montanhoso nó do Cahululo (Jamba) no Huambo, districto de Benguella, e segue para sul com varias inflexões ora a sueste ora a sudoeste, entrando com esse rumo no dis- tricto de Huilla; depois de receber o Caculovar, inflete um pouco para su-sudoeste até formar as primeiras cataratas ao attingir os primeiros braços da serra da Chella. Correndo depois para oeste, despenha-se atravez de cachoeiras, rápidos e outras cas- catas, curvando para noroeste, e, depois de ter transposto por completo a Chella, segue para oeste até se lançar no Atlântico. i5 Todas as aguas da vertente interior da Chella até ás suas origens são suas tribu- tarias; na esquerda a sua bacia é limitada pela cumeada da serra do Sambo á Ntata que a separa do Cubango até ás origens do Cuveiay na serra Encoge e dalli para o sul as serras Cassinga, Capella e a linha de alturas em que se prolongam para sudeste e a separam da bacia deste ultimo rio, não recebendo depois mais afluente algum na margem esquerda, antes elle cede agua na época das grandes cheias por varias mulolas e chanas que vão unir-se ás formadas com as provenientes do Cuveiay no Etocha. O leito do Cunene na sua parte superior até entrar no districto da Huilla é alter- nadamente de pedra e arenoso, apresentando varias quedas e rápidos. Depois da foz do Quê é quasi sempre arenoso, apresentando no entanto muitos afloramentos rochosos até ao Quissuco, formando vários rápidos e cachoeiras, os quaes se repetem ainda umas tres vezes até quatro horas a montante do forte do Mulondo e uma a jusante do Quiteve, mas em que a pedra só attinge metade do leito ficando a Barco de casca d'arvore — Cunene no Quissuco outra livre; mais tarde tornam a apparecer, mais abundantes e compactas, em grandes desniveis, a tres horas para sul da Dongoena, formando as cachoeiras do lacavalle, os rápidos de Nanguari, varias cascatas e a catarata Ruacaná ou Kambelle pelas quaes as aguas se despenham. Para jusante o leito é quasi sempre em rocha com pequenos tra- tos cobertos de areia, forma vários rápidos e cachoeiras, até que, despenhando-se nas quedas Montenegro, entra novamente em leito arenoso e cheio de grandes blocos de ro- chas soltas para no curso inferior e já perto do mar quasi se sumir nas areias. As suas margens são altas e aprumadas nos troços em que o leito é pedragoso; são baixas e planas, nas partes de fundo arenoso. Depois de entrar no districto, as margens são alagadiças, formando estreitas chanas, alternando com terrenos em declive e ondulados até ao Mulondo. Deste ponto ao Quiteve a margem direita é elevada, quasi sempre a prumo sobre o rio, emquanto a esquerda é quasi sempre plana e alagada. Para jusante deste ultimo ponto dá- se o inverso, sendo a margem esquerda elevada, apenas com pequenas chanas de onde em onde, emquanto na direita se en- contram as maiores planuras. Para jusante da Dangoena as duas margens são sempre elevadas, nalguns pontos encaixadas entre serras, e somente a uns i oo kilometros da foz ellas abaixam e alargam, cobrindo-se de areias e tornando-se mal definidas. O desnível no curso superior, isto é, até entrar no districto é de 400 e tantos metros, e a corrente é rápida, á excepção de alguns fundões onde estagna. No curso médio o desnível é insignilicante, de 260 metros entre o Capelongo e lacavalle (Dongoena) e a corrente fraca, pelo que é amplamente navegável no regimen d'aguas médio e máximo, a jusante dos rápidos de lacavalle até 3o kilometros a montante do Mulondo Passagem a nado de um carro atrellado — Cunene e sendo também susceptível de o ser, desde que se façam os melhoramentos projecta- dos até ao Quissuco (córte e limpeza de pedras), muito perto do Capelongo, num per- curso total superior a 820 kilometros. O curso superior e inferior não podem ser aproveitados para navegação. A largura é variável e, depois de entrar no districto de Huilla, conserva-se entre 70 e I I o metros. Tem varias ilhas no curso superior, algumas habitadas, entre Mulondo e Capelongo, bastante extensas, e de que a maior, a do Muholo, tem uns 2:3oo metros de comprimento por 1:200 na sua maior largura. Para jusante do Mulondo apparecem ainda algumas ilhas, mas todas pequenas, baixas, deshabitadas e cobertas de caniço. A profundidade varia bastante com as quadras e com os locaes, no entanto na época da estiagem nunca apresenta no seu curso navegável menos de o'", 7 de pro- fundidade. Na época das chuvas enche muito, trasborda, alagando os terrenos marginaes, attingindo nalgumas várzeas mais de 4 kilometros de largura ; e o nivel sobe a mais de 4 e 5 metros, mal deixando sobresahir as cristas das arvores das chanas e mattas marginaes. Quando a sua corrente recolhe ao leito normal, no meio das campinas ficam varias lagôas, algumas bastante extensas e fundas e de nivel inferior ao do leito do rio e com 17 o qual muitas communicam permanentemente por meio de canaes. Em vez de lagôas formam-se muitas vezes nuilolas que não são mais que compridas e fundas lagôas nas curvas do rio e com o qual ligam por pequenos canaes de fundo mais elevado, quando as aguas sobem, constituindo como que um encurtamento, ou falsos rios, em cul-de-sac, no mesmo sentido ou em sentido opposto, largos, profundos, de correntes alternadas ou aguas paradas, como de pequenas lagôas. As margens do Cunene são muito habitadas até ao Capelongo; daqui para sul a população concentra-se nas ilhas do Quissuco e na margem direita, do Mulondo á Dongoena, especialmente no Quiteve, Camba, Cafuntuca e Dongoena. Na margem esquerda da Cafuntuca até perto das cachoeiras de Nanguari. Quê. — Entre os afluentes do Cunene na margem direita, no território da Huilla, temos em primeiro logar o Qiié, limite sul do districto de Benguella. Ilhas do Quissuco — Rio Cunene O Que nasce no nó montanhoso do Cavira na serra da Chella, marcha directa- mente para su-sueste e, depois de receber vários afluentes na sua margem esquerda, provenientes da mesma serra, e de que os mais importantes são o Cassesse e o Caencué, vae lançar-se no Cunene, constituindo limite norte do districto. O seu volume daguas, grande na quadra pluviosa, baixa bastante na estiagem, havendo alguns pon- tos em que deixa de correr. No entanto nunca secca. E' todo povoado. O rio Sinde ou Calonga nasce na serra da Numpaca e, dirigindo-se para su-sudeste até á confluência do Quicungo, segue depois para leste até desaguar no Cunene. Não tem afluentes importantes, mas convergem nelle muitas mulolas. 2 i8 Embora o seu percurso seja relativamente pequeno, attinge grande volume de aguas na quadra das chuvas, dreinando toda a vasta região do Quipungo de difficil travessia nessa quadra. Corrente quasi todo o anno, na parte inferior conserva sempre depósitos de agua ou fundões permanentes no restante do seu percurso. O seu leito é fundo, bem definido, em pedra ou argila e de margens ligeiramente inclinadas, na maior parte planas e alagadiças e onde correm mulolas que entram ou sahem do seu leito. Algumas dessas mulolas ou linhas de agua suas tributarias conservam também Rio Cunene - A ilha Caheke no Quissuco depósitos ou pequenas lagoas permanentes, onde os habitantes se abastecem na quadra da estiagem. Toda a bacia é densamente povoada. Caculovar. — O Caculovar é o maior afluente do Cunene e, recolhendo na época pluviosa grande volume de aguas, da vertente interior da parte mais elevada da Chella, na quadra secca não lança uma gotta d'agua naquelle grande rio. Tendo as suas origens da Qiiilcmba ao Carueke, segue com varias inflexões para sudeste ao longo da diagonal da vertente interior da Chella, que se curva, rebai- xando-se ligeiramente para lhe formar o leito, seguindo assim a linha de maior declive até entrar no Cunene, duas léguas a sudeste do Humbe, no fim de 340 kilometros de percurso. O seu curso pode ser dividido em tres partes caracterisadas não só pela oro- graphia, numero e importância dos afluentes que recebe, mas ainda pela altitude e natureza dos terrenos que atravessa. No curso superior forma a bacia do Lubango, nos seus dois ramos originários, o Macufe e Mapunda, e as do Munhino e Huilla ou LupoUo, como seus afluentes na margem direita, e Mupaca e Capunda na margem esquerda. Tanto as cabeceiras do Caculovar como estes seus afluentes nascem dos altos morros da Chella ou dos seus contrafortes, em ásperos declives, com leitos fundos e estreitos e aguas correntes em todo o anno até alguns kilometros das nascentes e nalguns annos até se lançarem no Caculovar, o qual neste troço raros são também aquelles em que deixa de correr. Este 19 e os seus afluentes recebem outras linhas d'agua mais pequenas, por córregos e ravinas que entrelaçam os morros, colinas e outeiros de que está eriçada a região, canalisando as aguas pluviaes a trasbordar nos seus leitos, provocando as inundações e alagamentos dos terrenos marginaes, das suas pequenas veigas, — caracteristicas das grandes chuvas. O conjunto de toda esta rede Huvial forma o troço superior da bacia do Caculovar delimitado pelas curvas das serras Nampaca, Huilla, Pituaco, Chaungo e Lufinda, numa altitude de i:8oo a i:5oo metros, fértil, temperada e muito própria á fixação da raça branca. O seu leito é quasi sempre fundo e em rocha, areia ou argila, margens planas ou ligeiramente inclinadas, apenas no Bicange e Lufinda se apresentam muito ásperas, mas de tahveg sempre bem pronunciado, leito fundo e ribanceiras altas e aprumadas. Na épocha das chuvas attinge um volume extraordinário d'aguas, paralizando as com- municações durante algum tempo nos vários pontos de travessia, á excepção da Kihita onde se construiu uma ponte que dá passagem a carros de bois carregados, em todas as quadras. Na estiagem, pelo contrario, deixa sempre de correr, especialmente no curso inferior que secca por completo, emquanto na parte superior e média, e mesmo até ao Passagem do rio Sinde Chicusse, quando por acaso deixa de correr, conserva sempre bastos fundões ou poços onde a agua fica represada. No curso inferior para se obter agua na quadra secca cavam-se no seu leito, cacimbas de i o a i 5 metros de profundidade que, quando não dão agua de nascente, se deixam ficar de uns annos para outros, tapadas com madei- ras e areias grossas, emquanto corre, e onde fica a agua armazenada. No curso médio, do Chaungo ao Chicusse, á parte varias mulolas ou pequenas linhas d'agua torrenciaes e de enormes volumes na quadra das chuvas e que na seca deixam de correr, recebe na sua margem direita o Chimpumpunhime que é por assim dizer um duplo Caculovar ainda mais extenso e percorrendo uma região mais caracte- 20 ristica. Nasce na parte mais elevada da cordilheira da Chella, na serra da Neve, e d'alli com o nome de Neve segue para sudeste direito á povoação da Humpata, rece- bendo vários alluentes do mesmo tamanho e natureza que elle, e depois de encurvar para sul e voltar novamente a leste e receber muitos outros afluentes importantes, es- pecialmente na margem esquerda, como o rio da Figuira e o da Palanca, atravessa Travessia do rio Mapunda — Lubango todo o plateau da Humpata com o nome de Nene, atravessa o contraforte sul do planalto entre as ásperas encostas do Munhere e Chinkerere numa direcção quasi sul, e tomando depois para sudeste passa ao pé da Chibia e vai lançar-se no Caculovar, 5 kilometros alem do Chaungo. Como dissemos, as condições deste rio, assim como as dos afluentes que recebe, são inteiramente as mesmas que as do curso superior do Caculovar, descendo todos de altos morros e passando em fundos valles e gargantas apertadas, mas com mais abundância d'agua na quadra da estiagem, em que poucas são aquellas em que deixa de correr. Os terrenos para jusante da Humpata são mais abertos, chatos e planos, especialmente na margem direita. Os leitos são igualmente bem definidos, fundos, ribas elevadas e quasi sempre em rocha ou fina areia. Apenas da confluência do Figuira ao Palanca as margens são alagadiças e argilosas. Da Chibia para jusante recebe apenas mulolas, seccas na estiagem, mas canali- zando grande volume d'aguas na quadra das chuvas. Raros são os annos em que o Chimpunpunhime deixa de correr ; e, quando tal succede, sómente na sua parte inferior conserva sempre grandes depósitos d'agua represada. Muitas das mulolas e algumas das linhas d'agua que por acaso seccam, conservam também varias represas com agua ou nellas se cavam cacimbas com um a dois metros de profundidade. Quanto a terrenos, atravessa duas zonas distinctas: a do plateau da Humpata e a da Chibia, ambas próprias á fixação da raça branca. 2 I Das mulolas que o Caculovar recebe no seu curso médio ha algumas de impor- tância como são as da Catumba, Hae, Cakete, Tunda — um verdadeiro rio na quadra das chvas — e Camelenguena na margem direita e Muker (Cha-Capora), da Areia, do Tchiapepe — pequeno regato — , do Binguiro, Cavallaua e Irocuto ou Chiaíiá (In- bondeiro das pedras). Todas ellas se podem dividir em dois troços: o superior de leito fundo, margens altas, como verdadeiros rios; e o inferior, plano, margens alagadas, emfim como verdadeiras mulolas em quadra de chuva, difficilimas de atravessar, não só pelo grande volume de aguas, mas pela natureza das terras que, sendo muito argilosas, se tornam em verdadeiros lamaceiros. Todas deixam de correr na quadra secca ; algu- mas conservam depósitos d'agua ou fundões, noutras abrem-se cacimbas de nascente, emquanto noutras se fazem verdadeiros reservatórios de i 2 e 1 6 metros de profundi- dade, tapadas com madeira, pedras e areias e se enchem por infiltração na quadra das chuvas. O leito do Caculovar neste troço ora atravessa grandes várzeas, ora se encosta a morros altos e pedregosos, ora corre encaixado entre colinas de ásperas vertentes. Neste troço deixa de correr quasi sempre em toda a sua extensão, mas conserva gran- des lagoas e reservatórios d'agua, muitos em rocha, que chega não só para os usos dos habitantes mas até para a irrigação de campos que são dos mais ricos e férteis, embora pouco próprios á permanência dos europeus. Baixa de 1:450 a 1:100 metros. No curso inferior o Caculovar atravessa terrenos essencialmente planos e o seu leito cavado em argila sécca todos os annos, embora nalguns pontos conserve agua até bastante tarde. Recebe na margem direita os afluentes Colubango e M'bungo e na margem Vau do Caculovar na Kihita esquerda as mulolas Chiaíiá e a Mucopa, que conduzem na epocha das chuvas o exce- dente das aguas da lagoa Afi e do próprio Cunene que trasborda abaixo do Capelongo, alem das que recolhem directamente nos seus longos percursos. O desnivel desta parte do rio é muito insignificante, apenas de uns 5o metros. Todo o curso do Caculovar e seus afluentes são densamente povoados. 22 Iabos, Chabicua, Cacuio e Elefantes. 
 
— O Cunene recebe ainda na sua margem direita os dois pequenos Jabos, os últimos da vertente interior que desaguam próximo da cataracta Ruacaná, a montante, e os Chabicua, Cacuio e dos Elefantes que correm a sul no comprido plateau de entre as duas cumeadas da Chella, na sua parte meridio- nal, e se lançam normalmente no Cunene, na zona em que e!le galga a mesma cordilheira. Ainda no seu curso inferior, já na zona das areias, recebe o Cunene algumas clambas na margem direita, de que a mais importante é a das Viboras, e que quando chove lhe levam bastantes aguas. São completamente despovoadas. Pesca no Caculovar — Cahama Bambe, Cubangue, Occi e Ochitanda, — Dos afluentes do Cunene, na margem es- querda, temos em territórios da Huilla e na sua parte superior os rios Bambe, Cubangue e Occi e afluentes — Camucuio e Halo — , e o Ochitanda, Colui ou Calonga e seus afluentes. Todos estes rios descem das terras altas do Dongo e Mussinda e forte- mente encaixados em estreitos e fundos valles correm a sudoeste até se lançarem no Cunene. Todos elles acumulam de per si e pelos seus afluentes grandes volumes d'agua na epocha das chuvas, deixando todos de correr nos dois terços inferiores, na quadra da estiagem. Conservam no entanto poços e fundões com muita agua permanente. Os seus leitos são pedregosos e arenosos, nalguns troços cavados em argila. A corrente é rápida no percurso superior, de margens elevadas e declivosas, pelo contrario de corrente fraca e terrenos marginaes planos e alagadiços formando mulolas ou pequenas lagoas no curso inferior. De todos estes o Ochitanda merece-nos ainda referencia especial, não só pela sua grande extensão e volume d'aguas que reúne, deixando raras vezes de correr, e apenas nalguns pontos, como ainda pelos afluentes que recebe dos quaes mencionaremos os Quinuangombe, Espinheiro e Elefantes na margem direita e o Calonga e Camene na esquerda. No curso inferior, depois de receber o ultimo afluente, o leito afunda e alarga não ofterecendo vau, o que junto aos terrenos marginaes alagadiços e cobertos de altas gramíneas o tornam intransitável. 23 Da confluência do Ochitanda para jusante, isto é, depois do Quiteve, não recebe o Cunene mais afluente algum, antes, como já dissemos, delle se desprendem nas gran- des enchentes as mulolas Muír, Ovalé e Okipoco que, atravessando respectivamente o Cuanhama e Cuamato, se vão perder na Donga ou reunir ás que prolongam o Cuvelay e formam a Etocha, devendo porem frizar-se, que, embora se dividam em muitos ramos, se não dá o retrocesso das aguas como com os macaricaris , pois o terreno, ainda que levemente, desce para sul. Zona alta intermédia Cuvelay. — Saindo da bacia do Cunene entra-se na do Cuvelay. Este rio com a sua bacia encravada entre a do Cunene e a do Cubango, no ponto em que estes dois grandes rios deixam de ser sensivelmente parallelos para seguirem em direcções quasi oppostas, nasce na serra do Encoge a leste de Cassinga, dreina todo o plateau dos Amboellas, e, depois de seguir algum tempo para sul, inflete para oeste até á Handa aproximando-se extraordinariamente do Ochitanda, voltando novamente para sul e en- trando pelo Evale onde forma o Cariango e até onde se apresenta com leito definido e corrente quasi todo o anno. Com volume d'aguas relativamente grande na quadra pluviosa, na estiagem diminue muito, chegando a seccar em vários pontos, mas conservando sempre compridas lagôas ou fundões onde a agua fica depositada.  Continua.... AQUI:

Full text of "Sul d'Angola; relatório de um govêrno de distrito (1908-1910)"

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domingo, 4 de novembro de 2012

Francisco Newton a sua exploração em Moçâmedes, em 1880

VISITA À WELWITSCHIA


Em 1880, principiou Francisco Newton a sua exploração
 em Angola, primeiro em Moçâmedes,
seguindo depois para o Giraul.
Em Julho visitou a região da Welwitschia
e as margens do rio Coroca.

Banha de Andrade
O Naturalista José de Anchieta

 
 Feitas as apresentações protocolares, damos um salto de quinze anos, partindo para Angola. Continuamos a socorrer-nos de informação alheia, pois a primeira carta de Newton é de 1885. 
Eis pois o que Júlio Henriques nos diz com toda a frankeza, em verídica nota biográfica, e Bettencourt Ferreira confirma com a maior originalidade (abrimos parágrafos para melhor leitura) -
O Sr. Frank Newton visitou algumas colonias portuguezas da costa occidental da Africa e ahi colheu plantas.
O sr. Francisco Newton começou os seus trabalhos de exploração em 1880, pelas colonias portuguezas da costa occidental de Africa.
Começou os seus trabalhos de exploração em 1880, principiando em Mossamedes, seguindo para o Giraul, visitando em julho a região da Wellwitschia e as margens do Rio Coróca. [1]
Ahi herborisou muito, seguindo para Giraul e visitando em julho a região da Welwitschia e as margens do Coróca.
Em agosto, seguindo para o interior, passou por Giraul, Pedra Grande, Monhino, Capangombe.
Em agosto, seguindo para o interior passou de novo por Giraul e foi a Pedra Grande, Monhino e Capangombe.
N’este mesmo anno herborisou no Bumbo, subiu á Serra de Chella, foi á Huilla, ao arraial de Cayonda, ás povoações de Maconjo, Tampa e aos terrenos calcareos de Quitibe e Pomangala.
  No mesmo anno ainda herborisou no Bumbo, subiu á serra de Chella, foi á Huilla, ao Arraial de Cayonda, ás povoações de Maconjo, Tampa e aos calcareos de Quitibe e Pomangala.
De Mossamedes seguiu por mar para Porto Alexandre, e d’ahi foi de novo em janeiro de 1882 ao Coróca.
De Mossamedes seguiu para Porto Alexandre e d’ahi voltou ao Coróca, em Janeiro de 1882. 
Em abril partiu para Humpata e foi na companhia do padre Duparquet até ao Humbe, seguindo por Chimpumpunhime, Hai, Gambuc, visitando os morros do Tongo-Tongo, de ferro magnetico, e Xicussi na margem do Caculo-Bale.[2] 
Em abril d’este anno partiu para Humpata, acompanhado pelo padre Duparquet, foi ao Humbe, seguindo por differentes terras até aos morros de ferro magnetico de Tongo-Tongo.
Do Humbe seguiu com uma expedição dirigida por Erikno para caçar elephantes e avestruzes ás margens do Cunene até Camba, Mullondo e Quipundo, indo então ao paiz dos Otchiaviguas, d’onde se dirigiu para as cataratas do Cunene, voltando em agosto a Mossamedes.
Do Humbe seguiu com uma expedição dirigida por Eriksson, discípulo de Anderson, para caçar elephantes e avestruzes, pelas margens do rio Cunene até Camba Mullondo e Quipundo[4], visitando o paiz dos Otchiaviguas, d’onde tomou a direcção das cataratas do Cunene, e voltou em agosto a Mossamedes. 





Em setembro voltou ao Humbe e atravessando o Cunene chegou até Donga[3].
Esteve oito mezes no sertão, sem poder dar noticias. Tendo sido mortos apenas 40 elephantes e 22 avestruzes, a expedição cinegetica retirou descoroçoada, atravessando a Ovampia e o Damaraland.

No setembro seguinte voltou ao Humbe e atravessou o Cunene até Donga. 
Em outubro, atravessando de novo o Cunene, encontrou-se com Lord Mayo, em cuja companhia foi até Mossamedes.
Em outubro fez de novo a travessia do Cunene e regressou a Mossamedes junto com a expedição de lord Mayo, inglez rico e excentrico aventureiro, que concebera a mania de matar todos os leões d’Africa.
Em 1883, não chegando a bom caminho uma expedição belga á qual se tinha aggregado, apenas colligiu plantas em Giraul, Monhino e Biballa.
 Em 1883, agregou-se a uma expedição belga, que não foi levada a exito, por isso o explorador limitou-se a collecionar plantas em Giraul, Monhino e Biballa. […]

Vê-se que não foi pequena a area explorada, e que a collecção formada deve offerecer interesse consideravel. O catalogo das plantas colhidas será publicado ao passo que forem sendo estudadas. Na parte que hoje é publicada são já mencionadas algumas especies novas.
De regresso á costa, fez uma digressão á ilha de Santa Helena, onde se demorou um mês e voltou a Angola, para fazer parte da expedição belga de Edmond Elssen. As febres obrigaram-n’a a retroceder; Elssen suicidou-se no delirio febril e Newton teve de seguir para o Congo, subindo com Van de Velde o grande curso fluvial. Viu Stanley e foi obrigado a vir á Europa por doença (1884).
Henriques (1884)
Ferreira (1895)

 As plantas coligidas por Newton, entre as quais havia novas para a ciência, foram classificadas por estrangeiros: Hoffmann, Nordstedt, Saccardo, Berlese, Nylander, Winter, Flahault, Wittrock, Hackel, Ridley, A. Cogniaux, Baker, etc., faltando o mais natural - o botânico Duparquet. 
Convenhamos em que não foi pequena a viagem porque, entre 1880 e 1883, Newton conseguiu explorar Moçâmedes e Huíla, Cabo Verde, Dakar, Canárias, Bolama e Orango nos Bijagós, Freetown, S.Tomé, Ilha do Príncipe, Fernando Pó, Zaire, Congo, Cabinda, Ambriz, Catumbella, Timor, Ovâmpia e Damaralândia. 
Há algo de muito importante por aqui: a descoberta da osga sem garras, Hemidactylus greeffii, no Príncipe, antes da descoberta de Greeff.
Isto no geral dos três anos, porque no particular da estrada de Moçâmedes à Huíla, o que temos em cena é um comerciante, a fazer sempre o mesmo percurso, a passar sempre pelas mesmas terras, por estarem ali estabelecidos os fornecedores e os clientes. O explorador, por definição, explora, isto é, anda sempre à descoberta de novas terras, novas gentes, novas espécies, por isso avança para o desconhecido, não passa a vida na mesma região, a andar para trás e para diante.
Pena que, nas Viagens pela Cimbebásia, Duparquet não faça referência a Frank, nem a Nevvton, nem a Reesetán Fernandes da Silva. Duparquet, missionário espiritano, nascido na Normandia, entre as viagens ao Congo, a Zanzibar, ao Cabo, à Damaralândia, à Huíla, etc., veio várias vezes a Lisboa, fundou a Casa do Congo, em Santarém, e as meninas dos seus olhos, as missões do Congo e da Huíla, inaugurada esta a 23 de Junho de 1882.[5] 
O facto é algo estranho, por isso não se desenrolou sem incidentes diplomáticos: missões fundadas por estrangeiros em território português, sem aviso nem autorização, violavam o direito de padroado. Este foi um dos problemas que se levantaram na questão do Zaire. As potências estrangeiras interessadas em colonizar África começavam por enviar missionários, era uma primeira forma de ocupação, a que se seguiam os exploradores e depois os militares. O direito de padroado é objecto de largo historial por parte de Luciano Cordeiro, que não fala de Duparquet, mas se refere aos missionários franceses do Espírito Santo.
A 5 de Outubro de 1881, Duparquet embarcava em Lisboa com Padre José Maria Antunes e outros Irmãos. Tinha vindo resolver as pendências legais motivadas pelas suas andanças pela Huíla, em especial participar numa reunião em que estava presente J.V. Barboza du Bocage, presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa. Padre Antunes é um colector de plantas a quem os botânicos dedicam espécies novas, entre elas a quimérica Newtonia que muda para Antunesia. Padre Antunes fora aluno de Duparquet e em Braga dava aulas de Introdução à História Natural no ensino secundário. Partia agora como pároco, para salvaguardar a nacionalidade portuguesa da missão da Huíla, pois em 1885 tornava-se Superior da Missão, já Duparquet morrera. Atravessam o deserto de Moçâmedes, sobem a Serra de Chela e alcançam a Huíla a 7 de Dezembro. À chegada, verificam que os boers se tinham apropriado de todo o território, não sobrando nada para a missão[6]. Arrasadas as margens dos ribeiros Palanca e Mucha, subtraíam o que mais interessava aos padres. Entram em litígio com eles até conquistarem 1.500 hectares cercados pelo Mucha. “A Missão da Huíla ficou com cinco léguas de circunferência, estendendo-se até ao palácio real[7] situado nas proximidades da vila, apenas a vinte minutos da fortaleza e da igreja", escreve António Brásio S.Sp. e flora Lubango, 
Ali os padres espiritanos introduziram as mais variadas espécies exóticas, susceptíveis de originarem novas espécies, como de resto sempre foi hábito do Homem, nas suas deslocações: arroz, sorgo, macieiras, pessegueiros, damasqueiros, marmeleiros, alfarrobeiras, laranjeiras, romeiras, figueiras. Lançaram à terra 15 variedades de trigo, 8 de aveia, 4 de cevada, 16 de ervilhas e 49 de batata. Na propriedade da Mucha havia tanques para criação de peixe[8], pois era necessário “fazer um paraíso terrestre”. Além desta propriedade, os missionários ainda compraram mais duzentos hectares para construção da Nova Atlântida, tarefa em que afinal foram ajudados pelos boers, que até se prestaram a transportar os materiais.[9] Esta nova propriedade chamava-se o Munhino, local de colheita de Francisco Newton, que Frei António Brásio, das Missões do Espírito Santo de Viana do Castelo, autor em que bebemos estas informações, para nosso pesar se esquece de referir. Ficava a uma hora da Huíla e era servida pela estrada em construção que ia daí a Moçâmedes. Quarenta pessoas foram logo empregadas como pedreiros, carpinteiros, tijoleiros, etc., e a 28 de Setembro de 1882 estava já acabado o segundo corpo de construções.
Daqui passaram à Mucha. Avançam com colégio, seminário, etc., pelo que estes santos homens não tiveram um minuto disponível para outras obras que não fossem de arquitectura[10] e assentamento de pedras para erguer as colunas do Templo de Salomão, na Nova Atlântida angolana. É o que anota o próprio Padre Antunes, em carta de 28 de Setembro, chamando a atenção para a cabala da numerologia:
 Êste ano construímos já a primeira linha de edifícios compreendendo 6 quartos de cerca de 3 metros quadrados cada um; tudo isto se fez em 4 meses. Mas que de trabalho! Era preciso arrancar a pedra nas pedreiras improvisadas, fazer o tijolo aqui mesmo, ir cortar a madeira à floresta que fica afastada e por nossas mãos (Brásio).
 Em fins de Outubro de 1882, Duparquet achou-se entre a vida e a morte, a braços com uma grave doença pulmonar, diz Gastão Sousa Dias. Em Dezembro, a Missão recebia a visita do Bispo D. José Neto, após a do governador-geral, Ferreira do Amaral.
Não há aqui espaço para longas viagens, com o fim de iniciar Newton na botânica. O discípulo de Duparquet é o Padre Antunes, não F. Newton. Humpata, Huíla, Humbe, Otchiaviguas, Ovampo, Damaraland, itinerário traçado por Júlio Henriques e Bettencourt Ferreira, corresponde à expedição de Duparquet de 1880, em sentido inverso. De modo geral, quando alguém põe Newton face a outrem, surge uma imagem invertida e/ou anacrónica. De notar também que esta região corresponde à explorada por Welwitsch.
A viagem de 1880 é a que força o missionário a vir a Lisboa explicar-se. Obtém licenças sob condições para criar a missão, entre elas a de ficar sob jurisdição da Igreja portuguesa, e de incluir padres portugueses. O problema da ocupação de território pelas missões estrangeiras deve-se em primeiro lugar, diz Luciano Cordeiro, a nós não termos missionários.
Na realidade, a expedição à Huíla era uma coluna armada de caçadores que escoltava emigrantes boers. Segundo uma estatística publicada no Boletim oficial de Angola, em Julho de 1883 havia 461 estabelecidos na Humpata, no planalto da Huíla, considerado a melhor região de Angola. 
Duparquet viajava num vagão boer[11] puxado por 14 bois, com altar dentro onde celebrava - templo e altar portátil, que reencontraremos, porém sem os bois, na escalada ao Pico de Clarence. Partiram do que hoje é a Namíbia e mais caravanas de caçadores foram-se agregando a eles pelo caminho. Com Duparquet ia também o explorador sueco Erickson, próspero negociante da Damaralândia, estabelecido em Omaruru. Ia caçar elefantes e avestruzes, como declaram Henriques e Ferreira. Levava um jovem consigo, que pretendia iniciar na vida de caçador. Quer no diário de Duparquet quer no prefácio de Gastão Sousa Dias, tradutor, ocorrem misteriosos erros, quando se trata do pai do jovem, o explorador Andersson.
No prefácio, Sousa Dias afirma que no carro de Erickson viajava ainda um rapaz, filho de Anderson[12], que desejava visitar a campa de seu pai, falecido nas margens do Cunene, a 4 de Junho de 1867. No diário, publicado pela primeira vez em 1881, escreve Duparquet - 
Segunda-feira, 14 de Junho [1880]
Os primeiros membros da expedição tinham-nos já tomado a dianteira. Os três últimos carros deixaram igualmente Omaruru, na manhã de 14 de Junho. Um destes vagões era o meu; o segundo era ocupado pelo snr. Jordan, inglês do Cabo, que tinha negociado com o governo português o estabelecimento dos Boers na Província de Angola e desejava ser ele próprio a introduzi-los na terra prometida; o último carro era o do snr. Erickson, que levava consigo o jovem Anderson, filho do célebre viajante deste nome, morto perto das margens do Cunene, há sete anos. Fora o próprio snr. Erickson que lhe havia assistido aos últimos momentos, e o havia enterrado à margem da estrada que leva do Cuanhama ao Cuambi. Só ele conhecia o lugar dessa campa solitária; e, ao iniciar o rapaz na vida de caçador, queria proporcionar-lhe a consolação de poder rezar sobre o túmulo do seu ilustre pai. 
Duparquet dá como ano da morte 1873. Não é um primeiro erro, sim segundo, contando com o de Sousa Dias. Páginas adiante, o Reverendo mete completamente os pés pelas mãos: 
Domingo, 4 de Julho
Esta manhã o jovem Anderson partiu com o snr. Erickson para visitarem o túmulo de seu pai, morto neste dia, há 17 anos, em 14 de Julho de 1863. O célebre viajante tinha, no dia 13 de Junho, alcançado o Cunene, muito provàvelmente ao norte do Humbe. Durante quatro dias esperou em vão que os indígenas o transportassem em canoa para a margem oposta. Partiu então de novo para o Cuanhama, de onde saiu alguns dias depois, já muito doente, em direcção ao Cuambi. A 2 de Julho, percebendo que a sua última hora estava próxima, preparou-se para morrer e fez com que o snr. Erickson lhe lesse repetidas vezes os salmos apropriados à situação. Mas só veio a expirar dois dias depois, ao cabo duma penosa agonia. Sem ter qualquer outro instrumento além duma “catana”, o snr. Erickson conseguiu abrir uma cova, onde depositou os restos mortais do intrépido viajante. 
Duparquet comete outro erro, não relativo a Andersson, sim à cronologia do seu próprio diário - neste dia 4-14; quarto erro - morto a 14 de Julho; quinto erro - há dezassete anos; sexto erro - em 1863. Esclarecimento em rodapé, do mesmo Sousa Dias que já informara ter Andersson morrido a 4 de Junho: “Há engano nas datas: Anderson faleceu em 4 de Julho de 1867”.
Podia este lobinho[13] ser Francisco Newton? Ou a Francisco foi atribuída a biografia do jovem Andersson, tal como se lhe atribuiu a biografia e a Newtonia do Padre Antunes? 
As aves coligidas por Erikson/Eriksson no interior de Moçâmedes foram determinadas por Trimen, conservador do Museu do Cabo. Em 1882, acabara de sair a publicação, em que figurava uma nova espécie, dedicada ao explorador, Cinnyris erikssoni, a qual motiva algumas considerações a Bocage (1882).
Se Erikson queria que o jovem rezasse na sepultura do pai[14] no dia da morte deste, a 4 de Julho, precisava de ter partido dez dias antes. Se é verdade que partiram a 4 de Julho, então morreu a 14. Mas só por corvo tipográfico alguém morre no dia da Tomada da Bastilha, num relato em que as datas estão todas trucadas. Só por milagre alguém morre no dia da Declaração da Independência dos Estados Unidos, quando, sabem todos os que se interessam por estas coisas, em ambos os processos políticos está a mão da maçonaria.[15] 
A Damaralândia fazia parte de Angola. Esta expedição, que parece a tomada da Huíla pelos boers, o que estaria de acordo com a política portuguesa, afinal foi a tomada da Huíla pelo missionário, o que tanto incomodou o governo português que, quando chegou a casa, tinha lá uma carta a pedir-lhe explicações. Duparquet não teve outro remédio senão apanhar o primeiro paquete e apresentar-se em Lisboa.
Com a Missão do Congo, Angola foi atacada pelo norte. Com a da Huíla, foi atacada pelo sul e perdemos para os alemães todo o território a sul do Cunene. Os portugueses conheciam estes factos, como demonstra um ofício do governador de Angola para o ministro da Marinha, com a nota de confidencial, na qual transcreve dois parágrafos de uma carta de Ivens e Capelo, escrita após a sua visita à Missão da Huila, na qual nenhum juvenil Francisco Newton os acompanhava, a menos que tivesse ido na qualidade de membro do Colégio dos Invisíveis. Chama a atenção do ministro para o tom em que vem escrita:[16]
 Em relação ao padre Duparquet permitta-me V.Exª que eu transcreva dous periodos que os dous exploradores me mandaram em forma de telegramma, n’uma carta:
“Temos estado aqui com o Duparquet - Finório! A missão da Huilla está muito desenvolvida: fomos recebidos com a maxima attenção pelo padre Duparquet. A respeito deste sotaina que é quem dirige a manobra toda na missão, falaremos com mais vagar. Parece importar-lhe muito os nossos limites para Leste.”
 Tal como a conquista da América, a partilha de África fez-se com grupos de meia dúzia de pessoas e até indivíduos isolados. Stanley deu à Bélgica o Congo Belga, Brazza deu à França a outra metade do território que nos interessava.
Depois de visitada a Huíla, Duparquet regressa a Omaruru. Erickson, com o jovem acabado de iniciar, prossegue a caçada para norte, atravessando a região dos bosquímanos. Perto das Amboelas descobrem muitos elefantes, mas a região é de tal modo arborizada e pantanosa que a caça é dificílima. Não se refere a morte de nenhum elefante, sim a de membros da caravana. Descoroçoado, sem nenhum dos quarenta elefantes de que fala Ferreira, volta a Omaruru, conta o missionário, que não estava lá para ver. Dufour, Vanzyl e outro boer persistem na caçada. Vanzyl é assassinado por um hotentote, diz o missionário, que já ia na Damaralândia. O explorador francês Dufour fica com os bosquímanos que tomara ao seu serviço, e também ele será assassinado, agora pelos ovampos, diz o missionário, que nesta altura já deve estar a ler a carta de Lisboa. Erickson recolheu os seus papéis, mas nem corpo nem roupas foram encontrados,[17] conta o bom missionário, já no paquete em que veio prestar contas a Portugal.
O tenente Boyd Alexander, amigo de Newton, também foi assassinado, diz-se que pelos sudaneses.[18] O polaco Rogozinski, cuja mensagem Newton (não) recolheu no Pico de Santa Isabel, caiu numa emboscada nos Camarões, quando procurava uma fatia de terreno ainda sem autoridade europeia. Salvou-se da morte, não porém da prisão, porque afinal sempre havia por ali uma autoridade qualquer, possivelmente alemã (Unzueta).[19]
Morrem muitos exploradores e missionários em África,[20] e quase só morrem de malária ou assassinados pelos nativos. Newton foi vítima de uma tentativa de envenenamento nos Angolares, conta ele. O padre superior da missão de Ano Bom, que tanto o ajudara a semear e a colher, também morreu, por coincidência logo a seguir a isso. 
Se Newton andou pela Huíla, conheceu Duparquet, até porque os exploradores se alojavam nos fortes, nas roças ou nas missões. Mas conheceu-o depois de 1883. Porém, como Duparquet morreu no ano seguinte, e Newton, em 1883, não saiu do Giraul, de Monhino nem de Biballa, em Moçâmedes, só o pode ter conhecido como nós, de literatura.
Os relatos de exploradores conquistaram um público ávido, por isso alimentaram jornais e fizeram o espantoso sucesso do jornalista Stanley. Mais: como o espantoso sucesso de Stanley o levou à chefia da Associação Internacional Africana, diremos que a literatura de viagens é a causa primeira da fundação do Estado Livre do Congo.
O contexto em que ocorrem as gralhas relacionadas com F. Newton (Eça faria dele tipo de Portugal em África) é o da literatura que vai narrando o destino do continente negro ao ser retalhado pela ganância das potências europeias. Literatura de viagens e oficial. Portugal deixou-se apanhar de surpresa enquanto curtia a doença do sono em Cassoneca (Luanda). Quando acordou, já o tinham ultrapassado. 
Newton chegou tarde à Huíla, a toda a parte. Quando vai para Timor e Guiné, já Portugal, na bancarrota, queria vender Moçambique, Guiné e Timor: 
 Apenas uns annos passaram sobre o inolvidavel ultimatum inglez e mais de um historiador terá escripto e com verdade que elle foi provocado. Insinua-se que o povo não sabe e que não se trata sequer de venda, sim de pagamento de dívidas às companhias de Cecil Rhodes: “Disso só se faz mysterio para o povo porque exactamente é elle que não tem relações nem dividas nas agencias financeiras de Cecil Rhodes”.[21]
 Para ser pontual, Newton precisava de ter andado nos lugares onde se diz que andou, muitos anos antes. O nome Newton não refere sempre o Francisco, não aponta uma pessoa, sim um tipo e uma situação social. Funciona como eixo de private jokes, algo no género do Capitão Boteler, cuja carta de Ano Bom só registava um curso de água:
 - O Venerável Irmão já sabe a última?
- Sim, sim, o nosso Newton conseguiu infiltrar-se em Palla Balla e obter uma cópia do contrato do Van de Velde com o soba…
- Esse Vivi saiu-me cá um vivaço! Então e aquela do Titanic, é de mais!
- Mas nada que se compare à tomada do paquete Santa Maria!
- Para mim, a melhor do Newton foi o desvio dos planos do pirelióforo do Padre Himalaia!
- Sim, mas fazer a Rocella do duque de Montagu montar não sei que rosa para a descendência dar na Welwitschia mirabilis, é um achado! A fanerogâmica aprendeu a cabala fonética... Veja o retrato, até ficou encolhida...
- Não há nada como a experimentação, os Superiores Desconhecidos sabem o que fazem… Um dia destes mandam o Newton acasalar pinheiros com elefantes… 
- Ah, sim, o nosso Vigilante, mesmo sem engenhocas, mete o James Bond num chinelo!

Welwistchia mirabilis, segundo Hooker

Se repararmos na nota de Júlio Henriques, ele não disse que Newton tinha andado com Duparquet, nunca menciona o Francisco, sim um tal Frank[22], bem como não fala de Erickson, sim de um certo Ericno[23]. Por último, não sabemos onde se localiza a região da Wellwitschia, nem quem é tal senhora, a menos que vamos ao catálogo de plantas, pois lá encontramos a notícia de que F. Newton coligiu o líquene Rocella Montaguei[24], do deserto de Moçâmedes, encontrado sobre a Welwitschia mirabilis. Henriques não diz que F. Newton esteve no deserto de Moçâmedes, sim que obrigou a Rocella do deserto de Moçâmedes a sair de cima da Welwitschia.
Referimos já que Júlio Henriques era correligionário de Teófilo na Academia de Ciências de Portugal. Nos Trabalhos da Academia vem um artigo dele sobre a Welwitschia mirabilis, em que fala de Welwitsch, J. J. Monteiro e outros colectores da planta. Porém, e não saberíamos explicar porquê, esquece-se de Francisco Newton (Henriques, 1908).
Banha de Andrade, com a nota biográfica de Henriques à frente, precisa que Newton, Francisco, visitou não a Welwitschia nem a Wellwitschia, sim a Wellmitschia, e que os lugares percorridos foram os mourros de Tongo-Tongo, agora sem ferro magnético.[25] 
Felizmente, Bettencourt Ferreira corrige os erros, mas note-se que no segundo artigo (1897) deixa claro que o Chico “visitou a Welwitschia”, não o deserto de Moçâmedes. Nós costumamos visitá-la na escada do Laboratório do Jardim Botânico de Lisboa.   
Gralhas
Bernardino António Gomes (1870), comentando com muitos elogios a obra que Welwistch acabava de publicar em Londres, sobre os resultados da sua exploração de Angola, Sertum Angolense,  começa por considerar Angola e Benguela a Guiné Portuguesa, e remata da mesma maneira geográfica: "O Sertum angolense é pois mais uma valiosa contribuição para o conhecimento da Flora da Guiné, que temos a ajuntar a todas as outras que são devidas ao seu digno auctor, o dr. Fr. Welwitsch...".  

[1] Além de Welwitsch, quem visitou a Welwitschia, porque a sua missão incluía o deserto de Moçâmedes e saber se o curso do Coroca tinha ligação com o Cunene, foram Capelo e Ivens, como eles próprios contam em De Angola à Contracosta.
[2] Júlio Henriques parodia Capelo e Ivens. Por sua vez, Ferreira parodia Henriques e desenvolve as suas tiradas. Segundo rodapé de Capelo e Ivens, o topónimo Caculovar é corruptela de Caculo-Bale. Ninguém usa tal redacção, só a conhecemos destes dois textos. Os locais correspondem à expedição de Capelo e Ivens em 1884, misturados com escalas de outros exploradores. As missões em África tinham muitos opositores. A ala liberal nunca foi colonialista, apoiava as independências.
[3] Na Donga (Etocha), Capelo e Ivens depararam com uma lagoa de água salgada. Donga fica muito longe para Newton a ter alcançado.
[4] Estas localidades correspondem a etapas da exploração de Brochado (1850) e nem se trata das outras, interiores ao relato, sim das que se exibem no título: Terras do Humbe, Camba, Mulondo, Quanhama, e outras.
 Capelo e Ivens iniciam a travessia de África de 1884 por Moçâmedes, seguem pela Huíla, descem o rio Caculovar até ao Humbe e prosseguem até Quiteve pela margem direita do Cunene. Anchieta também explorou o Humbe. Antes deles e de Welwitsch, o pioneiro da exploração de Moçâmedes, Huíla, Bumbo, Cunene, Giraul, Cubal, etc., fora Gregório Mendes, no final do século XVIII. Quanto ao enigma da foz do Cunene, invisível por no tempo seco as águas se infiltrarem nas areias e nem chegarem ao mar, só em 1854 Fernando Leal a descobriu.
[5]Marco privilegiado pela maçonaria, que se designa em geral por Maçonaria de S. João.
[6] Os boers eram os holandeses de Orange e do Transval, então em guerra de independência com os ingleses. A decisão de povoar com eles o sul de Angola não foi do agrado geral. Em 1883, Pinheiro Chagas, ministro da Marinha e Ultramar, tentará minorar o perigo da sua presença em Angola com colonos madeirenses. A primeira leva ocupa o Lobango, em 1885, onde funda a colónia Sá da Bandeira. Ora o Lobango é um dos locais de colheita de Newton em situação de ubiquidade (Errática). 
[7] Palácio de Salomão, sede de um Grande Oriente. A repartição das instalações corresponde ao cumprimento da regra segundo a qual são precisas pelo menos três lojas para o seu estabelecimento.
[8] Como na Nova Atlântida, de Francis Bacon. Criação de peixe para povoamento de rios - é o que também acontece em S. Tomé com os peixes americanos.
[9]  Tal como os tírios transportaram para Jerusalém o cedro, os operários do Templo e forneceram o arquitecto a Salomão, Hiram.
[10] O objectivo da maçonaria é a construção (do Templo), privilegiada a arquitectura, daí que Deus se designe por Grande Arquitecto do Universo. 
[11] O carro de bois foi introduzido em África pelos boers. Eram veículos cobertos, com aparelho especial, pois chegavam a ser puxados por quinze parelhas de bois. Próprios para caravanas, eram usados pelos militares, por isso certos exploradores viajaram neles, como Capelo, Ivens e Serpa Pinto. Quando os caminhos terminavam, por vezes a caravana parava durante meses, para abrir uma estrada. Serpa Pinto, em Como eu Atravessei a África, descreve-o: “O wagon de viagem em África do Sul é uma pesada construção de madeira e ferro, de 6 a 7 metros de comprido por 1,8 a 2 de largo, assente sobre 4 fortes rodas de madeira e tirado por 24 a 30 bois, jungidos a fortes cangas, presas a uma corrente e grossa, fixa à ponta do cabeçalho no carro.”
[12] Trata-se de uma gralha, com o fim de confundir identidades, que muitos cometem: James Anderson, pastor presbiteriano e doutor em Teologia, em 1721 foi encarregado pelo duque de Montagu de examinar a história dos pedreiros-livres, daqui resultando a Constituição Maçónica - The Constitutions of the Freemasons, etc. (Oliveira Marques).
[13] Lowtons são os menores, filhos de maçons falecidos, instruídos e iniciados pelos outros maçons.
[14] Duparquet assevera que só Erikson conhecia a campa de Andersson, o que é natural, se fora este a enterrar o Irmão. Faz parte das normas que, quando um rosa-cruz morre no estrangeiro, a sua campa deve permanecer secreta.
[15] Ambas as datas, 4 e 14 de Julho, bem como as relativas aos dois S. João, geralmente são as escolhidas para inaugurar novas lojas. 
[16] Carta do governador Francisco Joaquim Ferreira do Amaral para o ministro da Marinha, Luanda, 14 de Junho de 1884. Arquivo Histórico Ultramarino. Pasta 5 das Explorações Científicas e Comerciais.
[17] Segundo parece, pela segunda vez Erikson enterra um Irmão, deixando a campa secreta, como é da regra.
[18] Em Hazevoet lemos que se tratou de um acidente: Boyd Alexander was killed in a tragic accident near Darfur in April 1910.  Alexander viveu na Costa do Ouro, onde integrava o corpo da Polícia.
[19] Errata: nos Carbonários, por um erro interpretativo, decláramos Rogozinski morto nesta emboscada. Como se nota agora, sobreviveu. A fatia de território procurada não tinha por fim o estabelecimento de uma colónia polaca em África, sim de uma roça para cultivo particular de cacau. Encontrá-la-á em Fernando Pó, e nós encontrá-lo-emos a escalar o Pico em 1860, em 1884 e em 1894, o que mostra a sua extraordinária resistência numa ilha de clima doentio.
[20] "Missionários estrangeiros envenenados no Zumbo (Moçambique).Dois morreram e um ficou em perigo", lemos por acaso no Diário de Notícias de 4 de Junho de 1895.
[21] O Seculo Negro, 5 de Novembro de 1895.
[22] No dia 31 de Dezembro de 1881, Frank Newton, na Secretaria do Governo de Moçâmedes, tratava de qualquer documento, pelo que pagou $185 de emolumentos (Boletim Official de Angola).
[23] São gralhas próprias da cabala fonética, tal como Nevvton, Reesetán, Anderson em vez de Andersson, etc., cujo resultado é a confusão de identidades, o que obedece ao propósito de manter incógnitos os nobres viajantes. 
[24] Rocella de Montagu. O duque de Montagu está na origem da Constituição Maçónica.
[25] Em De Angola à Contracosta, Capelo e Ivens decifram o enigma dos morros de ferro magnético: o Tongotongo é um morro, no Hai (Huíla). Abundava por ali o sesquióxido de ferro magnético, … encontrando-se grandes massas de magnetite, que produzem sobre a agulha os mais extraordinários desvios. O morro era conhecido também pelo nome de morro Sagrado, onde os indígenas da localidade celebram anualmente uma festa. Os locais por onde Júlio Henriques faz passar Newton - Chimpumpunhime, Xicussi, etc., são estações do roteiro de Capelo e Ivens.